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O Anticristo já veio?


Capítulo 24 - Hipocrisia e duplicidade

Capítulo 24 - Hipocrisia e duplicidade 1

A. Ensinamentos, conselhos e advertências joaninas com base no Torreão dos Fundadores 2

1. “Leçon des choses” tirada do que aconteceu na Ordem Franciscana, após a morte de São Francisco 2

2. Se não houver lealdade ao espírito de Dr. Plinio e às finalidades estabelecidas por ele, a subsistência da TFP corre perigo 6

3. É preciso conservar sem alterações os estatutos, a doutrina e a disciplina estabelecidos por Dr. Plinio 7

4. É um tremendo equívoco abrir a TFP para “horizontes mais universais” do mundo ou da Igreja 8

B. Ninguém pode arrogar-se o direito de mudar nenhum princípio, símbolo, norma, diretriz, ou linha de conduta seguida por Dr. Plinio ... 8

C. O que o SDP disse, para mim é lei ... 13

D. Doutor Plinio é nosso modelo, nosso exemplo. Temos a obrigação de espelhá-lo mais do que antes ... 17

E. Devemos fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para glorificar a Dr. Plinio ... 28

F. “Eco fidelíssimo” de Dr. Plinio ... 29

II. Em relação à TFP 35

A. A TFP é uma instituição providencial, a Igreja hoje em dia está reduzida à TFP, é preferível morrer a abandonar a TFP, a TFP só é destrutível por dentro, o ódio contra a TFP é satânico ... 35

B. No tocante à união 42

C. No tocante ao princípio de autoridade, à obediência e à disciplina 102

D. Quanto ao modo de impostar-se perante os problemas internos. E no fundo quanto à esperança na Bagarre, Grand Retour e Reino de Maria 128

E. No tocante ao relacionamento entre os membros do Grupo 144

F. No tocante a Dom Bertrand 155

G. No tocante aos Diretores da TFP Brasileira 156

1. Retos, dignos, nobres; herdeiros de Dr. Plinio; o espírito de Dr. Plinio os assiste; relíquias vivas de Dr. Plinio; pessoas de muito valor e de muita categoria 156

2. Dr. Luiz: muito bondoso, manso e luciliano 163

3. Dr. Eduardo: fidelíssimo filho de Dr. Plinio 166

4. Dr. Paulo Brito: descido do mundo dos anjos, muito puro, dotado de uma inteligência privilegiada 166

5. Dr. Plinio Xavier: a Providência o vai preparando para, na hora da Bagarre, resolver situações sem saída 167

6. Dr. Caio: vanguardeiro que levantou países inteiros da estaca zero 168

7. “Entretelones” de uma carta transbordante de “ ilimitada benquerença”... 171

8. Em relação a JC, é preciso ser indulgente. Em relação aos Provectos, não 172

H. No tocante à TFP Americana e a seus diretores 172

I. No tocante ao Coronel Poli 174

J. No tocante ao Sr. Fernando Antunez 175

K. No tocante a padres muito chegados à Instituição 176

1. Em relação ao Sr. Cônego José Luiz Vilaq: 176

2. Em relação ao Padre David 177

L. No tocante aos eremitas 177

M. No tocante à Sede do Reino de Maria 178

III. Em relação ao espírito contra-revolucionário 178

A. No tocante a espírito de hierarquia 178

B. No tocante à pureza 193

C. No tocante à humildade, despretensão e ausência de amor próprio 194

IV. Em relação à santidade 208

V. Dois pesos e duas medidas 215

A. Se for para favorecer a JC, a TFP Brasileira pode e deve intervir nas outras TFPs. Do contrário, não pode 215

B. Um depoimento é idôneo desde que seja favorável a JC. Se não for, não é idôneo 216

C. Fazer correr que a gente conta com o apoio esmagador da maioria das TFPs não é próprio de quem defende a boa causa 216

D. Ninguém pode intrometer-se num setor que não lhe pertence e dar instruções 217

E. Gravar fitas de telefonemas, a não sabendas do interlocutor, e depois passá-las a terceiros, não é leal, nobre, nem reto 217

F. Os joaninos acusam a TFP Americana de incorrer naquilo que todo mundo sabe que eles fazem sistematicamente há anos 218

VI. Quanto a “acordos”: sejamos sérios ... 218

VII. Critérios para analisar a hipocrisia joanina: As Sagradas Escrituras e a RCR A resposta de JC a uma carta-memorandum dos Provectos termina reproduzindo a seguinte sentença das Sagradas Escrituras, e portando do Divino Espírito Santo: 220

A. Ensinamentos, conselhos e advertências joaninas com base no Torreão dos Fundadores


1. “Leçon des choses” tirada do que aconteceu na Ordem Franciscana, após a morte de São Francisco

Para melhor intelecção deste tópico, permita-se-nos uma breve introdução:

Os primeiros franciscanos tinham algo dos Apóstolos dos Últimos Tempos, pois “eram enviados em pares, a pregar, como anunciadores do segundo advento do Senhor, (...) não levam nada em seu caminho, nem bolsa, nem alforje, nem pão, nem moeda, onde quer que perambulem, não possuindo ouro, nem prata, nem calçado sob seus pés”.

São Francisco usava o signo Tau como assinatura simbólica. São Boaventura, na “Legenda”, IV, 9, diz que “il Poverello de Assis” gostava de rubricar com o Tau as cartas que escrevia.

São Francisco foi canonizado o dia de Nossa Senhora do Carmo, 16 de julho. Morreu no anoitecer de 3 de outubro de 1226.

Quem anunciou sua morte aos irmãos e ao mundo, e quem dispôs do corpo do santo para enterrá-lo, foi Frei Elias.

Pouco tempo após o santo ter entregue sua alma a Deus Nosso Senhor, surgiram desentendimentos em torno da Regra e de seu testamento. Enquanto uns queriam manter-se fiéis à Regra e aceitavam a validade do testamento do Fundador, outros --os “conventuais”, isto é, seguidores de Frei Elias-- queriam inovar a Regra e “questionavam” a validade do testamento. De tal maneira o chefe dos conventuais --que nesses dias ocupava o cargo de vigário geral-- estava empenhado em introduzir reformas, que deu origem à cissão da Ordem em facções ou partidos. A oposição ao inovador emanava de uma minoria constituída pelos primeiros discípulos do Santo Fundador, pelos frades que tinham um pendor intelectual e por Santo Antônio de Padua.

Frei Elias era muito próximo de São Francisco; chegou a ser tido como seu braço direito; desde que ingressou na Ordem, teve “muita entrada” junto ao Santo, que o considerava como “sua mamma e padre di tutti i frati”, e o destinou para ser o primeiro provincial e fundador da célebre Custodia de Síria em Terra Santa. Tinha fama de conselheiro “ricercato”, bom pregador, fino diplomático, organizador talentoso e cheio de dons, bem como de escritor de tratados de alquimia. Tal era a “emprisse” que exercia sobre os conventuais, que estes obedeciam mais a ele do que ao próprio São Francisco.

Muitos e graves defeitos macularam sua conduta, especialmente pelo governo despótico, que turvava a tranquilidade da Ordem. Antecedentes longínquos colocavam em suspeita certas atitudes dele.


Incorreu em:


bel-prazer;


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  1. Por exemplo, convocou os frades para a trasladação do corpo de São Francisco, da igreja de São Jorge, para outra igreja chamada “Collis Paradisi” --que ele tinha mandado construir. Mas realizou a operação antes da data marcada, para driblar aos que não formavam parte de suas bases.

  2. Fez açoitar e lançar fora de Assis a dois frades observantes.

  3. No Capítulo Geral da Ordem Franciscana de 1230, seus partidários por toda a força quiseram impô-lo como ministro geral, mas fracassaram.

  4. Ao se formar a oposição a Elias, este não hesitou em persegui-la e aprisionar ou exilar os seus membros. Alguns foram encarcerados por ele. Frei Leão, um dos primeiros discípulos de São Francisco, se viu obrigado a fugir de Assis para escapar às suas mãos.

  5. Elias astutamente acusou um grupo de frades que se opuseram à suas extravagâncias perante o Papa Gregório IX de desertores da disciplina da Ordem e provocadores de discussões internas ... isto é, os acusou de incorreram naquilo do qual que era o campeão.

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Frei Elias levava uma vida pessoal inteiramente contra a pobreza, simplicidade e humildade franciscanas. Enquanto um dos cronistas carateriza sua conduta como “carnal”, outro diz que vivia “splendide, delitiose et pompatice” (suntuosamente, prazerosamente e com pompa).

Certa vez, visitou as clarissas, incorrendo em uma ofensa disciplinar, pois era proibida qualquer comunicação com elas sem a devida licença, estando os infratores sujeitos a excomunhão. Alberto de Pisa, então ministro geral da ordem, sabendo do ocorrido, ordenou-lhe que viesse pedir a absolvição. Mas Elias se negou. O Papa ficou ao lado do ministro geral e exigiu que Elias prestasse obediência, como qualquer outro franciscano faria. Diante disso e para evitar a humilhação, o frade se juntou ao imperador Frederico II --que também estava excomungado.


(Cfr. Nachman Falbel, “Os espirituais franciscanos”, Fapesp, São Paulo, 1995, pp. 13, 17, 28, 29, 40, 47. 81, 83, 94, 105; Enciclopedia Cattolica, verbette Elias di Cortona; Enciclopedia biográfica – I grandi del Cattolicesimo, a cura di Pietro Gini, Ente Librario Italiano, Roma, 1955; Walter Starkie, “La España de Cisneros”, Editorial Juventud Argentina, Buenos Aires, 1942, p.142).


Isso posto, podemos passar ao que JC disse na reunião para os veteranos, em 9/4/96. Enquanto estava falando das relações entre os fundadores e os religiosos, lêu a seguinte ficha sobre a Ordem Franciscana:


Crônica dos Frades Menores. Um irmão revela que teve essa visão:Ele divisou uma árvore de grande tamanho e beleza admirável. Eram de ouro as raízes e homens os frutos que dava.

Tinha a árvore tantos galhos principais, quantos eram as províncias da ordem. E em cada galho havia tantos irmãos, quanto havia na província representada por ela.

Deste modo o irmão conheceu o número de todos os religiosos que formavam a ordem e cada uma das suas províncias. Conheceu, inclusive, o nome, idade, condição, função, graças, virtudes e defeitos de cada frade menor.

No cimo do galho do meio viu o ministro-geral, Frei Juan de Parma. Os ministros de todas as províncias estavam no alto dos galhos circundantes. Viu também a Jesus sentado no trono excelso e deslumbrante. O Divino Salvador chamou São Francisco para junto de si e, oferecendo-lhe uma taça transbordante do espírito de vida, disse: "Vá visitar os frades de tua ordem e dá-lhes a beber esta taça do espírito de vida, pois vai levantar-se contra eles o espírito de Satanás que os vai ferir, e muitos cairão sem poder voltar a levantar-se".

Acompanhado por dois anjos, São Francisco se dispôs a oferecer a taça aos seus irmãos (1). Começou por Juan de Parma. Este a tomou, bebeu com santa avidez todo o espírito de vida que continha e na hora se tornou resplandecente como o Sol (2).

Continuou o santo oferecendo a taça a todos os demais, mas poucos a recebiam com o devido respeito e piedade e nem a tomavam por inteiro.


É místico. Quer dizer, o que se trata aqui é uma taça com o espírito do fundador.


Os poucos que ao recebê-la tomavam por inteiro ficavam imediatamente tão claros como o Sol. Os demais, ao invés, se tornavam negros, obscuros, feios e espantosos de ver.

Quanto aos que bebiam parte do cálice e derramavam o resto, ficavam meio claros e meio obscuros, conforme o que tinham bebido ou derramado.

Em seguida um vento impetuoso arremeteu contra a árvore com tal violência que os irmãos caíam ao solo. Os primeiros a cair eram os que tinham derramado toda a taça do espírito de vida. Os demônios prendiam e arrastavam às masmorras, para ali atormentá-los cruelmente. Mas o ministro-geral e quantos como ele tinham esgotado a taça eram levados pelos anjos a uma mansão de vida e luz eterna.

Finalmente, sob os embates da tempestade, a árvore acabou por cair e se tornou joguete dos ventos que a arrastaram.

Apaziguada a tormenta, da raiz de ouro daquela árvore brotou uma outra igualmente de ouro, cujas folhas e frutos eram todos dourados.


Quer dizer, a ordem ficou rejuvenescida. Os irmãos que se tinham negado a receber o espírito do fundador -- está dito aqui, é texto -- por terem se perdido foram substituídos por outros que se mostraram mais fiéis. (...)


(Paulo Martos: Apenas uma informação que o senhor talvez saiba. Logo após a morte de São Francisco houve uma reunião geral da ordem e houve um elemento que disse que São Francisco era muito radical (3) Santo Antônio tomou o partido de São Francisco, houve uma briga extraordinária no convento e esse elemento liberal foi trazido nas costas. Então muitos fizeram uma espécie de ramo mais liberal) (4).


(Kallás: E a ordem quase se extinguiu, não é?)

Quase se extinguiu (5). Mas faz parte do torreão dos senhores aí, que é o Torreão dos Fundadores, um capítulo que mostra muito claramente o seguinte: que depois da morte do fundador se estabelece uma divisão dentro da ordem, há aqueles que querem se manter fiéis à regra sem o espírito, e há aqueles que querem manter o espírito por cima das regras ainda.

(...)


(Orlando Kimura: Essa metáfora que o senhor deu de São Francisco, como é que se aplica?)

Eu dei no começo uma visão de como há diversidades e diversidades de aspectos de Nosso Senhor que não foram representados por Ele em vida e que são representadas pelos santos ao longo da História.

Depois dei o exemplo da árvore de São Francisco como é indispensável que nós tomando um santo que é fundador não tomemos em relação a ele uma atitude de diversidade: "Não, ele é um e eu vou ser outro, porque existe as diversidades".

Ele para mim é modelo, ele para mim é via, ele para mim é caminho (6). Então eu devo tomar o Sr. Dr. Plinio como uma pessoa que eu devo seguir o espírito da forma mais profunda possível.

Se eu não seguir esse espírito, a hora que bater o vento eu vou embora.

Agora, para eu ter este espírito é preciso algo muito mais profundo do que a simples aquisição do espírito. É preciso ter o quê? A troca de corações, que é mais ainda do que adquirir o espírito.

(...)


(Orlando Kimura: Quando o Sr. Dr. Plinio fala em espírito ele pressupõe a solidariedade nas instituições, mas também das tendências.)


Também das tendências e também do coração, não tem dúvida.

(Orlando Kimura: O ideal era que o Grupo tivesse todas as tendências voltadas para esse dom.)


Ah, não tem dúvida.

(Orlando Kimura: Nessa metáfora de São Francisco... a pergunta está meio difícil...)

O senhor está querendo fugir de casos concretos, é isso? (7).


(Orlando Kimura: Essa solidariedade pressupõe uma vida consagrada. Por exemplo, São Bento.)


Isto o senhor tem razão. Quer dizer, nós precisaríamos ter entre nós uma forma, ou se o senhor quiser uma forma, que fosse adequada àquilo que nós pensamos e àquilo que nós amamos.

Se o senhor quiser para justificar o seu pensamento, diz o Paul Claudel --e está na RCR-- que [o] homem ou vive como pensa, ou acabará pensando como vive.

Se nós não levarmos uma vida de acordo com os nossos pensamentos, de acordo com aquilo que nós queremos, há risco --não quero dizer que seja fatal, mas há o risco-- de nós, de repente, começarmos a mudar os nossos princípios (8) e os nossos desejos em função da vida que nós levamos.

De fato, em certo momento a Bagarre e o Grand-Retour nos trarão condições tais que nós, imperceptivelmente ou até sem ser por desejo nosso, pode acontecer, entraremos numa via, numa forma de vida, ou se o senhor quiser numa forma, que será inteiramente condizente com tudo aquilo que é o coração dele.


Comentários:

  1. Quem oferece essa taça --cujo conteúdo simboliza o espírito franciscano-- aos membros da Ordem, é diretamente São Francisco, desde o Céu. Não é através de um sucessor-impostor.

  2. João de Parma era inimigo de Frei Elias.

  3. Trata-se de Frei Elias.

  4. Na intervenção de Paulo Martos está insinuado que, assim como Santo Antônio tomou o partido de São Francisco, JC tomou o partido de Dr. Plinio; e que os liberais, não são os joaninos ... Portanto, para Paulo Martos --e para seus congêneres--, tentar estruturar a TFP com base no princípio da igualdade e na liberdade de pensamento; fazer da TFP uma Instituição mixta, constituída por pessoas de ambos os sexos; aliar-se ao Clero Progressista; etc., não é liberalismo.

  5. Tanto Kallas quanto JC, reconhecem que essa revolta quase extinguiu a Ordem Franciscana.

  6. E para os adeptos do joanismo, quem é o modelo, o caminho e a via: Dr. Plinio ou JC?

  7. JC reconhece que, o que aconteceu com a Ordem Franciscana, aplica-se à TFP.

  8. Sem comentários.





2. Se não houver lealdade ao espírito de Dr. Plinio e às finalidades estabelecidas por ele, a subsistência da TFP corre perigo


Reunião para CE, 4/11/95:


Eu começo por um teólogo atual, muito conceituado. Tão conceituado que ele é discípulo perfeito do Pe. Anastásio Gutiérrez, tão conhecido das senhoras e dos senhores. (...)

Este homem é especialista em fundações. E ele é especialista, entre outras coisas, em fundadores. Ele vai nos dizer uma palavra a respeito do “landemain”, a respeito do dia seguinte de uma fundação, quando morre o fundador. Diz ele o seguinte:

Sem nenhum gênero de dúvida, podemos assegurar que a lealdade a um espírito e às finalidades...

Então, "lealdade a um espírito". Lembre-se que tem de ser lealdade ao espírito do Fundador. E aos fins, fins estabelecidos pelo Fundador.


... e a competência em mantê-los dá garantia e perenidade à instituição.

Então, a instituição chamada TFP --vamos pôr os nomes bem claros-- terá perenidade, ela se manterá, estará garantida, desde que haja lealdade a um espírito, e lealdade à finalidade. Se houver lealdade a um espírito e lealdade à finalidade, a TFP, como instituição é PERENE. PERENE até o fim do mundo!! [Aplausos.]





3. É preciso conservar sem alterações os estatutos, a doutrina e a disciplina estabelecidos por Dr. Plinio


"Jour-le-jour" 26/9/95:


Eu leio aqui para D. Bertrand e os srs. uns ditos de Papas a respeito de fundadores:


(...) Leão XIII na carta ["Religiosi famiglia"?], escrita a 29 de junho de 1901 aos superiores gerais das ordens e institutos religiosos, conclamava: "Religiosos de todas as idades, jovens ou idosos, elevai vossas vistas para vossos ilustres fundadores. Suas máximas vos falam, seus estatutos vos guiam, seu exemplos vos precedem. Que vossa mais doce e santa preocupação ...


Vossa mais doce e santa preocupação!


... seja a de escutá-los, segui-los e imitá-los.


[Exclamações.]


S.Pio X, na carta ["I figliali osequi"?] ao superior geral dos dominicanos, em 7 de maio de 1907, afirmava: "O que sobretudo nos empenhamos em proteger é a essência de vossa vida de Irmãos Pregadores, a fim de que, através das vicissitudes dos tempos, vossa ordem se conserve sem alterações...


Ordem conserve sem alterações... Hum!


... da mesma forma como saiu do coração de vosso ilustre fundador, e seja capaz de realizar na Igreja o bem especial que a Divina Providência vos confiou."

Em setembro de 1908, em alocução aos Carmelitas Descalços, o Santo Pontífice advertia que as ordens religiosas devem conservar-se sempre junto ao calor da santa doutrina e da disciplina de seus venerados pais.

(...)


E assim vai... Eu teria para os srs., selecionados, textos sobre os fundadores que nada mais, nada menos é isto aqui. [Exclamações.] Eu não vou continuar porque senão nós passamos o tempo inteiro falando sobre os fundadores em tese e deixamos de falar sobre o fundador na prática.


Mas para JC, os Estatutos da TFP, que o SDP redigiu, “ferem normas legais”, estabelecem “um sistema hipócrita que afronta o Direito”, possui “um forte conteúdo de intolerável discriminação”, são “leoninos”, impõem um “desequilibrio contratual”. E enquanto tais devem ser anulados (Cfr. Processo movido contra a TFP por Nelson Tadeu e 51 litisconsortes).

E encabeça a indisciplina.





4. É um tremendo equívoco abrir a TFP para “horizontes mais universais” do mundo ou da Igreja


Reunião para CCEE, 6/10/95:


Diz um teólogo a respeito do tema fundador, Pe. Francisco Juberias, que é cordimariano justamente:


Todos os religiosos ou consagrados que com pretextos fúteis tratam de se desvincular do espírito dos fundadores, ou simplesmente afrouxam os laços de seu afeto para com eles, porque, segundo dizem, tratam de se abrir a horizontes mais universais do mundo ou da Igreja, sofrem um tremendo equívoco. É condenar-se à anemia espiritual, à esterilidade.


Segundo Hagop Seraidarian, Presidente da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima e “longa manus” de JC, enquanto os Diretores da TFP querem manter “rumos antiquados”, os joaninos querem impôr rumos novos; e “no cerne da polêmica” entre uns e outros, “o que está se discutindo são duas concepções opostas sobre o papel que a TFP deve assumir, enquanto movimento de leigos associados privadamente, dentro da Igreja Católica”. (Cfr. carta circular da ACNSF aos Bispos, 18/1/99)





B. Ninguém pode arrogar-se o direito de mudar nenhum princípio, símbolo, norma, diretriz, ou linha de conduta seguida por Dr. Plinio ...


Três dias após o falecimento de Dr. Plinio, JC disse o seguinte:


Tenho dois caminhos para a reunião de hoje. Ou dar alguma matéria que está reservada para dar aos srs., ou então responder a perguntas. Porque é possível que os srs. fiquem perplexos e queiram saber como fica isto, como fica aquilo, como é que vai ser, como é que vai ser, como é que não vai ser.

Eu já digo de antemão que tudo continuará "como dantes, no Quartel de Abrantes" [Exclamações.], nenhuma modificação deve ser feita.

O sujeito diz: "Bom, mas o Senhor Doutor Plinio me disse que eu ficaria camaldulense nessa coluna como São Simeão Estilita, até à hora da Bagarre. Ora, a morte do Senhor Doutor Plinio significa que a Bagarre chegou. Então já posso descer da coluna?"

Eu digo: Não! Não vai descer da coluna. Não vai descer da coluna porque a coluna foi instituída pelo Senhor Doutor Plinio e só pode ser destituída por ele.

- Ué, o senhor não tem fé? [Exclamações.]

(Cfr. "Jour-le-jour" extra 6/10/95)


Entretanto, JC está obcesionado em modificar a TFP desde suas raízes.


*


A respeito da polêmica em torno da Missa e da politica de aproximação com a Hierarquia, JC disse a Dr. Paulo Brito:


Em vista de sua inveterada teimosia, o que me importa é adverti-lo de que, se o senhor pretende arrogar-se o direito de mudar, ou de levar outros a mudarem as normas [do SDP] para a Espanha --abrindo ali uma frente de batalha que só favorecerá a nossos adversários no atual Estrondo-- passando por cima daqueles que estão legitimamente incumbidos por ele de tais assuntos, terei o direito de publicamente exprimir meu desacordo.

(Cfr. Juízo Temerário, p.239).


[Os Provectos] precisarão explicar pormenorizadamente, a todo o Grupo --dando a palavra a qualquer um que quiser objetar-- por que razão acham que tem o direito de mudar as normas deixadas por nosso Pai e fundador e a linha de conduta seguida por ele nos últimos anos.

(Cfr. “Juízo Temerário” p.239).


Não obstante, JC está calcando aos pés as normas dadas por Dr. Plinio a respeito da atitude que devem tomar os membros do Grupo em relação à Missa Nova.


*


Juízo Temerário”, pp.126, 127:


Num dos primeiros "jour-le-jour" depois que Meu Senhor Sacral foi para o hospital, em setembro último, procurei “vacinar” o Grupo, afirmando, já na previsão da morte dele, que ninguém teria o direito de mudar alguma diretriz deixada por ele. Eu disse isto na expectativa de que algo, neste sentido, fosse tentados por outras pessoas.



*





Num simpósio para CCEE, de 2 de maio de 1996, segunda reunião, perguntaram a JC o seguinte:


(Aparte: Sr. João Clá, eu queria que o senhor fizesse uma referência a essa máquina no Rio Grande do Sul. Não pode se fazer campanha da TFP com estandarte?)


Resposta do usurpador:


No Rio Grande do Sul por enquanto não, porque o Sr. Dr. Plinio tinha segurado um tanto as campanhas no Rio Grande do Sul tendo em vista o estrondo que estava havendo lá. O estrondo está arquivado, é verdade, mas ele disse que não queria que se fizesse campanha lá enquanto ele não desse um sinal verde.

Nós estamos no princípio seguinte: tudo aquilo que o Sr. Dr. Plinio disse que não se fizesse até um sinal verde, ou tudo aquilo que o Sr. Dr. Plinio disse façam até segunda ordem, nós continuamos a fazer até segunda ordem.Alguém diria:

-- Mas ele foi para a eternidade. Agora como fica?

-- Tem que haver uma palavra dele. [Aplausos]

Então não nos movimentemos, vamos esperar uma manifestação dele. Ele dirá.

Porque ele mesmo nos disse: "Eu morrendo vai ser preciso pedir muitas graças místicas: sonhos, aparições, revelações, inspirações, moções interiores, vozes interiores, ou seja, moções místicas da graça que nos dêem noção clara a respeito do que deve ser feito e do que não deve ser feito".

Já foram feitas algumas ações aqui, lá e acolá em que se percebe que o Sr. Dr. Plinio assistiu este que redigiu, aquele outro que redigiu, tal outra pessoa que foi conclamada para isto. Quer dizer, há uma inspiração por onde a graça diz: "Faça".

Em relação ao Rio Grande do Sul vamos esperar um sinal. Havendo, aí nós dizemos: "Chegou a hora". Mas enquanto não houver, nós estamos à espera de uma manifestação da parte dele.


Mas, por exemplo, Dr. Plinio nunca quis uma “tfp” feminina, e no entanto JC praticamente fundou aquilo.


*


"Jour-le-jour" 30/5/97 - “Nenhum de nós pode inventar símbolo nenhum”:

Há certas coisas por onde, de fato, nós temos que aguardar a volta dele para perguntar. Na Espanha eu tive que fazer uma reunião para umas quatro ou cinco famílias, e a Sra. de los Paños, que os senhores já conhecem de longa data, pedindo um símbolo para os correspondentes, para se distinguirem como correspondentes da TFP.

Eu pensei: "Puxa, e agora, como é que eu saio dessa aqui? Um símbolo para correspondente!"

O Sr. Dr. Plinio já tinha inventado aquele distintivo, e só: paramos aí. Então ela começou: "Pa-ra-pa-pá, pa-ra-pa-pá...", quase que impondo. Eu disse: "Olha, vamos com calma, porque o Sr. Dr. Plinio disse -- o Sr. Glavan, o Sr. Davi e outros que cuidam de correspondentes são mestres nessa matéria, sabem que o Sr. Dr. Plinio disse isso -- que em certo momento os correspondentes se transformariam numa ordem terceira da TFP, e que ele daria depois, mais tarde, quais eram as características dessa ordem terceira. Agora, a senhora veja: nós não temos nem a ordem primeira! Se não existe a ordem primeira, como é que a senhora vai criar uma ordem terceira?! Então, vamos esperar a ordem primeira se criar. Criada a ordem primeira, a gente pode pensar aí, depois, numa ordem terceira. Mas não existe ainda a ordem primeira. Fiquemos, então, à espreita. E depois, mesmo que existisse ordem terceira, a única pessoa que entendia de símbolos era o Sr. Dr. Plinio! Vai ser preciso que a gente espere a volta do Sr. Dr. Plinio, porque só ele é que pode dizer qual é o símbolo. Nenhum de nós pode inventar símbolo nenhum, porque não vai. Então, acho o desejo da senhora muito bom, mas infelizmente nós não podemos realizá-lo no concreto-concreto, enquanto não se forme a ordem primeira, e enquanto não aparece o Sr. Dr. Plinio para a gente poder consultar."

[Ela aceitou a resposta]: "Ah, sim, sim. Está muito bom."

Eu pergunto: "Qual dos senhores pode criar um símbolo?" Não se pode! Então, a gente tem que esperar a volta do Sr. Dr. Plinio.


*


Numa reunião para os veteranos (15/10/96), JC lê e comenta o EVP de 20/1/80:


(...) compete a cada época da TFP, a cada um daqueles que em certo momento entraram nela, compete a eles um duplo trabalho que eu, no que me diz respeito, procuro fazer também, que é de manter a fixidez e a firmeza do que está assente, mais a agilidade e a plasticidade e adaptabilidade no que não está presente.


O que está combinado entre nós é aquilo. O brado é “Tradição, Família e Propriedade, Plinio Corrêa de Oliveira, Lucilia Corrêa de Oliveira”. É aquilo, acabou. Ninguém vai mudar mais isto (1). A capa é assim. Ninguém vai inventar agora de aqui atrás pode ainda vir uns pingentes com um cartãozinho escrito não sei quanto (2). Não, não tem que inventar mais nada (3), porque está assente, então precisa ser mantido (4).


Comentários:

  1. Entre os adeptos do joanismo há mais um brado: “pelo Sr. João!”

  2. Em lugar da capa, os joaninos usam um trapo azul, à maneira de farda. Em lugar do estandarte vermelho, usam um estandarte azul (*). Andam pelas ruas em mangas de camisa e nem abotoam o colarinho (**).

(*) A respeito disto, cabe registrar que no Santo do Dia 7/2/87, JC perguntou a Dr. Plinio “por que escolheu o leão e não o elefante, ou a raposa ou a águia como símbolo da TFP? Por que escolheu o vermelho e o dourado?” , e a resposta de nosso Pai e Mestre foi a seguinte:

Eu escolhi o leão porque o leão sempre me lembrou um princípio de que eu sou muito cioso, do qual eu faço muita questão em todos os assuntos. É o princípio da legitimidade: que o poder, a influencia, a sabedoria, a glória estejam em mãos de quem de direito. (...) Ora, é evidente que o leão entre os animais é o que a rosa entre as flores. A rosa é naturalmente rainha. Os senhores põem uma rosa verdadeiramente bonita no meio de qualquer outra espécie de flores, inclusive as nossas orquídeas tantas vezes lindas, a rosa apaga, está acabado, é ela, não tem conversa. Os senhores põem o leão e todos os outros animais se eclipsam. O elefante é maior, mas que massa bruta vil! O camelo anda mais, mas ele anda com o passo de escravo carregado, ele não tem a marcha garbosa. O leão marcha e salta, o camelo anda.

Os senhores tomem a raposa: ela é esperta, mas ela é frágil; quando a esperteza não lhe dá resultado, ela está perdida.

Os senhores tomem todos os outros animais, eles tem alguma qualidade eminente, mas eles não tem aquele conjunto de qualidades por onde o leão é leão. Olhem para ele: ele é rei. Não tem por onde escapar. Ele tem o direito de ser rei, ele manda, ele tem a garra do rei, tem o passo do rei. Era normal que ele tivesse a côr do rei: o colorido próprio para as coisas régias é o áureo. Um leão de prata: que frustração! Um leão de ouro: que naturalidade!

Azul o estandarte? Minha hesitação foi entre o azul e o vermelho. Mas durou nada. Artisticamente falando o ouro é mais bonito sobre o azul do que sobre o vermelho. A gente considerando um azul bem escolhido e um ouro bem escolhido, a combinação é lindíssima. Mas o azul como que repousa da vivacidade do ouro. E eu não queria repouso no nosso estandarte. Eu queria luta. Aí está.

(**) Consta que, por volta de 1994, JC ao sair da praia foi para um restaurant de bermuda e sem camiseta. O que é que isso tem de mau? O próprio JC, referindo-se a uma viagem que fez a Campos, nos primeiros anos de sua vida no Grupo, responde:

Eu tinha a D. Mayer como uma espécie de santo, (...) depois Frei Jerônimo santo, D. Sigaud santo, o pessoal todo mais velho santo. Para mim todo o mundo era santo (...). Eu sei dizer que nesse mês de convívio com D. Mayer eu tive um choque tremendo, porque eu disse: "Nossa Mãe do Céu, mas este homem aqui é um mero bluff". (...)

Depois cenas medonhas. Depois dessa cena para mim aí rachou de uma vez e eu nunca mais consegui ver em D. Mayer ... (...) De repente eu estou à noite com dificuldade de dormir, não conseguia dormir, e comecei a andar de um lado para o outro. Às tantas resolvi subir as escadas e andar na parte de cima, que dava justamente -- eu não sabia -- entre o quarto dele e um toilete. Depois tinha um outro quarto e tinha outra dependência. Eu comecei a andar no corredor. Quando estou numa ponta do corredor e que eu viro as costas, ele sai do quarto, mas não me viu. Eu grudei na parede porque ele saiu do quarto como? Com a calça do pijama e em cima não tinha a camisa do pijama, tinha o escapulário só.

Eu vi aquela cena e disse: "Meu Deus do Céu!". Fiquei gelado.

Ele foi e entrou descalço ainda. Ele entrou no toilete, e eu pé-ante-pé desci a escada sem fazer ruído para ele não me encontrar na volta.

(Cfr. reunião na Saúde, 18/6/96)

  1. JC modificou o hábito, inventando uma espécie de broche oval --mais próprio para ornar o vestido de uma mulher, do que o traje de um homem--, a ser exibido no peito, com uma fotografia, de Nossa Senhora de Fátima, de Dr. Plinio, ou dele.

Inventou também um novo e ridículo tipo de hábito – Trecho do “Boletim de notícias do apostolado”, janeiro de 1998, redigido pelo joaniento Lamartine:

Na manhã da sexta feira, 30 de janeiro, tivemos uma reunião-peça de teatro (...). (...) um apóstolo, com hábito sem capuz, dirige a audição de fita com um grupo de 4 enjolrras, com a capa recém-recebida sobre o capuz como usam os do grupo do Santo Entusiasmo. (...)

  1. Mentira. No jornal-falado que o Sr. Ureta fez na sede do Reino de Maria (26/11/98) a respeito de uma viagem que fez ao Chile, se deduz que, entre os adeptos do joanismo, há uma diretriz proibindo o uso de símbolos que Dr. Plinio criou:

[Lá os sediciosos usam um] broche de Nossa Senhora. No domingo, quando eu estava acabando a ação de graças na igreja, [um deles] me disse: "o que o Sr. está fazendo com esse distintivo" - referia-se ao leãozinho. Aliás, esse distintivo o SDP o fez para a TFP chilena, depois [foi] adotado por outras TFPs. Agora, os chilenos renunciaram ao leão e não querem que usemos...


*


O insuspeito Alberto Palmeira conta que, anos atrás, quando consultaram o SDP sobre se um tal senhor Hailton podia receber a capa, Dr. Plinio disse que a daria por misericórdia, mas que ele deveria ficar como um membro do Grupo de periferia, que não cuidasse de nada, e que mantivessem rédeas curtas com ele.

No entanto, a mediados de 1996, JC nomeou a essa pessoa encarregado dos correspondentes de Campos. (Cfr. carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97, pp.11,16)


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Depoimento do Sr. Munir, 17/7/97, sobre o que presenciou no congresso de neo-cooperadores realizado no ANSA nesse mês


Nesse mesmo dia, domingo, no final da reunião, conversando com uns e outros, vi a presença de um rapaz Flávio, de uma cidade do interior da Bahia. 5 anos atrás eu perguntei ao Sr. Isoldino sobre ele, o qual me disse que o SDP tinha recomendado afastar esse rapaz, ele tem visivelmente problemas mentais. Entretanto naquele domingo ele tinha recebido a capa do Sr. João, capa e distintivo.





C. O que o SDP disse, para mim é lei ...


"Jour-le-jour" 2/1/96, realizado nos EEUU:


O Sr. Dr. Plinio viu o álbum [de Dona Lucilia] inteiro, parte por parte, título por título, palavra por palavra, ele viu tudo. (...) Não me venha dizer que não devia, que devia, porque não sei quanto. Não quero nem saber. A mim me interessa o que o Sr. Dr. Plinio disse.

O que o senhor pensa, tem direito de pensar; o que o senhor diz, tem direito de dizer. Se for besteira, será uma besteira; se for uma verdade magnífica, será uma verdade magnífica. Para mim não interessa. Para mim me interessa o que o Sr. Dr. Plinio me disse. Está no texto? o Sr. Dr. Plinio afirmou? Ótimo! Perfeito!

- Mas eu quero repetir uma frase do Sr. Dr. Plinio.

- Diga, que eu vou prestar atenção. Isso não me soa como frase do Sr. Dr. Plinio, preciso ver um pouquinho. Que parte que é? Então, vou conferir porque eu tenho a Comissão do Apocalipse. Vamos ver se é exatamente tal qual. Se for, eu mudo. O que o Sr. Dr. Plinio diz, para mim é lei.


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Reunião para os veteranos, 15/10/96:


O Senhor Doutor Plinio disse que nós deveríamos manter-nos unidos, dentro de toda harmonia, acontecesse o que acontecesse.


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Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 14/6/96:


Sempre durante toda a vida o que eu notei nele [Dr. Plinio] foi que ele queria conservar a coesão do Grupo a qualquer preço. Coesão do Grupo, coesão do Grupo, coesão do Grupo.

Quando houve aquele episódio do Sr. Pedro Julião com o Sr. Zayas no Auditório São Miguel, ele me disse taxativamente isso -- outro dia lembrávamos aqui: que entre escolher a ficar com os mais novos e os mais velhos, ele tinha que ficar com os mais velhos. (...)


Tratava-se de um Santodo Dia, no qual os proclamadores --eremitas de São Bento e Praesto Sum-- fizeram uma pressão muito grande sobre o SDP para que falasse de si próprio. Dr. Plinio respondia que não podia ser cicerone de si mesmo. Então se levantou o Pedro Julião e disse mais oo menos o seguinte: “Dr. Plinio, com todo respeito por esses das duas primeiras fileiras ... ou o Sr. fala ou ...” , mas fazendo um gesto despreciativo. Dois dias depois, o SDP fez outro Santo do Dia apertando, com jeito pos os pingos emcima dos “i” e disse: “eu não esperava que entre meus filhos , numa sede da TFP, eu encontrasse um clima de comicio de partido socialista”.


*


"Jour-le-jour" 24/9/95:


Os srs. têm aqui este chá do dia 10 de fevereiro de 1991 (...):


Um dia esteve aqui um médico, até chileno, que veio aqui examinar o meu braço. E depois de conversarmos sobre o meu braço --assunto sempre tedioso-- ele entrou com o assunto da TFP. (...)Ele disse: "O que é que está resolvido sobre a hipótese do senhor morrer? Como vai ser a escolha do seu substituto?"

E eu pensei assim na hora --isso para mim é o tipo da organicidade-- eu pensei na hora: "Medida inteiramente tomada eu não tenho nenhuma, mas eu não posso dizer isso a esse homem. E eu quero ver se há alguma coisa que eu possa apresentar sem mentir, como um pedaço de caminho nessa solução". Pensei rapidissimamente. E dei a ele essa resposta: “O senhor sabe, a TFP é muito vasta, eu tenho muita coisa para fazer com a TFP, e evidentemente sou obrigado --o que eu acabo de dizer aqui-- a dar aos vários diretores e setores, grupos, etc., etc., eu sou obrigado a dar muita liberdade.


É verdade.

Eles merecem essa liberdade que eu lhes dou, e eles desenvolvem por iniciativa própria as atividades que devem desenvolver. E com isso também, o êxito das iniciativas que eles tomam, ou o não êxito, está à altura do juízo de todos. E mais ou menos todo o mundo presta atenção em todos os dirigentes, e presta atenção no que é que vai dar o trabalho dos dirigentes. De maneira que eu morrendo de um momento para outro, há todos os elementos para um consenso sobre quem deve me substituir.


Ele dizia isto para o sujeito, mas não é o que os srs. devem dizer para fora, nem é o que os srs. devem pensar.


... há todos os elementos para um consenso sobre quem deve me substituir. E por esta forma não há um artigo de estatuto dispondo sobre isso, mas há uma coisa nascida dos costumes. Os costumes conduzem a isso."Se eu morrer de um momento para outro, um certo grupo, que será talvez dos dirigentes, será talvez do Conselho Nacional, na hora isso se constitui, escolherá o meu sucessor".


Dizia ele para o Fulano. Os srs. não devem dizer isso.


Dr. Plinio indica que, quem escolheria a pessoa que dirigiria a TFP, seria “um certo grupo”, constituído quer pelos “dirigentes”, quer pelo Conselho Nacional. No entanto, JC, que se apresenta como discípulo perfeito do SDP, que aceita “a priori” tudo quanto o SDP diz, e que obedece ao SDP cegamente em tudo, aqui não só sustenta o contrário do SDP, mas aconselha aos membros do Grupo a não pensar como o SDP.


*


JC contesta as palavras de Dr. Plinio, não só em matérias extremamente sérias --como a que acabamos de ver--, mas também em se tratando de “lapsus linguae”. Se outrem fizesse isso, ele rasgaria suas vestes, inflamar-se-ia de indignação, increpa-lo-ia de “fumaça”, e daí para fora. Algumas amostras:


a) Reunião para CCEE, 6/10/95:


[SDP}: ... da ordem religiosa fundada [por S.Inácio de Loiola] nasceram pessoas tais como São Luís Gonzaga, que era penitente de São Pedro Canísio...


Não, ele era penitente de São Roberto Belarmino, mais propriamente.


... e que dizia [que] São Luís Gonzaga era tão puro e tão santo, que tinha sido não isento do pecado original,...


Mais propriamente ele dizia que era um dos santos conservados em graça naquele momento.




b) "Jour-le-jour" extra 6/10/95:


[Trecho de uma oração composta por Dr. Plinio]: ... Por meio de vossa Mãe Santíssima é que Vos dirijo, Senhor, estas palavras. Nós bem sabemos tudo quanto há de nobre e de bom nesse desejo. Mas, “oculta et incerta tua non manifestasti mihi”...


Ele inverteu essa frase do Salmo, porque o Rei David diz: “Incerta et oculta manifestasti mihi”.



c) "Jour-le-jour" 7/11/95:


[Trecho da primeira reunião da série sobre a Sagrada Escravidão]: Agora, esse estado de união total e de abnegação total é um estado que se define como sendo Sagrada Escravidão, porque qualquer coisa que o individuo conserve para si, se ele a conserva com a intenção de fazer um uso que não fosse um uso desejado por Seu Senhor, se separa da vocação.

Então, o remédio perfeito é dar tudo, é dar-se a si mesmo, dar-se a si mesmo para não decair, como uma necessidade de sobrevivência. Mas dar-se a si mesmo por uma exigência do enlevo. Ele de tal maneira ama o espírito que Nosso Senhor pôs em Seu Senhor, que eu quero ser para Seu Senhor como Eliseu foi para Elias. Quer dizer, eu quero ter sete vezes o espírito dele.


Era "duplo espírito", mas ele põe "sete".



d) "Jour-le-jour" 5/12/95:


Uma das obras de Deus é o modo pelo qual Ele deixa entrever aos homens aquilo que Ele vai fazer. Diz um Salmo: "Incerta et occulta tua non manifestasti mihi" As tuas coisas incertas, ocultas, a mim Tu não dissestes.

É exatamente o contrário. O Sr. Dr. Plinio guardou durante a vida inteira o oposto do que diz o Rei David. O Rei David diz: "Incerta et occulta manifestasti mihi".Mas o Sr. Dr. Plinio vivia em tal mistério a respeito do que Deus iria fazer com ele, do que é que Deus queria dele, que ele ao ler essa frase pela primeira vez e tê-la decorado, a decorou no negativo: "Incerta et occulta tua non manifestasti mihi". É o contrário.




e) Mais adiante, no mesmo "jour-le-jour", mais um caso:


... Segundo a Tradição, Nossa Senhora pedia a Deus para ser servidora da Mãe do Messias que devia nascer. Ela portanto tinha certeza de que Ela não seria a Mãe do Messias. Estão meio espantados, não é? Mas o Evangelho conta que quando Ela recebeu a Anunciação, ficou perplexa: “Et cogitabat quales ista salutatio”.


Está tudo errado aqui, o latim.




f) No "jour-le-jour" 5/10/97, parte II, JC estava lendo um texto de Dr. Plinio do ano 85. À las tantas chegou ao seguinte parágrafo:


Há uma coisa muito bonita, uma frase muito bonita num salmo, e que quem reza diz a Deus: "Incerta et oculta sapientiae tuae non manifestasti mihi"; "Tu não me manifestares as coisas incertas e ocultas que estão em teus desígnios".


É exatamente o contrário que está no salmo. Ele sempre citou o contrário. É “incerta et oculta sapientiae tuae manifestasti mihi”, e, não sei porquê, não descobri a razão.


*


A certa altura da viagem que Dr. Plinio fez à Europa em 1988, quis voltar para Brasil, mas JC reconhece que contrariou a vontade de Dr. Plinio:


O Sr. Dr. Plinio abreviou a viagem dele à Europa por causa de Dona Rosée! Ele disse que queria se abraçar à roda do avião para vir embora, porque ele tinha que vir, etc.

Eu disse:- Mas Da. Rosée se arranja, Sr. Dr. Plinio!- Não. Eu sei que ela depende de mim e eu não posso abandoná-la. Mamãe me disse que eu não deveria abandoná-la.Ele abreviou a viagem por causa disso. Porque ele ia ainda visitar Granada, ia visitar Portugal e tudo o mais. Mas não foi. Porquê? Porque precisava vir para São Paulo, porque ela estava exigindo que ele viesse. E ela exigia por inveja.

Está bom. Ele veio.

(Cfr. reunião para os veteranos, 16/4/96)




D. Doutor Plinio é nosso modelo, nosso exemplo. Temos a obrigação de espelhá-lo mais do que antes ...


JC lê e comenta o que Dr. Plinio disse um almoço de dia sábado, de outubro de 1985:


[É importante notar que esta atitude de alma é] uma explicação de minha pessoa aos olhos dos outros, às carradas! Se quiserem entender muitas e muitas de minhas atitudes, vejam que estou [agindo] em função de um arquétipo.


Senhores, ele é exemplo para nós, ele é modelo: nós devemos agir em função dos arquétipos! Então, quando eu vou tratar com o outro, nada de levar em consideração que o outro me pisou no pé, me deu uma cotovelada! Interessa a visão arquetípica dele! E é em função dessa visão arquetípica que eu vou tratá-lo, porque essa visão arquetípica constitui a visão que o Sr. Dr. Plinio tem a respeito dele.

E se eu o tratar como o Sr. Dr. Plinio o vê, eu tenho graças, eu toco aquela alma, e o ponho para frente; se eu não fizer isso, eu fico no mesmo lugar, se é que não desço. E graças, eu não recebo.

(Cfr. "jour-le-jour" 14/3/97)


*


No "jour-le-jour" 20/4/97, JC leu uma CSN sobre a bondade de Dona Lucilia e disse o seguinte:


Então, senhores não enjolras, senhores enjolras, todos aqui presentes, o que é preciso é ter muita paciência de uns para com os outros, o que é preciso é ter muita bondade de uns para com os outros.Apóstolo que não sabe ser bondoso, apóstolo que não sabe ser abusado, apóstolo que não sabe ser arranhado, não serve. Porque o apostolado não vai adiante, o apostolado pára, encrenca.

(...) Quer dizer, nós devemos nos tratar com bondade, com benquerença, até a hora da morte. E vou dizer mais: na hora da morte ainda muito mais intensamente do que no começo da vida de Grupo. Essa bondade deve ir num crescendo e não num diminuendo.

(...)

Não era possível que nós chegássemos à véspera de um aniversário dela no ano de 97 e não considerássemos um aspecto da alma dela que é dos mais protuberantes, mas como exemplo para nós, não pode deixar de ser um exemplo para nós. (...)

O dito de Nosso Senhor Jesus Cristo aos Apóstolos quando instituiu o Santo Sacrifício da Missa, foi "Fazei isto em memória de mim. Celebrem a Missa em minha memória". Nós devemos fazer isto em memória do Sr. Dr. Plinio e da Sra. Da. Lucilia. [Aplausos]

De maneira que nós devemos, então, prolongar a presença dele, prolongar a presença dela entre nós, fazendo isto uns com os outros.

Eu sei que não é fácil, e para isto é preciso graças. Mas lembrem-se das reuniões de segunda-feira sobre a graça: as graças para isso são dadas. Pelo menos em grau suficiente.

(...) Alguém dirá:

- Mas o senhor mesmo disse que por causa de nossa insuficiência, as suficiências da graça se tornam insuficientes.

- Peçam graças então eficazes, peçam graças operantes, peçam graças superabundantes, mas peçam e ponham-se nessa luta de serem uns para com os outros muito, mas muito lucilianos, muito plinianos.

Nós não podemos deixar, de forma alguma, de considerar que eles para nós são exemplos, e são exemplos vivos, são exemplos e modelos. (...) Não adianta eu ouvir uma reunião, dizer “ó fenomenal!” depois terminada a reunião corte e dizer: "Eu não tenho nada que ver com isso". Pelo contrário.

Nós estamos numa via de santificação, nós estamos numa via de realização de uma missão, nós estamos cumprindo uma vocação. Essa vocação, essa missão e essa santificação têm modelos. Nós temos que seguir as trilhas que eles nos deixaram.

Essa trilha hoje para nós se apresenta assim, na véspera do aniversário da Sra. Da. Lucilia. Como? Eu fui chamado a fazer com os outros o que o Sr. Dr. Plinio e a Sra. Da. Lucilia fariam no meu lugar.

Vem fulano com uma amolação daquelas por cima de mim, eu devo tratar fulano como o Sr. Dr. Plinio e a Sra. Da. Lucilia o tratariam.

Mas isto não vale só no sentido de suportar os outros, vale também para os insuportáveis. Que os insuportáveis sejam outros Plinios e outras Lucilias para com os outros e deixem de praticar atos que tornem a vida dos outros impossível.

Hoje, véspera do aniversário da Sra. Da. Lucilia, ano de 97, a Providência faz chegar aos senhores um texto em que ela convoca os senhores a uma harmonia interna. [Aplausos]

(...) é preciso a gente esquecer que este fez aquilo, que aquele outro fez tal coisa, e estar disposto a qualquer instante que for, a qualquer momento entrar em recomposição com um que fez o inenarrável: humilhou, difamou, caluniou, pisou, homem! fez de tudo. Está bem: nenhum ressentimento, nada. Não há nada no fundo da alma, a alma está inteiramente como se tivesse sido batizada naquele momento em matéria de benquerença. A alma está pronta para aceitar o pedido de reconciliação na hora.

O sujeito ainda vem e diz:

- Você tem que pedir desculpas.

O sujeito diz:

- Pois não, eu faço isso.

- Mas olhe aqui: de joelhos -- e ajoelha.

- E tem que oscular o chão -- e oscula o chão, não tem conversa. Quer dizer, nós devemos nos tratar assim. Este é o modo luciliano e este é o modo pliniano. Nós devemos sair desta reunião com esta convicção. Façam este propósito de pelo menos uma vez ao dia fazer a vontade do outro. Mas não fiquem nisso: queiram o máximo, queiram a perfeição, queiram chegar aonde chegaram estes. [Aplausos]

(...) Apenas para deixar o assunto tratado, porque me mandam um bilhete fazendo uma pergunta a esse respeito e eu sou obrigado a tratar. Eu li em São Francisco de Sales, já não me lembro mais em que obra de São Francisco de Sales, mas isto é doutrina comum dos moralistas, que há certos pontos, que são pontos de honra, em que evidentemente a pessoa não pode, por desejo de uma pura e simples reconciliação, ir contra a sua consciência e ir contra a própria honra. Há situações em que a pessoa é obrigada a dizer:

- Minha consciência não me acusa disto que você está me acusando. Eu estou disposto a fazer qualquer coisa para reconciliar-me, mas minha consciência não me acusa disso.

O sujeito diz:

- Você roubou um banco, eu sei. Olhe aqui, Fulano de Tal disse que roubou.

- Eu não posso dizer que roubei porque estaria mentindo. Eu não me lembro de ter roubado esse banco. Pode ser que tenha acontecido isso até num momento de sonambulismo, mas eu não me lembro disso.

A pessoa não se vê na contingência, não se vê na obrigação de acusar-se de um crime que não cometeu com vistas a ser luciliano ou pliniano. Nem a Sra. Da. Lucilia faria isso nem o Sr. Dr. Plinio faria isso, porque seria contra a consciência e seria contra a moral.


*


"Jour-le-jour" 28/5/96 - JC comenta as seguintes palavras de Dr. Plinio a respeito da sacralidade:


Bom, então nós deveríamos adquirir um grande respeito pela sacralidade nossa, uma grande admiração. Compreender bem, admirar bem, respeitar profundamente essa sacralidade. E ter a alegria de possuí-la, porque é um traço de união entre nós e Deus.

Nós deveríamos ter a alegria dessa sacralidade e deveríamos nos tratar como pessoas sacrais se tratam (EVP 11/6/72).


É só lembrar um pouco o trato que ele dispensava aos Príncipes, Dr. Eduardo, a nós, para nós termos idéia de quanto era sacral esse trato, e que é o modelo.

Nós não podemos ficar apenas no "oh, que bonito, que belo, que fenomenal". É fenomenal, é belo, é bonito, mas é modelo. Este é o modo que nós devemos nos tratar.

(...) todos nós temos a obrigação de espelhar muito mais do que naquela época a figura de nosso Pai e Fundador. E essa figura se espelha sobretudo na sacralidade do trato.


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"Jour-le-jour" 5/1/96:


(Sr. H. Fragelli: O Sr. Dr. Plinio afirma às tantas que o nosso problema é o problema da espera.)


Foi o que a Providência exigiu dele. A Providência exigiu dele que ele tivesse a esperança de que pudesse ver os dias da Bagarre, mas que estivesse com a alma disposta para ser colhido como foi. O grande sofrimento dele era de que a Bagarre não vinha.

(...) a espera foi o que mais custou a ele na vida.

Será que nós não vamos participar desse sofrimento que ele teve, esperando este milagre?

Opus tuum fac”, a obra de Nossa Senhora é obra toda dele. Quem quiser acelerar as coisas a ponto de querer produzir acontecimentos, cuidado, não era o que o Sr. Dr. Plinio fazia.


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Reunião para CCEE, 4/10/96:


[Dr. Plinio] era um homem assim: sempre, sempre disposto a fazer mais a vontade do outro do que a dele, nunca querendo impor a vontade dele em circunstância alguma. A não ser que se tratasse de algum problema moral e de algum problema relacionado com a causa. Aí não tem dúvida.


*


No 25 de novembro de 1993, na sede da DAFN houve um despacho sobre o apostolado na India. Além do Sr. Dr. Plinio, estiveram presentes os senhores Aloisio Torres, José Luis Baptista e André Dantas.

Na primeira parte da reunião, Aloisio Torres falou da situação dos católicos, da classe alta, das relações entre as diversas camadas sociais, e dos problemas do apostolado nesse País.

Aí o Sr. Dr. Plinio tomou a palavra:


Agora, uma pergunta que parece muito extravagante, mas que seria preciso tomar em consideração é a seguinte:

Se nós levássemos para a India algum antigo príncipe europeu como convidado nosso e fizesse circular um pouco por ali, D.Bertrand por exemplo, isto que efeito produziria no conjunto? desde que vocês tomassem o cuidado de fazer um folhetozinho assim de umas 20, 30, 50 páginas, em algumas línguas deles, explicando quem é D.Bertrand.


[Apartes vários, contando que recentemente o Duque de Bragança e o Conde de Coimbra tinham estado pela India, mas se portaram muito mal, foi um escândalo].


Mas isso nós não teriamos razão nenhuma para temer de D. Bertrand. (...) [Se] ele fosse à India e fizesse um circuito bem calculado nos lugares verdadeiramente interessantes, isso projetaria vocês num nível bem elevado dentro daquele conjunto hindu, sem que vocês por isso entrassem no conjunto. Pelo contrário, eles receberiam a vocês como as pessoas a quem eles ficaram devendo a visita do príncipe.

Agora, ele poderia, bem entendidas as coisas, aí era preciso preparar o terreno, etc., bem entendidas as coisas ele poderia, por exemplo, lá pelo fim da visita dele, preparar um banquete ou qualquer coisa assim para marajás de uma certa região, ou para os marajás católicos, uma coisa assim; e aí fazer um certo discurso, que poderia servir um pouco de programa da TFP na India.

Me parece que elevaria de alguns degraus a nossa ação lá. Vocês concordam com isso ou não?


(Aloisio Torres: Que elevaria, elevaria enormemente. (...) Para abrir portas nessa elite seria uma coisa fenomenal).


Não estou pedindo a opinião do meu André. Diga o que é que você acha, meu André.


(André Dantas: Eu acho o que o senhor acha (*).


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(*) André Dantas não parece ter ficado muito entusiasmado com a idéia.

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O recurso que eu encontro é esse.


(Aloisio Torres: O senhor poderia dar um pouco mais de detalhe, como é que o Sr. imaginaria a ação dele lá? (...)


(...) Eu tenho a impressão de que deveria ser assim: era preciso antes de tudo ver o dinheiro, mas posto o dinheiro, fixar um roteiro assim: ele veio para conhecer na India o Ganges, o templo dos sikhs, tal e tal outro templo, ou coisa, ainda que pagã. Ele não deveria assistir cerimonia pagã, mas ver o templo ele poderia. De passagem ele visitaria tal ou tal outra autoridade local (*).


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(*) O Sr. José Luis Batista relata que o programa incluiria algumas caçadas de tigres e visitas a colegios de elite, tipo Eaton.

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Agora, ele se sentiria naturalmente mais chamado e mais atraído para os grupos com os quais ele tem uma afinidade. Ele é príncipe brasileiro, portanto muito afim com os goanos que tem lá, pela origem portuguesa, e naturalmente se deixaria ficar mais tempo com os goanos. Ele é católico e também se deixou ficar mais tempo com os católicos. Ou nos lugares onde ele vai que tem católicos, os católicos avisados antes o homenageiam, etc., seriam como que encontros fortuitos, mas um pouco prolongados.

Agora, durante esse tempo ele encontrou com vocês, brasileiros como ele (...). Então, nessas condições se aproximaram também dele, e a partir do momento em que se encontraram fizeram algumas viagens com ele, uma coisa inteiramente natural. Essa seria a coisa.

(...)

Naturalmente isso levanta problemas muito delicados Um dos problemas é exatamente o problema do dinheiro, porque isso custa muito dinheiro. E Dom Bertrand, para fazer essa viagem com o tônus que convém, precisaria pelo menos hospedar-se num hotel de primeira ordem. (...)


(A. Torres: Como combinaria isso com a campanha do livro [da nobreza] do senhor?)


Eu acho que depois dessa visita poder-se-ia fazer uma campanha do meu livro com um encarte sobre a visita de D. Bertrand à India. Aí nós saberiamos o que dizer e criar interesse, etc. Eu não sei se D. Bertrand vai aceitar, hein. Desconfio que vai. Não sei o que é que acha o André.


(Sr. José Luis Babtista: Ele parece que gosta de viagens, não é? (*)


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(*) Dr. Plinio pergunta a André Dantas o que acha do plano, mas como demora em responder, ou não sabe o que responder, intervem o Sr. José Luis Baptista. O que leva a pensar que André Dantas não estava gostando da idéia.

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Gosta muito de viagens.


(Sr. José Luis Baptista: A India é meio à primeira vista ... a impressão dele quando vier de volta vai ser outra, mas enfim).


(André Dantas: Não sei se eu posso levantar um assunto. É que é um plano completamente extraordinário, mas como isso tudo vai depender de se conseguir o dinheiro, que não é pouco, lá tem muitas dificuldades econômicas, o Sr. acha que é o caso de esperar para depois disso fazer a divulgação do livro do Sr.? Não fazer uma coisa de ir tentando assim aos pouquinhos lá em Goa?)


Não, não, porque eu acho que o livro vai levantar muito problema lá.


(André Dantas: Não é prudente eles difundirem o livro por enquanto).


Eu tenho receio. Do contrário, eu quase inverteria: eu lançaria o livro e depois iria D. Bertrand lá.


(André Dantas Mas se o Sr. está com essa ...)


Ah, não, não, eu tenho receio. Depois algo me cheira a que se se levantar campanha de ideologia lá degenera em assassinato rapidamente.

(...)

Mas eu quase que não vejo outro caminho. Eu acho mesmo que fazendo uma visita bem mais curta do que eu estou planejando, por causa do dinheiro, ainda valeria a pena, para dar a vocês um status muito superior ao dos rapazes lá do próprio Grupo e com possibilidades de contatos de outro estilo.


(Sr. José Luis Baptista: Se o Sr. quiser assim, Nossa Senhora vai arranjar de qualquer forma os meios. (...) (*).


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(*) A atitude do Sr. José Luis Baptista contrasta muito com a de André Dantas: enquanto o primeiro tem confiança que Nossa Senhora ajudará, o outro está escéptico, levanta dificuldades e não diz a razão de fundo pela qual não gosta daquilo.

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Vocês estudem a questão, vejam bem, e depois eu levanto uma idéia que está me nascendo agora na cabeça, mas que .../... e que seria a seguinte: ontem à noite eu fui me deitar de um modo extraordinariamente tardio porque eu estive escrevendo cartas para duas famílias norteamericanas [muito ricas] que vocês conhecem (...). Eu poderia levantar essa questão [do dinheiro] com elas. A questão poderia levantar-se assim: D. Bertrand iria de avião até à cidade onde elas moram, na qual elas ofereceriam um banquete a D. Bertrand que estaria partindo para a India --isto nos Estados Unidos se aprecia muito. De lá ele tomaria um avião e iria para a India, mas iria de bolso cheio.

(...)

Eu acho que é curioso, André, você observar as analogias da situação entre a Alemanha e a India. Quando eu estive na Alemanha a primeira vez, mais de um príncipe alemão fez perguntas a respeito de D. Bertrand e D. Luiz, a quem eles consideravam muito enquanto príncipes. E fazer Dom Luiz, que fala alemão, circular um tanto pela Alemanha, apesar daquele problema de locomoção dele, teria um efeito um pouco parecido com esse. O que é que você está pensando, meu André?


(André Dantas: Filialmente eu acho que é verdade, mas na atual situação do Sr. com o estrondo pendendo na cabeça do Sr. e os dois tendo tido o papel que tiveram em tudo isso, a responsabilidade que tem em tudo isso, promover agora uma gira triunfal deles para os Estados Unidos, para a India, para a Alemanha ... não sei, a mim aperta o coração).

Aperta mesmo, mas até o aperto tem que chegar. “De torrente in via bibet”. Você conhece o resto do verso, não é? “Propterea exaltabit caput”. A gente não deve olhar para isso. [Se] é útil para a Causa que uma pessoa com quem nós não vamos bem nos pise a cabeça, nós devemos mandar uma bandeja de prata com guloseimas e perguntando quando é que ele acharia graça em pisar em nossa cabeça. Isso não tem conversa.


(Sr. José Luis Baptista: Só o Sr., Sr. Dr. Plinio, porque hoje em dia não existe ninguém que faça o que o Sr. faz. (*)


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(*) Mais uma vez percebe-se um forte contraste entre a atitude do Sr. José Luis Baptista e a de André Dantas: o primeiro ficou entusiasmado com essa manifestação de santidade de Dr. Plinio; o outro, o da turma do “fenomenal!”, não disse nada ...

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Mas é preciso fazer. Se só existimos nós, é razão a mais para nós fazermos inteiramente. E até ao fim do caminho. Você pode imaginar como isso glorifica a Nossa Senhora no Céu que um filho dEla faça isso se for necessario?


(A. Torres: Que coisa!)


Mas é assim. Bem, vamos dizer o seguinte: fica essa idéia no ar e eu vou mexendo um pouco. Vocês dão esses dados, mas vocês compreendem também bem por onde é que eu gostaria que vocês subissem: é sem se misturar nas questões internas da India, até tomarem uma importância pessoal que lhes permitisse afinal tomar uma posição, mas uma posição sempre externa, e aí atraindo [rapazes] porque vocês tem prestigio para isso. Isto seria o esquema geral.

(Cfr. Despacho do 25/11/93).


Após a reunião, o Sr. José Luis Baptista voltou para o S.Bento, onde estava hospedado, junto com André Dantas. Quando lá chegaram, JC estava no pátio do cruzeiro. André Dantas deu-lhe a fita da reunião e um rápido resumo. JC se enfureceu, perdeu a tempera e aos gritos disse: “De jeito nenhum! Esse tipo é um traidor --referindo-se a Dom Bertrand-- e ainda dar todo esse prestigio e gloria para ele no mundo, mas de jeito nenhum!” .

O Sr. José Luis Baptista ficou muito chocado, pois sempre tinha ouvido do próprio JC que os membros do Grupo deveriamos seguir cegamente o SDP, ainda que não compreendessemos (*).


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(*) Veja-se, por exemplo, o seguinte trecho de uma reunião (EVP 11/6/72) que JC comentou no "jour-le-jour" do 24/10/95:

SDP: Bom, então nós deveríamos adquirir um grande respeito pela sacralidade nossa, uma grande admiração. Compreender bem, admirar bem, respeitar profundamente essa sacralidade. E ter a alegria de possuí-la, porque é um traço de união entre nós e Deus. Como, por exemplo, D. Luiz e D. Bertrand devem ter a alegria sacral de serem príncipes, porque é, a seu título, um outro vínculo com Deus Nosso Senhor, e a esse título a gente deve amar, deve respeitar. Nós deveríamos ter a alegria dessa sacralidade e deveríamos nos tratar como pessoas sacrais se tratam.


JC: Eu fiz questão de trazer este texto aqui e lê-lo. Primeiro porque me chegou às mãos e eu achei bonito. Segundo, porque acho que nós devemos cada vez mais caminhar na imitação de nosso Pai e Fundador, porque ele sempre nos tratou com sacralidade e sempre nos tratou como pessoas sacrais. Esse trato que ele tinha para conosco, é o trato que nós devemos ter de uns para com os outros. Não é verdade? Sendo mais, sendo um sacerdote, então o trato deve ser mais respeitoso; sendo príncipe, sendo da aristocracia paulista e sendo membro do Conselho Nacional, respeitoso. Assim por diante, guardando as gradações, mesmo entre dois iguais, de um superior para um inferior: respeito. Respeito pela sacralidade, sacralidade da vocação. (...) Quer dizer, nós temos no fundo almas democráticas, pouco sacrais, que não amam o ver essas coisas grandes, e que diante delas tomam uma atitude pouco elevada, pouco amorosa. A coisa final é essa. (...) Nós devemos ser sacrais também e nós devemos ter para com os outros, de acordo com a categoria de cada um, de acordo com o thau de cada um, de acordo com o chamado de cada um, de acordo com a antiguidade, devemos ter um respeito inteiramente sacral.

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Dias depois, o Sr. José Luis Baptista teve que viajar para a França, para tramitar um visto de ingresso na India. Enquanto aguardava, recebeu um grafonema de Aloisio Torres --que ainda estava em São Paulo-- contando que todo esse plano do SDP tinha sido cancelado, sem dar nenhuma razão...

(Cfr. relato do Sr. José Luis Batista, 26/5/98).


A respeito disso tudo, observe-se a conduta de André Dantas:

Ele viu que a iniciativa do plano partiu inteiramente do SDP, que o plano era extraordinário, que as perspectivas que abria eram verdadeiras, etc. Viu sobretudo o admirabilíssimo desapego do SDP, pronto a fazer qualquer holocausto para que a Causa vá para frente. Viu a atitude do JC --diametralmente oposta à do SDP--, e em lugar de abrir os olhos, continuou aferrado a JC.

Quer dizer, já naquele tempo, as cogitações e vias de André Dantas correspondiam mais às de JC do que às do SDP. Já era mais filho de JC do que de Dr. Plinio.


*


Reunião para CCEE, 4/10/96 – Fala JC:


[Dr. Plinio] era um homem assim: sempre, sempre disposto a fazer mais a vontade do outro do que a dele, nunca querendo impor a vontade dele em circunstância alguma. A não ser que se tratasse de algum problema moral e de algum problema relacionado com a causa. Aí não tem dúvida.


JC imita a Dr. Plinio nesta matéria?


*


"Jour-le-jour" 28/9/96, em Spring Grove:


Esta é uma característica muito vincada no Senhor Doutor Plinio. Ele não impõe o modo que deva ser seguido por todos de uma forma inteiramente mecânica, inteiramente automática, etc.Ele respeita as características individuais, ele respeita as características de cada raça, ele toma cada raça e... Até mais! Ele procura vincar as características de cada raça.

Por exemplo, chegaram os hindus em São Paulo pela primeira vez e eles nunca tinham posto um turbante na vida. O Senhor Doutor Plinio disse: Precisa arrumar uns turbantes para eles, para eles ficarem mais de acordo com...

Eu só sei dizer que acabaram arrumando uns turbantes lá de acordo com a Índia, e eles vestiram o turbante pela primeira vez na vida em São Paulo. Começaram a andar de um lado para outro com turbante, se sentiam mais hindus do que eram na Índia!

Também é assim no que diz respeito a certas características espanholas de um, ou então anglo-saxã de outro. Ele não só respeita mas ele procura incentivar.

Quando as características são erradas ele corrige.

Claro. Porque peguem, por exemplo, o italiano, ele tem o lado da Renascença muito acentuado, então ele vai e procura fazer com que a pessoa seja um italiano da Idade Média e não o italiano da Renascença.


Mas JC não é assim. Ai daquele que não o imitar!


*

Fala Ramón León:


- O SDP sempre procurava elevar os subordinados, nunca deixando transparecer o menor laivo de desprezo em vista de sua superioridade social, intelectual, cultural ou mesmo daquela advinda da maior idade ou dos anos de militância católica (1).

- Perseguir implacavelmente um subordinado, especialmente em virtude de ressentimentos e queixas, é, portanto, uma atitude execrável não apenas num Fundador, mas em qualquer pessoa que exerça autoridade (2).

- [A] bondade sem limites de nosso Fundador, que, ao invés de procurar com lupa pequenas falhas para poder punir (...) (3).

(Cfr. "Quia nominor provectus", pp.61, 64, 77).


Comentário:

  1. Mas os eremitas de SB-PS, ao se relacionarem com os outros membros do Grupo, sempre procuraram serrar de cima; sempre os desprezaram alegando sua “superioridade moral”.

  2. JC e seus bajuladores de SB-PS caraterizam-se, entre outras coisas, por falar mal --e em enquanto tal, por perseguirem implacavelmente-- de todos os que não pertencem a sua “família de almas”.

  3. Os eremitas de SB-PS procuravam com lupa pequenas falhas dos outros para poder falar mal. E achavam isso prestigioso.


*


Carta dos padres Olavo, Gervásio e Antônio, ao Pe. David, de 9/4/97, p.3:


Em vida, o SDP sempre respeitou ao extremo a autoridade daqueles que exerciam qualquer função de mando na TFP. Dentro do Grupo, ele sempre quis que os diversos setores tivessem as respectivas autonomias respeitadas por aqueles que lhes fossem alheios. Imitemo-lo, não interferindo nos assuntos que são da alçada exclusiva dos que dirigem a TFP.


Mas esses mesmos padres, da corrente joanina, passam olimpicamente por cima das autoridades locais de Campos --os senhores Oberlaender, Ghioto e Cardoso-- e se intrometem em muitas coisas que dizem respeito exclusivamente à TFP.





E. Devemos fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para glorificar a Dr. Plinio ...


Jour-le-jour” 2/5/96:


Existe a glória essencial (...) e existe a glória acidental, no Céu. E cada bem-aventurado recebe um prêmio, assim que entra no Céu, pelos seus méritos, ou seja, pelo amor que ele teve a Deus, pelo ódio que ele teve à igualdade, e pelo amor que ele teve à hierarquia. Ele recebe um prêmio no céu e este prêmio é fixo.

Mas acontece que ele fez obras na Terra que têm continuidade, é possível. Então ele deixou, por exemplo, uma fundação, ele foi para o Céu e deixou uma TFP em cinco continentes e essa TFP se desenvolve. Cada ato de virtude de um membro da TFP que foi comprado pela perseverança dele e pela instrução dele, aumenta a glória dele acidental. E isto até o fim do mundo.

De modo que (...) saber paciente com este, saber ser caridoso com aquele, saber ser submisso em relação a quem é superior, saber venerar a outro que esteja acima, quer seja por antiguidade, quer seja por conhecimento, fazendo isto, eu estou aumentando a glória acidental do Sr. Dr. Plinio no Céu. [Aplausos.]


*


Reunião na Saúde, 19/3/96:


Se o senhor e nós deixássemos de falar do Sr. Dr. Plinio, começássemos a fazer obras de caridade, visitar hospitais, a visitar velhinhos que estão retirados, cuidar de criancinha abandonada, nós seríamos colocados nos cornos da lua de exaltação.


A “profecia” de JC está se cumprindo ao pé da letra. Com efeito:

a ) O nome de Dr. Plinio foi apagado dos Estatutos da ACNSF e cessou de aparecer nas páginas do boletim dessa entidade parasita.

b) Os membros da “Banda Sinfônica Internacional Nossa Senhora de Fátima”, isto é, os joanistas, apresentam-se como artistas filántropos, que se dedicam a visitar hospitais, orfanatos, penitenciarias, fazer obras de caridade, etc. (Cfr. Capítulo 16, VII, D).

c) E eles foram recebidos pelo Presidente da República de El Salvador na sua residência particular (no 18 de junho); pelo Presidente de Nicaragua e vários Ministros no aeroporto de Managua (no 4 de julho); e pelo Presidente da Bolívia (em 1999). (Cfr. Boletin Informativo “Salvadme, Reina de Fátima!”, ano 3, número 4, editado pelos rebelados no Chile; Boletim “Ecos de Fátima”, junho de 1999, editado pelos rebeldes da Espanha).


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"Jour-le-jour" 15/6/97, parte I:


Nós estamos num período de prova tremendo. Para nós esquecermos dele tudo é fácil e tudo nos convida a, porque ele não está presente. Então é facílimo eu me dedicar aos meus trabalhos concretos, eu me dedicar às minhas funções concretas, ou eu de repente começar a pôr os olhos fora do Grupo, no mundo, olhar as coisas da Revolução e me encantar pelas coisas da Revolução.


(Todos: Horror!)

Horror, é um horror, é uma traição. Pior do que um horror, é uma traição, é um pecado, é uma apostasia, é um princípio de apostasia. Mas isto pode acontecer. (...) Esquecendo-me dele eu estou perdido, porque essa doutrina [NB: reunião dada por Dr. Plinio para o eremo de S.Bento no ano 1973, sobre o profetismo e a união de almas] é clara: eu posso ter as maiores virtudes, eu posso ter os maiores dons, as maiores qualidades, sem ele eu não faço nada; eu posso ser o maior miserável, com ele faço tudo.

(...) Agora é a hora da prova, agora é que vem o sono, agora é que vem a preguiça, agora é que vem a tentação de moleza, , agora é que vem a agora é que vem a tentação da carreira, inveja, agora é que vem a competição, agora é que vem o desejo de ser um grande homem, agora é que vem o desejo de fazer um pecúnio para poder guardar para o futuro, para os momentos mais difíceis, etc.






F. “Eco fidelíssimo” de Dr. Plinio ...


"Jour-le-jour" 2/7/96:


E qual deve ser nossa fidelidade? Nossa fidelidade deve ser dobrada e redobrada agora em relação a ele, do que foi antes. (...) Não posso querer fazer qualquer coisa que seja fora da mentalidade dele, fora do espírito dele, fora do desejo dele, fora do livro escrito por ele Revolução e Contra-Revolução, fora dos princípios contra-revolucionários, fora daquilo que ele é. (...) nós temos que ter uma vida inteiramente de acordo com aquilo que são os princípios dados pelo Senhor Doutor Plinio.


*

Reunião na Saúde, 19/3/96:


No meio deste mundo igualitário [apareceu] no horizonte um homem [NB: Dr. Plinio] que é a representação de todo o passado, e a semente, o início de todo o futuro, não permitindo, de forma nenhuma, nenhuma atitude liberal, democrática consigo mesmo (...)


*


Juízo Temerário”, p.136:


Faria demonstração de infidelidade a nosso Pai e Fundador quem não se incomodasse que viessem a público temas prejudiciais ao Grupo.


Na página inicial desse calhamaço JC adverte:

A fim de tornar muito precisa esta Defesa, fui obrigado, em minha resposta, a revelar pontos que constituem segredos de consciência operacionais indicados pelo Senhor Doutor Plinio ao longo dos últimos anos. Se estes assuntos caírem no domínio público, terá sido cometido mais um crime do qual eu não serei culpado

Mas seu discípulo Ramón León, no libelo "Quia nominor provectus" (pág.45), difundido gratuitamente nas ruas, promete, com certeza, que, “Juizo Temerário”, “brilhante trabalho de 347 páginas”, “será franqueado aos interessados”.

Por outro lado, cabe registrar que JC organizou a campanha de divulgação da crise interna entre os doadores da TFP, bem como entre o público em geral --através da distribuição gratuita, nas ruas de muitas cidades do Brasil, do panfleto “Divisão no seio da TFP?”. E a entrevista concedida à revista a “Isto é” pelos joaninos em julho de 1998, suspeita-se que teria sido tramada por ele.


*


Quando lhe convém, exige fidelidade estrita às previsões do SDP. Quando não lhe convém, aconselha não prestar ouvidos ao que o SDP disse - Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 20/9/95:


(Raul de Corral: Sr. João, teve uma CSN do começo do ano, em que o Senhor Doutor Plinio falava do túnel. Tinha uma parte que dizia que ele previa uma espécie de falsa-direita, seria uma entrada num túnel, pelo qual alguns entrariam dentro do túnel e outros ficariam como que gozando do prestígio que essa falsa direita dava; até que em determinado momento tem uma parede dentro do túnel. Os de fora se desesperariam, se revoltariam dizendo que Deus passou a perna, porque pensavam que iam encontrar coisas fora e que aí se abriria a pedra e seria a pradaria fabulosa que é o Reino de Maria. Uma parte entraria no túnel, fora havia festa).

Mas insisto mais uma vez que os meios nós não conhecemos. Por mais que a gente pegue este texto, pegue aquele outro, diz não sei quanto, etc., os meios para nós a Providência ocultou. O que é preciso é a gente ter os olhos postos no fim e disposto a passar por tudo quanto for arbitrariedade e meio. Se não for isso, a gente rola e chega a uma certa hora:

- Isto aqui não havia sido previsto.

De modo que nós temos que estar dispostos a toda a qualquer surpresa. Mas o objetivo final, não. Este está claríssimo.





G. Para mim o que mais fere mesmo, o que mais me choca, é a traição ao Senhor...


Diálogo entre Dr. Plinio e o semvergonha no almoço 19/9/94:

(JC: ... a ofensiva que há contra os Fundadores já durante vida deles, dentro da próprio obra deles. É mais ou menos genérico.)


Ah, é mais ou menos genérico?


(JC: O senhor conhece o caso de Santo Afonso, o próprio São Francisco encontrou oposições. E vários deles encontraram oposições.)


O que São Francisco encontrou é incrível. Mas Santa Tereza menos, não é?


(JC: Santa Tereza morreu, e só agora em cinqüenta e pouco, no convento em que ela fez a profissão, o convento em que ela tentou reformar não aceitou a reforma dela a não ser agora em cinqüenta e pouco.)


Foi é? É aquele convento de [...inaudível].


(JC: É o que o senhor esteve, de São José.)


Aquele convento não é mais museu hoje?


(JC: Tem uma parte museu. A parte toda que ficou museu é justamente para provar o quanto houve de resistência a ela. Tem aqueles [jorrões?], tem aquelas...)


Tem aqueles fogareiros, a cela, tem tudo.


(JC: Mas então a gente vê que com o próprio Nosso Senhor aconteceu isso, porque Ele podia ter sido morto, mas sem traição. Não é que Ele tenha querido a traição, mas Ele permitiu a traição para nos deixar exemplo. Tinha ali dentro um Judas que fez o que fez. E já começou de longe. Porque quando Santa Maria Madalena tomou os 300 dinheiros e foi comprar aqueles ungüentos, aqueles perfumes para Nosso Senhor, ele fez fumaça junto aos apóstolos, e três ou quatro apóstolos apoiaram a ele, dizendo que aquele dinheiro podia ter ido para os pobres, etc.)


(...) Não diz quais são?


(JC: Diz. Não me lembro mais quais são, mas diz. Acho que inclusive São Pedro entrou na onda. Mas a gente vê que Ele quis deixar uma lição de que isto é um dos tormentos dos Fundadores. E o senhor já passou por maus bocados na vida.)


Uunh!


(JC: Eu queria compreender a fundo o porquê dessa necessidade. Para mim me é difícil.)


Não é propriamente uma necessidade, é uma alta conveniência, não é?


(JC: Mas por quê? Então eu gostaria de entender para poder me "lucilianizar", caso contrário a gente... acho que faz mal para a saúde até. Mas o que é que a gente pode fazer?)


Ahahah!


(JC: É das coisas mais duras. Que a gente seja traído por um sujeito que a gente está olhando, está vendo, enfim, não está favorecendo, ele tem ódio porque a gente está fazendo um papel bom, e ele é mau e já escolheu o caminho do mau; é um adversário. Mas um que come na própria mesa, isso é tremendo.)


Doces frutos.


(JC: É duro, senhor.)


Ahahah! Eu estou tão habituado...


(JC: Sim, eu vejo, se não fosse o senhor eu não sei o que teria sido de mim. Mas é que a gente gostaria de entender por que é que...)


É, eu também gostaria, estou muito curioso de saber. [risos]


(JC: Ahahahah! Não se trata de pagar as próprias faltas, porque Nosso Senhor não tinha falta nenhuma, entretanto teve esse miserável, esse cão de Judas.)


Ele tinha as nossas faltas, Ele é o Redentor.


(JC: Mas não é isso, é qualquer coisa que está ligada a não sei o quê. Eu não sei o que é que há que a Providência exige isso. Exige que a gente seja traído.)


Isso na minha cabeça punha-se um pouco assim -- nos nossos casos concretos -- é tão, tão difícil a gente ser contra-revolucionário que está na ordem das coisas que alguns não sejam, fraquejam no caminho, e, portanto, traem. Talvez se possa dizer isso do estado religioso.


(JC: É tão intransigente, tão radical que...)


(...)

(JC: Agora, para mim o que mais fere mesmo é o que eu dizia ao senhor, é a traição. É claro que a obediência levada às suas últimas conseqüências, ainda mais com os exemplos que o senhor deu não é fácil.)


Ahahahahah!


(JC: O que mais me choca...)


Você é enormemente mais emotivo do que eu, não é, meu filho?


(JC: Não, o senhor não é emotivo, eu sou. Eu sou enormemente emotivo. O que mais me fere é justamente querer fazer bem por alguém e por causa do bem que foi feito, traição.)


É evidente que é uma coisa pungente.


Nesse diálogo, três pontos chamam a atenção:


Isso posto, vejamos um comentário de Dr. Plinio a respeito de Judas, emitido no Santo do Dia de 4/10/95 (quase 10 anos exatos antes do passamento dele), e no qual JC esteve presente:


A natureza humana, vulnerada pelo pecado original, é sempre a mesma, e no seu fundo ela é sempre capaz de tudo! (...) Nós somos capazes de tudo (...). Se não tomarmos cuidado de nós, os capazes de tudo somos nós. E todos nós aqui, se não tivermos oração e vigilância --“vigiai e orai para não cairdes em tentação”-- , e não tivermos isso, é em nós [que] pode haver um potencial Judas, entre nós! E muitos há que pensaram que nunca seriam Judas, mas que, pelo contrário, sobretudo eles, individualmente, não seriam Judas. E o futuro não confirmou a previsão deles.


Mais adiante, quando esse Santo do Dia estava para terminar, JC perguntou se havia, “antes e depois do sorriso de Yalta, alguma diferença no conceito de Judas”. Da resposta de Dr. Plinio extraímos o seguinte trecho:


[Em Yalta] Stalin deu um festim, uma comedoria que foi famosa, (...) [e que] indicava a coexistência pacífica entre os vencedores [da II Guerra Mundial]: antes eram estranhos e até inimigos, tinham vencido um inimigo comum, abria-se a era da amizade, abria-se a era da idéia de que tratando bem o adversário ele ficava bom, porque o bem amortece o mal, quer dizer, o culpado não é o mal, é o bom que não tratou bem o mal, se ele tratasse bem o mal, o mal deixava de ser mal. Então concessões de uma vez: uma parte da Europa dada de presente à Rússia.


Ora, JC inaugurou uma era de amizade com a Estrutura. Pensa que tratando bem a Jezabel, ela virará boa --ou pelo menos, não nos agredirá--; e que o perigo não não está nela, mas em nós.


Aí está a origem de sua felonia: não foi intransigente, achou extremente difícil ser contra-revolucionário até o fim.


*


Cornelio a Lapide, Commentaria in Scripturam Sacram; in Matthaeum, Cap. XXVI:


[Quando Jesus disse, na última ceia, que seria traido por um de seus apóstolos, Judas] perguntou: "Serei porventura eu, Mestre? (...)

Num exemplo de grande atrevimento e impudência, Judas fez a pergunta para encobrir o crime e com "audácia mentir para a consciência reta", afirma Sao Jeronimo. Com efeito ele pensava que Cristo, dando exemplo de modéstia e paciência, não iria nomear o autor do crime. Foi como se Judas houvesse dito: "Ó Cristo, serei porventura eu o traidor, aquele que te serviu durante tantos anos e cuidei de todos os teus negócios?"


*


Mas afirmar que entre Judas Iscariote e João Scognamiglio Clá Dias só há analogias seria um exagero e não corresponderia à realidade. Há também diferenças --tão protuberantes quanto inegáveis.

Com efeito, o primeiro em nenhum momento bancou de “alter Christo” e não há indícios de que tenha sido adorado como Deus; o segundo apresenta-se como “alter Plinio” e é literalmente adorado como um deus. Nas Sagradas Escrituras não consta que Judas tenha experimentado alegria ao morrer Nosso Senhor; nas reuniões de JC consta, inúmeras vezes, que ele ficou alegre ao morrer Dr. Plinio. Um não destruiu o colégio apostólico; o outro quer destruir a TFP (1). Em relação às pessoas que Nosso Senhor abriu os olhos e afastou da Sinagoga, o Iscariote não tentou re-aproximá-las do Sumo Sacerdote; o público que Dr. Plinio ao longo de décadas de apostolado foi abrindo os olhos e afastando da Estrutura, está sendo procurado por Scognamiglio e seus agentes para ver se consegue “re-colar” ao progressismo.


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(1) A determinação joanina vai a tal ponto, que até as “tfps” que tomaram o partido de JC não querem saber nada da Instituição. Exemplificamos com o Chile:

A pesar de que los seguidores de Felipe Lecaros lograron la conquista legal del nombre, marca y símbolos de TFP, pretenden no usarlos más. Las capas rojas ya fueron guardadas en el baúl de los recuerdos. Asimismo, la revista oficial a partir del próximo número dejará de llamarse “TFP” para dar paso a “Información y Cultura”. A esa publicación se suma la revista “Vida del doctor Plinio”, y la distribución del libro “Fatima: aurora del tercer milenio”, cuyo autor es Joao Clá. El viejo boletín universitario, denominado “El Reaccionario”, también se terminó. (Cfr. “El Metropolitano”, Santiago de Chile, 15 de agosto de 1999).

Quanto aos países onde a TFP não ficou nas mãos do usurpador, merece ser registrado que o joanino Alex Siqueira --outrora encarregado do apostolado no Rio de Janeiro-- disse ao Dr. João Gaíba, correspondente carioca, que em nada querem se parecer conosco, e até vão tirar do estatuto deles que fariam trabalho de difusão da mensagem de Fátima, porque ao fazer campanha da mensagem de Fátima podem ser confundidos conosco e nem essa semelhança querem ter. (Cfr. Depoimento do Sr. Fábio Cardoso, 4/9/99).

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II. Em relação à TFP


A. A TFP é uma instituição providencial, a Igreja hoje em dia está reduzida à TFP, é preferível morrer a abandonar a TFP, a TFP só é destrutível por dentro, o ódio contra a TFP é satânico ...


Fala Ramón León, no libelo onde conclama à revolta:


[À TFP] dediquei e dedico toda minha vida e todas as forças de meu ser, continuarei a amá-la de todo o meu coração. [Ela é uma] instituição providencial.

(Cfr. "Quia nominor provectus", pp.14 e 192).


*


Reunião na Saúde, 25/3/97:


Nós estamos numa Semana Santa --e já esse é o segundo ano-- em que o Sr. Dr. Plinio não está entre nós. Ele está na eternidade.Então, aonde se refugiou a Igreja? Onde está a Igreja?Os senhores vêem esta situação trágica: tirando nós do Grupo, em todos os países em que ele existe, no Brasil, na América do Sul, na Europa, enfim, em todos os países em que há uma TFP, há filhos do Sr. Dr. Plinio que procuram reviver o espírito dele, reviver o thau dele, reviver a mentalidade dele, reviver a pessoa dele, os dons dele, tudo aquilo que ele é, o que há fora estes?

Aí está a Igreja. O senhor tira isso, não tem mais nada. Todo o resto, no mundo, com raras exceções, vive em estado de pecado mortal. (...)

Então, o senhor tem (...) na face da Terra, um mar, um oceano de milhões de pessoas em pecado mortal. E a Igreja, reduzia ao que é a obra do Sr. Dr. Plinio.


*


Reunião na Saúde, 24/6/97:


Vamos supor que um de nós, de repente está no auge dos entusiasmos, e um grupo de rapazes do colégio, percebendo que nós estamos mudando, que entramos para a TFP e somos outros, resolve nos cercar e dizer:

-- Ou você abandona a TFP ou nós vamos lhe dar uma surra.

Aí, às vezes, acontece aquilo que está dito nas Sagradas Escrituras: "E o espírito do Senhor o tomou..."

Então, pode acontecer que a pessoa, nessa hora, seja tomada por um tal estado de espírito, e por uma tal força de Deus, que o sujeito diz, com um berro: “Podem tirar todo o meu sangue, mas abandonar a TFP, nunca. Aliás, nós vamos ver agora qual é o sangue que vai acabar primeiro”. [Aplausos.]


*


Fala JC - "Jour-le-jour" 13/1/96:


O Sr. Dr. Plinio já nos disse inúmeras vezes: "A TFP só é destrutível por dentro, por fora não dá".


Fala Andreas Meran - Proclama no ANSA, 25/11/97:


As grandes obras da Providência são indestrutíveis, se o ataque vier dos inimigos externos. Porém, por designios insondáveis de Deus, padecem elas de uma tal ou qual fragilidade interna por onde podem ser destruidas.


*


No "jour-le-jour" 27/7/97, JC lê e comenta o que Dr. Plinio disse numa reunião da Comissão Médica do ano 90:


Eu toda a vida rechacei a tese de que a Igreja se reduz à TFP. Isso não é verdade. Há por aí, em algum lugar, almas com alguma generosidade, alguma virtude, alguma santidade, e alguma ortodoxia que ainda representam a Igreja. Mas, dentro do conjunto de almas ou de pessoas que constituem a Igreja, nenhum conjunto é tão evidente, é tão claro, é tão rutilante quanto é a TFP (...). Agora, quer dizer que a TFP nesse conjunto que resta tem um papel preponderante.

Ora, a TFP, como toda associação do gênero da nossa, qualquer que seja a natureza jurídica desse gênero de associação, é uma associação onde as almas atuam profundamente umas sobre as outras. E o bem feito por uma pode levar para a frente várias;...


[Aplausos] (1)


Agora vem o outro lado da medalha.


... e o mal feito por outra pode levar para baixo várias outras; e a estagnação de uma outra pode estagnar muitas outras, pela própria inter-relação que temos entre nós, convívio constante, e muitas outras circunstâncias.

E como a bomba atômica da ortodoxia se chama TFP, então dizer que a Igreja se reduz à TFP é falso, mas a bomba atômica da ortodoxia é a TFP, uma ação depressiva dentro da TFP compromete toda a causa. Como uma ação capaz de elevar, eleva toda a causa. E é na interação entre nós que resulta algo que ocasiona o bem geral, ou o mal geral, e portanto a eficácia ou a ineficácia de muito.

E acontece que a vida interna da TFP é cheia de provações. (...) Por exemplo, almas que passam por períodos de aridez dentro da TFP -- il y en a--, essas situações de aridez são em geral provocadas pela presença da tibieza. A tibieza provoca um vazio que absorve e deflaciona os entusiasmos. A deflação dos entusiasmos produz uma visão pejorativa de uns sobre os outros. Essa visão faz com que todos se esqueçam daquilo que eles deviam ter em vista, que é a visão arquetípica da TFP (2), que não é um mito, é uma realidade, porque mora em nós a graça que quer continuamente que nós realizemos essa visão arquetípica. E porque a graça mora em nós, de algum modo essa visão não deixa de ser verdadeira.

(...) Agora, por outro lado, uma alma que passe o Rubicão, e que se entregue, por exemplo, a um ato de generosidade interna muito grande, essa alma facilmente pode fazer estalar cem estagnações, e pode fazer levar adiante muitas outras coisas (3).

E assim isto vai para frente, vai para trás, segundo uma certa medida, da qual só Deus tira a resultante.


Mas vejam como a vida interna determina os acontecimentos externos (4).


(...) eu acho que daí decorre muito facilmente uma delonga da Bagarre ou uma antecipação da Bagarre.


Nós podemos fazer a Bagarre demorar mais ou fazer com que ela venha mais cedo. Como? Na nossa vida interna.

De que forma? Realizando o papel que a graça põe no fundo das nossas almas.


(...) continuamente nós estamos acrescendo ou diminuindo esse dinamismo, conforme nós estejamos olhando ou não para nosso egoísmo. Se nós estivermos olhando para nosso egoísmo, fatalmente decresce nossa posição TFP, e fatalmente nós somos um elemento negativo.


Quem olha para o seu egoísmo é um elemento negativo. Na comunhão dos santos da TFP esse faz retardar a Bagarre.


Se, pelo contrário, nós estamos olhando apenas para a causa de Nossa Senhora, para a salvação das almas, etc., e esquecemos de nós, pelo contrário nós podemos ser um elemento de florescimento extraordinário. E cada um de nós tem nesse sentido um poder de construção ou de destruição dentro da TFP que é verdadeiramente admirável.

(...) [A] figura da nossa santificação como ela deveria ser, pela fidelidade do thau ela renasce, ela toma proporções, e nos dá entusiasmo de ser como deveríamos ser, etc., dá-nos um fervor especial. E faz com que a gente perceba neste, nesse, naquele, naquele, também como deveria ser. E [faz também com que] nós possamos ter mais ou menos uma noção do que é a TFP in fieri, o que há nela da TFP perfeita do dia do Grand-Retour.


Este perceber o que vai ser a TFP no dia do Grand-Retour, ou não perceber, está ligado a um problema de inocência.


E com isso um entusiasmo e um amor a ela que é todo especial. (...)

E aqui há um campo primeiro, antes de tudo, para as vigilâncias. Depois para as retificações eventuais. Isso deve ser severamente vigiado, porque eu vejo que há um elemento muito bom dentro disso, mas é preciso ver com toda a severidade. Mas, de outro lado, há um elemento de vida dentro disso que deve também nos dar muita esperança e muito alegria.

Mas, essa alegria o que é? É a alegria de uma graça de recondução que dificilmente não se identifica com o Grand-Retour.


Virá o Grand-Retour (...) Quer dizer, tudo aquilo para o que nós fomos chamados na hora do Grand-Retour se realizará.

Nós devemos viver dessa esperança. Essa esperança é que deve fazer o nosso dia, o nosso dia deve ser todo ele crivado, deve ser todo ele pervadido por essa esperança.

Aí eu, vivendo dentro dessa esperança, acelero os acontecimentos fora. (...)

Aqui vem um ponto fundamentalíssimo, mas fundamentalíssimo para a nossa vida interna, que completa muito tudo o que foi dito até agora.


(Aparte durante a reunião da Comissão Médica: O senhor falou da TFP como bomba atômica da ortodoxia, etc. Eu pergunto se o demônio quando ataca uma pessoa, se ele não tem uma espécie de bomba atômica, que consiste em um modo de atacar o membro do grupo de um modo especial e muito violento. O senhor poderia explicitar como o senhor vê isso, para efeitos de "Bagarre" e de união da TFP com o senhor? O senhor poderia explicitar como é esse ódio que o demônio tem contra o senhor, e que ele explora em cada um de nós?)


Há o seguinte. Ao longo da História da Revolução, há uns afloramentos especiais desse ódio revolucionário que é a coisa mais parecida possível com o ódio do deicídio. Porque é um ódio para acabar com a Igreja e acabar com a Civilização Cristã. Mas, acabar com a Civilização Cristã para acabar com a Igreja. E o desejo de extinguir a Igreja é o que pode haver de mais parecido com a vontade de matar Nosso Senhor Jesus Cristo. São coisas concêntricas.


Agora vem o ponto.


E, por exemplo, em determinado momento nós vemos que o ódio à Cavalaria concentra na luta da Revolução todo o ódio dela contra a Civilização Cristã, e no fundo contra a Igreja também. Em que sentido? É que a Revolução parece sentir que desmantelado aquilo uma porção de outras coisas ruem dentro das almas dos homens e depois nas instituições (5).


(Aparte durante o "jour-le-jour": O senhor não podia repetir e explicar um pouquinho essa tese do Sr. Dr. Plinio?)


Perfeitamente. Aliás, ele vai explicar, ele vai desenvolvê-la mais agora, mas eu repito o dito dele.

Ele diz que o demônio através da Revolução quer destruir a Santa Igreja e quer destruir a Civilização Cristã. Ele ainda se torna mais claro porque ele inverte, ele diz que quer destruir a Civilização Cristã porque quer acabar com a Igreja. Ele toma esse desejo de Revolução como um pecado semelhante ao do deicídio. Esse pecado tem a gravidade do deicídio: é querer destruir a Civilização Cristã e a Igreja.

Ele diz que esse ódio que Satanás tem e que a Revolução tem à Civilização Cristã e à Santa Igreja se concentra num ponto que se chama Cavalaria. Destruída a Cavalaria o que é que acontece? Ele desmantela uma porção de outras coisas. Essas outras coisas ruem dentro das almas dos homens e depois dentro das próprias instituições.

Então, acabando com a idéia de Cavalaria, tudo cai.

Foi bom até o senhor pedir para repetir, é bom fixar isto muito bem, porque isto passado para o positivo dá no seguinte: é que pode-se dizer que a nossa missão, o nosso amor pela Civilização Cristã, o nosso amor pela Santa Igreja, o nosso amor por Nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso amor por nosso Pai e Senhor se concentra todo num ponto que se chama Cavalaria. [Aplausos] (6)


E que em concreto para aquela situação histórica, naquele momento, acabada a Cavalaria, seria mais ou menos como um homem que está empreendendo profissionalmente a demolição de um prédio, e que percebe que a demolição de tal coluna ou de tal parede pode provocar um desabamento mais rápido do prédio inteiro.


Ele é engenheiro hábil, fez um curso com o Dr. Antônio Augusto Lisboa Miranda na CAL, e sabe perfeitamente que aquela coluna é a coluna que mantém o edifício inteiro. Então ele vai lá e vai tentar destruir aquela coluna, porque destruída a coluna, cai o prédio inteiro.

A coluna da Civilização Cristã e da Santa Igreja se chama Cavalaria.


Então ele vai dirigir a sua ação demolidora e a sua picareta ali, mas é porque ele percebe que tudo naquele contexto histórico está dependendo da derrubada daquilo.

Então, a gente vê por ocasião da queda da Cavalaria uma porção de sinais, e de coisas. (...) Eu me lembro, infelizmente eu não guardei o apontamento do fato, mas uma das ordens de cavalaria que existia na Espanha, eu acho que era de Calatrava, mas eu não posso garantir, os cavaleiros de Calatrava obtiveram do Rei a licença de se secularizarem, e de irem morar em Madrid, sem deixar de ser cavaleiros. E, portanto, mantidos pelos bens da Ordem, que eram muito consideráveis. Uma vez que eles obtiveram licença, eles pediram ao Rei a licença de demolir o convento que eles tinham, que passava por uma das obras-primas da arquitetura gótica. E mais ainda. Eles que eram cavaleiros, fizeram questão de destruir por suas próprias mãos o convento, pelo ódio que eles tinham àquelas paredes, que eles não queriam que continuassem de pé.

Os senhores podem ver uma espécie de ódio que é de um gênero especial, que não tem o seu símile com nada, e que concentra em si todos os outros ódios, porque naquele momento a destruição daquilo liquidava com tudo (7). Depois viriam outros passos que liquidavam com outras coisas.

Você dirá: "Então, como é que liquidava com tudo?"

Quer dizer, tudo o que estava naquela etapa liquidar, seria liquidado com a liquidação não apenas de um convento da Ordem de Calatrava, mas da Cavalaria. Então, esse ódio no caso do convento de Calatrava se apresentou dessa forma (8). (...)

Isso é que é apaixonante no Sr. Dr. Plinio. Realmente arrebata a gente, porque ele tem uma visão de uma radicalidade, que quando ele diz, e só ele pode dizer, mais ninguém, ele diz e a gente vê a realidade como uma profundidade, com uma clareza, como ninguém.

Eu não encontro adjetivo, não há -- é verdade que a gente usa letras minúsculas para dizer isso e ninguém pode atirar pedra contra isso: é uma visão divina das coisas. [Aplausos] (9). (...)


Quer dizer, há assim concentrações de ódio satânico -- eu poderia falar da Companhia de Jesus, e assim outras coisas -- cuja intensidade nós temos dificuldade em compreender, mas que em determinado momento são de um determinado modo. E eu acho que o ódio contra a TFP se descarrega desta forma.


É o ódio dos cavaleiros de Calatrava destruindo o mosteiro deles, é o ódio contra Maria Antonieta, é o ódio contra a família do tzar da Rússia, etc. (10)


E, portanto, contra mim (11). É que em determinada época histórica, determinada forma do tal enquanto tal tinha que acabar desaparecendo para aquela época histórica dar diretamente na vitória definitiva da Revolução. E isso a TFP impede. E talvez não impedisse se eles me matassem. Então, a idéia de que é preciso, etc.


(...) nós dentro da TFP condicionamos os acontecimentos externos e inclusive os internos, porque nós fazemos bem uns sobre os outros, ou mal, portanto, nós somos responsáveis pelo bem e pelo mal dentro da TFP, de acordo com o comportamento que eu tenho e a convicção que eu guardo.


Comentários:

  1. Os presentes no auditório vêem naquela frase uma alusão a JC.

  2. As fases do processo pelo qual passam certas pessoas dentro do Grupo são: a) tibieza; b) deflação do entusiasmo; c) visão pejorativa dos membros da TFP; d) visão pejorativa da Instituição. Mas poder-se-ia acrescentar mais uma etapa: tentativas de destruir a Entidade e aliança com os inimigos da Instituição.

  3. JC, o “santo, santaço, santo de altar”, tendo que optar entre um ato de generosidade --que poderia levar muitas coisas da TFP para cima-- ou uma revolta --que poderia destruir a Instituição--, escolheu a revolta.

  4. JC está perfeitamente ciente de que, o que está fazendo contra a TFP, compromete toda a Causa da Contra-Revolução não só internamente, mas também externamente.

  5. JC se considera uma personificação do espírito de cavalaria dentro da TFP. Ressalta a importância desse parágrafo para dar a entender que o transfondo do “ódio” de que ele estaria sendo alvo é simétrico ao transfondo do ódio que outrora houve contra a cavalaria.

  6. O que Dr. Plinio disse é claríssimo. Não obstante, um joanino pede a seu senhor que lhe explique aquilo. Os assistentes a esse "jour-le-jour" aplaudem, não quando termina a leitura das palavras de Dr. Plinio, mas quando termina a explanação de JC. Quer dizer, eles entendem e aclamam uma tese a partir do momento em que é proferida pela boca de JC. Enunciada diretamente por Dr. Plinio essa mesma tese não é entendida nem aclamada.

  7. Há curiosas similitudes entre os joaninos e esses cavaleiros de Calatrava: a) propendem para a secularização, indo a viver em outros lugares e passando a trabalhar para outras instituições; b) mas ao mesmo tempo não querem deixar de pertencer à Ordem, isto é, querem continuar sendo mantidos pela Ordem; c) pedem licença ao Poder Temporal para destruir seu convento; d) tem um ódio especial à Ordem.

  8. Ou seja, liquidada a TFP, estaria liquidada a Causa da Contra-Revolução.

  9. Os joaninos aplaudem o fato de Dr. Plinio ter tido uma clareza e uma visão divina das coisas? Ou aplaudem que JC diga aquilo? Aplaudem a quem: a Dr. Plinio ou a JC?

  10. O ódio de JC contra a TFP, e a hipocrisia com que fala da TFP, são perfeitamente satânicas.

  11. Esse que se apresenta como discípulo perfeito de Dr. Plinio e que lidera a revolta, sabe perfeitamente que o ódio contra a TFP é no fundo ódio a Dr. Plinio.





B. No tocante à união


Se Dr. Plinio algo desejava, era a união - Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 31/3/96:


(Frizzarini: Sr. João, se o Sr. Dr. Plinio tivesse oportunidade de fazer essa reunião declarando seus últimos desejos, quais o senhor acha que seriam esses desejos?)

Eu acho que ele insistiria muito na unidade.Os senhores foram acompanhando os vídeos todos os dias?


(Todos: Sim!)


Os senhores devem se lembrar que às tantas ele disse clarissimamente que nós durante a Bagarre não é que deveremos estar em união, nós deveremos estar juntos. Está gravado.

Isso é uma manifestação de desejo dele e orientação dele. Devemos estar juntos.


Quatro dias depois, dirigindo-se aos Provectos no calhamaço “Juízo Temerário” (p.61) , ameaça romper a coesão da TFP. Eis suas palavras:

Considero [que] esta polêmica (...) talvez venha ela a constituir o primeiro rasgão no manto inconsutil de nosso Pai e Senhor (...)

A desconfiança, CLARAMENTE manifestada pelos senhores seis a meu respeito (...) torna impossível a continuidade de minha colaboração com os senhores, como mantive até o presente momento ( Os negritos e as maiúsculas não são nossos).


*


Referindo-se aos pensamentos que teve no dia 3 de fevereiro de 1996, aniversário do desastre, enquanto esteve na Europa, JC contou, entre outras coisas, o seguinte:


Me lembrei da doença de 67 [do SDP], em que ele dizia que ele gostaria de aparecer diante de Nossa Senhora dizendo: "Minha Mãe, minha Mãe, daqueles que me destes eu não perdi nenhum..."

Então, eu pensei nisto: que o que ele mais gostaria que nós tivéssemos uma vez que ele ofereceu a vida por nós, o que ele mais gostaria que nós tivéssemos entre nós, era uma união.

Lembrei-me da oração que os senhores têm, que é Consagração a São Miguel, onde se fala da oração nossa com ele Sr. Dr. Plinio e da união nossa entre nós mesmos. Me lembrei de propor que no Grupo inteiro nós rezássemos nesse 3 de fevereiro a ele, oferecendo a ele esse propósito interior nosso de uma benquerença, na linha de uma união total entre nós.

(Cfr. Reunião na Saúde, 15/2/96)


Porém, poucos dias antes que esses sublimes pensamentos passassem pela sublime cabeça de JC, ele, contrariando a vontade expressa de Dr. Plinio, difamou a AX (cfr. 24/1/96); e aos membros da Pará e da Martim, acusou de invejarem e desprezarem a Dr. Plinio (cfr. "jour-le-jour" 22/1/96).


*


"Jour-le-jour" 18/6/96:


[Dr. Plinio] não queria de forma nenhuma divisão entre nós.


Certo tempo antes de dizer isso, JC difamou aos membros da Pará e da Martim numa reunião para CCEE, em 1/5/96.

*


Após o falecimento de Dr. Plinio, alguns conspiram para destruir a união - Palavras de Storni em grafonema ao Dr. Mário Navarro (10/12/96, pp.3 e 6):


Nuestro Padre y Fundador nos enseñó (...) que entre nosotros tenemos que tratarnos apreciando, resaltando y admirando en los otros las cualidades, y no viendo o disimulando los defectos. Este princípio (...) es ahora para nosotros um princípio sagrado.

[El 3 de octubre de 1995, cuando Dr. Caio envió a JC el recado “nós somos um com o senhor”, la unión entre los Provectos y JC] fué sellada en el mismo momento en que nuestro Padre y Señor entraba triunfalmente en la Gloria Eterna. Tal vez haya sido la última tarea realizada por él en esta tierra, y al mismo tiempo, la primera gracia que dispensó desde el Cielo.

Esa unión entre los Provectos y el Sr. João es, de algun modo, para la vida interna del Grupo, el testamento más expresivo, un legado de valor inapreciable que nuestro Padre y Fundador nos dejó antes de partir. Si esa unión se da, si esa unión se consolida, si esa unión crece, la TFP continuará unida, y crecerá en fervor, en dedicación, en entusiasmo. Y desde el 3 de octubre de 1995, existen quienes conspiran para destruir esa unión.


Mas enquanto Storni falava de união, o eremita de São Bento Fernan Luis Lecaros conspirava na França. Fax do Sr. Fernando Antunez para JC, Paris, 25/11/96:

Desde que vim para cá recebi instruções de MS de evitar, a todo custo, criar divisões, mesmo entre os de bom espírito, ou até os ‘perfeitos’ e os menos bons. Assim agi e o Sr. conhece com que resultado.

Acontece que nesse equilibrio sempre instável, começou o Sr. Fernan Luis a fazer todo um trabalho de tipo ‘panelinha’, na linha do que fez o Sr. Humberto nos EEUU.

Acontece que, como não é feito com o espírito de MS, não entra benção e está criando aqui uma situação de divisão em não poucos bons, no meio de murmurações dos não tão bons. Ele está fazendo um grave trabalho de desunião.


*


Fala JC - “Juizo Temerário”, p.270:


Não creio que ninguém tenha se esforçado mais do que eu, desde que nosso Pai e Fundador foi para o Céu, em manter a coesão do Grupo (...)


Fala Ramón León - "Quia nominor provectus", p.23:


Tudo se fez em prol da união.


Ramón León, referindo-se aos dias imediatamente posteriores ao falecimento de Dr. Plinio (Cfr. "Quia nominor provectus", p.115), disse:


Naquela conjuntura era mister, para preservar a tão preciosa união interna, conservar o grupo como o SDP o havia deixado (...)


Os dois primeiros trechos são “pra inglês ver”. Os joaninos dão a entender que ao longo de toda a crise visavam manter a coesão da TFP.

Mas no terceiro, tiram a máscara. Pois revelam que, se as circunstâncias lhes tivessem sido favoráveis, já teriam se revoltado em outubro – novembro de 1995. Naquela época, muitos espíritos ainda não estavam preparados para a ruptura. Era preciso que passassem por um “curso de formação”, com reuniões diárias no ANSA --recebendo aulas de “mística”, sonhos, visões, etc.


*


No 3 de fevereiro de 1996, aniversário do desastre sofrido pelo SDP, foi lido no Auditório Nossa Senhora Auxiliadora, um grafonema de JC, desde Milão, dirigido “aos respeitáveis e saudosos Provectos do Senhor Doutor Plinio e a meus queridos irmãos de vocação”. A seguir transcrevemos alguns trechos desse grafonema:


Um incansável objetivo [do SDP] foi o de nos obter uma inquebrantável união, o que com tanta clareza transparece em suas palavras na Consagração a São Miguel Arcanjo:


"Por este ato de vassalagem que vos pedimos (São Miguel Arcanjo) aceiteis, sejamos cada vez mais essa Cavalaria nova, toda marial, toda celeste, toda participada de vós, na qual formemos um com o varão de vossa destra, o profeta, nosso Pai, que vos representa junto a nós.

Inspirai-nos para com [o SDP] todas as disposições de alma análogas às que para convosco tiveram os Anjos que vos seguiram: admiração, amor, confiança, obediência irrestrita, fidelidade aguerrida e cavalheiresca. Que nenhum poder diabólico ouse perturbar a união sobrenatural de nossas almas com a dele.

Inspirai-nos, de uns para com os outros, aquela participação de graças e desígnios, aquele altíssimo e mútuo respeito, aquele afeto leal e vigoroso de que a união dos Pares de Carlos Magno foi sinal precursor para os séculos sucessivos."


Eis aqui descrito o roteiro utilizado pela graça para me levar a lhes escrever no sentido de sugerir que no dia de amanhã firmássemos uma promessa, ou um propósito, ou ainda um ato solene de união entre nós, e de "admiração, amor, confiança, obediência irrestrita, fidelidade aguerrida e cavalheiresca" para com nosso Pai e Fundador.

É o que proporemos aos daqui, amanhã, diante do corpo incorrupto de São João Bosco, e o que deixamos à manifestação da graça nas almas dos senhores. Que o Divino Espírito Santo muito os inspire, e contem sempre com o nosso "altíssimo respeito e afeto leal e vigoroso".


*


União, união, união, acima de tudo. O resto não interessa - "Jour-le-jour" 5/1/97:


Hoje em dia a obra do Sr. Dr. Plinio se expandiu e o fato de ela se manter já é um milagre. Mantendo-se já é miraculoso. Agora, aumentando e crescendo um pouco mais, já é um milagre ainda maior. E é um milagre contra o qual o demônio vai lutar com unhas e dentes.

Não se esqueçam da conversa que o Sr. Andreas, o Sr. Fernando Antúnez e eu tivemos com o Sr. Dr. Plinio no dia em que saiu o Conde Huym. (...) [O] Sr. Andreas perguntou para o Sr. Dr. Plinio:

-- Sr. Dr. Plinio, o senhor não podia fazer uma previsão do que é que vai acontecer conosco daqui até a Bagarre, internamente?

-- O demônio vai lançar a confusão dentro do Grupo e vai fazer com que meu Fernando, sem razão nenhuma, desconfie de você Andreas e desconfie de você João; você, meu filho, vai desconfiar do João e do Fernando por tentação do demônio, sem razão nenhuma; e o João vai desconfiar de vocês dois também sem razão nenhuma, por tentação do demônio. Ele vai lançar a desconfiança de uns para com os outros para ver se introduz o caos dentro do Grupo.

O Sr. Dr. Plinio disse: -- Eu não tenho medo de um ataque contra a TFP vindo de fora. A TFP é indestrutível de fora para dentro, ela só pode ser destruída de dentro para fora.

Então o demônio vai querer inventar coisas monumentais.

(...) Em novembro de 94 ele fez um simpósio com o grupo da Colômbia (...) e nessas três reuniões finais ele mostra como o Grupo está semi-infestado, em novembro de 94. E nessa semi-infestação, como o demônio procuraria jogar uns contra os outros.

Ele fez uma reunião no dia 1°, dia 2 e dia 3 de outubro de 94, que são nessa linha. (...)

Infestação o que é? É presença do demônio dentro do nosso relacionamento.

O que é que pode acontecer na linha de desenvolvimento? Se não houver uma interferência sobrenatural marcante, grandiosa, nós cresceremos um pouco mais e faremos um pouco mais, e é nossa obrigação. Mas internamente pode ser que o demônio ainda veja com confusões e complicações. Nós devemos estar preparados para lutar contra as infestações através de exorcismo, através de oração, através de penitência, através de tudo.

[As Forças Secretas] preferirão muito mais fazer com que nós esmoreçamos, do que meter o pé em cima. Conhecem mais do que nós.

Por isso, o que nós temos que fazer é cerrar fileiras na linha de uma união inteira em torno dele, Sr. Dr. Plinio. União, união, união, acima de tudo. O resto não interessa.

Daí o documento “sursum corda” cair de primeira, porque o que importa é isso. Esses assuntos todos entre nós não devem existir. O que deve existir entre nós é harmonia, união, união, harmonia. (...)


(S. Canals: Porque seria destrutível internamente? Externamente Nossa Senhora protege contra estrondos e internamente não protege? Ou isso é uma forma de dizer?)


Não, não, não é forma de dizer não. (...) Se o senhor construir uma fortaleza brilhantíssima, magnífica, como existia nos tempos da Antiguidade e que era Jericó. Jericó era uma fortaleza indestrutível por fora. (...)

O senhor dirá:

-- Como é que é isso? Não pode ser destruída por fora e pode ser destruída por dentro?

A partir do momento que o senhor tem traidor dentro, o senhor destrói a fortaleza.

(S. Canals: Ou seja, é possível que obra do Sr. Dr. Plinio seja...)


Aí é que está, ela será vitoriosa, ela chegará ao seu fim, mas pode ser que ela chegue ao seu fim com muito menos brilho do que chegaria se não houvesse uma destruição por dentro.Quer dizer, a vitória vem de qualquer jeito, com o senhor, sem o senhor, comigo ou sem a minha pessoa, pouco importa, essa vitória vem. Agora, o normal seria que viesse a vitória com todos, não é? E este é o problema.

Por que é que é destrutível por dentro e não por fora? Nossa Senhora não ajuda dentro e ajuda fora? Não é isso. É que ele, Sr. Dr. Plinio, mesmo diz que desde que a TFP cumpra a sua missão inteiramente, desde que a obra dele tenha a união que deva ter, ele não teme nem a bomba atômica. A partir do momento em que a TFP deixar de ser a TFP e houver divisões internas, ele fica com medo até de uma folha de uma árvore que cai.


Enquanto JC dizia isso no Auditório, quais eram as diretrizes que dava a seus agentes, dentro e fora do Brasil?

Primeiro dentro. Trecho de carta do Sr. Ghioto, encarregado do Grupo de Campos, a Dr. Eduardo, 28/12/96: “estou enfrentando problemas internos e externos sem conta aqui: sofrendo sobremaneira por causa da atitude que tomei perante a tal ‘graça nova’. A ponto de estar com a saúde abalada. Tenho receio de não suportar um nível maior de pressão. Ainda ontem ligaram de São Carlos para advertir um subordinado meu contra mim”.

Agora no Exterior. Trecho de carta de Dom Bertrand aos Provectos, 26/12/96: “Agora resulta que tomo conhecimento, por vias totalmente transversas e ocasionais, que o Sr. Dustan está sendo enviado ao Chile para um simpósio que realizarão nos primeiros dias do ano. Simposium esse, aliás, sabe Deus com quem combinado e para tratar de que temas ... do qual também apenas de passagem me foi dito por um chileno que estão por realizar”.


*


No "jour-le-jour" 4/1/96, realizado em EEUU, JC fala do panegírico publicado em vários jornais do mundo pouco tempo depois do falecimento do SDP. Referindo-se a um trecho desse documento --o oferecimento do SDP como vitima expiatória na véspera do desastre-- que estaria sendo contestado em alguns ambientes do Grupo, disse o seguinte:


O demônio está querendo produzir entre nós, aquilo que o Sr. Dr. Plinio não queria.A última reunião que ele fez no Auditório de Nossa Senhora Auxiliadora, no dia 19 de agosto. (...) ele afirmava que terminada a reunião, o que demônio ia procurar fazer era introduzir uma divisão entre nós.


*


Reunião para a Saúde, 20/9/95:


O demônio não quer, de forma nenhuma, essa união. O demônio, pelo contrário, quer a desunião entre nós, quer o oposto do que quer Nossa Senhora. Nossa Senhora nos quer ver unidos, nos quer com uma união colossal, porque se nós tivermos uma união como está na Consagração a São Miguel, desejada pelo Sr. Dr. Plinio entre nós, não há o que nos derrote, nós somos invencíveis. (...) Nossa Senhora deseja de nós uma união completa, plena, total. E o demônio, o contrário. E essa união vem para nós desde que nós coloquemos os nossos olhos nos objetivos. (...) nós temos que manter essa união em função dos objetivos: (...), acabar com os adversários; o resto não interessa.


Nesse mesmo dia, JC, acolitado por Patrício Amunátegui, fez uma reunião subversiva, questionando a capacidade gobernativa dos Provectos (cfr. Capítulo 8, I, A, 2, f, “As reuniões dos dois Patrícios”).


*


Na parte final do "jour-le-jour" 14/9/97, JC lê e comenta uma conversa de Dr. Plinio com os colombianos (do ano 92, no segundo andar da Alagoas) a respeito da Bagarre e da introdução de divisões internas na TFP.


Para a melhor intelecção das palavras de JC, convém lembrar que:


O texto não só torna patente a duplicidade de JC, mas também fortalece a axiologia de todos aqueles que permanecemos fiéis a Dr. Plinio.


Você imagine dois corpos de exército estão lutando na terra. Tem artilharia, tem todas as armas. Aparece uma arma nova de guerra bacteriológica, por exemplo. Jogar bombas com micróbios em vários lugares para provocar epidemias.

(...) Agora, aparece um país com uma outra arma ainda pior, que é uma bomba que deteriore o oxigênio no ar, de maneira que fique só o azoto, e o ar fique inteiramente irrespirável.

Bem, enquanto existirem combatentes, sempre que aparecer uma arma nova ela se soma às antigas; os que estavam combatendo não desistem das armas antigas, continuam a usar as armas antigas e vêm novos combatentes com armas novas.

(...) Se a Providência permitir - e tudo está indicando que está permitindo - a interferência direta, clara, por assim dizer escandalosa do demônio, nos acontecimentos (...) se a Providência permitir isto, não quer dizer que a guerra antiga deixe de existir, da Revolução e da Contra-Revolução com as armas que têm usado até agora; somam-se as armas novas que são os demônios e os anjos.

E, portanto, a guerra não vai deixar de ser como ela é, acrescenta-se a isto uma nova modalidade de guerra.

E, portanto, a guerra não vai deixar de ser como ela é, acrescenta-se a isto uma nova modalidade de guerra. De maneira que nós não temos que imaginar que algumas coisas ficam mais brandas e outras mais intensas, isto é uma ilusão.


Não tem abrandamento. Os senhores não pensem: "Bom, entra o demônio, aí, pronto, a gente precisa parar de fazer tal campanha, parar de fazer tal serviço, parar de fazer não sei quanto. Não vai ter mais problema porque apareceu o demônio. Os problemas internos inclusive desaparecem, porque todo o mundo se une de pânico do demônio".

Não é o que ele vai dizer. Não é o que ele vai dizer.

Tudo fica mais terrível, até o desfecho final sumamente dramático, mas sumamente glorioso porque sumamente milagroso em que eles são jogados no chão.

Isto posto, dá-se o fato de que a entrada dos anjos e dos demônios far-se-á como habitualmente trabalham uns e outros.

O demônio, nós o estamos vendo, trabalha escondido. À medida que ele vai se tornando mais claro, porque os homens caíram muito de toda espécie de qualidades, por causa disso vão sendo insensíveis ao horror do demônio, e vão cada vez mais aceitando o convívio dele até o momento em que ele aceita em que ele apareça e diga: "Eu sou o demônio!" e, eles então adorem.

Esse é o fim em que o demônio chega ao objetivo da Revolução, fazer-se adorar pelos homens.


Eu os vejo mexendo nas cadeiras. É compreensível que os senhores se mexam nas cadeiras porque o tema é para mexer-se mesmo. (...)

Agora, [a perspectiva] é mais trágica ainda do que ele está apresentando, porque até aqui nós imaginamos o seguinte: Nós todos dentro levando uma vida de disciplina, uma vida de piedade, uma vida de entusiasmo, uma vida de oração, enfim, a mais elevada possível, tendo nossas ações exteriores, ações contra-revolucionárias nesta campanha, naquela campanha, depois tal ação, tal outra ação, nós analisando o avançar da Humanidade no caminho da adoração ao demônio e nós nos distanciando deles, mas não tendo nós nenhum problema que eles têm. Portanto, entre nós os problemas vão cada vez mais se evanescendo, se evaporando, e nós cada vez tendo entre nós uma vida mais aprazível, mais alegre, mais cheia de bênção, então tendo felicidade de situação: "Pelo menos nós não estamos como eles!".

Não é assim. Ele está descrevendo o processo do lado de lá como se fosse lógico e que o de cá deixa a impressão de que fosse cada vez mais sendo sublime.


Naturalmente ele gostaria que nesse momento supremo, ele pudesse eliminar da terra os que não cederam, os que não querem adorá-lo e, portanto, ele ganha a batalha porque não há mais adoradores do único Deus verdadeiro e há adoradores dele, então ele ganhou a batalha. Essa seria a meta dele.

Agora, isso Nossa Senhora não permitirá. Por que é que eu digo que não permitirá?

Porque a Igreja sempre existirá, por menor que seja o número de fiéis de que conste a Igreja, ela sempre existirá com membros fiéis, membros bons. Não são como esses católicos que se dizem católicos e que em nossos países latino-americanos estão cheios. Enquanto estão vazios de católicos verdadeiros, estão cheios dessa falsificação de católicos, mas não de verdadeiros adoradores do verdadeiro Deus, em espírito e verdade.

Bem, como é que age Deus? Como é que agem os anjos?

Normalmente eles agem aparecendo e manifestando-se de um modo repentino e numa glória extraordinária, empurrando majestosamente para o lado a canalha toda.

Mas, na realidade entre o momento em que eles aparecem e o momento em que a canalha é vencida, há uma luta. E por causa disso está escrito no Gênesis, que quando o demônio gritou: non serviam - eu não vou servir - e depois São Miguel Arcanjo declarou: Quis ut Deus? - Quem é que é como Deus? -, no intervalo, proelium magnum factus est in caelum, fez-se no céu uma grande luta. E em conseqüência desta luta os demônios foram precipitados no inferno.

Como pode ser uma luta entre espíritos?

É uma discussão em que os espíritos perdidos, pérfidos, etc., vêem que não têm razão, se envergonham e vão para o fundo do inferno? Não é verdade.

Eles são sem-vergonhas por natureza, estão de má fé, sabem que não têm razão, e o fato de mostrar para eles que eles não têm razão, não os incomoda senão pouco (1). Só pode ser de um jeito que nos anjos de Deus habite uma força misteriosa, delegada por Deus e que empurra eles para o chão. Como é essa luta?

Deus não luta, Deus manda. Ele, aos anjos dá uma força gradativamente maior, até que o momento é tal que psitt!! eles estão liquidados.

Então, a partir do momento em que os demônios vão se tornando de uma aparência cada vez mais evidente na terra, Deus vai dando aos filhos dEle uma resistência cada vez maior a essa ação do demônio. E o demônio nota nessa resistência que não são os homens que estão agindo, que Deus está aumentando a força de Sua presença nos homens, e que com isso ele está ficando sem poder fazer nada.

Apesar disto continua a lutar, e a mostrar-se cada vez mais. Mas ele nota que à medida que ele se mostra mais, em vez de ele ir ficando com mais adoradores, ele vai ficando mais débil. E que o ele subir ao trono dele é uma coisa tal que quando ele tiver chegado em cima, ele morre. Pelo próprio desenrolar da situação ele é assim. Porque nele tudo é errado, tudo é fracassado, tudo dá em derrota, na aparência ele tem vitórias extraordinárias mas na realidade, no fim e ao cabo, acaba vencendo Deus (2). De maneira que ele sabe que no dia em que ele vencer ele está liqüidado. E ele vai subindo ao trono como um homem vai caminhando para a morte. Procurando ocultar isto aos sequazes dele, porque ele é o príncipe da mentira.

Então ele fará prodígios diante dos homens, poderá, por exemplo, arrancar uma árvore do chão e fazer uma árvore voar pelo céu; jogar o Pão de Açúcar dentro do mar, poderá fazer uma porção de coisas dessas. E os homens ficam pasmos, aparece um falso profeta do demônio e diz ao Pão de Açúcar: "Precipita-te dentro d'água!" e o demônio empurra o Pão de Açúcar dentro d'água, e os homens crédulos, estão achando que é um colosso (3).

Ele sabe que à medida que ele vai pervertendo o maior número de homens vai chegando o limite além do qual ele não pode perverter porque a Igreja deixaria de existir. E a corrida dele para a vitória, é a corrida para a eutanásia, para o suicídio.

E este é o primeiro ponto que nós precisamos ver com bem clareza. Nós, que temos que lutar nessa luta. É que o nosso adversário vai parecer cada vez mais brilhante, cada vez mais poderoso, mais capaz de arrastar (4), de um lado.

Mas que de outro lado, nós que sabemos qual é o fundo da luta, nós ficamos sabendo que quanto mais ele parecer irresistível, mais ele está comendo os últimos dias do triunfo dele.


Será uma previsão ou será uma mera hipótese? Ele não faz uma afirmação, ele agora levanta o problema assim...

Então, os bons católicos reduzidos a um quartinho como esse (5), não numa cidade, não sentados tranqüilamente como estamos aqui, mas perseguidos, numa toca qualquer da Amazônia colombiana ou da Amazônia brasileira, e metidos em nem sei que horrores. Nós devemos saber isto:

- "Nossa última hora parece ter soado e nós vamos acabar. Logo, estará soando a última hora dele. E, portanto, confiando e confiando em Nossa Senhora porque pelo dinamismo da luta, ele sobe para baixo, e nós abaixamos para cima. Portanto, coragem!"

Bom, esse é o primeiro dado. Agora, segundo dado é o seguinte:

Eu, por necessidade didática, para me tornar claro, eu tenho que pintar as coisas como é o fundo das coisas, mas a aparência das coisas não vai ser tão simples porque o demônio é o pai da mentira e ele trabalha na confusão, ele trabalha no caos, no erro, etc.


Tudo isto daqui foi lógico, então a gente olha assim e entende tudo: "Bom, está acontecendo o que o Sr. Dr. Plinio disse. O Sr. Dr. Plinio previu, então estão vendo. O demônio vai aparecer, está chegando a hora da derrota dele, ele vai querer nos perseguir, nós vamos ficar reduzidos a um número minúsculo, o demônio vai vir por cima e pronto: Nossa Senhora intervém, intervêm os anjos e está tudo acabado. Então vamos esperar de braços cruzados, porque está tudo resolvido".


Eu, por necessidade didática, para me tornar claro, eu tenho que pintar as coisas como é o fundo das coisas, mas a aparência das coisas não vai ser tão simples porque o demônio é o pai da mentira e ele trabalha na confusão, ele trabalha no caos, no erro, etc.


Novamente abatimento. O auditório passa de entusiasmos a abatimentos, de abatimentos a entusiasmos (6). Mas é que é a realidade.


E, portanto, nós não vamos ter tudo bem arranjadinho: eles caindo e nós subindo ou... nada disso! É um caos espantoso em que se tem a impressão que só ele sobe, e é uma situação em que nós nem sabemos bem - a maior parte - se está conquistada por ele ou não. Porque a maior parte está assim meio muda e ainda não fez um ato de adoração explícito. Nós diremos: "Falta um pouco para que o mundo inteiro o adore."

Na realidade nessa confusão muitos não o adoram, no meio daqueles tem alguns que são de Nossa Senhora, ou não se sabe de muitos como é que estão, tudo é um caos horrível em que ninguém vê claro, a não ser ele e os chefes dele que ordenam a coisa.

Eu sei que não é agradável e ainda vem o pior.


Nós vemos claro por obra da fé o seguinte: quando a confusão chegar ao auge, o demônio chegou até onde ele pode ir. E aí pum!Portanto, a confusão não nos deve desorientar. A confusão é a própria fisionomia do caminho.

Tomem nota, tomem nota: a confusão é a própria fisionomia do caminho. É impressionante. Por isso, a confusão não nos deve desorientar .../... Agora nós voltamos para o aspecto duro. É a Bagarre! Mas eu acho que esse é dos aspectos mais duros de todos. É o aspecto que faz a carne chiar de dor.


Esta batalha terá momentos terríveis, momentos de confusão, inclusive entre nós...

E ele continua agora no texto.

... não imaginem que todos os nossos estejam unidos necessariamente como anjos no céu.

Portanto, desunião.


Pode ser que Nossa Senhora nos conceda o auxílio da união. Pode isto acontecer e ser-nos-á de um auxílio enorme na luta.Mas pode acontecer que seja da vontade de Nossa Senhora que nós não tenhamos esse auxílio, e que o demônio cria confusão mesmo entre os nossos, e que um diz uma coisa o outro entende uma outra e dá uma divisão, etc.


O que ele vai dizer é pior do que aquilo que nós estamos imaginando. Ele vai dizer algo que vai além ainda do que foi previsto até agora. Isto que ele vai dizer os senhores não ouviram até agora, é novo. Mas é novo em matéria de tormento.


Entre os nossos, em determinados momentos, ninguém entenda bem quem é nosso, é tremendo, é tremendo! Mas isso pode acontecer.

A gente olha assim e diz: "Puxa, mas será que aquele é nosso? Será que aquele já não está caminhando?"


Mas se isso acontecer, de qualquer maneira Nossa Senhora nos ajudará se desde já nós rezarmos a Ela e pedirmos a Ela para esses dias grandiosos da Bagarre. (...) é bom também pedir que Ele [NB: Nosso Senhor] nos ajude na hora da nossa luta. Não só na hora da nossa morte, mas na hora da nossa luta. De maneira que nas horas mais difíceis da luta, nós sejamos como aço que nada conseguiu romper. Nas horas, portanto, mais difíceis da confusão, nós estejamos ali inquebrantáveis.


Aí ele passa para outras perguntas e para outras respostas. (...) Em 92 para os colombianos, no segundo andar da Alagoas, o Sr. Dr. Plinio dá uma visão a respeito da Bagarre com novos fatores com os quais a gente conta pouco, que é a intervenção do demônio: o demônio entra na luta, vai cada vez mais tentando galgar o trono no qual ele vai ser adorado, e quando se sentar nesse trono ele cai. Mas acontece que ele vai lançar a confusão entre nós. E uma confusão que vai chegar a um auge, por onde nós teremos dúvida de quem é quem, como é que é este, como é que é aquele, como é aquele outro. Isto vai nos trazer um sofrimento de alma tremendo, mas tremendo, porque nós não temos a ele [NB: Dr. Plinio], e quando nós precisávamos do apoio colateral inteiro nós também não vamos ter. Nós vamos ser castigados pelo isolamento que nós negamos, segundo o chá de 89.

Eu sei que não é uma visão cheia de mel, cheia de atração, mas é a realidade, é a voz do profetismo, é a voz da inerrância (7).

Comentários:

  1. Exatamente assim procedem os joaninos: são sem-vergonhas, estão de má fé, sabem que não tem razão.

  2. Idem os joaninos: na aparência tem vitórias extraordinárias, mas na realidade todas as suas investidas fracassam e se voltam contra eles. Exemplos: o processo jurídico a respeito dos Estatutos da TFP, a campanha nas ruas para ver se a opinião pública se punha do lado deles, as visitas aos doadores e propagandistas de Fátima para “maffiar” aos Provectos, o apelo à “midia” --“memento” a entrevista ao “Boff da TFP”-- , etc.

  3. Dr. Plinio profetiza o aparecimento de um falso profeta, ao qual alguns homens acreditarão e admirarão.

  4. Mais ou menos a partir dos últimos dias de vida de Dr. Plinio, JC e seus adeptos começaram a parecer cada vez mais brilhantes, mais poderosos e mais capazes de arrastar.

  5. Dr. Plinio previu que o número dos bons seria reduzido a ponto de todos eles caberem numa sala.

  6. Um dos critérios para saber quem está andando bem, consiste em observar sua atitude perante a Bagarre: o abatimento é mau sintoma de vida espiritual. Ora, se os joaninos se abatem perante o que Dr. Plinio disse a respeito da Bagarre, o que achar de seu “entusiasmo”: é autêntico?

  7. Portanto, a sabendas JC embarcou na divisão da TFP.


*


"Jour-le-jour" 31/8/97:


O demônio quer até que nós tenhamos desavenças entre nós, ou então um diz uma coisa, outro diz outra, começa uma discussão, se põe numa posição, outro se põe noutra, a gente fique em pólos opostos e um dizendo desaforos para outro.


*

"Jour-le-jour" 19/1/97, parte II:


Eu passo para trás ainda, vou para 92. Dezembro de 92, o dia me falta. É uma palavrinha para os pernambucanos que estavam passando por São Paulo em 92:


A TFP está dentro da Revolução mais ou menos como um homem que está preso dentro de um vagão. Embora ele esteja dentro do vagão sem querer, ele está preso ali e vai aonde vai o vagão. Assim também nós estamos dentro do mundo revolucionário. Nós somos contra ele, estamos presos dentro dele, mas para onde ele vai nós temos que ir. Exceto em matéria de pecado, o resto ele nos envolve e nos arrasta. É uma coisa evidente que é assim, não há discussão possível.

Como o mundo está cada vez mais num caos, numa desordem completa -- vocês podem ver isso pelo Brasil, tomem só esse caso do Collor mais do Itamar e vocês estão vendo o grau de desordem que isso representa --, haverá um caos fora e pode haver uma tentação do demônio de pôr caos dentro, colocando possibilidade de desacordo entre vocês, de birra, de um não achar mais graça na companhia do outro, estarem juntos e não saberem porque é que estão juntos, o que é que é esse negócio, etc. São coisas que o demônio faz para tentar para ver se vocês não ficam na TFP.

Vocês, é possível -- se não é provável é pelo menos possível -- que já tenham sentido coisas dessas. Vocês devem dizer isto: "Tudo o que eu sinto aqui é uma coisa provocada pelo demônio desse caos que tem no mundo. E, portanto, eu devo fazer o que disse Santo Inácio de Loyola: aggere contra."

Se eu estou com nó com um amigo porque esse amigo pisou no meu sapato, estragou o meu sapato, qualquer bobagem, eu vou ser especialmente cortês com ele, especialmente amigo dele para pisar na cabeça do demônio. Por quê? Porque eu sou filho da Virgem, que é Aquela cujo calcanhar esmaga a cabeça do demônio. Portanto, eu vou agora com estes ser especialmente gentil, especialmente amável, etc. e tal.

Há um desentendimento? Cuidado. Vai ver, o desentendimento nem tem fundamento real, é um equívoco a respeito de uma palavra que foi empregada, é uma coisa qualquer e já sai um nó, já sai uma briga. É preciso saber evitar todas essas coisas com todo o cuidado, e quando se apresentarem: não! está acabado.


Vou agora -- a hora me permite -- para o dia 29 de abril de 92. Está num final de almoço, e o Sr. Dr. Plinio diz:


Às vezes me passa pela cabeça que em extremidades pelas quais nós possamos passar, Elias e Enoc apareçam para nos ajudar. Porque há situação tão, tão extremas que sem uma interferência deles (...) é difícil imaginar que se consiga alguma coisa. (...)

Imagine que a Providência permita uma coisa qualquer que eu faça, ninguém entenda. Eu esgoto todos meus argumentos não consigo convencer. A TFP está desacoroçoada. [Elias e Enoc] entram e alguém pergunta: "O que vieram fazer?"

E eles dizem: "Viemos dizer que Plinio tinha razão". Não é possível? Por que não?


É aqui que ele conta aquele caso da Venerável Maria Eustela. (...) Ela vivia um vida tão pobre, tão miserável, que tinha só uma xícara para tomar o chá da manhã. De repente escorrega a xícara da mão e se espatifa. Ela diz: "Mas, meu Deus, era a única coisa que me restava e isso também se foi. Ai, que coisa tremenda".

Vai pegar os cacos, e quando ela vai pegar os cacos percebe que a xícara está inteira. (...)


Pode acontecer isto com a minha querida TFP. Levada pelos desvarios de toda ordem, levada pelas confusões de hoje, levada pelas tentações de toda forma, pode acontecer que em determinado momento ninguém se acerte com ninguém, a TFP não tem conserto.

Mas alguns conservam a confiança. Em certo momento, quando se olham, está tudo resolvido, Nossa Senhora agiu nas almas e recompôs tudo.

São coisas que podem acontecer. Às vezes chega a isso. São provas pelas quais é preciso passar.

Às vezes há situações dentro da TFP que me lembram a história de Dr. Ox, você conhece isso, do Júlio Verne, ou não?

Então ele conta toda a história do Júlio Verne que os senhores já conhecem. Posso pulá-la.

Entre os verdadeiros servidores da Igreja, existe com alguma freqüência emissões do gás de "Dr. Ox", que é o nome que Júlio Verne dava a esse ente fantasioso.

Quer dizer, de repente as pessoas começam a ficar sentidas porque o outro me olhou com um jeito torto, e ele bem viu que o outro queria dizer aquilo, mas também ele tinha tal coisa assim para responder, e responderá na primeira ocasião, porque ele vai ver! porque tereteté.

O outro ouve uma palavra e diz: "Aquele deve estar falando mal de mim. Se ele está falando mal de mim eu tenho direito à defesa própria, então eu vou procurar aquele com que ele estava afalando e exigir que esse conte, para eu tomar a minha defesa, beberbebé..."

Tudo muito lógico, mas sem essa elasticidade que Deus pôs até nos metais.

E isso produz rigidezes, hirtezas e tensões que evidentemente podem levar à loucuras, mas que quando Dr. Ox, no caso o demônio, é mandado embora, a gente se olha e diz: "Mas que bobagem!" Não é verdade? Pode haver coisas dessas entre nós.

Então, entre uma TFP e outra! entre cem coisas pode haver. E nós devemos estar preparados para não ligar para o espírito de "Dr. Ox" dizendo: "Não, olhe aqui, você também não pode suportar!"

-- "Não é o contrário, eu estou reconhecendo que é você que está ali dentro, e por causa disso eu resolvi suportar até o inaudito, e se não bastar eu vou para o "inauditíssimo", mas eu acabo te pisando."


*


A melhor forma para dar a vitória a Satanás consiste em fazer a gente girar em torno de um “canal necessario”.


Falando para o “centrão” --isto é, para o pessoal da DAFN, Buissonets, Santa Maria Martirum e congêneres--, no 6/9/95 --quase um mês antes do falecimento de Dr. Plinio--, JC comenta a última Reunião de Recortes:


(...) Tomemos agora o demônio. Ele está por aqui, ele está nessa sala, nós pudemos notá-lo mais de uma vez procurando infestar essa sala. E também mais de uma vez procurando evitar a reação contra essa infestação. O que é que ele pôde? Ele não quereria que esta reunião chegasse a seu extremo, ele não quereria que desses recortes iniciais lidos aqui, saísse essa reunião, com essas conseqüências. Mas, fez-se.

Quando a reunião terminar, e já antes de ela ter terminado, o demônio, o partido do mal terá começado a encher nossos instantes com sofismas ...


Senhores, essa é a hora dos sofismas. Prognosticados por nosso Pai e Fundador. Hora dos sofismas! Só sofismas?

... com pequenas desonestidades...

Então, desejo disso, desejo daquilo.. [Vira a fita]... desejo de aparecer (...)


... ou grandes desonestidades. Mas ele mesmo sabe, porque ele tem essa experiência e compreende como ela lhe é amarga, que quando a fidelidade a Nossa Senhora da parte de certos filhos chegou a certo ponto, ele não é mais nada.

Ele procurará alguma coisa?


Olha o profetismo, hein! O que é que ele procurará?

Ele procurará nos dividir.

Então, senhores, qualquer dito, qualquer gesto, qualquer atitude, qualquer fímbria de um modo de ser ou de uma imperfeição ou disso ou daquilo, que vise a divisão entre nós, este pode ser chamado Satanás. Porque nunca, em toda nossa história nós necessitamos mais de uma união fraternal, de benquerença, de entusiasmo entre nós do que agora.


Ele procurará fazer com que nós não compreendamos bem uns as posições dos outros e que, portanto, percamos o amor que devamos ter uns aos outros e nos encolerizemos muitas vezes com puras tolices. Ele fará cem outras coisas. Isso tudo que ele fará, é nada.


(...) De maneira que tudo o que nós estamos passando no momento, foi previsto, tudo tem explicação dada por ele. O que é preciso agora, é que nós tomemos cuidado com as observações feitas por ele, com a vigilância deitada por ele para o futuro, e que nos diz: expungirmo-nos da Bagarre Azul; segundo ponto: cuidado com os sofismas; terceiro ponto: cuidado com as desonestidades; quarto ponto: cuidado com as divisões.

Portanto, nada de mexer em nada. A obra do Senhor Doutor Plinio tem sido constituída durante estas décadas todas por ele mesmo. Ele foi quem criou as comissões, ele foi quem criou os grupos, ele foi quem criou todos os serviços, todos os trabalhos que existem dentro da TFP. Nada de um estar querendo meter o dedo no trabalho do outro. E as coisas devem continuar tais quais elas são.

- "Não, mas precisa saber quem é que vai agora resolver os casos que o Sr. Fragelli tem, por exemplo, do grupo dos Estados Unidos”.

Tudo continua como dantes, no quartel de Abrantes. Quem vai querer se arvorar o direito de, enquanto o Senhor Doutor Plinio está doente mexer nisto, ou mexer naquilo? O Sr. Fragelli já tem anos e anos, e anos de experiência. Ele, Sr. Mário, Sr. Raymond Drake e outros mais antigos consultaram o Senhor Doutor Plinio inúmeras vezes através de intermediários, através do Despachinho, e o Senhor Doutor Plinio deu para eles carradas de orientações. Que sigam as orientações que foram dadas. Não é preciso mais nada.

- "Ah, mas como é que nós vamos fazer uma ação nova?"

Ação nova que nós temos que fazer é enfiar a mão na alma e tirar o bezerro de ouro. Essa é a ação nova. [Exclamações.] De resto: apostolado da Saúde continua como está, Êremo de São Bento continua como está, Praesto Sum continua como está, Jasna Gora, Êremo de Elias... tudo. Nada de querer mudar isto, para fazer aquilo, para conseguir tal coisa, para obter tal outra. "E essa verba para onde é que vai?" Está tudo decidido, definido, consultado, o Senhor Doutor Plinio já deu orientação perfeitamente a respeito disto, daquilo. Não tem mais nada que fazer. É esperar, esperar, esperar um milagre. Um milagre que tire nosso Pai e Fundador da situação em que está e que possa voltar ao nosso convívio. De resto, as coisas continuam como ele sempre orientou e como ele sempre quis.

Além do mais, o que devemos fazer nós nessa situação?

Há um sofisma que é arriscadíssimo e que... Como os senhores sabem o demônio é inautêntico e sempre vem batendo nas mesmas teclas, com as mesmas técnicas, com as mesmas manhas, com os mesmos sofismas.

Uma vez que Moisés está no alto do Sinai no seu contato com Deus e sendo atormentado pelo demônio, nós estamos entre nós. Surge aqui, lá e acolá, posto pelo demônio, a idéia: "Olhe, quem será que pode nos dar tal orientação, nos ajudar aqui, nos ajudar lá". E, se não tomam cuidado, em pouco tempo restabelecemos no Grupo inteiro, nos mais variados quadrantes, a teoria do canal necessário.

"Fulano? Fulano é um colosso! Ele viveu com o Senhor Doutor Plinio durante "x" anos. Fulano é extraordinário! Fulano conhece isto, conhece aquilo. Para tratar desses assuntos, tem que ser Fulano. Eu vi, ele estava rezando assim, assim, de repente deu um olhar para a imagem de Nossa Senhora. Nossa Senhora se comunicou com ele."

Aí repete-se a história: "Quem sabe se eu consigo uma relíquia dele". Aí está tudo perdido! Porque é mais fácil aceitar a um canal necessário do que aceitar o Senhor Doutor Plinio. E isto nós temos que deixar entre nós bem claro, bem estabelecido e muito bem cauterizado.

Fundador é fundador. Os outros são seguidores. (...) Os senhores tomam a obra promovida por São Bento, (...) visitem Subiaco, visitem Montecassino --olhe, que lá entrou o progressismo--, está bem, é aquela mesma obra de São Bento. E a gente conversando com um beneditino, quase que encontra aqueles restos de espírito, restos de luzes do próprio São Bento, que atravessou mil e quinhentos anos de história. Por quê? Porque duzentos anos depois não houve nenhum cretino que dissesse: "Não, não, agora São Plácido. Porque São Plácido, não sei quanto e que ele é o modelo." Se tivesse isto acontecido, os beneditinos tinham se desfeito. E nós teríamos não os beneditinos, mas os placidinos.


*


No "jour-le-jour" 17/8/97, parte I, JC lê e comenta uma Conversa de Sábado à Noite (não indicou a data):


Você falou primeiro em vida intelectual, e depois bem mais adiante você qualificou isso de vida espiritual.

É uma coisa reversível na outra.

É uma coisa pela qual, se a pessoa tiver a alma apontada para o não trivial quotidiano e pequeno da vida de todos os dias, mas apontada para as coisas superiores, é por aí que o espírito pode apanhar essas coisas.


Então ele já dá o suco da vida intelectual e da vida espiritual. Qual é o suco? É ter as vistas voltadas para o que há de mais alto e não para o trivial. Se a pessoa tiver as vistas voltadas para o mais alto, ela apanha tudo que diz respeito ao que há de melhor para sua vida intelectual e sua vida espiritual ao mesmo tempo. Isso já na primeira frase, já na partida. Já na partida ele subiu.


E na nossa vocação, é daí que vem a energia para a vocação, ...


Então, princípio fundamentalíssimo: De onde é que vem a energia para a vocação? Vem de ter as vistas postas no que há de mais elevado. Então, lembrem-se, o demônio tem interesse em fazer com que nós abaixemos as vistas. Tem interesse. De que forma? Prestando atenção no dinheiro, se está rendendo ou não está rendendo. E a gente vai lá fazer as contas, os cálculos, e como é que é, como é que não é. (...)


... e vem tudo o mais que você apanhou muito bem, você descreveu muito bem.


Então às vezes a tentação é o dinheiro, às vezes a tentação... Homem, entre nós, entre nós lembremo-nos da última reunião que o Sr. Dr. Plinio fez aqui no dia 19 de agosto de 1995. Ele disse: "Saindo daqui, o demônio vai começar a pôr dúvidas a respeito do que eu disse, o que eu não disse... E começar a produzir a divisão entre os senhores”. Às vezes o demônio joga uns contra os outros, para no fundo fazer com que a gente fique girando em torno do assunto aquele, de um que disse isso, o outro que disse aquilo, para esquecer os aspectos mais elevados da vocação.

E aí nós perdemos a energia da vocação. O demônio quer fazer com que a gente gire em torno de tal caso, gire em torno de tal outro, gire em torno de tal pessoa, para fazer com que a gente esqueça o Sr. Dr. Plinio. Esquecendo o Sr. Dr. Plinio, está tudo perdido, porque aí a gente afunda, porque perdemos a energia da vocação.


*


"Jour-le-jour" 16/2/97:


A melhor forma para dar vitória a Satanás e fazer com que [o SDP] esteja ausente é nós nos desunirmos.


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Observe-se que as 3 afirmações de JC, acima citadas, vão de setembro de 1995 a agosto de 1997. Ora, acontece que nesse periodo:

  1. Andreas Meran colocou-se como escravo de JC (cfr. relatório de AM a JC, 17/11/95, cópia do qual AM enviou ao Coronel Poli), e este parece ter gostado muito da proposta, pois o mandou fazer proselitismo em favor de sua pessoa pelos Grupo do Brasil e do Exterior;

  2. Nelson Tadeu implorou a JC tornar-se seu escravo (cfr. Capítulo 10 “Maçonismo”). A resposta não sabemos qual terá sido. Mas o fato concreto é que, de lá para cá, JC vem promovendo cada vez mais ao sujeito (por exemplo encarregando-lhe a organização dos encontros de neo-cooperadores, a chefia de processos jurídicos contra a TFP, etc.);

  3. idem Luiz Antônio de Paula (cfr. "jour-le-jour" 15/11/96).

Evidentemente esses não são os únicos casos.


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A divisão interna, sintoma de que a pessoa está sendo tentada contra Dr. Plinio. Como proceder nesses casos? - "Jour-le-jour" 27/1/97:


Naquela reunião que o Sr. Dr. Plinio faz no dia 3 de outubro de 1994, em que ele fala da lâmpada vermelha, ele diz de uns olharem os outros não pelos lados sobrenaturais, pelos lados do thau, pelos lados da virtude, pelos lados dos dons, mas começar uns a olharem os outros através dos defeitos.

Evidentemente era uma época em que ele não podia de jeito nenhum [falar de si]. Apesar de estar com filhos ali de Portugal e de Espanha, ele não tinha o costume de falar de si. Mas na realidade o problema da luz vermelha, como todos as outras reuniões que nós estudamos dessa fase, dessa semana, desses dez dias de reuniões, o problema da luz vermelha se põe sobretudo de nós para com ele.

(...) Nós devemos evidentemente ter nossa alma impostada para os acontecimentos de fora do Grupo, não tem dúvida, aparição do demônio, o demônio que vai se fazer adorar e tudo o mais. Mas mais importante do que isso, mais fundamental, mais central, é a Bagarre que vai se passar dentro do Grupo. Nós vimos aqui numa reunião de quarta-feira, uma profecia que o Sr. Dr. Plinio deu muita importância, de que antes do ano 2000 -- em meados do ano de 1900, antes do ano 2000 portanto -- os demônios vão ser soltos.

É uma ilusão nossa acharmos que esses demônios vão agir sobre a opinião pública e não sobre nós. O demônio vai agir sobre nós, o demônio, portanto, vai nos pegar aqui, lá e acolá, ao longo da nossa vida espiritual interna. O demônio vai nos tentar e a principal tentação que o demônio põe em nossas almas não é a tentação contra a pureza. (...) Mas a principal tentação do demônio é contra a fé, e é contra a fé no profetismo, é contra a fé no Sr. Dr. Plinio.

Qual é o sintoma de que uma pessoa está sendo tentada, já está sendo preparada para a tentação ou já está começando a ser tentada contra o profetismo do Sr. Dr. Plinio?

O sintoma principal é a apatia interna em relação aos outros. Quando uma pessoa começa a ficar apática em relação aos outros, quando ela começa a ter desconfiança de que está sendo perseguida, desconfiança de que está sendo esquecida, suscetibilidade, amor-próprio, depois olha para um outro e começa a ver mais os defeitos do que as qualidades, esses são os sintomas de que o demônio está preparando para vir com a tentação principal (...)

E a preparação para a Bagarre exige de nós que no dia-a-dia nós sejamos exímios. Exímios nos atos, eu já dei um sintoma, mas exímios na benquerença. Se se trata de um outro que é irmão meu que está num êremo, que usa hábito como eu, que, portanto, somos um na vocação, somos um no objetivo, no ideal, somos um na origem porque temos o mesmo pai, isto para mim resolve tudo, está tudo resolvido. Eu vou passar por cima de qualquer coisa, faço qualquer sacrifício.

-- Mas Fulano de Tal me deu uma resposta atravessada, violenta, que é uma coisa do outro mundo. Ele vai ver, eu vou pegá-lo na próxima.

-- Não, não vai ver coisa nenhuma. Ele deu, ele pode ter errado, eu mereço muito mais do que ele fez. Ele ainda me tratou muito bem, porque se fosse para tratar o quanto eu mereço, deveria ser muito pior e deveria ser na base das bofetadas, eu deveria levar umas bofetadas grossas. Ele não deu porque a Providência não quis me dar essa graça. Se eu levasse as bofetadas eu deveria, aí sim, estar exultante, porque era o que eu merecia. Ele ficou muito aquém, mas que graça ele ter me feito isso, porque eu pude passar por aquilo que eu mereço.


Se JC tivesse agido conforme isto que está pregando, não teria havido a crise da TFP.


*


Quem não souber ceder, faz a obra de Satanás entre nós - “Palavrinha” encerramento de retiro das duplas do ENSDP, 15/1/97:


Internamente verifica-se o que o Sr. Dr. Plinio tinha previsto já no ano de 94. Ele dizia em 94 aqui, lá e acolá, sobretudo no mês de outubro e no mês de novembro de 94, que o Grupo se encontrava semi-infestado. As últimas palavras dele em 19 de agosto de 1995 foram nesse sentido, que o demônio ia procurar nos dividir.

Então internamente o que existe é isto: incompreensões aqui, incompreensões lá, acolá, em vários grupos, em vários países, em várias cidades, este contra aquele, porque falta evidentemente um pai, falta um senhor visível, sensível. As pessoas, então, ficam discutindo se isto é melhor assim, se tal coisa é melhor assado, entram critérios, entram prismas de observação e as pessoas não se entendem entre si.

Internamente ganha, leva adiante a obra de nosso Pai e Senhor aquele que sabe ceder. Quem souber ceder, ganhou a batalha; quem não souber ceder, este fez a obra de Satanás entre nós.


(Guilherme de H. Cavalcanti: É mais ou menos pôr na prática aquilo que a gente vê no retiro, não é?)

Benquerença.

(Guilherme de H. Cavalcanti: Benquerença, depois indiferença com relação...)

Claro, é isso.

JC cedeu? Não. Então, fez ou não a obra de Satanás entre nós?


*


Na Sexta-Feira Santa de 1996, JC teve uma pequena reunião com eremitas de S.Bento-Praesto Sum comentando as intenções pelas quais rezou Dr. Plinio na Sexta-Feira Santa do ano anterior.

Deu a entender que as palavras de Dr. Plinio --“que sejam afastadas como coisa maldita do demônio todas as causas que possam gerar discórdia, desentendimentos e desavenças” entre os membros do Grupo--, não se aplicam a ele, JC, mas aos Provectos --os quais, dias antes, lhe tinham enviado uma carta e um memorandum, lembrando a inconveniencia de modificar a posição da TFP em matéria de Missa Nova e de relacionamento com a Estrutura.

Nessa ocasião JC deu os “entretelones” do “calhamaço” intitulado “Juizo Temerário” que redigiu em resposta ao documento dos Provectos:


Impressionou-me muitíssimo a última intenção [do SDP] o ano passado. Ele disse:

A penúltima é essa: por todas as demais intenções que Da. Lucilia costumava enunciar nas sextas-feiras”.

Aí ele reza três ave-marias. A última é essa:


Para que Nossa Senhora conceda a todas as TFPs atuais, ou para existirem, a máxima unidade entre os seus membros; e que sejam afastadas como coisa maldita do demônio todas as causas que possam gerar discórdia, desentendimentos e desavenças entre eles”.


Que tenha sido a última intenção da última Sexta-Feira Santa da vida dele ... (...) É bonito, é bonito, é tocante. Depois ele tem uma categoria, o Sr. Dr. Plinio, extraordinária. Olhem que ele estava com câncer no fígado, estava com câncer nos pulmões, estava arrasado com a sua saúde. Olhem a formulação que ele faz assim de improviso -- está perfeita, é literária, isso aqui é evangélica:


Para que Nossa Senhora conceda a todas as TFPs atuais, ou para existirem, a máxima unidade... “


Quer dizer, ele quer o máximo, ele não quer a unidade. Não, não, ele quer a máxima unidade.


entre os seus membros; e que sejam afastadas como coisa maldita do demônio...”


É uma coisa maldita de quê? De um feiticeiro? Não, é uma coisa maldita do demônio.


todas as causas que possam gerar discórdia,...”


Ele tem sempre os três adjetivos ou três substantivos que dão a elegância das frases dele. Que possam gerar discórdia e podia terminar aqui, não é?


desentendimentos e desavenças entre eles”.


(...)


Bem, senhores, nós temos que almoçar. O que achei impressionante foi o sonho do Sr. George. Os senhores souberam?


(Todos: Não!)

O Sr. George Antoniadis (...) sonhou que me via num despacho com o Sr. Dr. Plinio. Eu me mostrava muito alegre, o Sr. Dr. Plinio também muito alegre, e dizia algumas coisas que ele não ouvia. Aí eu saio do despacho com um calhamaço de papel nas mãos e que ele me dizia:

- Como foi o despacho?

- Olhe, foi excelente, porque o Sr. Dr. Plinio disse que com isso fica tudo resolvido. [Aplausos]

Não é impressionante? (1)


(Todos: Fenomenal!)

Ele disse: "Diga isso ao Sr. João porque de repente tem alguma coisa qualquer".

Pax inter christianus. Achei muito interessante.

Vai hoje. Logo quando começar a cerimônia [de Sexta-Feira Santa] será entregue. (...) Eu acho que vai produzir bom efeito.

Eu acho que eles [NB: os Provectos] estão aflitos porque julgam que eu estou me movendo com o Sr. Juan Miguel, com o Sr. Fernando Gonzalo, com cardeais, com canonistas, com teólogos, para condenar inteiramente este aspecto, aquele outro aspecto, que não sei quanto, que eu vou mandar um cartapácio doutrinário para eles que os vai deixar... Tiveram três horas de telefonema com o Dr. Caio anteontem à tarde e ontem o Sr. Wilson esteve no centro da cidade durante um bom tempo com o Dr. Plinio Xavier e o Dr. Paulo Brito.

Eles estão querendo reestudar todo o assunto que eles escreveram julgando que tem algum problema qualquer canônico, teológico que eu vou explorar.

Os senhores estão tomando a coisa com espírito de contenda. Não é espírito de contenda, nosso espírito é de unidade. De justiça coisa nenhuma, justiça é a unidade. Justiça sem paz é impossível. Pax et justitiae.

Por isso é que eu quero entregar logo, apesar de alguns estarem revendo. O Sr. Mário está revendo, o Sr. Pedro Paulo já passou a noite em claro, passou um superfax aí, coitado, inteiramente de acordo, fazendo algumas observações muito bem feitas, muito a propósito. Está o Sr. Mário... o Sr. Fragelli não lê nem bula de remédio, não vai ler isso de jeito nenhum. Ele vai pegar o negócio, vai ler assim: "Não, isso não tem dúvida". O Sr. Juan Miguel já leu, já fez as observações, os dois Patrícios já tinham lido e já tinham feito observações bem boas, de modo que... O Dr. Sérgio -- me contou o Sr. Trivelato -- vai lento na leitura porque está lendo com lupa. Ele vai em mais da metade em dois dias já. Ele apenas queria me aconselhar a que eu não fechasse as portas inteiramente, que deixasse uma saída. Mas no final fica dada a saída. Ele diz que não tem observação nenhuma, que o texto está excelente (2). Ele sabia há mais de um mês atrás que ia ser feito um documento, mas nunca pensou que fosse um documento tão balofo, tão sem fundamento, e que o trabalho está respondendo ponto por ponto. Havia uma dúvida que tinha surgido na cabeça dele quando ele leu o Covadonga-Informa, que era a missa do Pe. Victorino de trigésimo dia, mas que lendo agora a explicação ele se dá conta perfeitamente que não podia ter outra saída, que era aquela mesma. Claro, se um padre que nos deu toda a espécie de pareceres até hoje, que nos salvou de situações as mais difíceis possíveis, esse padre chega para o pessoal e diz: "Olha, eu quero celebrar uma missa aqui no convento das dominicas que fica em frente e quero que a TFP esteja presente", esse pessoal não vai dizer para ele: "Escute, padre, vá plantar batata, mas nós não vamos".

-- Ah, mas por que é que publicaram no Covadonga-Informa?

-- Pois, claro! Ele precisa sentir que nós estamos unidos, justo agora.

Se durante a vida do Sr. Dr. Plinio nós tínhamos esse trato para com ele, calcule agora durante a morte. Nós precisamos dele, ainda mais no estrondo (3).

O senhor mesmo sabe disso, o apoio que ele nos deu no estrondo é uma coisa colossal.

Mas, enfim, diz o Dr. Sérgio que está perfeito.

O Sr. Mário, coitado, pegou uma gripe dessas históricas e diz que não vai conseguir ler até domingo porque está com febre e dor de cabeça. Mas nós ficarmos esperando vai fazendo ferver o caldo e eles ficam imaginando coisa muito pior, quando na realidade não é. Tudo fica esclarecido, todos os boatos ficam...

O que existe, isto sim, foi o Dr. Sérgio quem disse e é verdade, que fica confirmado por um telefonema do Sr. Mathias hoje de manhã, é que há uma boataria dentro do Grupo de louco. Então um diz uma coisa, outro diz outra. Exceção feita dos elementos mais jovens do Grupo, os mais antigos cada cabeça é uma sentença. Então cada um tem uma idéia a respeito de algo.

Aqui em São Paulo, porque o senhor vem da Espanha e o senhor me é testemunha que há unidade única. Na Itália não tem esse problema, não existe. Em Portugal, exceção feita do Sr. Narciso, unidade completa e total.

Aliás, eu estou dizendo Sr. Narciso por blague, porque na realidade eu nem sei o que é que ele pensa, não tenho idéia.

Nos Estados Unidos a unidade é perfeita e total, no Canadá também.

Quer dizer, o único lugar onde tem jaleo é aqui, só aqui.

Enfim, isto é bom para que nós, mais intensamente, rezemos na cerimônia de hoje à tarde por este objetivo e não pelo objetivo... O objetivo nosso qual é? A união. (...)

Os senhores estão vendo que o meu tônus é um pouco diferente do dos senhores. O meu tônus é um tônus que vem do coração, o dos senhores vem do picles.

Ele [Dr. Plinio} rezou nesse dia:


Pela grandíssima intenção da cura urgente, profunda e completa do nosso caro João”.

Conseguiu, hein! (...)


(Aparte: Que dia foi, Sr. João, do mês?)

Dia do mês foi 14 de abril.Bem, senhores, eu os deixo em paz, lhes desejo um almoço de sexta-feira, mas que seja suficiente para que os senhores tenham energias para a cerimônia à tarde, lhes desejo uma cerimônia abençoadíssima...


(Aparte: O senhor vai?)

Eu não vou, fica meio mal eu ir.

(Arturo: E amanhã, Sr. João?)

Amanhã eu vou. Mas hoje fica meio desagradável, como que dizendo: "Eu vim aqui para empurrar os senhores na parede".Não sei o que é que acham.


(Todos: Fenomenal!) (4)

Eu acho que eles vão ficar aliviados com a resposta, porque eles imaginam que vai haver uma explosão. A resposta é violenta, é incisiva, é categórica, ela tem uma linguagem que é minha própria, é uma linguagem um pouco dura, mas acontece que eu escrevi isso num momento em que o sangue estava fervendo (5), o que é que eu posso fazer? Depois do sangue ter abrandado eu deixei, já está feito.

Depois eles imaginam que vai ser uma coisa que vai dar em complicação. Não, está dito ali: "Se os senhores não aceitam esses fatos, a nossa colaboração termina aqui (6). Agora, se em face da realidade os senhores dizem: ‘Não, de fato essa é a realidade, está tudo em paz’, está ótimo, então vamos recomeçar tudo de novo".

- Está bom, então amanhã já vamos fazer uma reunião.

- Não, espere um pouco. Para fazer uma ferida é um segundo, o senhor pega um bisturi e o senhor corta em um segundo o braço inteiro. Para consertar demora, tem que costurar, tem que deixar cicatrizar, deixar de sair sangue, precisa ver se não infecciona, precisa tomar penicilina, se tomar muita penicilina depois dá alergia e aí tem que ir no médico de alergia. É toda uma complicação.

Precisa ir de vagar, vamos devagar.


(Vasco: Ontem houve uma... não é espírito de contenda, mas...)


Cuidado, nós precisamos aqui lembrar dessa intenção.

(Vasco: Foi uma coincidência. Aconteceu que na hora que o coro foi entrar com "Judas mercator pessimus", teve uma pessoa que estava na primeira fileira...)


Não a nomeie.

(Vasco: Quando ela se levantou...)

Já é interpretação... hahahaha! Aí de repente é juízo temerário, de repente é juízo temerário. Pode ser, pode ser, pode ser.Senhores, eu lhes desejo um fim de sexta-feira cheia de compunção.

Os cânticos que foram cantados são lindíssimos. Meu Deus do Céu, como a Paixão é superior a qualquer outra fase da liturgia. Que coisa impressionante! Dá vontade da gente prolongar a Paixão pelo ano inteiro. É lindíssimo!

Depois aquelas súplicas a Deus, Nosso Senhor, de que olhe com misericórdia, com bondade para os nossos crimes, que nos perdoe, que nossos crimes olhados por Ele desde o alto dão a Ele oportunidade de derramar, desde o mais alto dos céus, aquela misericórdia que lava tudo, que limpa tudo, que não sei quanto. É lindíssimo, é lindíssimo!

Depois o pedido de perdão constante, permanente, é bonito.

Olha que a inocência tem uma beleza extraordinária, mas um coração contrito e humilhado arrancam de Deus o que às vezes a inocência não consegue arrancar.

Nosso Senhor disse, está dito aqui: "Se eu gostasse de sacrifícios, eu os teria em quantidade. Mas a mim me agrada um coração contrito e humilhado". Aqui, pronto.

Quando a pessoa tem uma contrição verdadeira de algo de errado que fez e pede perdão, não tem a menor dúvida.

Senhores, que Nossa Senhora os ajude.


(Aparte: Ao senhor sobretudo.)

A mim sobretudo? Não, sobretudo os que mais necessitam (7). Se for eu o mais necessitado, aí não tem dúvida. Mas de repente há gente que necessita mais do que eu.


(Dustan: Quem é mais, precisa de mais.)

Quem é mais miserável precisa mais. Nesse sentido os senhores têm razão.In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen.(Cfr. conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 5/4/96)


Comentários:

  1. A reunião de JC começa lembrando o conselho de Dr. Plinio de manter a coesão da TFP. Depois disso, narra um “sonho” no qual Dr. Plinio toma o partido dele. Mas então como é: por um lado Dr. Plinio quer que não se formem partidos dentro do Grupo, e por “debaixo do pano” Dr. Plinio toma o partido de JC?

  2. JC enumera várias pessoas maiores dentro da TFP que teriam tomado seu partido: umas “a priori” se solidarizam com ele, outras demoram um certo tempo.

  3. Ceder para não perder.

  4. As bases de JC teriam gostado que seu chefe “empurrasse na parede” aos Provectos, e gritam “fenomenal!” Esqueceram rapidamente as palavras de Dr. Plinio a respeito da unidade do Grupo.

  1. Aquele “cartapaccio” é uma das maiores amostras do amor próprio de JC.

  2. Se os Provectos não aceitam o que JC disse, então JC divide o Grupo.

  3. Depois de falar de quanto Deus gosta do coração contrito e humilhado, JC afirma que sobretudo os outros, e não ele, precisam da ajuda de Nossa Senhora ...


*


No "jour-le-jour" 16/6/97, JC lê e comenta um Santo do Dia, de fevereiro de 1980, no qual por sua vez Dr. Plinio analisa a maldição lançada pela Igreja a quem desviar uma freira de sua vocação. Pouco depois de começada a leitura, no texto do "jour-le-jour" figura um trecho, precedido da frase “parece ter havido um corte” ...


SDP: (...) desviar uma freira da sua vocação, atuar sobre ela para ela romper os votos assumidos, para ela deixar o convento, para ela entregar-se às atrações do mundo, etc., é um pecado muito grave, porque é atentar contra esse vínculo místico e sagrado que a freira contraiu com Nosso Senhor Jesus Cristo, com o próprio Homem-Deus.

E a Igreja, (...) durante a cerimônia de recepção da freira (...) reconhece o vínculo assim instituído pela freira com Nosso Senhor Jesus Cristo, Ela, num assomo de defesa da freira, manda o sacerdote, ou de preferência o bispo que está presidindo a cerimônia, proceder a essas palavras, em relação a quem ouse tentar desviar a freira da sua vocação. (...)


[Parece ter havido um corte.]

... houve toda espécie de combate das freiras "sabugas" e dos padres "sabugos" para impedir Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz de fundarem a reforma. E várias vezes eles conseguiram interferências de altas autoridades eclesiásticas mandando proibir a fundação dos conventos, etc. De maneira que a luta de Santa Teresa foi uma luta interna, dentro da Igreja, para conseguir que a autoridade eclesiástica aceitasse a instituição daquele ramo novo da Ordem do Carmo. Uma luta feita não contra a Igreja e a autoridade eclesiástica, mas em favor da autoridade eclesiástica, para que a autoridade se estabelecesse plenamente sobre ela. Mas muitas vezes enfrentando autoridades eclesiásticas elas também "sabugas" e elas, portanto, também remando numa direção errada (1).

Nesse conjunto de fatos, os senhores sabem que todos os historiadores mencionam a reforma da Ordem do Carmo como um dos grandes lances da Contra-Reforma. Os senhores imaginem quem extinguisse essa Ordem do Carmo no seu nascedouro, ou quem extinguisse a Companhia de Jesus no seu nascedouro, comprometendo gravemente --e no caso da Companhia de Jesus, quiçá extinguindo a Companhia de Jesus--, que crime, que pecado cometeria! Era um duplo pecado: a extinção de uma Ordem, mas o cancelamento de tudo quanto a Providência colocava repousando sobre essa coluna instituída por Ela. E seria, portanto, uma coisa terrível! (2)


[Parece ter havido um corte.]

(...)

O desviar uma vocação é uma maldição tremenda.

Os senhores que cuidam de apostolandos novos, o tomar um novo que tem um encanto pela vida do Grupo, que olha debaixo para cima -- segundo a tese de São Tomás de Aquino que o Sr. Dr. Plinio tanto gostava, todo o intermediário visto de um dos seus extremos se parece com o oposto -- e, como ele está no começo, olha para cima e imagina que todos os que estão acima dele são santos; chegar para um desses e dizer:

-- Esse não é não. Aquele lá não é santo porque tem tal defeito, aquele lá tem tal outra coisa assim. Quer ver? Veja só o que Fulano disso, veja só o que Sicrano disse.

É desviar uma vocação, é quebrar um flash, é tisnar um thau. Isso, no fundo, é fazer o papel de Satanás (3).


A vocação pode desviar-se, e costuma ser desviada de fora para dentro da TFP, quando alguém não pertence à TFP e se quer evitar que a pessoa penetre. A tentação para o desvio da vocação também é feita por aqueles que exercem, ao longo dos anos, de fora para dentro da TFP, uma ação continuada para obter que os que estão na TFP entibiem, hesitem e saiam. Também sobre eles se descarrega a cólera da Providência.

A ação também pode vir da desedificação que um membro da TFP pode dar a um outro a ponto do outro poder sair. E aí há também uma responsabilidade tremenda, e até maior, porque aquele que faz mal ao seu próprio irmão é mais criminoso do que aquele que faz mal a um desconhecido. E nós somos irmãos uns dos outros (4). E portanto também devemos ter o cuidado de nunca desedificar.

Os senhores dirão: "Mas na TFP, que desedificação sai?"

Às vezes uma palavra dura, uma resposta grosseira, um trato mundano e bagatelizante, um modo tíbio de receber uma notícia que deveria ser... [inaudível] ... pode ser o começo de uma crise. E tudo isso nós vamos encontrar no dia da prestação de contas. De maneira que é preciso que tenhamos isso em vista ao nos tratarmos uns com os outros. Cada um de nós é gravemente responsável pelas palavras que diz ao outro. Responsável pelo que diz e responsável pelo que não diz. E tem obrigação de fazer todo o possível para que de seus lábios só saia palavra que atrai, que ele vê e que faça bem.

Cada um de nós ao morrer, como seria bom que pudesse olhar para uma imagem de Nossa Senhora e dizer com confiança: "Daqueles que me destes como irmãos, por mim não deixou de se santificar ninguém. A eles eu fiz todo o bem que eu devia fazer". É o nosso principal apostolado.. Como deve ser terrível o remorso do oposto. (...)

Tudo isso nós vamos admirar nessas palavras extraordinárias que eu passarei a ler aos senhores. De onde vêm essas palavras? Da fonte mais autêntica que pode haver, que é o Pontifical Romano, que é o livro oficial da Igreja para as cerimônias. Então vem descrevendo a cerimônia de recebimento da nova esposa de Jesus Cristo, e agora começa a falar diretamente o Pontifical Romano:


Texto da cerimônia: Em seguida o Pontífice senta, ainda com a mitra, e lança publicamente um anátema (...). Pela autoridade de Deus Onipotente e dos seus santos Apóstolos Pedro e Paulo, nós, com toda firmeza e sob cominação de anátema proibimos que qualquer pessoa desvie essas virgens consagradas do serviço divino, ao qual estão sujeitas sob a bandeira da castidade. (...) Se alguém, entretanto, ousar cometer tal atentado, seja maldito em casa e fora dela. Maldito na cidade e no campo, maldito acordado e dormindo, maldito comendo e bebendo, maldito caminhando e sentado, malditos sejam seus ossos e sua carne e nada tenha de são desde a planta dos pés até alto da cabeça.

Caia sobre eles a maldição do homem que na Lei o Senhor lançou, por meio de Moisés, contra os filhos da iniqüidade. Seu nome seja apagado do livro dos vivos e entre os justos não seja inscrito. Sua parte e sua herança estejam com Caim, o fratricida, com Coré, Datan e Abiron, com Ananias e Safira, com Simão Mago e Judas traidor, e com aqueles que disseram a Deus: "Afastai-Vos de nós, não queremos a senda dos vossos caminhos". Pereça ele no dia do Juízo, o fogo eterno com o demônio e os seus anjos, a menos que apresente retratação e venha a emenda. Assim seja, assim seja.


(...) meu espírito exulta em Deus meu Criador, quando ouço uma coisa dessas. (...)

Em Deus (...) nada resulta do fortuito. Tudo que é em Deus é perfeito e é necessariamente assim. (...) Portanto, a cólera de Deus -- se Ele tem cólera, e nós acabamos de ver como é a cólera dEle -- ela é necessária nEle e Ele seria absurdo se não tivesse cólera, e Ele não existiria se não tivesse cólera.

E crer em Deus sem cólera é o mesmo que ser ateu. Ao pé-da-letra e sem tirar nem pôr. Julgar que a cólera de Deus é uma disposição de alma menos perfeita dEle e a respeito da qual é melhor não falar, é o mesmo que negar que Deus exista. Porque em Deus não cabe o menos perfeito. Ele é a perfeição absoluta. Deus não é perfeito; Deus é a perfeição.

Então, se Ele tem cólera, faz parte da perfeição ter cólera. E a perfeição sem cólera não é perfeição, é uma monstruosidade. Qualquer um de nós concorda que um Deus sem amor seria monstruoso; um Deus sem cólera seria igualmente monstruoso.


Nós também devemos ter amor e cólera. (...) uma vez que a perfeição em Deus está em ter cólera, é preciso que nós também tenhamos essa perfeição. "Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito", ou seja, nós devemos ter amor, não tem dúvida, mas devemos ter cólera também. Santa cólera, não cólera de amor-próprio (5).


(...) Agora nós vamos ver o radical e o meticuloso dessa cólera, para conhecermos bem a Igreja da qual somos filhos, e para que isso plasme as nossas próprias almas. Então, vamos renumerar as palavra e medir cada uma. É o cerco colocado assim. O que o Pontífice, o bispo quer é que a maldição não descole do homem um momento; esteja vestida nele como uma túnica apertada que ele não consegue despir. Uma túnica de fogo, uma túnica de tormento, irreparável, dentro da qual ele se revolve enquanto ele não se arrependa.


Texto da cerimônia: Se alguém, entretanto, ousar cometer tal atentado, seja maldito em casa e fora dela.


Então, não tem remédio, é de todo jeito; exatamente é um modo muito poético e impressionante de indicar a perenidade dessa maldição é isso que está aqui.


Texto da cerimônia: Maldito na cidade e no campo; maldito acordado e dormindo, maldito comendo e bebendo...


O maldito dormindo eu acho de uma grandeza especial. O homem amaldiçoado trabalha o dia inteiro e quando ele cai sob o peso da maldição e do trabalho, exausto, dir-se-ia então que ele pára de pecar. Mas a maldição está nele, e ele dormindo dorme sob o olhar colérico de Deus que o amaldiçoou. Essa idéia do sono maldito eu acho uma idéia magnífica. (...)


Texto da cerimônia: ... maldito caminhando e sentado, malditos sejam seus ossos e sua carne, e nada tenha de são, desde a planta dos pés até a cabeça.


Quer dizer, [a] doença o tome por inteiro e nada nele seja sadio. Que ele veja mal, que ele ouça mal, que ele respire mal, que ele digira mal, que tenha o tato paralisado e inútil, que seus movimentos sejam tortos; que nele tudo seja dor e tormento. Maldito. Por quê? Porque ele tentou desviar uma freira de seu consórcio com Jesus Cristo. O que dizer de quem tenta desviar um Cruzado da Cruzada [em] que se pôs? Aí se compreende como se deve ver o cometimento daqueles que lutaram contra as Cruzadas e o que eles acumulam sobre sua própria cabeça.


E os que lutam contra nós também (6). Quantos estrondos, quantas perseguições, quantos odios, quanto desejo de destruição?


Texto da cerimônia: Que sobre eles caia a maldição do homem que na Lei o Senhor lançou, por meio de Moisés, contra os filhos da iniqüidade. Seu nome seja apagado do livro dos vivos.


Isso é que é tremendo.


Quer dizer, da lista onde estão os que são chamados para o Céu, seu nome seja apagado. Coisa terrível!


Texto da cerimônia: E entre os justos não seja inscrito.


Do livro dos vivos saiu e entra nos catálogos do Inferno; nos sombrios e eternos catálogos do Inferno.


Texto da cerimônia: Sua parte e sua herança estejam com Caim fratricida...


Não pode ser pior. Ele compara o que procura tirar a vocação de alguém com um irmão que assassinou seu irmão.


É bem isso. O querer tirar a vocação de um outro é como um irmão que assassina seu próprio irmão. É tremendo isso!


Os senhores sabem que Caim ficou com sinal na fronte e que a vida inteira ele se deslocou sem encontrar paz, atormentado pelo horror a que sua inveja o tinha levado.


Texto da cerimônia: ... com Coré, Datan e Abiron...


Coré, Datan e Abiron são três revoltosos contra [Moisés]. Com mais duzentos e setenta, com uma maldição de Moisés, foram consumidos pelo fogo...


(...) Esses três revoltosos com mais 270 não quiseram mais aceitar o profetismo de Moisés, se levantaram contra o profetismo de Moisés. Diziam que não compreendiam por que é que um homem como Moisés ia ter que comandar o povo. Portanto, pecado de revolução, pecado de igualitarismo. E mais: inveja da graça paterna; nem é da graça fraterna (7).

Moisés fez de tudo para convertê-los e eles não quiseram. Então Moisés deu ordem de que o povo todo se separasse deles. O povo se separou, eles ficaram reunidos das tendas deles e ficaram, portanto, em torno das barracas que eles possuíam. Moisés convidou a Aarão a ir com um turíbulo, chegaram até próximo à tenda deles e Moisés lançou uma maldição. Nessa maldição o que aconteceu? É que a terra se abriu, o fogo do fundo da terra se levantou, consumiu a todos eles, levou as cinzas, não deixou vestígio nenhum deles, a terra se fechou e não ficou nada deles sobre a terra. [Aplausos] (8). (...)


Texto da cerimônia: ... com Ananias e Safira, com Simão Mago...


Aquele que queria comprar de São Pedro o dom de fazer milagres -- e, pior do que tudo...


Texto da cerimônia: ... com Judas traidor...


Ter parte com Judas traidor é o último horror e o último da maldição. Porque quando a gente diz para alguém: "Você é um Judas", está dito o pior insulto que se pode dizer de alguém. É o auge do insulto. A Igreja pede a Deus que ele tenha parte com Judas traidor. Vai mais longe.


Texto da cerimônia: ... com aqueles que disseram a Deus: "Afastai-Vos de nós, não queremos as sendas de vossos caminhos para nós".


Quer dizer, eles não quiseram a senda dos caminhos de Deus para a alma que eles tiraram do convento, então eles não quiseram o caminho de Deus para eles mesmos. Então, sejam malditos.


Texto da cerimônia: Pereça ele no dia do Juízo...


Quer dizer, que ele seja condenado ao Inferno.


Texto da cerimônia: Devore-o o fogo eterno com o demônio e os seus anjos.

A menos que apresente reparação e venha a emenda. Assim seja, assim seja.


Poderia ter uma jaculatória, cantada em grande solenidade: "Que se emende o pecador, te rogamus, audi nos." Não é o que segue. (...) a hora de mostrar a justiça não é adequada, muitas vezes, para mostrar ao mesmo tempo a misericórdia. E assim, nessa hora em que se mostra a justiça de modo terrível, a misericórdia faz apenas um pequeno aceno.

De onde não ser próprio aqui cantar essa jaculatória, porque a alma, ouvindo isso, não deve ter como mira especial a salvação daquele, mas deve ter como mira especial o que a Igreja teve quando Ela amaldiçoou; quando Ela amaldiçoou Ela não teve como mira especial salvar o maldito, mas teve como mira especial proteger a esposa mística de Cristo, e se indigna diante da idéia da esposa desprotegida.

(...) Então, depois de ouvir essas palavras da Igreja: "contanto que ele se arrependa e ofereça reparação"; não basta, portanto, arrepender-se, mas precisa apresentar reparação. Então, enquanto não se der isso, que ele sofra tudo isso; minha atenção deve ir para isso, e no momento eu devo fazer minha toda essa cólera da Igreja.

E vem aqui o exame de consciência da cólera. (...) Se se volta contra alguma coisa má, por uma razão boa, a cólera é uma virtude, e aquele que não se encoleriza nunca anda certamente mal. (...)

Devo também analisar se a cólera se volta contra o que deve.

O que deve me encolerizar? Encolerizar-me deve aquilo que é contra Deus, sua Igreja e a civilização cristã. Não basta que eu me encolerize contra alguns pecados e não contra outros. (...) [Qualquer pecado], na medida em que é pecado e por que é pecado deve encolerizar.

E o homem não deve ver o pecado sem os seguintes sintomas de cólera: uma reprovação muito viva do que ele viu, quer dizer, um julgamento. (...) Feito o julgamento, o dever de fazer cessar aquele pecado imediatamente, por todas as formas lícitas. (...)

A cólera contra o mal não se estende só ao pecado. Ela tem por objeto o pecado. Mas quem odeia o efeito, tem que odiar a causa. Portanto, quem odeia o pecado tem que odiar o pecador. E se, portanto, eu passo por um lugar e vejo um anúncio imoral, e vejo que um homem, um comerciante, um industrial, seja lá quem for, para receber dinheiro perde inúmeras almas vilmente, e estimula uma sensualidade degradante só para ganhar dinheiro, ele anuncia de modo imoral a bebida "X" que ele fabrica; isso eu devo tomar em conta de ação sumamente vil, e no trato com o negociante, ou com o fabricante, eu devo me lembrar: "Esse é o Judas que vende as almas que Nosso Senhor Jesus Cristo comprou com seu Sangue infinitamente precioso". E ainda que por essas ou aquelas razões eu trate bem, internamente eu devo ter essa noção: "Esse é o Judas". E devo ter internamente aquele horror que se deve ter para quem faz isso.

O que é, então, a cólera errada? É quando a cólera é efêmera, dura pouco, a gente não pensa nela; quando a cólera se cinge a desejar a punição, a eliminação do pecado e do pecador, mas não se volta a um ato de reparação.


Porque normalmente nos tratados vem assim: "O que é uma cólera fora dos seus verdadeiros parâmetros, uma cólera, portanto, errada? É aquela cólera que procede do amor-próprio". Não tem dúvida, é a cólera errada. Aqui não.


Uma vez que eu vejo que Deus é injuriado, eu não posso apenas querer cair de pontapés em cima de quem O injuriou. Eu devo querer [desagravá-Lo]. Esse é o ato de reparação, que refaz aquilo que o pecado tirou. (...) Isso é amar!

Qual é o outro lado da cólera? É quando a gente se encoleriza por causa de si mesmo.


Mas ele põe em segundo lugar, porque o primeiro é completamente esquecido.


Quando eu sou objeto de uma ação que me é lesiva praticada da parte de um outro, está na minha natureza, como na natureza de todo mundo, encolerizar-me. Lesiva de qualquer maneira, nos negócios, na honra etc. Nós sofrendo lesão de outrem tomamos cólera contra outrem. Nós temos direito em nos encolerizar? Devagar! Antes de tudo é preciso ver se o outro não tinha o direito de nos fazer aquela lesão; se ele não tomou contra nós uma medida que nós merecemos.

(...) Então, quando alguém age contra nós, nós devemos nos perguntar: ele não terá razão? E não devemos amor a ele e admiração, porque ele nos puniu?

Então, encolerizar-se por razões pessoais tão sem mais nem menos pode ser um pecado e pode ser até um pecado sério; conforme o caso pode chegar até um pecado grave.

Vamos dizer uma pessoa que seja ofendida injustamente. Ela deve perguntar: "Essa ação que foi cometida contra mim, acaba sendo que Deus não quis essa ação. Ele podia não ter permitido, mas permitiu. Permitindo essa ação Ele não teve em vista punir-me com alguma coisa?” Então, devo fazer meu exame de consciência perante Deus, e dizer: "Fulano foi injusto comigo, mas quanto a Deus, eu mereci essa injustiça porque em tal ocasião eu fui injusto com Deus. Todo pecado que cometemos é uma injustiça contra Deus, e se eu uma vez pequei, eu mereço que Deus permita que outro seja injusto comigo". E meu primeiro olhar, quando o outro é injusto comigo é dizer: "Meu Deus, eu vos dou glória porque permitistes isso. Eu Vos agradeço, porque aceitando como merecido castigo essa injustiça, eu, que fui injusto convosco, Vós me dais uma ocasião de reparação" (9). É a primeira coisa.

A segunda coisa é, quando alguém peca sendo injusto comigo -- não é possível ser injusto sem pecar -- esse alguém o que faz de pior não foi de ser injusto comigo, mas foi de pecar contra Deus. Isso é muito pior! Então, uma pessoa, no ato em que me ofende, ofende também a Deus, e eu fico todo estufado porque me ofendeu! Deus que se arranje, castigue como quer! Isso faz sentido?

Se eu amo a Deus mais do que a mim, o mesmo ato que teve dois efeitos -- ofendeu-me e ofendeu a Deus -- deve encolerizar-me muito mais por ter ofendido a Deus do que a mim.

Imaginem que eu vou andando pela rua, com meu pai ou minha mãe e vem uma pessoa e diz: "Ó dois sem-vergonhas!" Eu caio de bofetadas em cima dele. Alguém me segura e pergunta: "Por que você está encolerizado?"

-- Porque falou contra minha mãe, falou contra meu pai.

-- Mas não falou contra você também?

-- Ah, é verdade, falou também. Mas falou contra aqueles que me deram a vida, essa é outra questão. Eu vou por cima dele!

Se isso é contra nossos pais, a fortiori com Deus.

Todo pecado é, antes de tudo, uma ação contra Deus e muito secundariamente contra nós (10). (...) São Bernardo diz que o guerreiro que guerreia pela causa justa e mata o adversário por uma causa exclusivamente pessoal e mata o adversário por raiva, é um assassino. E isso na guerra! Vejam como devemos ter cuidado de não ter cólera dos outros pelo mal que os outros nos fazem, a não ser enquanto esse mal atinge a Deus.

Alguém dirá: "Mas eu não tenho direitos?" Eu digo: Tem. Mas quando você colocou antes o direito de Deus, desestufa tanto a sua cólera que a coisa fica reduzida à sua proporção, à faixa justa (11).

Então, vem agora o fim da história. Quando eu fico todo estufado de cólera porque alguém fez algo contra mim, eu desestufo quando eu lembro que o principal foi contra Deus? No fundo, na hora da minha cólera, eu estava me pondo no lugar de Deus. Isso é tão líquido quanto é líquido que isso aqui é retilíneo e chega até o chão sem fazer curvaturas. Os senhores vêem essas cóleras e essas raivas o que têm de deprimente, o que têm de não razoável, não sensato.

Com a cólera vão também as desconfianças que, muitas vezes, são filhas da cólera. O indivíduo se encoleriza e, por isso, fica desconfiado. Os senhores sabem qual é o castigo dos desconfiados? O desconfiado nunca confia em quem merece e muitas vezes desconfia de quem não merece.

Como facilmente a gente exagera a cólera que tem pelo que fizeram contra nós, é mais prudente a gente manter-se num estado inteiramente neutro no que diz respeito à gente. Porque se a gente pensa que tem direito a isso de cólera contra o que fizeram contra a gente e esse direito eu vou exercer, isso fica deste tamanho. E o preferível é receber com toda serenidade o que fizeram contra nós, exceto enquanto aquilo tenha ofendido a Deus. Enquanto a nós, aquilo não tem importância. Vamos passar adiante.


Comentários:

  1. Quer dizer, a primeira vista haveria uma analogia entre a reforma tereziana dentro da Ordem do Carmo e a reforma joanina dentro da TFP. Mas essa analogia não resiste a menor análise. As diferenças entram pelos olhos: a) quanto aos fundamentos, porque Santa Tereza não se baseou em princípios revolucionários; b) quanto aos meios, porque Santa Tereza não recorreu em nenhum momento à difamação, nem à calúnia de seus opositores, menos ainda à revolta e insubordinação; c) quanto aos fins, pois Santa Tereza não visava desnaturar a Ordem do Carmo, voltá-la contra si própria e colocá-la a serviço da Revolução.

  2. Longe de favorecer a JC, esse parágrafo mostra a gravidade de sua revolta, porque ele está comprometendo todo o futuro da TFP e da Contra-Revolução.

  3. É precisamente o que sistemáticamente JC vem fazendo, há anos, com relação às autoridades dos Grupos do Exterior (Dom Bertrand, Sr. Alfredo Mac Hale) e em relação aos Provectos: difamá-los perante os mais novos.

Um mês depois deste "jour-le-jour", houve um congresso de neo-cooperadores, em São Paulo, organizado pelos agentes de JC. Foi presenciado, entre outros, pelo Sr. Munir, que forneceu o seguinte depoimento (17/7/97). Para melhor compreender o assunto, é preciso registrar que, entre os joanistas, os Provectos são conhecidos como “os 5”:

Sobre o congresso de neo-cooperadores, realizado nos dias 10, 11,12, 13 deste mês, observei o seguinte:

(...) No dia 12 sábado houve um episódio que especialmente me chamou a atenção. O Sr. Fiorito desenvolveu sua conferência sobre os novíssimos do homem e especialmente sobre o inferno. (...) À las tantas ele (...) citou a frase de Nosso Senhor [sobre] a raça de adúlteros e de ladrões, a raça dos judeus, fariseus, etc., então ele disse o seguinte:

Nosso Senhor naquele tempo chamou aquele povo de adúlteros e ladrões. E hoje em dia? Do que ele chamaria esse povo? De adúlteros e ladrões mais alguma coisa, não é? Então agora vamos presenciar aqui como é esse mundo aí fora mostrando uns personagens, que embora sejam de uma classe um pouco mais alta, os senhores vão reparar a decoração da casa onde eles vivem, etc., não queremos dizer com isso que isso só acontece nessas classes altas, mas também em todas as classes o pecado atingiu e as pessoas ofendem a Deus.

Então abre a cortina e entra em cena 5 personagens, 5 ... , 5 personagens. Um é um empresário, que é ao mesmo tempo é assassino; outro é um ladrão; outro é um bebado; o quarto é um falta de seriedade; e o quinto é um maledicente, vive falando mal das pessoas.

Eles entram, abrem uma garrafa de vinho do Porto, servem aquele vinho, elogiam o vinho, “ah que vinho delicioso, que coisa maravilhosa”, etc., se encantam com os prazeres da vida. E começa o diálogo entre eles.

Feito o diálogo, o Sr. Fiorito fez umas intervenções analisando a atitude deles, o auditório começou a rir, brincar um pouco com o jeito de ser daqueles personagens. O Sr. Fiorito chamou a atenção dizendo que não era para rir, porque a coisa era séria, que a gente no fundo estava rindo das ofensas feitas a Deus, “nós temos que execrar aquele pecado”, etc.

Fecha a cortina, o Sr. Fiorito dá mais uma explicação e cita frases de Santa Francisca Romana, não sei a fonte precisa, [no sentido de que] os personagens tomam a fisionomia, quando vão para o inferno tomam a fisionomia dos vícios que encarnaram na terra.

Então o Sr. Fiorito disse: vocês querem ver com que cara esses 5 que morreram vão ficar no inferno? Abram por favor as cortinas.

Ao abrir as cortinas eles usaram um sistema de gas, digamos assim, que com a cortina fechada e com o gas que foi solto dentro desse palco, ao abrir a cortina não dava para ver os personagens, se entrevia apenas os 5 personagens. Estavam vestidos com as máscaras que encarnavam seus vícios. Então o assassino de hiena, o ladrão de rato, o bêbado de porco, o falta de seriedade com a máscara de macaco, e o maledicente com a máscara de serpente. Mas se entrevia apenas.

O auditório começou a gritar “fumaça! fumaça!”

Ai o Sr. Fiorito afirmou exatamente isso: não está dando para ver não? Então deixa abaixar a fumaça, que vocês vão ver.

E passou depois, o Sr. Fiorito comentou os vícios deles, etc., por que estavam com aquelas máscaras, e leu em seguida depois o inferno segundo Santa Francisca Romana, e os invejosos e os caluniadores, os traidores ... que os traidores e os caluniadores iam tomar no inferno, como é que ia ser o inferno dos caluniadores e dos traidores e também dos maus açougueiros, das mulheres que praticam o aborto, e coisas assim nessa linha.

  1. Há então dois tipos de ações dirigidas contra quem tem vocação de pertencer à TFP: as exercidas por agentes externos à Entidade e as exercidas por agentes internos. É evidente que as do segundo tipo são mais graves.

A ação dos agentes externos visa: a) que a pessoa ingresse na TFP; b) que a pessoa que entrou na TFP, entibie e saia. Conseguir isto último, exige maior subtileza e comporta maior resonsabilidade moral.

Quanto à ação dos agentes internos, Dr. Plinio indica só uma modalidade, que visa que as pessoas que entraram na TFP entibiem e saiam. Mas poder-se-ia acrescentar mais uma, que visa que as pessoas que entraram na TFP entibiem, mas não saiam e se voltem contra os ideais da Instituição.

É inegável que os agentes internos serão eficazes na medida em que forem tidos como bons pela opinião pública interna, na medida que operem no campo das tendencias e na medida do Tau que tinham.

Eles podem proceder de modo subconsciente e de modo consciente. É claro que o segundo modo é mais grave.

  1. JC pratica isto que está recomendando?

  2. Os que lutam contra “nós”? “Nós” é quem: a TFP? a Contra-Revolução? É JC!

  3. JC insinua nesse trecho que, os que se recusaram a segui-lo, no fundo não queriam mais aceitar o profetismo de Dr. Plinio, e incorreram num pecado de Revolução e de igualitarismo... Quer dizer, ele se põe no lugar de Dr. Plinio no preciso momento em que fala de uma maldição que cairia sobre quem tentasse substituir a Dr. Plinio!

  4. Esses que agora aplaudem ao ouvir que os que se revoltaram contra Moisés foram precipitados vivos no inferno, são os mesmos que por ocasião da morte de Dr. Plinio bateram palmas, os mesmos que obedecem a JC na implacável campanha de destruição da TFP.

  5. Digamos que JC esteja sendo injustamente ofendido. Não vê naquilo um modo de reparar eventuais infidelidades cometidas por ele contra Deus? Ou será que, além de se considerar discípulo perfeito, acha que é imaculado?

  6. JC “fundamenta” a virulência de suas reações alegando que o que é feito contra ele é no fundo contra Dr. Plinio. Suponhamos que tenha razão. Nessa hipótese, Dr. Plinio teria procedido como JC? Dr. Plinio não nos aconselhou mantermo-nos unidos na última Reunião de Recortes? Ele não se teria oferecido como vítima expiatória pela Contra-Revolução? Se já uma vez --em fevereiro de 1975-- ele ofereceu sua vida pela TFP, não faria o mesmo agora?

  7. Excelente critério para analisar a conduta de JC: se ele procede por amor a Deus e não por amor próprio, sua cólera tomaria proporções justas. Por sua vez, um critério para saber se sua cólera é proporcionada e justa, consiste em lembrar, por exemplo, os famosos telefonemas dados por ele aos senhores Luis Antônio Fragelli e Fernando Antunez, em outubro de 1996: sua furia era inegavelmente a de um perfeito possesso.


*


Conversa de JC com os eremitas de São Bento e Praesto Sum, 31/7/96:


Num almoço com D. Bertrand ele chegou a, formalmente, lançar uma maldição contra aqueles que dentro do Grupo procuravam dividir o Grupo. Amaldiçoou mesmo e essa maldição ainda tem seus efeitos.


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Como proceder perante o perigo de cissão interna? - Reunião para os veteranos, 26/3/96:


(Severiano: A gente ouve daqui e de acolá queixas: "Puxa, está tudo tão difícil agora! E muitos conselhos de que precisaria tomar muito cuidado porque tem perigo de X e de Y, tem perigo de frincha, de cisão. Seria oportuno o senhor dizer alguma coisa a esse respeito, sobretudo na seguinte linha: qual a atitude que nós temos que tomar para fazermos inteiramente o jogo do Sr. Dr. Plinio?)


Eu trato desse assunto com enorme gosto na próxima vez, dizendo até o que é que existe de correntes... Não são correntes, são indivíduos. Às vezes até qui pro quos, porque por uma atitude de um, outros julgam que tal coisa está...

O Sr. Dr. Plinio nos disse naquela época em que veio o Conde Huym aqui em São Paulo. Quando saiu o Conde Huym estava o Sr. Andreas, o Sr. Fernando Antúnez e eu, e o Sr. Dr. Plinio disse:

-- Meus filhos, eu queria lhes dizer uma coisa que me passou pela cabeça agora e sou capaz de me esquecer de dizer em outra ocasião. É que eu acho que daqui até a Bagarre o que vai acontecer é o seguinte: o demônio vai levantar dúvidas de um contra os outros para ver se os dividem. Dizia ele:

-- Então, Andreas vai desconfiar do Fernando por causa de uma atitude assim e assim, mas sem motivo. Fernando vai desconfiar do João por uma atitude assim e assim, mas também sem motivo, que tudo se explicaria facilmente. O João vai desconfiar de vocês dois por tal coisa assim e assim. Vai haver uma ação preternatural do demônio de desconfianças mútuas, mas é preciso que vocês rezem e é preciso que vocês se mantenham unidos acima de tudo, porque o demônio o que quereria era fracionar nossa obra.

De fato é um tema muito interessante. Na próxima vez se o senhor me levantar logo no começo da reunião eu posso dar um jornal-falado a respeito do que é que existe na cabeça de um, o que é que existe na cabeça de outro, quais são os qui pro quos que tem havido aqui, qui pro quos que tem havido lá. Tudo, no fundo, feito pelo demônio para ver se cria um abalo.

Vou dizer mais uma coisa curiosa: só no grupo de São Paulo; fora não há nada. Fora a união e a unidade é perfeita, perfeitíssima, total, totalíssima.


Em outros termos, movimentos de desunião, fazendo o jogo do demônio, tem havido, sim, mas só da parte de terceiros, não de JC ...


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Fazer politicagem dentro do Grupo é fazer a Revolução - JC comenta o seguinte trecho de uma CSN, do ano 1990:


Eu não notei nos senhores, mas sinto no grupo um mau vento de politicagem e de um querer ser mais do que outro.


Em 1990. Graças a Deus, de 90 para 97 isso melhorou muito. (...) o texto que nós contemplamos hoje é de uma pulchritude extraordinária. Inclusive neste aperto final que ele dá, que deve ser muito levado em consideração por nós.

Politicagem não deveria existir quando ele estava vivo, politicagem sobretudo não deve existir depois da morte dele. Nós devemos ser os reflexos da ordem que ele representa, e a politicagem é a desordem. Se quiserem, a politicagem é a Revolução.

Lembrem-se que se ele em vida tratava um politiqueiro como um cão sarnento, como ele deverá tratar um politiqueiro estando na eternidade? Então, benquerença, harmonia, unidade, união.

Lembrem-se que ele dizia no leito do Hospital Oswaldo Cruz que durante a Bagarre não basta estarmos unidos, é preciso estarmos juntos. Esse estar juntos, olhar-se, querer-se bem é a definição de vida. É o contrário da definição de politicagem.

(Cfr. “jour-le-jour" 25/5/97, parte I)


Precisamente nesses dias, os Padres Olavo, Gervásio e Antônio, redigiram uma carta atacando duramente ao encarregado da Sede de Campos, Sr. Ghioto, pelo fato de ser “fumaça” --isto é, por não aderir ao joanismo. Embora o cabeçalho dessa carta dizia que era “muito confidencial”, eles a deram para pessoas que a colocaram na mais ampla divulgação. Só a família de um cooperador recebeu 3 cartas de diferentes pessoas. Um correspondente da chamada “graça nova” reconheceu ter enviado 24 exemplares dessa carta, enquanto outra disse ter enviado uns 25 (Cfr. Carta do Sr. Ghioto ao Padre David, 24/5/97)


*


O caminho da apostasia - "Jour-le-jour" 29/12/96, parte II:


Nós dentro de um êremo itinerante, dentro de uma dupla de coleta de donativos, dentro do Êremo do Japy, dentro do Êremo da DAFN, dentro de um êremo Praesto Sum, São Bento, por esses cantos todos afora nós devemos fazer um esforço enorme para vermos os lados bons dos outros, e não estar andando assim, olhando e dizendo:

-- Iiihhh! esse fulano que tem tal coisa. Iiihh! e aquele outro que tem tal outra.

(...) Então nós não devemos entrar por aí, porque este é o caminho da apostasia. Porque quando eu começo a me indispor muito com as pessoas dentro, em contra partida o que vai acontecer é que eu vou começar a ter muita admiração pelas pessoas fora. Então o meu tio vai ficar um colosso, minha tia vai ser simpaticíssima, meu avô não sei quanto, minha mamãe não sei quê e assim vai. Eu vou me sentir bem só no ambiente familiar, ou no ambiente dos meus amigos fora, do emprego antigo que eu tinha, ou do...

Isto trará como conseqüência um sugar da Revolução de minha vocação.


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Devemos ter, uns para com os outros, uma dileção fraterna, forte, mutuamente admirativa e indulgente - "Jour-le-jour" 23/3/97, parte I:


(Aparte: Num Santo do Dia sobre [inaudível] ele disse como deveria ser o convívio entre nós. Nós devemos ter uns para com os outros, uma dileção fraterna, forte, mutuamente admirativa e indulgente.)

Que bonito! O senhor poderia repetir, por favor?

(Aparte: Devemos ter uns para com os outros, uma dileção fraterna,...)

Fraterna,...

(Aparte: ... forte,...)

Forte,...

(Aparte: ... mutuamente admirativa e indulgente.)


Mutuamente admirativa e indulgente. É muito bonito! Muito bem lembrado. Calha muitíssimo, muitíssimo. Esse deve ser o amor que deve marcar o nosso relacionamento de uns para com os outros.


Nesses dias, os joaninos estavam em plena campanha de difamação e de sabotagem financeira --cortes de donativos-- contra as Sedes de Campos. O que leva a concluir que, a tal “benquerença” não abrange a todos os filhos de Dr. Plinio, mas apenas aos filhos de JC.


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"Jour-le-jour" 2/3/97, parte I:


O trato entre nós tem que ser cheio de afeto, cheio de consideração, cheio de benquerença, cheio de amor, e viver entre nós é estar juntos, olhar-se e querer-se bem. [Aplausos]


*


Não pode deixar entrar amor próprio de jeito nenhum - "Jour-le-jour" 30/12/96 - JC lê e comenta fichas do Padre Royo Marin a respeito da graça:


Pelo fato de que a graça nos comunica uma participação da vida divina que Cristo possui em toda sua plenitude, é forçoso que nos faça irmãos dEle. (...) É certo que não somos irmãos de Cristo segundo a natureza, nem filhos de Deus da mesma forma que Ele o é. Cristo é o primogênito entre seus irmãos, os homens, mas também é Filho unigênito do Pai. Na ordem da natureza, Ele é Filho único. Mas na ordem da adoção e da graça é nosso irmão mais velho, ao mesmo tempo que é nossa Cabeça e salvação.

Por esta razão, o Pai se digna olhar-nos como se fôssemos uma mesma coisa com seu Filho divino.

Vejam como Deus Padre nos olha, vejam como o Sr. Dr. Plinio nos olha, vejam como a Sra. Da. Lucilia nos olha, vejam como nós nos devemos olhar.

Por isso é que não importa que um outro me pisou, o outro me deu uma cotovelada, o outro me fez isto, o outro me fez aquilo. Não pode deixar entrar amor próprio de jeito nenhum. Fez? Quem é ele? Filho de Deus. Ah bom, tem todo direito. Ele é irmão de Nosso Senhor Jesus Cristo, nossa Mãe do Céu! Pronto, está tudo terminado.

(...)Como nós deveríamos nos querer bem, olhando um para o outro, vendo um ao outro, e dizendo: "Mas esse aqui é irmão de Nosso Senhor Jesus Cristo? Meu Deus do Céu, estou disposto a fazer tudo por ele. Tal será que não faça". Não é verdade?


(Todos: Sim.)

(...)


Deus olha com amor e complacência a alma em graça, na qual vê um reflexo de sua soberana formosura; é como um retrato de Deus, e por isso é amada por Ele.A formosura de uma alma em graça é tão sublime que o próprio Deus Padre disse um dia a Santa Catarina de Siena: "Filha minha, se Eu te mostrasse a beleza de uma alma em graça, seria a última coisa que verias neste mundo, porque o resplendor de sua formosura te faria morrer".


Ele não está dizendo a alma de uma pessoa santa, canonizada, ele está dizendo uma alma em estado de graça. Portanto, como nós nos deveríamos ver com olhos elevadíssimos.

(P. Morazzani B.: Isso é quando a alma está em graça?)

Quando está em graça. Pura e simples.


(...)


Quem está em estado de graça e faz o sinal da cruz com piedade, recebe uma graça atual para fazer com piedade o sinal da cruz, recebeu mais méritos. Faz uma jaculatória, mais méritos. Faz um ato de caridade em relação a um irmão qualquer, mais méritos. Recebe uma ofensa de um irmão e aceita aquilo como devido aos seus pecados da vida passada, como devido ao seu estado de miséria com as suas imperfeições, toma aquilo com resignação e com gosto, dizendo: "Eu mereço e eu merecia muito mais ainda do que isso. Esse sujeito ainda ficou muito aquém, podia ter me dado umas boas bofetadas porque eu merecia umas boas bofetadas", ato de virtude. Tudo isto traz mérito.


Evidentemente, JC não se limita a tronitroar contra o amor próprio, mas pratica o que prega ... Daí sua merecida fama de santidade.

No calhamaço “Juízo Temerário” disse:

[Quando recebi a carta-memorandum dos Provectos, experimentei] “o maior desgosto que já tive depois do 3/out/95!!! Nunca imaginei que pudesse ser objeto de um tal ‘balde de água suja’ (...). [Assim] que eu abri o envelope e comecei a ler seu conteúdo (...) o que eu senti foram os ares do Mutuca” (pp.59,60).

Depois continua: “os senhores não fizeram tempestade em copo d’água; os senhores criaram um vendaval dentro de uma alma (...)” (p.89); “Se bem que ferva em minhas veias o sangue espanhol, não estou dizendo nem 30% do que penso sobre o caso. Espero que (...) os senhores tenham condições de avaliar quão legítima é a veemência de minhas palavras e quão fundada minha indignação” (p.100); “Estejam certos de que foi o maior trauma que eu sofri depois do dia 3 de outubro de 95. Ela não só me magoou mas me angustiou. Tirou-me a capacidade de fazer o apostolado (...)” (p.101); “devo admitir que, só por um ato de vontade muito assistido pela graça, seria capaz de apagar as mágoas que me calam no fundo da alma” (p.102); “sinto-me profundamente nauseado com tanta incompreensão” (p.150).

Para os discípulos do guru, o estado de espírito manifestado pelo seu pai e fundador nessa ocasião, não tem nada de censurável; do contrário haveria que afirmar que Nosso Senhor Jesus Cristo perdeu a serenidade durante a Agonia no Horto das Oliveiras (cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.131, 132). Naquilo transparece “ardor, fogosidade, ironia e reação do senso de honra” ( cfr. idem p.126). “Diga-se o que se disser, não se pode negar que o Sr. João se mantém numa linguagem elevada e serena (cfr. idem p.128)


*


Eu serei mártir da minha confiança - "Jour-le-jour" 26/1/97:


A Sra. Da. Lucilia se estivesse aqui diria: "Meus filhos, não se esqueçam, viver é estar juntos, é verdade, mas é também olhar, e mais do que isso, é querer-se bem".

Então eu termino a noite de hoje dizendo isto: queiram-se bem, olhem-se, estejam juntos, mas sobretudo queiram-se bem. Querendo-se bem, é quase como que um oitavo sacramento.

Eu digo sacramento por quê? Porque, é inevitável, esse querer-se bem como que produz a graça. Quando eu olho para um outro e quero bem esse outro, por mais que haja obstáculos, a graça pousa em minha alma e eu me sinto inundado de graça. Por quê? Porque eu quis bem ao outro.

Afastemos de nós, mas afastemos com energia, com espírito sobrenatural, com espírito de fé, qualquer ressentimento, qualquer amor-próprio, porque este me olhou torto, porque o outro não sei quanto, eu estou desconfiado de que fulano não está confiando mais em mim. Tire isso da cabeça, afaste isso como mau pensamento. Se ele não estiver confiando no senhor, a obrigação do senhor é de confiar nele.

Quer dizer, eu não vou ficar elétrico: “Fulano deixou de confiar em mim”.

-- Bom, deixou de confiar, paciência, o problema é dele. Eu vou continuar confiando nele.

-- Mas olha que ele te enfia um punhal pelas costas.

-- Eu serei mártir da minha confiança.

-- Ele te trucida.

-- Serei um mártir, mas eu não vou deixar de receber esse como que oitavo sacramento, que é estar juntos, olhar-se e querer-se bem. [Aplausos]


Em sentido contrário, vejamos as palavras de JC dirigidas aos Provectos, na “brilhante” obra denominada “Juizo Temerário”:


*


No "jour-le-jour" 29/12/96, parte I, JC dá a entender que tudo quanto houve no ano 96 (ruptura com a TFP Americana, desentendimentos com os Provectos, “affaire” apostolado feminino, etc.) não teve transcendência:


O senhor me pergunta o que é que foi feito este ano. Este ano pelo simples fato de os senhores coletores de donativos terem coletado os donativos que coletaram, os senhores eremitas itinerantes terem passado por onde passaram por todas as cidades, os senhores membros da Saúde que estiveram abordando aqui, lá e acolá trazendo mais gente para o Grupo, os senhores de outros países que estão aqui dentro das suas atividades, os senhores eremitas e burocratas dentro da DAFN, dentro de Buissonnets, dentro de Japy, dentro de uma série de outras localidades, os senhores eremitas de clausura, todos o que fizeram foi durante este ano sustentar ao alto essa coroa: Plinio Corrêa de Oliveira.

Essa é a visão verdadeira.

Alguém dirá:

-- Espere. Houve tal caso, houve tal miséria, houve tal outra.

-- Isso são coisas que não passam para a história.

Quando daqui a quinhentos anos foram analisar o ano de 1996, dirão: "Que impressionante! Depois da morte do Sr. Dr. Plinio, eles levaram no ano inteiro essa coroa ao alto".

Aí virá um historiador ranheta e dirá:

-- É, mas olhe: um atirou um tomate em cima do outro, porque fez isso e não sei quanto.

Que tomate? Quem é o outro que recebeu o tomate? Quem é que atirou o tomate? Isso não interessa, o que interessa é a coroa, o que interessa é tê-lo no centro.

Por isso, daqui a quinhentos anos, quando um historiador tomar o documento, por exemplo, “sursum corda”, ele vai tomar o documento “sursum corda” que foi difundido por todo o Grupo -- graças a Deus -- e depois do documento sursum corda, para explicar o ano de 96, ele vai pôr o título: "Habemus a Dominum. Quer dizer, foi feito este documento, mas na realidade eles tinham o Sr. Dr. Plinio no centro". [Aplausos]

Tudo o que diz respeito a ele passa para a História. O que não toca nele, o que não diz respeito a ele desaparece. Desaparece da memória dos senhores.

Procurem se lembrar daquilo que não foi relacionado com ele dentro da história do Grupo. Sumiu, desapareceu, não se fala mais. A gente precisa fazer um esforço de memória, e quando alguém diz, a gente diz: "Ah, é verdade, existiu isso". Isso deixou de existir porque se separou dele.

Então, o que houve de importante no ano de 96? É tudo o que foi ligado a ele. O que não foi ligado a ele não teve importância nenhuma, sumiu, evaporou.

É o que eu lhe tinha a dizer. (...)


(Araújo: Eu não ia dizer isso, mas o senhor conhece aquela história do presidente -- acho que foi um presidente argentino -- que estava sendo vaiado?)

Sim. Num país aqui da América do Sul.


(É, o Sr. Dr. Plinio comentava.)

O secretário dele ia dentro do carro, um carro aberto, ele estava passando devagar e a Opinião Pública vaiando: -- Fuera! Fuera! Fuera! -- e ele assim para a Opinião Pública, agradecendo.O secretário puxou um pouco a ponta do paletó dele, porque estava sentado, e disse:

-- Presidente, presidente, mas estão lhe vaiando.

-- Fique quieto, porque as vaias passam, mas a fotografia fica para a história. [Risos] As vaias passaram, a fotografia ficou para a história. Todos os fotógrafos fotografando a ele e ele... Depois vem um álbum e diz: "Presidente passando por tal cidade assim sendo ovacionado e aplaudido pela Opinião Pública". Aquele episódio foi-se. O que ficou? Ficou a história do presidente sendo aplaudido.

O senhor lembra bem, na nossa história o que acontece é exatamente isso. O que importa é ter tido o Sr. Dr. Plinio no centro, o resto se desfaz como a fumaça.


*


Dentro de casa não se briga - "Jour-le-jour" 24/11/96, parte I:


(P. Morazzani: Vamos supor que o senhor tenha algum defeito...)

Eu tenho mesmo, eu tenho certeza que tenho.

(P. Morazzani: Quem é que não nasceu com o pecado original? Mas eu não vi nunca no Grupo tratar alguém tão mal quanto o senhor está sendo maltratado agora).

Não, esse pessoal aqui me trata muito bem.


(P. Morazzani: As pessoas daqui não, mas tem algumas pessoas. [...])

O que tem é o seguinte: é que o Sr. Dr. Plinio previu em várias circunstâncias, ainda o Sr. Paulo Martos me mandou um texto de uma Hipoteca de 2 de outubro de 94... É uma coisa curiosa como ele estava com essas idéias girando pela cabeça. No dia 1° de outubro tem umas tantas afirmações dele a esse respeito, no dia 2 de outubro outras tantas, dia 3 de outubro é aquela famosa reunião que ele fez para os portugueses e espanhóis sobre a luz vermelha que eu repeti para os veteranos e alguma parte eu trouxe aqui, em que ele dizia, o Sr. Dr. Plinio, de que era a primeira reunião que fazia para o Grupo preparando para a Bagarre.

Ele dizia que (...) durante a Bagarre ou próximo da Bagarre (...) mais fácil seria, olhando-nos uns aos outros, ver os defeitos do que ver as qualidades, e que era preciso que nós lutássemos contra isso. Porque ele dizia que nestas circunstâncias nasceria o gosto salgado da conspirata. São palavras dele.

E ele dizia isto: que era preciso, antes de tudo, que a pessoa que fosse objeto de um trato qualquer mau, de uma suspeição ou coisa que o valha... Ele se referia a isso também quando saiu o Conde Huym, quando estava o Sr. Andreas, Sr. Fernando, eu, e ele dizia que durante a Bagarre o que ia haver era as desconfianças em relação aos outros, etc. Ele dizia isso: que o que é preciso sobretudo é que aquele que é objeto de uma suspeição não aceitasse a briga, porque dentro de casa não se briga.

Ele dizia: "Se a pessoa vier com um alfinete para furar o olho, é preciso que a pessoa que vai ter o olho furado abra bem os olhos, se for possível até sorria e reze uma ave-maria. Mas deixa furar o olho".

Entre nós pode existir que um diga isso do outro, outro diga aquilo do outro, etc. Quem for objeto de uma maledicência, até de uma calúnia, de uma difamação ou coisa que o valha, não deve se tomar por causa disso, porque nosso Pai e Senhor pediu que entre nós houvesse harmonia.

A frase que me manda da Hipoteca do dia 2 é do dia anterior a essa reunião feita pelo Sr. Dr. Plinio para os portugueses e espanhóis sobre a luz vermelha. A frase é muito significativa. Ele diz no dia 2 de outubro de 94:

Na proximidade da Bagarre haverá tentações no sentido de nos disjuntar a todos uns dos outros, e essas tentações podem representar um perigo muito sério”.

Então o que nós devemos fazer é: houve tentação de disjunção? Não aceitá-la, estar disposto, a qualquer preço, a caminhar para a união e para a harmonia.


No dia seguinte, JC enviou um fax ao Sr. Fernando Antunez deblaterando contra o Dr. Mário Navarro.


*


Quem não tiver defeito atire a primeira pedra - "Jour-le-jour" 20/10/96, JC lê e comenta um almoço de 6/5/87:


A união de almas existe entre duas almas, segundo a expressão corrente, quando elas se conhecem, sentem afinidades e por causa disto se querem. Então existe aqui uma união de alma.

Eu digo: Isto não é união de alma. Porque ou ambas as almas se unem com vistas a algo mais alto do que elas, ou acaba sendo que uma procura devorar a outra (1).


É uma coisa muito curiosa que a gente nota viajando por estes Grupos todos deste mundo afora. Os Grupos estão unidíssimos, todos os membros do Grupo vivem em função de um objetivo único, em função de uma meta única que eles têm que atingir, e em função de um encarregado que o Senhor Doutor Plinio pôs (2). E este encarregado vai dando os rumos, vai dando dinamismo e aquilo vai caminhando. Aquilo vai indo, vai indo, vai indo. Tem unidade. Essa unidade se mantem coesa. Coesa por quê? Porque todos têm uma união em função de um objetivo, em função de algo mais elevado. (...)

O único lugar do mundo onde existe diz-que-diz-que... [Vira a fita] ... futricas, boatos e não sei mais quanto, é um só Grupo.Porque são não sei quantos setores, que têm os objetivos os mais diversos, e que começam [a soltar centelhas de discórdia]. Deixaram os setores de ter algo mais elevado do que si, os setores entre si se devoram (3). (...)


(...) quando a gente se quer por amor de Deus, a gente vê no outro a semelhança que o outro tem com Deus. Aí a gente quer bem. Por que quer bem? Porque vê Deus presente ali. Isto já eleva essa amizade a um plano que logicamente deve excluir qualquer egoísmo. (...) Então é inteiramente indiscutível que a união de almas é só cada um encontrar na alma do outro a Deus. Para encontrar Deus no outro, a gente precisa ser sensato. Não consiste em querer que o outro seja perfeito.


Imagine se nós fôssemos fazer a nossa união na base da perfeição. Primeira pedra quem receberia seria eu. Vem um estilingue de não sei onde:

-- O senhor tem defeitos!

-- Eu tenho mesmo, o que é que eu posso fazer?

-- Ah, o senhor não é o discípulo perfeito!

Mas, eu sou o primeiro a reconhecer que eu não sou discípulo perfeito. Então lá vem a pedra. Mas por causa disso não vamos ter união? Só porque eu tenho defeito?

Bom, então a união é impossível dentro do Grupo. Porque quem não tiver defeito atire a primeira pedra (4). (...)


(...) O convívio tem um efeito curioso, que às vezes nos leva a esquecer o defeito daquele com quem convivemos. Porque tomamos o mesmo defeito, e perdemos a noção. Mas nunca, nunca, o convívio deixa de preparar nossas almas para daí, depois, descobrir nele outro defeito, outro defeito, outro defeito.

Qual é o resultado disso? É que o amor de uma alma por outra desaparece.

Os senhores estão vendo qual é o processo para fazer desaparecer o amor de uma alma por outra: prestar atenção nos defeitos (5).


Se a gente tem esta exigência utópica, de homens que não são -- como não são -- como a gente imagina.

A gente deve amar no outro a presença de Deus, apesar dos efeitos.

Então, eu às vezes ouço comentários assim:

-- Fulano? Eu não gosto dele, ele é mega.

Eu tenho vontade de dizer:

-- Mas, meu filho, você não é mega? Se eu dissesse a você: "Eu não gosto de você porque você é mega". Você teria a sensação de estar sendo tratado por mim como eu devo tratá-lo? Ou julgaria que meu trato não está bem? Julgaria e tinha razão. Mas se você acha que o outro tem defeitos e você não quer suportar, ou é porque você não tem defeitos, então você é mega. Ou você levou a megalice a tal ponto que acha que, tendo defeitos, não tem a obrigação de suportar o dos outros (6). Me diga em que posição você quer se colocar.


(Intervenção de JC durante esse almoço: A Senhora Dona Lucilia tinha muitíssimo este espírito (...). Ela estava disposta a fazer tudo pela pessoa, até se a pessoa levantasse uma ponte levadiça em relação a ela.) (7)


(...)


(...) lembro uma frase que o Senhor Doutor Plinio proferiu no dia 6 de fevereiro de 1975 (...). Ele estava já prestes a ser conduzido para a sala de operação, estava no trauma ainda de todo o desastre, na semiconsciência do desastre, já tinha tomado a pré-anestesia, já estava portanto em estado pré-operatório, e iam conduzí-lo do quarto para a sala de operação, ele disse para os enfermeiros:

-- Aguarde um instante porque eu tenho que dizer uma palavra para estes senhores.

Aí ele disse:

-- Meus filhos, se todo e qualquer membro do Grupo soubesse o quanto seu senhor ama a cada um, seria o suficiente para que cada um recebesse o Grand-Retour.

Quer dizer, o amor que ele tem a cada um de nós é incomensurável, é inimaginável. Se nós conseguíssemos sentir, se nós conseguíssemos ter noção, se nós conseguíssemos penetrar e apalpar este amor que ele tem por nós, era suficiente para nós recebermos o Grand-Retour.

E, o nosso amor para com os outros deve ser uma participação do amor dele para cada um. Então eu vendo este, vendo aquele, vendo aquele outro, devo analisá-los -- a cada um em particular e depois a todos no seu conjunto -- como sendo pessoas amadas, conjuntos amados pelo Senhor Doutor Plinio. E devo amá-los como o próprio Senhor Doutor Plinio os ama (8).


Comentários:

  1. O que de mais alto nos une é o ideal contra-revolucionário. Para nós, membros da TFP, aquilo é personificado por Dr. Plinio. Para os joaninos, aquilo é personificado por Dr. Plinio, mas no céu ... e também é personificado por JC, aqui na terra. Daí a desavença entre nós e eles.

  2. Bem ao estilo dele, JC mente espantosamente ao afirmar que as TFPs estão unidíssimas e vivem em função “de um objetivo único” e dos encarregados que Dr. Plinio designou. Porque nos Grupos de Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, Equador, Colômbia e Costa Rica, JC estava urdindo, nesses dias, “cuartelazos” contra as autoridades que Dr. Plinio lhes pôs --Dom Bertrand e o Sr. Alfredo Mac-Hale.

  3. Se refere à TFP Americana --que nesses dias se desentendeu com ele-- , ou à TFP Brasileira --com cujas autoridades teve atritos pouco tempo antes. O colchete é do texto original.

  4. Mas JC não aplica esse princípio em relação aos Provectos: eles não são perfeitos, logo os membros do Grupo não podem nem devem obedecer a eles. No livro que mandou escrever a Ramón León, um dos argumentos para “justificar” a revolta, consiste precisamente em mostrar que os Diretores da TFP tem defeitos.

  5. É exatamente o método utilizado, há anos, por JC, para acabar com todo aquele que lhe recuse enlevo, veneração e obediência irrestrita.

  6. JC levou a megalice a tal ponto que acha que, tendo defeitos, não tem a obrigação de suportar os defeitos dos que não lhe beijam os pés.

  7. No 20/10/96, JC relê as palavras que ele próprio dissera tempo atrás a respeito do espírito e da abnegação de Dona Lucilia. Ora, nesses dias --um pouco antes, um pouco depois-- ele ameaçou pôr fogo na TFP inteira e matar ao Dr. Mário Navarro.

8. JC pratica isto que está pregando?


*


Perante uma “conspirata”, se deve revidar, não com uma contra-conspirata, mas com mansidão luciliana - Conversa “Confidencial, distribuida apenas aos encarregados de Grupo do Exterior”, de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 20/3/96.


Falando do peso que constituem num auditório as pessoas que tem pouco fervor, JC comenta o seguinte a seus discípulos:


Eu sei que os senhores dizem: "E daí? Deixa essa gente cair fora!". Mas o senhor não pode, o senhor é responsável.

Na hora do reencontro ele [o SDP] chega para o senhor e diz: -- Mas por que é que você fez isso?

O senhor vai responder o quê? -- Eu fiz isso porque também esse pessoal...


(Alejandro S.: Como o senhor faz? Porque se a pessoa é ruim...)


Aí é que está, é que a pessoa não é ruim. Existem poucos ruins, uma meia dúzia, os outros são leváveis por esses ruins ou são leváveis por nós.


(Alejandro S.: Então essa meia dúzia aí não tem jeito.)


Essa meia dúzia não tem jeito, essa meia dúzia não tem jeito. E não adianta o senhor querer cortar a cabeça porque aparece mais seis.

Eu aprendi com ele, eu aprendi com ele. Isso para mim custou sangue. Para mim o negócio é botar o arado ali sendo puxado não por boi, mas por avião a jato. Rasga a terra de uma vez e está acabado. [Troca a fita] Sim, porque esse nós já conhecemos, já estão esquadrinhados, nós já sabemos perfeitamente e sabemos lidar com ele com toda a facilidade.


(Aparte: E eles sabem?)


Eles sabem, porque eu acho que inclusive pelo menos um deve ter conhecimento. É gente que tem muita escola, que tem informação, pelo menos um é gente que age com orientação bem grossa. É o pior de todos.


(Reginaldo André: Sr. João, o senhor pode dar o "nome aos bois", para a gente saber quem é?) [Risos]


Não. Nem aos bois, nem aos bezerros. Depois sabe o que acontece? É que não adianta os senhores tomarem uma atitude de querer fazer proselitismo para tomar cuidado com esse, tomar cuidado com aquele, porque os senhores aí entornam o caldo. O que os senhores têm que fazer é rezar.

O primeiro que quiser formar um grupinho de gente entusiasmada para fazer uma contrapartida em relação aos maus, esse age errado, porque ele no fundo o que está fazendo é exatamente o que o adversário quer: uma ponta de radicalização para eles poderem ter matéria para começar a fermentar os que ficam na retaguarda.

(...)


(Aparte: O senhor não tem obrigação de rezar por esses aí?)


Não, tenho obrigação de rezar para pedir que eles não tenham uma ação deletéria, que a ação deletéria deles se desfaça e que eles salvem as almas. Nós temos que salvar todos. Nós não podemos pedir a Deus que os condene, isso é pecado. Nós temos que pedir que eles, para o bem deles, não consigam fazer o mal que querem e que venham a salvar-se.


(A. Tavares: A maldição, por exemplo, vai nesse sentido?)


Não, o senhor não pode amaldiçoar irmãos. Irmãos não.

O Sr. Dr. Plinio quase chegou a amaldiçoar os que queriam fazer divisão, mas o senhor não pode. Ele é pai e pode, o senhor é irmão, não. O senhor pode amaldiçoar a ação deles, quando é ação feita no sentido do mal. Isso pode.


*


Em abril de 1996, cinco dias depois de JC ter falado com os “veteranos” do “estrondo interno” que estava enfrentando (os Provectos tinham enviado para ele um memorandum sobre a Missa Nova e a aproximação com a Estrutura), “providencialmente” chegou às suas mãos um texto de Dr. Plinio sobre difamações, “conspiratas”, etc., do 3/10/94 para espanhóis e portugueses. JC esteve presente. Bem a seu estilo, dá a entender que os “conspiradores” são os que de tem “inveja” dele.


(...) acho que todos ou quase todos aqui conheceram a Rua Pará. Era uma casa muito fina, mas a mais festiva e a mais otimista que você possa imaginar. E dentro se vivia na alegria, quase todos eram ricos naquele tempo. (...)

Acontece que neste período, a gente via, de repente, arrebentarem em cima da TFP estalos dos maiores da existência dela. Por exemplo, o famoso estrondo do Carlos Alberto de Sá Moreira. (...) E outros estrondos vieram como as ondas do mar, se acumulando. O estrondo ia embora, nós tínhamos mais vitórias. (...)

E acontece que, entretanto, -- com isso nós não contávamos -- apesar de tudo isto, o muro das difamações ia correndo até a altura da torre das vitórias. (...)

Ao fim, se nós tivéssemos que supor que o fim dessa era nossa fosse, por exemplo, o lançamento do livro e a estréia no Hotel Mayflower e no palácio da princesa Pallavicini, aquilo em relação às nossas esperanças originárias, era uma coisa que nós julgaríamos um sonho.

Aliás, esperávamos de Nossa Senhora, mas era uma coisa que era milagre. Ao lado disso, esta torre de difamação gratuita de ódio e de antipatia, é um como que milagre do demônio.


Milagre de Nossa Senhora, milagre do demônio, milagre de Nossa Senhora, milagre do demônio.


Então o que nós esperávamos em algum sentido se realizou. Mas realizou-se também uma coisa com que nós não contávamos: esse muro de antipatias.Como será a Bagarre?

Os senhores vêem que ele está dando volta para chegar ao ponto central.


(...) Parece-me ver a coisa da seguinte maneira, ao menos até o momento: que a "avenida dos becos-sem-saída" continua, que nós até vamos passar por "becos-sem-saída" maiores. E tenho a impressão -- isso eu não tenho certeza -- de que estamos entrando em um "beco-sem-saída" que é inesperado, mas que é assim. Sem falar daquilo que tem todos aspectos de um "beco-sem-saída"... / ...


E há um corte. Eu não me lembro desse corte, infelizmente. (...)


E que ninguém se sente bem, e que todos sentem mais ou menos mal. Há até um certo mal-estar em conversar, por causa daquela luz, daquilo tudo que cria um ambiente desagradável, penoso. Assim também é o ambiente das organizações que vivem de vida sobrenatural, quer dizer, que se reúnem por razões religiosas, com metas religiosas, e usando métodos consoantes aos princípios da religião. Isso tudo não se faz sem o sobrenatural. Sem a graça o homem é sequer incapaz de pronunciar com piedade os nomes de Jesus e de Maria. A fortiori é incapaz de movimentar uma organização com metas, métodos e tudo mais, levados em última análise pelo amor de Deus e pelo amor a Nossa Senhora.

Então, o que move essa organização, no fundo, é um amor de Deus que será mais intenso em uns, menos em outros, conforme Deus tenha querido dar graças maiores para esses e menores para aqueles.


Este é um problema complicado, porque às vezes Deus resolve dar mais para um do que para outro. Este que recebeu mais precisa tomar um cuidado do outro mundo, porque ele precisa saber restituir perfeitamente tudo aquilo que recebeu, precisa saber que ele de si não vale nada, e que se ele fez alguma coisa de brilhante foi por causa do fundador dele. Ele que não se aproprie em nada daquilo que ele recebeu e daquilo que ele fez, porque se ele se apropriar fica mais negro do que um carvão.

Esse é o estado de espírito que deve ter aquele que recebeu mais.

O que recebeu menos deve se resignar: "Deus quis me dar menos". Deve olhar para aquele que recebeu mais e dizer: "Bem-aventurado esse. A Providência quis que ele tivesse recebido mais, ótimo. Ainda bem, porque eu vejo o sopro do espírito de meu senhor tocando nele, está ótimo. Já pensou que deserto seria se todo o mundo fosse como eu?".

Quem recebe mais tem que saber perfeitamente restituir e não tem que megalar, porque se megalou, adeus. Quem recebe menos que não se revolte contra a graça do outro, porque se se revoltar contra a graça do outro peca dos piores pecados que existe, porque é o pecado contra o Espírito Santo. Se chama inveja da graça fraterna e não tem perdão. É a doutrina católica.


Então, o que move essa organização, no fundo, é um amor de Deus que será mais intenso em uns, menos em outros, conforme Deus tenha querido dar graças maiores para esses e menores para aqueles. Ou conforme seja a correspondência que este, aquele, ou aquele outro dá à graça.

Acontece que dentro dessa situação as pessoas no começo da vida do Grupo são como na casa bem iluminada, tudo é alegre, tudo é claro, todos estão contentes, porque a graça sensível torna ao homem deliciosa a vida, e ele a propósito de cada coisa da TFP, ele tem um brilho, ele vê uma beleza naquilo, ele se entusiasma, ele se enleva, etc.

E em sentido oposto, quando a Providência depois de ter dado a uma pessoa, longamente, graças sensíveis, resolve prová-la, a Providência como que retira essas graças, e a luz vai ficando vermelha.


(...)

E, de repente, o sujeito sente luz vermelha em torno de si, mas nessa sala aqui também. (...) Quer dizer, a pessoa rationabiliter, compreende que está tudo certo, etc., não são dúvidas quanto ao lado razoável da TFP, nem a coerência da TFP com a fé, nem nada disso, nada disso entra em linha de conta. Mas é a ausência daquela consolação prateada e luminosa que nos deixava sem saber o quer dizer de encanto e que passou a ser luz vermelha. Então a gente, nos outros, começa a ver defeito:

- Fulano que eu achava tão admirável, olha, hoje eu vi ele contando uma mentirinha.

- Qual é a mentira?

- Ele contou que estava andando num jardim e que tropeçou um pouco numa pedra. Ora, ele não sabia que eu estava da janela do meu quarto e vendo ele passear no jardim. Que todo o tempo que ele passeou, eu olhei para ele, e ele não tropeçou numa pedra. Logo ele mentiu. Se ele mentiu ele não é quem eu supunha. Então quem sabe se tal qualidade é falsa? E quem sabe se tal outra qualidade que eu admiro é um outro embuste? Ele será um embusteiro ou será um João Bobo que eu pensei que fosse um lince, e é um cretino qualquer? Eu preciso ver, preciso tomar minhas distâncias, preciso analisar. (...)

O tronco de árvore de longe, não é nem bonito nem feio, mas há algumas árvores com troncos muito bonitos. (...) A minha casa tinha uma mimosa e eu chegava perto para ver o tronco. Quando eu via de longe eu tinha vontade de passar a mão pela mimosa. Quando chegava perto, tinha mil furinhos, tinha um bichinho, tinha uma resina qualquer do outro lado, tinha não sei o quê, tinha uma borboleta agarrada na mimosa, mas que não sei como secou, e ficava só aquela espécie de resíduo de borboleta em forma de borboleta, e que o vento não conseguia arrancar da mimosa. Assim também são os melhores amigos da gente quando a luz é vermelha: são a mimosa vista de perto.

(...)


Agora, há gente que não se dá conta da ilusão de ótica que carrega consigo, a pessoa começa a achar que: "agora é que eu estou vendo, agora é que eu comecei a fazer os meus juízos, análise racional, implacável daquele tipo, eu agora estou vendo que, que, que. E mimosa? Árvore nojenta. Aquilo tudo é tapeação. Manda serrar essa árvore e jogar fora. E planta esses plátanos cancerosos que têm aqui nas ruas de São Paulo, naquele lugar". Coisa medonha!

Assim a gente é capaz de trocar o melhor amigo por um cacareco qualquer, por causa desse efeito "mimosa", chamemo-lo assim, da luz vermelha.

(...) Isto pode dar-se conosco, e dar-se em longa extensão, dentro da Bagarre.


(...)


(...) E acontece que com isso encontram-se com uma certa facilidade os habitantes da luz vermelha com os habitantes da luz vermelha. Uns e outros se conhecem, uns e outros se esfregam, se comunicam as próprias dores, e as próprias decepções, e forma-se uma espécie de [societas celerum?]: sociedade de celerados, de revolucionários, que pensam que não são. Por quê?

Porque, por exemplo, existe um pacto entre eles, pacto tácito, não expresso, de nunca levar as críticas até atingir a minha pessoa, mas deixar o fogo pegar em tudo que eu faço ou em tudo que me toca: "mas nele não se toca!" E lá vai a coisa, lá vai a coisa, lá vai a coisa.

Isto é um efeito que é o extremo do incêndio da sabuguice.

E isto pode haver durante a Bagarre. E contra isso é que eu queria chamar, atrair a atenção dos senhores. (...)


(...)

Mas há o tóxico, e verdadeiro tóxico, à maneira de cocaína e sei lá de que outros negócios: é o gostinho salgado da conspirata. (...) Porque acesa na câmara ou no quarto pobre da luz vermelha, aceso um abajur com lâmpada clara, o vermelho se perde no teto, e o claro enche o quarto. O gosto da conspirata, o gosto de murmurar nos ouvidos de um descontente o que encontrou outro descontente (1), e o fato até onde chegou fulano que disse tal coisa assim, e essas coisas desse gênero, dão um saborzinho, dão um salzinho, que eu tenho surpreendido, às vezes, no modo das pessoas se dizerem boa tarde. Ou então no modo de serem dois ou três numa sala onde vinte outros não são assim. Eles estão dispersos, aos poucos sem intenção de não chamar atenção, sem nada, dentro de pouco tempo os três estão juntos. (...)

Então começa o diálogo dos olhares. A gente solta uma coisa mais categórica, os dois se olham. Parece esses olhares de gato do mato, etc., durante a noite quando bate neles o holofote do automóvel, os dois olhos assim, dentro do mato, que olham e depois mudam. Isso existe, existe e eu vejo. Coisas dessas eu noto muito claramente.

E a nós o que é que toca? É não aceitar a batalha. Dentro de casa não se combate ninguém. Trata-se todo o mundo com cordura, com respeito, com dignidade, e mesmo quando o adversário está querendo furar os nossos olhos, a gente não pisca, a gente reza uma Ave Maria. (...) Se possível ainda sorri. E pede a Nossa Senhora que nos dê a palavra adequada para no momento adequado chamar a ele e dizer aquilo que vai acender no espírito dele a lâmpada de prata.

Não é, portanto, os não conspiradores fazerem a contra conspirata,...


Eu sei que decepciona muito os senhores. Alguns.São palavras do Sr. Dr. Plinio.Prestem atenção, são normas para a Bagarre.

... isso é o erro, é pôr duas conspirações uma em face da outra.

Eu sei que eu estou dizendo uma coisa meio absurda,...


Ele já causou espécie nesta reunião (2).

... porque parece que é abandonar o campo ao adversário. Não se trata do adversário, trata-se de um filho, trata-se de um irmão desviado, transviado, e que se trata de atrair, e atrair como Nosso Senhor procurou fazer até o último minuto até com Judas. (...)

E o que a gente tem que fazer nisso é quando puder, com bondade, etc., torne patente aos olhos dos outros, mas sem falar de ninguém, que aquilo não é verdade. Às vezes é ocasião a gente dizer uma coisa que prova que a gente não sente tal coisa, não pensa tal coisa, não quer tal coisa que a gente percebe que o outro atribuiu para a gente. Ou então tal máfia que está correndo, a gente ignora, mas de um modo ou doutro faz alguém contar uma coisa que desmente aquela máfia. É um jogo de xadrez, é o pacífico, do jogo de xadrez. Procurando ganhar terreno em todos os momentos, e em nenhum momento procurando esbofetear o parceiro (3).

Não é, portanto, uma ausência de disputar o campo, mas é um modo de disputar o campo que é peculiar, e que indica aquilo que me parece a sabedoria nessa matéria.


Existem algumas cabeças que têm uma sentença única em cada uma delas. Encontrando uma cabeça que tenha uma sentença completamente disparatada e que queira fazer proselitismo a propósito disso, tenhamos paciência, tenhamos pena, rezemos por essa cabeça, e até pela alma e pelo coração dessa cabeça. Com este jeito de jogo de xadrez tentemos fazer algum bem a essa cabeça.

- Ah, mas não dá!

- Então reze, reza, mas não faça uma contenda, não faça uma contraconspirata, não é o que o Sr. Dr. Plinio quer (4). [Troca a fita]


(Intervenção do Araújo durante o "jour-le-jour", não durante a reunião de Dr. Plinio:... que nós estejamos unidos como um aríete.)


União total.

(Intervenção do Araújo durante o "jour-le-jour": Agora, em função, não propriamente contra essa conspirata, evidentemente, mas como agir de tal maneira que o lado de lá perceba?)

Ele deu a solução nesse momento. O senhor tem alguns que estão conspirando por causa da luz vermelha. Então o senhor tem outros do lado de cá (5) que, apesar da luz vermelha, vêem tudo com muita clareza. O que é que se deve fazer, estes que estão do lado de cá?

Pegar uns porretes para dar na cabeça dos que estão do lado de lá? ou se eles tiverem um grande holofote, pegar um jato de luz e jogar por cima do pessoal, e o pessoal vê que a luz vermelha some e se sente todo iluminado e impedido de fazer a conspirata?

A melhor forma é jogar luz, a melhor forma é sair como Santa Maria Madalena falando de Nosso Senhor Jesus Cristo.

É o Senhor Doutor Plinio, é tal comentário, é tal outra coisa, porque ele disse isso, o Senhor Doutor Plinio disse aquilo, o Senhor Doutor Plinio era isso, Senhor Doutor Plinio, Senhor Doutor Plinio, Senhora Dona Lucilia, Senhora Dona Lucilia, Senhor Doutor Plinio...

Quando nasce o sol, as corujas e os morcegos somem.

É o que ele diz aqui:


Então quando a luz --se é quando-- começar a ficar vermelha, comecem a lembrar-se que essa vermelhidão vem [do] demônio e que o que ele está mostrando é diferente, que o que víamos no tempo da luz prateada era verdade.


A luz do demônio mente, a luz da verdade, prateada, essa sim.

Em segundo lugar, lembrem-se bem, da seqüência das idéias. Não entrem em beligerância, joguem o xadrez com paciência, com destreza, unindo a astúcia da serpente...


Que às vezes significa de dar uma mordida, não é?

Nosso Senhor disse astucia da serpente. Astúcia da serpente é o que, é para fugir? Serpente foge, e vai embora?

Não, não, quem foge é a pomba, mas a serpente não foge, ela se enrola e dá o bote (6). Quando Nosso Senhor disse: A astúcia da serpente, ele não disse fuja como a serpente.

Tem hora em que é preciso dar o bote, mas saiba dá-lo, e com os dentes carregados do bom veneno, porque se der o bote errado e morder sem pôr o bom veneno está perdido, porque é estrangulado.


... à inocência da pomba, mas de nenhum modo esbofeteando o adversário, ou quando a gente consegue dar um bom passo: "quaquaqua!" dando risada do adversário. Nunca. Jogando polidamente com ele, até o xeque-mate. No xeque-mate a gente diz com voz normal: "xeque-mate!" E procura consolar o outro. (...)


(Cfr. "jour-le-jour" 7/4/96, texto 960407-JJ-768)


Comentários:

  1. A gênese da “conspirata” passa pelas seguintes fases: a) diminuição das consolações sensíveis; b) propensão a perceber os defeitos dos outros membros do Grupo e gosto de murmurar; c) coligação dos descontentes. Aqui cabe registrar que no eremo de São Bento há uma instituição denominada “conversas ao pé da escada”, específicamente voltada a divulgar os defeitos dos que não aderem a JC.

  2. JC coloca-se como não-conspirador.

  3. Mas na resposta que JC deu ao memorandum dos Provectos, práticamente os esbofeteou. Patrício Amunátegui reconhece que o documento de JC foi muito violento; tenta justificar a reação de seu chefe com o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, “modelo de todo católico”, quando expulsou aos vendilhões do Templo; e bem ao estilo de seu pai e fundador se lava as mãos dizendo que não está querendo comparar os Provectos aos mercadores do Templo. (Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" pp. 146 e 147).

  4. JC não fez “conspirata”?

  5. Os que estão “do lado de lá” conspiram; os que estão do “lado de cá” não conspiram...

  6. É bem uma das táticas joaninas: enrolar-se e depois dar o bote.


*


Em novembro de 1996, poucos dias depois da ruptura com a TFP Americana, JC retoma a mesma tese:


As incompreensões que existiam, enquanto [Dr. Plinio] estava vivo, em relação a ele, que existiam em relação àqueles que falam a respeito dele e tomam a ele como modelo para expor aos outros que deve ser ele o modelo (1), essa incompreensão antes tinha o amparo dele, porque ele estava vivo. Tem o amparo dele agora? Claro. Mas não é um amparo visível. Ele não pode chamar essa pessoa e dizer:

-- Olhe, Fulano, pare de dizer essas coisas porque não vai. Quem procura derrubar o porta-estandarte, no fundo procura derrubar o estandarte. Essa onda, esse boato que você faz não é contra Fulano nem Sicrano, essa onda que você faz é contra o estandarte que ele carrega. Portanto, é contra mim. [Aplausos]

Então, o que devem fazer aqueles que são atacados? Devem reagir? Devem investir contra? Devem aceitar a briga e devem entrar numa contenda? De jeito nenhum.

Reunião feita para os portugueses e para os espanhóis em outubro de 94, exatamente no dia do falecimento dele. Quer dizer, um ano antes do falecimento dele, a 3 de outubro de 94. É o vade mecum que nós temos que ter durante esta batalha.

O Sr. Dr. Plinio está dizendo que durante a Bagarre o que acontecerá é que nós na luz prateada, na luz dourada que vemos nele, essa luz dourada e essa luz prateada vai perder sua intensidade e vai se tornar mais ou menos como aquelas lâmpadas que existem em lojas de comércio, ou então em bares, em locais do interior de São Paulo, do interior do Brasil, em que ficam umas lâmpadas avermelhadas, apoucadas e quase que não iluminam mais:


E em sentido oposto, quando a Providência depois de ter dado a uma pessoa, longamente, graças sensíveis, resolve prová-la, a Providência como que retira essas graças, e a luz vai ficando vermelha.


Eu estou pulando texto para poder ser mais rápido.

-- Fulano que eu achava tão admirável, olha, hoje eu o vi contando uma mentirinha.

-- Qual é a mentira?

-- Ele contou que estava andando num jardim e que tropeçou um pouco numa pedra. Agora, há gente que não se dá conta da ilusão de ótica que carrega consigo, a pessoa começa a achar que: "Agora é que eu estou vendo, agora é que eu comecei a fazer os meus juízos, análise racional, implacável daquele tipo, eu agora estou vendo que, que, que.

Quem olha uma mimosa de longe se encanta, olhando de perto a árvore é nojenta.

Aquilo tudo é tapeação. Manda cerrar essa árvore e jogar fora.


Aí, então, a gente é capaz de trocar o melhor amigo por um cacareco qualquer, por causa desse efeito da luz que se tornou vermelha.


Isto pode dar-se conosco, e dar-se em longa extensão, dentro da Bagarre. E muitas vezes isso é simplesmente um abandono da Providência, e esse abandono é uma prova.


Aqui eu chamaria muito a atenção, frisaria muito esse ponto:


Mas há o tóxico, e verdadeiro tóxico, à maneira de cocaína e sei lá de que outros negócios: é o gostinho salgado da conspirata (...) o gosto da conspirata, o gosto de murmurar nos ouvidos de um descontente o que encontrou outro descontente, e o fato até onde chegou fulano que disse tal coisa assim, e essas coisas desse gênero, dão um saborzinho, dão um salzinho, que eu tenho surpreendido, às vezes, no modo de as pessoas se dizerem boa tarde. Ou então no modo de serem dois ou três numa sala onde vinte outros não são assim. Eles estão dispersos, aos poucos sem intenção de não chamar atenção, sem nada, dentro de pouco tempo os três estão juntos. (...) Então começa o diálogo dos olhares.

Olhares de gato do mato.

E a nós o que é que toca?

O que é que nós devemos fazer? Devemos ir atrás desses gatos, invectivar os gatos e não sei mais quanto?


É não aceitar a batalha. Dentro de casa não se combate ninguém. Trata-se todo o mundo com cordura, com respeito, com dignidade, e mesmo quando o adversário está querendo furar os nossos olhos,...

Então o sujeito vem com uma agulha incandescente querendo furar nossos olhos, qual é a solução que ele dá?


... a gente não pisca, a gente reza uma Ave Maria.

(Intervenção de JC durante essa reunião de 3/10/94: Se possível ainda sorri.)


Se possível ainda sorri. E pede a Nossa Senhora que nos dê a palavra adequada para no momento adequado chamar a ele e dizer aquilo que vai acender no espírito dele a lâmpada de prata.

Não é, portanto, os não conspiradores fazerem a contra-conspirata, isso é o erro, é pôr duas conspirações uma em face da outra.

Eu sei que eu estou dizendo uma coisa meio absurda, porque parece que é abandonar o campo ao adversário. Não se trata do adversário, trata-se de um filho, trata-se de um irmão desviado, transviado, e que se trata de atrair, e atrair como Nosso Senhor procurou fazer até o último minuto até com Judas.

E o que a gente tem que fazer nisso é quando puder, com bondade, etc., torne patente aos olhos dos outros, mas sem falar de ninguém, que aquilo não é verdade.É um jogo de xadrez, é o pacífico, do jogo de xadrez. Procurando ganhar terreno em todos os momentos, e em nenhum momento procurando esbofetear o parceiro.

Não é, portanto, uma ausência de disputar o campo, mas é um modo de disputar o campo que é peculiar, e que indica aquilo que me parece a sabedoria nessa matéria.

Então quando a luz -- se e quando -- começar a ficar vermelha, comecem a lembrar-se que essa vermelhidão vem [do] demônio e que o que ele está mostrando é diferente, que o que víamos no tempo da luz prateada era verdade.

Em segundo lugar, lembrem-se bem, da seqüência das idéias. Não entrem em beligerância, joguem o xadrez com paciência, com destreza, unindo a astúcia da serpente à inocência da pomba, mas de nenhum modo esbofeteando o adversário, ou quando a gente consegue dar um bom passo: "quaquaqua!" dando risada do adversário. Nunca. Jogando polidamente com ele, até o xeque-mate. No xeque-mate a gente diz com voz normal: "Xeque-mate!" E procura consolar o outro. [Troca a fita] (...)

E acontece que com isso encontram-se com uma certa facilidade os habitantes da luz vermelha com os habitantes da luz vermelha. Uns e outros se conhecem, uns e outros se esfregam uns nos outros, se comunicam as próprias dores, e as próprias decepções, e forma-se uma espécie de societas scelerum: sociedade de celerados, de revolucionários, que pensam que não são. Por quê?

Porque, por exemplo, existe um pacto entre eles, pacto tácito, não expresso, de nunca levar as críticas até atingir a minha pessoa, mas deixar o fogo pegar em tudo o que eu faço ou em tudo o que me toca: "Mas nele não se toca!" E lá vai a coisa, lá vai a coisa, lá vai a coisa.

Isto é um efeito que é o extremo do incêndio da sabuguice.

E isto pode haver durante a Bagarre. E contra isso é que eu queria chamar, atrair a atenção dos senhores.

Os senhores me dirão:

-- Está bom, mas às vezes é preciso expulsar as pessoas.

-- É verdade, nesta ocasião expulse com bondade.

Não há, porque eu pelo menos não consigo prever que outras coisas o demônio fará, nem como fará.


Além dessa durante a Bagarre. Quer dizer, ele não prevê outra coisa que o demônio vai fazer entre nós senão isso. Quanto isto se encaixa com o desejo dele manifestado durante meses, e sobretudo na reunião do dia 19 de agosto do ano passado, de união, união, união entre nós.


Bem, isso seria, com muita digressão e muita metáfora, seria o que eu teria que dizer como primeira exposição de nossa conduta perante a Bagarre.


(...) Bem, eu acho que com isso nós demos volta no assunto e pudemos ver que, se às vezes há um frou-frou, há um diz-que-diz-que, há um boato, há um caso, há um acontecimento, analisem-no debaixo desse prisma. O que está sendo discutido, no fundo, é o Sr. Dr. Plinio como modelo (2). No fundo é isso.

E não se esqueçam da recomendação que ele dá a respeito da nossa conduta durante a Bagarre: quando a luz se tornar vermelha e começar isto a se dar em maior escala, nós nunca devemos aceitar a batalha. Não se combate dentro de casa.

Se o sujeito quiser furar o olho da gente, a gente ainda abre mais os olhos, não pisca, reza uma ave-maria, se possível até sorri e deixa furar os olhos.

-- Mas ele vai me deixar cego!

-- Fique cego, mas não combata.

Essa é a norma, esse é o espírito de Nosso Senhor Jesus Cristo, esse é o espírito de Nossa Senhora, esse é o espírito da Sra. Da. Lucilia, esse é o espírito de Plinio Corrêa de Oliveira, não tem por onde.

Eu peço perdão de ter avançado demais na hora, tanto mais que eu cheguei quinze minutos atrasado, mas eu acho que não podia pular esse trecho final de jeito nenhum, caso contrário podia ficar a idéia de que nós devemos entrar em choque entre nós. Nunca.

Quando os senhores ouvirem uma brutalidade qualquer a respeito de algo que toca, direta ou indiretamente, no Sr. Dr. Plinio, calem-se (3).

(Cfr. "jour-le-jour" 5/11/96)


Comentários:

  1. JC está se referindo a si próprio.

  2. De fato, esse é o pomo da discórdia. Porque JC, de uma maneira subtil, coloca-se como modelo.

  3. Essas belas palavras de JC, contrastam com seu procedimento em relação ao Grupo dos EEUU precisamente nesses dias. Pois:

no 22/10, grafonema de Marcos Faes para André Dantas;

no 25, 27 e 30/10 grafonemas de Andre Dantas para Marcos Faes;

no 19/11, dois grafonemas de Andre Dantas para Marcos Faes.


*


A análise dos documentos acima transcritos, leva a concluir que, bastantes dessas palavras a respeito da união, são dirigidas a pessoas que naqueles dias eram bem intencionadas, susceptíveis de se cristalizar com a divisão da TFP, e às quais era preciso não alarmar, ou até mesmo lhes dar impressão de que a união ia aumentando (*).


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(*) Uma amostra tirada do "jour-le-jour" 18/6/96, época na qual já tinha havido o caso da Missa Nova e da aproximação com a Estrutura:

[Dr. Plinio] não queria de forma nenhuma divisão entre nós. Graças a Deus elas não existem. E graças a Deus já quase no nono mês, caminhamos para o nono mês de distância do 3 de outubro, do falecimento dele, até parece uma coisa incrível, a união vai crescendo, e a benquerença entre nós vai tomando raízes, e vai se constituindo entre nós um desejo de estarmos uns ligados aos outros e cada vez maior, cada vez maior.

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Mas há uma camada de pessoas para as quais a palavra “união” não abrange todos os membros filhos de Dr. Plinio, mas apenas os adeptos de JC; e ela, não só não é incompatível com a revolta, mas a justifica.

Para estes iniciados, se, uma vez obtida a união, o conjunto da TFP ficar manchado de imprecisões doutrinárias --por exemplo no tocante à Missa Nova--, de costumes não laudandos --como o apostolado feminino--, nada disto tem verdadeira importância. A união precede à permanência dessas manchas --se é que podem ser consideradas manchas ... Tudo bem, desde que seu senhor esteja por cima e pronto a abocanhar aquilo que ainda não deglutiu.

A seguir, os documentos que nos permitem levantar esta tese:


Fala Ramón León:


Quando, ao se aproximar a festa de 21 de abril deste ano [1997], estando Dr. Luiz Nazareno de viagem para os Estados Unidos, começou a correr a notícia de que ele imporia hábitos a alguns membros da TFP Americana, procurei fazer-lhe ver a óbvia inoportunidade de tal atitude, cuja consequencia seria aprofundar o valo que já dividia a TFP.

(Cfr. "Quia nominor provectus", p. 29)


Mas em se tratando das imposições de hábito, feitas pelo seu senhor, no Brasil (em dezembro de 1995 e em dezembro de 1996) e na Espanha (em abril de 1997), Ramón León bateu palmas ... Idem quando em 28/4/96 JC disse estar habilitado a criar um novo tipo de hábito.


*


Em resposta à declaração na qual o Dr. Mário Navarro exprimia seu desacordo com as reformas joaninas (Missa Nova, aproximação com a Estrutura, apostolado feminino, usurpação do governo, sucessão, etc.), dois seguidores de JC na Itália lhe enviaram um grafonema (10/12/96), censurando-o, entre outras coisas, porque “se guia por seus movimentos interiores”. E afirmaram isto: “Temos de nos guiar pela lógica e pelos princípios. Muito mais ainda, pela benquerença fraternal e espírito de união tão recomendados por nosso Pai e Senhor ao longo de sua vida”.


*


Ainda Ramón León, referindo-se ao motim de Jasna Gora:


- Fui “punido” por me “recusar a abandonar a prescrição do Sr. Dr. Plinio: procurar a unidade entre os membros do Grupo” (1). (Cfr. "Quia nominor provectus", p.14)

- A “nova diretoria estatutária da TFP brasileira” exerceu a autoridade “sem levar em conta o bem da causa contra-revolucionária” (2) (Cfr. idem p.15).

- Querer impor uma unidade em torno dos membros da Martim --como se estes personificassem a TFP como nosso Pai e Fundador personificava--, com exclusão de uma ponderável parte do Grupo, é sinônimo de divisão (3). (Cfr. idem, p.22)

- A união, em nossa família de almas, não pode ser alcançada se se impuser como condição a exclusão arbitrária deste ou daquele, ou até de uma parte ponderável de seus membros. Dentro da TFP, o SDP sempre acolheu a todos os seus filhos, bons e menos bons, fervorosos e tíbios, fiéis e infiéis (4). Queria ele, ao apresentar-se diante de Deus para ser julgado, poder dizer: ‘Daqueles que me destes não perdi nenhum’. Por isso ressaltou, nos últimos tempos de vida, a necessidade de união entre nós, sobrepondo o bem da Causa, o bem comum, aos interesses particulares, às ambições pessoais, às invejas e ao amor próprio ferido (5). (Cfr. idem p.56).


Comentários:

  1. Quer dizer, o objetivo do motim de Jasna Gora era preservar a união ...

  2. Logo, o motim levava em conta o bem da Causa Contra-revolucionária ...

  3. Querer impor uma unidade em torno da pessoa de JC, não tem perigo, pois ele personifica, não apenas a TFP, mas a Dr. Plinio. Se isso comporta a exclusão de uma parte ponderável do Grupo (somos 20% do total), também não tem importância.

  4. JC sempre excluiu aos que julgava não serem “entusiamados” --isto é, aos que não o veneram.

  5. Da parte do impoluto JC, não tem entrado nenhuma ambição pessoal, nem inveja, nem amor próprio ferido ...


*


A propósito do motim de Jasna Gora, Dr. Plinio Xavier enviou a JC, em 12/10/97, um fax, o qual pode resumir-se nos seguintes pontos:


- É com suma dor que constatamos que a revolta-motim de RL consumou-se, assim como sua expulsão da TFP, por insubordinação e aberta rebeldia à autoridade constituída.

- É notório que a atitude de RL é coonestada pelo Sr., porque sem uma palavra do Sr. a RL, este já teria deixado dignamente Jasna Gora e a harmonia ter-se-ia restabelecido.

- Se RL não sair de Jasna Gora até o meio-dia do 13 de outubro, é com constragimento e dor que somos levados a preveni-lo de que severas medidas começarão a ser tomadas. A primeira delas será a suspensão de um elevado montante extra que unilateral e liberalmente acrescentamos cada mês à verba do S.Bento-Praesto Sum.

- Tomamos estas medidas pelo desejo de que a ordem e a hierarquia sejam escrupulosamente respeitadas no seio das TFPs.


Resumo da resposta de JC:


Je sui troublé!”. O que sei de tudo quanto está se passando em Jasna Gora, recebi-lo por vias indiretas. Não aceito “as acusações que me são feitas --nem mesmo as AMEAÇAS, aliás totalmente injustas”. Atenderei sua solicitação “devido ao respeito e gratidão que lhes tenho e sobretudo pelo bem da união entre todos nós, tão desejada e várias vezes enunciada por nosso Fundador e Pai”.

(Cfr. carta de JC para Dr. Plinio Xavier, de 12/10/97. As maiúsculas e os trechos entre aspas são textuais de JC, o sublinhado é nosso).





C. No tocante ao princípio de autoridade, à obediência e à disciplina


Grafonema de Tejedor --encarregado do “grupo” da Colômbia-- para o Dr. Mário Navarro, 9/12/96:


El Divino Espíritu Santo no produce discórdias ni revoluciones contra la autoridad constituída.


*


Em carta ao Pe. David, de 9/4/97, p. 12, os Padres Olavo, Gervásio e Antônio reconhecem que:


Num ambiente que dá livre curso à calúnia que leva em tão pouca consideração um mandamento da Santa Igreja, e que procura subverter a autoridade, não se pode dizer que esteja presente o espírito do Fundador.


*


Em novembro de 1996, referindo-se à crise entre a TFP Americana e JC, Pedro Paulo Figueiredo sai em defesa de seu feitor e afirma:


O princípio de autoridade, tão sagrado na perspectiva da luta anti-igualitária de nosso Pai e Senhor, é violado ostensivamente, e a família de almas das TFPs foi lançada no que talvez seja o maior risco de divisão de sua história.

Absolutamente não se compreende, nem se justifica que, antes de desencadear uma iniciativa dessa gravidade, não tenham recorrido, reservada e submissamente, ao Vice-Presidente da TFP Brasileira e aos demais Provectos, única instância hierárquica apropriada e legítima, no caso, para fazer ouvir suas eventuais queixas.

(Cfr. grafonema de Pedro Paulo Figueiredo, para Dr. Luiz, 27/11/96, pp.19, 20).


Nesse mesmo documento, algumas páginas mais adiante, PP Figueiredo refere-se aos Provectos como “discípulos (...) que representam a tantos títulos a continuidade histórica da Obra de nosso Pai e Fundador” e como “máxima hierarquia estatutária da TFP Brasileira”.


*


Fala o armenio Arturo Hlebnikian, referindo-se ao caso TFP Americana - JC:


Uma coisa nós podemos fazer: é de quebrar as reglas proféticas de trato e de governo dentro do Grupo estabelecidas por nosso Pai e Senhor.

(Cfr. grafonema para Dr. Mário Navarro, 10/12/96).


*


Princípios invocados por Marcos Faes, eremita de São Bento, a propósito do desentendimento entre o Grupo de Estados Unidos e o embusteiro:


-‘When we offend those set over us, we oppose the ordinance of Him Who set them above us’, ensina-nos o Papa S.Gregório Magno em sua ‘Pastoral Care, 3,4’. Em nosso caso concreto, ao rejeitarem aquele que lhes foi dado como ‘Quidam’, nossos caríssimos irmãos de vocação da TFP Americana rejeitaram --subconscientemente, quero crer-- aquele que o nomeou.


- [Entre os cooperadores aos quais o Dr. Mário Navarro tentou abrir os olhos, vários eram subordinados de JC]. Isto constitui uma sublevação contra a autoridade legítimamente constituida! Em outras palavras, uma revolução!!! (...) Trata-se realmente de uma revolução, já que derrubou uma ordem legítima estabelecida por nosso Pai e Fundador e que por ele foi sustentada ao longo de mais de uma década, proclamando em seu lugar um estado de coisas novo, diametralmente oposto. (Os negritos não são nossos)


- Como se pode falar de ‘ordem de cavalaria’, quando o próprio fundamento da obediência é destruido? Como se pode falar de ‘sacral’, quando se cria um ambiente de ‘chanchada’ (...)?

(Cfr. grafonema para Dr. Mário Navarro, 11/12/96).


Se os joaninos fossem sinceros na sua adesão ao princípio de autoridade, não se teriam revoltado contra os Provectos. Sobretudo se se considera que JC era apenas uma autoridade intermediária no Grupo, enquanto que os Provectos são a maior autoridade.


*


Agora fala André Dantas a respeito do mesmo assunto:


- Não há como não ver nessas atitudes uma verdadeira revolução contra a autoridade instituída pelo SDP. E, portanto, uma revolução contra o próprio SDP. (...) Não vêem eles que com toda essa paixão podem simplesmente jogar a causa santíssima de nosso Pai e Senhor para sempre no abismo? (1)(...) E tudo por um amor próprio ofendido, porque o Sr. João, supostamente, ofendeu a TFP Americana? Vale mais uma ofensa à TFP Americana que todo o conjunto da obra de nosso Pai e Senhor? (2)

(Cfr. Grafonema confidencial de André Dantas para Marcos Faes, 25/10/96, págs.10 e 13).


- Também se quebrou uma série de princípios, de normas (...)

(Cfr. idem, p.16).


Comentários:

  1. André Dantas não vê que a revolta de seu pai e senhor está jogando a Causa de Dr. Plinio no abismo, talvez irremediavelmente?

  2. É absolutamente indiscutível que o procedimento de JC pressupõe que ele vale mais que o conjunto da obra de Dr Plinio.


*


Num fax para o Sr. Fernando Antunez, de 25/11/96, p.9, JC faz uma afirmação que considera válida em se tratando do desentendimento que teve com o Grupo dos Estados Unidos, mas que considera inválida em se tratando do desentendimento dele com a Diretoria da TFP brasileira:


Ao sabotar a autoridade de um superior legítimo, os rebelados criaram um ambiente em que ficou abalado o respeito pelos superiores enquanto superiores, o que era de se esperar. Há pessoas que agora dizem ‘bom, eu não creio mais em tal autoridade, não creio mais em tal outra, então faço o que me dá vontade’.


*


É absolutamente inadmisível e intolerável que nas fileiras benditas da TFP se desencadeie uma conspiração!

Storni fala a respeito do caso TFP Americana – JC:


Es indispensable trabajar dia y noche por la concórdia y por la unidad.

Es tarea impostergable ayudarnos mutuamente, pero muy especialmente es necesario que sean ayudados, protegidos y sustentados aquellos sobre cuyas espaldas pesa más la responsabilidad de mantener la continuidad de la obra de nuestro querido Pedre y Señor. Si se cometen erores, imprudencias, excesos, omisiones, relajamientos, y tantas otras miserias en que la condición humana puede caer, trabajemos para ayudarnos, pero lo que absolutamente resulta inadmisible e intolerable es que en las filas benditas de la TFP se desencadene una verdadera conspiración.

(Cfr. grafonema para Dr. Mário Navarro, 10/12/96 p.5)


*

Entre dezembro de 1997 e janeiro de 1998, os seguidores de JC na Argentina denunciaram que sócios e cooperadores da TFP nesse País, “violando sus obligaciones estatutárias y legales”, pretendem “quedarse con el gobierno de la TFP al margen de sus autoridades legítimas”. (Cfr. Comunicado de Storni, Diaz Velez, Ubbelhode, Casté e Gioia, do 5/1/1998).

Storni fala:


Llegó a mi conocimiento un informe confidencial del Sr. Carlos Federico Ibarguren sobre la situación de la TFP Argentina (...).

Del mismo surge que, conjuntamente con el Sr. Carlos F. Ibarguren, los señores Alejandro Bravo, Néstor Borracine y Martin Viano están interviniendo en una maniobra destinada a “tomar cuenta y regularizar la situación de la fundación San Luis Maria Grignion de Montfort”, al margen de sus autoridades legítimas y violando expresas normas legales.

El informe (...) deja en evidencia que un grupo de personas quiere apoderarse ilegalmente del gobierno de una Fundación que durante más de 30 años há cumplido eficazmente con su objeto social (...). Y llega a afirmar explícitamente que, si esa maniobra no da resultado, están dispuestos a vaciar la Fundación para entregarla.

(Cfr. grafonema de Storni aos Provectos, 26/12/97)


Não acreditamos que “esse informe confidencial” seja de autoria do Sr. Carlos Ibarguren, nem de outro sócio ou cooperador alheio ao joanismo.


Para evitar que os “revoltosos” assumam o governo, os adeptos de JC na Argentina mandaram “allanar” uma Sede. “El procedimento fue enteramente normal y fue secuestrado unicamente un disco duro [de computador] donde se presume hay base de datos de propiedad de la Fundación y de la TFP”. (Cfr. Comunicado de Storni, Diaz Velez, Ubbelhode, Casté e Gioia, do 5/1/1998).

Mas quando a Diretoria da TFP Brasileira em fevereiro de 1998 ordenou que alguns computadores de diversas Sedes fossem trasladados para outro local e fossem utilizados por outros cooperadores, os fiéis de JC afirmaram tratar-se de um “confisco” (cfr. Grafonema circular de autoria de Roberto Marcos Ferronatto, de 27/2/98), de um “golpe de Estado” (frase de Fernando Larrain, em Jasna Gora, no 3/2/98), “medidas aviltantes, humilhantes e discriminatórias” (cfr. carta dos sediciosos da DAFN aos Doutores EB e PX, de 19/2/98) , etc.


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Temos que respeitar e obedecer todo e qualquer superior nosso - "Jour-le-jour" 26/9/95:


E eu mostro aos srs. mais uma vez de que nenhum superior deve ser imitado. Todo o superior deve ser obedecido, enquanto não mande o pecado. Mas imitação cabe ao fundador, isto é absoluto. (...)

Todo e qualquer superior deve ser respeitado, não só pelo princípio de ordem, pelo princípio de disciplina, pelo princípio dado por Deus e posto na Criação por Deus, mas porque não houve entre nós nunca alguém que mais respeitasse a autoridade do que nosso Pai e Fundador. E ele para nós é modelo. De maneira que nós temos que respeitar e obedecer todo e qualquer superior nosso.

Mas a imitação cabe a ele. E ele é quem deve ser imitado. Ele é modelo, ele é inspiração de como se deve ser. E, portanto, inclusive no que diz respeito à obediência.


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"Jour-le-jour" extra 6/10/95:


Os superiores devem ser obedecidos com todo respeito e com todo acatamento. Modelo é o fundador. É o que os torreões dos fundadores dizem.

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A autoridade intermediária tem que ajustar inteiramente os seus passos com os da autoridade maior. Do contrário, está destruída a Instituição - Reunião no Praesto Sum, domingo 24/3/96:


Eu li naquele René Fülîp Miller, "O Segredo e o Poder dos Jesuítas", que é um livro muito interessante. O título é sugestivo. Ele mostra como os Jesuítas estavam muito bem organizados por Santo Inácio, mostrava qual era o poder que tinham os Jesuítas, de onde é que vinha o poder dos Jesuítas e de onde é que vinha a força da organização deles.

(...) [Os Jesuítas] têm um sistema de análise a respeito da autoridade intermediária, porque onde fura todo o barco de toda a organização é a autoridade intermediária. Se a autoridade intermediária não é firme, não é inteiramente de bom espírito, não está inteiramente ajustada com os seus relógios e os seus passos à hora e ao modo de andar do geral ou do fundador, está destruída a ordem(1). Onde fura o barco de uma ordem religiosa é justamente nas autoridades intermediárias.


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Se dentro da TFP a autoridade tiver que explicar cada coisa que manda fazer, acabou a Contra-Revolução - "Jour-le-jour" 14/11/95:


[A autoridade], desde que não seja pecado, ele pode mandar. Se a pessoa não entender, tem que obedecer sem ter entendido. O superior não tem obrigação de ser lógico na explicação daquilo que ele manda. O que ele tem obrigação, isso sim, é de não mandar o pecado. Se mandar o pecado, não pode ser obedecido. Mas que ele precise explicar cada coisa que ele manda fazer?...

Está aqui o coronel. Ele podia chegar aqui e dar aos senhores mil explicações pelas quais um comandante não tem que estar dizendo para o soldado todas as razões pelas quais ele mandou colocar um obus lá em cima, mandou colocar uma metralhadora no outro canto, mandou este aqui avançar, mandou o outro recuar. Se for preciso explicar para cada um, não tem guerra, acabou a guerra (1).


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(1) Vejamos como os discípulos do “eco fidelíssimo” observam estas normas - Carta de Varne de Andrade ao Coronel Poli, autenticada em Cartório no 16/4/98:

A propósito de meu afastamento do ENSDP, (...) no meu caso, entretanto, não recebi a menor explicação de meu afastamento e nunca fui ouvido a tal respeito. (...)

Aliás, quanto a essas idas a São Paulo, o senhor sabe que os 22 que eu chamei de “excluídos” contamos apenas com dois veículos --dos quais um a diretoria quer nos subtrair sem explicaçoes-- (...).

Por fim, o senhor afirma, de passagem e sem a menor explicação, que os 22 excluídos “vem se recusando a fazer tarefas que lhes são designadas”. Que tarefas são essas? (...)

Em síntese, tanto a exigência do veículo quanto a determinação de me expulsar do ENSDP, sem a menor explicação e sem meu consentimento, bem como todo o conteúdo e linguagem de sua carta (...).

Quanto à questão do automóvel que está em meu uso, cuja devolução eu pedi a Dr. Plinio Xavier que fosse reconsiderada, o senhor se limita a afirmar como resposta que a distribuição de veículos na TFP obedece a critérios que estão na alçada da direção da Entidade definir. (...)

Nesse parágrafo fica clara sua intenção de não me dar a mínima satisfação. (...)

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Precisamos criar um instinto de submissão e de flexibilidade em relação à autoridade - Reunião na Saúde, 21/12/95:


O único meio de não perdermos as graças que nós recebemos, numa certa fase de fervor primaveril, é adquirir uma disciplina interior. Quer seja dentro de um êremo --melhor ainda-- quer seja fora. Sem essa disciplina, não adianta. Precisa ser uma disciplina de segunda natureza, de instinto. Nós precisamos criar um instinto: o instinto do bom espírito, o instinto da submissão, o instinto do enlevo, o instinto do entusiasmo, o instinto da disponibilidade, o instinto da flexibilidade em relação à autoridade, o instinto... tem que ser tudo na base do instinto. Se não for na base do instinto, os instintos maus tomam conta da gente.


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"Jour-le-jour" 4/10/92:

Um dos pecados mais substanciais, mais cheios de maldade, (...) é o pecado de revolta contra a autoridade, é o pecado de igualitarismo.

Em nossa história nós vemos isso. Em geral quem se revolta contra uma autoridade dentro do Grupo, em pouco tempo está tendo problema de pureza. Se é que já não teve antes. Quem se revolta contra a autoridade dentro do Grupo, por menor que ela seja, em pouco tempo está enegrecendo a alma, está perdendo a capacidade de produzir coisas luminosas, as suas obras vão ficando comuns e ele vai se afundando no esquecimento e no apagamento. É o castigo, é a condenação.


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Reunião na Saúde, 4/6/96:


(Hernando Vélez: Deus faz as coisas por intermediários. Como nós devemos ver o Senhor Doutor Plinio em nossos superiores?)


O senhor vê que a Revolução é igualitária, a Revolução detesta toda e qualquer superioridade, ela deseja fazer com que todos os homens sejam o mais massificados possíveis. Deseja portanto, estabelecer uma equiparação entre todos os homens a mais completa, total e absoluta.

Ela tem ódio de qualquer respeito, tem ódio de qualquer submissão, tem ódio a qualquer superioridade de uns em relação aos outros. E trata-se de um ato profundamente revolucionário quando praticado por um membro do grupo em relação ao seu superior local.

Ele tem um superior local, e ele o que faz? Se não for pecado o que o superior local mandar, ele faz. E com preferência à vontade dele.

Eu sei que poderia surgir, como quando uma certa ocasião o Senhor Doutor Plinio mesmo levantou, o seguinte sofisma: "Bom, mas espere um pouco. Ele [a autoridade intermediária] não é santo (1). Então, ele de repente ao me mandar, vai me mandar de acordo com o princípio da FMR dele. E eu no fundo não estou obedecendo ao Senhor Doutor Plinio, mas estou obedecendo a FMR dele. Então, como é que eu vou praticar essa virtude da obediência?"

Resposta do Senhor Doutor Plinio: "É melhor obedecer a FMR do outro do que a própria."

Então, ainda quando o sujeito manda em função dos princípios FMRs seus, é preferível -- desde que não seja pecado -- obedecer aquilo que ele manda do que aquilo que eu quero fazer. Por quê?

Porque com isso eu esmago a Revolução, eu torno a Revolução humilhada e exalto o princípio contra-revolucionário que é o princípio da obediência, que é o princípio da autoridade.

Então o que é que cada um deve fazer no seu respectivo local em relação aos seu superior? Obedecer. Obedecer por mais que custe.Comentário:1. Um dos argumentos usados pelos joaninos para recusarem obediência aos membros do Conselho Nacional da TFP é: “eles não são santos”.

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É muito bonito e muito contra-revolucionário amar a autoridade severa, que não capitula , que não incorre no “ceder para não perder” - "Jour-le-jour" 4/7/97:


Infelizmente, os dois textos que nós temos para hoje à noite são longos, e não dará tempo de nós lermos os dois até o fim. O primeiro (...) é do ano de 88 (...). Mas o Sr. Dr. Plinio trata do modo de ele rezar. Ele mostra como ele tinha, desde menino, respeito e amor à severidade, ao mesmo tempo; como ele tinha muita confiança e muita certeza da bondade de Nossa Senhora, da bondade de Deus. Numa visão só ele via respeito, severidade, confiança e bondade.

É incrível como ele é profundamente a Contra-Revolução. Ele então dá um exemplo muito bonito, a respeito de como ele considera a autoridade. Vê-se que ele tem um amor fora do comum pela autoridade.


(...) Desde pequeno me pareceu Deus infinitamente adorável na sua severidade. E o grande amor que eu tinha a Ele em parte era por causa dessa severidade.


Muito bonito isso, porque é muito próprio a ele, e inteiramente fora dos padrões nos quais eu, pelo menos, fui educado. Não sei como terá sido com os senhores.

Quer dizer, colocado diante de um mar de relaxamentos, de um mar de conivências de autoridades para com a Revolução que fervia entre os súditos... Súditos de toda ordem! Onde houvesse autoridade e súdito havia uma capitulação parcial da autoridade diante do súdito. [Havia] um medo, um emprego da fórmula "ceder para não perder", uma retração, uma ambigüidade; uma traição... a palavra é um pouco carregada demais, com muitos sentidos, mas ao menos, um dever não cumprido!

Para mim, pelo contrário, amar a autoridade e temê-la é uma coisa só.


Muito bonito, muito contra-revolucionário, e muito pliniano: amar e temer a autoridade é para ele com um olhar só.


Venerá-la até o máximo é o mesmo que amá-la. (...)

Minha posição é de quem conheceu um clima em que algumas autoridades ainda estavam nessa atitude de se fazerem respeitar enormemente. Devia-se confiar nelas porque elas faziam-se respeitar, porque mereciam respeito, mas também porque exigiam esse respeito. E [daí], sentir-se protegido à sombra delas, encantado de se sentir menor que elas, entusiasmado pelo preito da humildade, da vassalagem, da obediência, etc.


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"Jour-le-jour" 10/9/97:


O Sr. Dr. Plinio seguia este princípio dentro de uma unidade qualquer: Quando a pessoa é ruim, mas ela se mantém nos limites da ruindade dela, e ela não faz o proselitismo, ela reconhece que é ruim, se bem que não tenha força para combater a ruindade que ela possui, toda a paciência deve ser tida com ela.

Mas quando a pessoa é ruim e começa a perder outros, aí passa-se um fenômeno mais ou menos como o de um dedo que infecciona e que ameaça pôr em gangrena todo o organismo. Não tem outro jeito: Corta-se!

Cortado o dedo, o sujeito fica com quatro em vez de cinco, mas fica são. Agora, se há uma ferida no dedo que a gente cuidando, cuidando, ela fica naquilo, ela não toma o organismo, etc., a gente não vai arrancar o dedo. E o Sr. Dr. Plinio era mestre nisso. Se dava para contemporizar, então ele ia pondo ungüentos, ia pondo esparadrapos, ia pondo tudo. Mas quando não dava para contemporizar, quando aquilo ia tomar conta de todo um [organismo]...


*


Reunião na Saúde, 26/11/96:


(André Tokura: São Luís Maria Grignion de Montfort fala sobre a questão de pessoas que por um pedaço de terra amarela, por uma coisa qualquer, os maus se juntam para poder lutar contra os bons. Muitas vezes lendo história de guerras, lendo história de cruzadas, de batalhas, nas horas decisivas muitas vezes os próprios católicos entre si faziam traições.

Na Batalha de Lepanto, o Sr. Ricardo sempre conta para nós, no momento em que eles estavam prontos a enfrentar o exército muçulmano, os próprios católicos começaram a brigar entre si.

Pergunto ao senhor por que acontece isso nessas horas decisivas, nessas horas tremendas? O que é que se passa na Providência divina de permitir alguma coisa dessas? Porque se aconteceu alguma coisa...)


Foi porque permitiu.

(André Tokura: Mas o que é que é? É um demônio especial? É uma coisa especial? É uma ação preternatural? O que é que passa na ação individual do homem?)


(...) qual é a razão mais profunda e psicológica por que se dá isso?É que o senhor tem em todo o grupo de bons os que são bons e que desejam a radicalidade extrema, os bons que desejam uma radicalidade mediana, os bons que desejam uma radicalidade menos do que mediana, uns bons que gostam da situação, são situacionistas, uns bons que gostam de uma deflexão, e uns bons que gostariam que não houvesse nem radicalidade mediana, nem radicalidade mais do que mediana, nem sobretudo radicalidade extrema. Isto tudo vive numa amálgama, numa mistura, e todos esses vivem em conjunto constantemente.

Enquanto não se apresenta a hora da radicalidade suprema todos estão unidos. Quando chega a hora de um lance de uma radicalidade total, aí os mais radicais querem se lançar, os radicais medianos dizem: "Sim, mas com certo cuidado", os radicais menos do que medianos dizem: "Puxa, esses tipos são cabeças quentes e daqui a pouco nos põem a casa a perder", os que são situacionistas: "Não, agora não. Puxa, justo agora? Tenha paciência, onde já se viu? Nem pensar nisso", e os que são de qualidade inferior ainda, estes então revoltam-se.

Nesse motim, que pode se dar num barco desses que nós vemos aí atrás de onde o senhor está sentado, nesse motim que se dá dentro de um barco pode fazer com que o número dos bons radicais seja pouco, esses levem a pior e sejam jogados dentro de água. Pode acontecer.

Tudo depende de um centro, porque aqueles que ficam no centro da situação são sempre em maior número do que os radicais, e tudo depende de uma graça que receba o centro para seguir os radicais.


*


Para dar um exemplo da grandeza e senhorio do SDP, JC contou o seguinte “fatinho” da época em que o SDP era catedrático na Faculdade de Direito de São Paulo:


Havia na sala de aula dois ou três alunos fazendo um certo remexe-mexe e atrapalhando a aula. Ele pegou um dos alunos, que é parente do Dr. Plinio Xavier, parente do Dr. Caio, pegou um dos alunos e disse:- Fulano, fora!O sujeito disse:- Eu vou embora, não tem dúvida, mas eu quero que o senhor me explique porque o senhor está me mandando embora.

- No fim da aula eu lhe explico. Fora!

Aí deu toda aula, terminada a aula, o sujeito entrou na aula e disse:

- Agora o senhor vai me explicar porque o senhor me pôs fora da sala.

- Lhe explico: lhe pus fora da aula porque você estava falando. Você quer a prova? Minha palavra de professor. [Aplausos.]

(Cfr. Congresso de neo-cooperadores, 20/2/96)


*


A seguir, trechos do Santo do Dia, do 14/3/81, lido e comentado por JC. Interessa não só enquanto amostra de hipocrisia, mas também para compreender como a tolerância dos joaninos em relação aos defeitos de seu senhor acabou na infâmia:


A virtude tem que ser praticada, todas, em seu conjunto, e todas muito bem (...).


Porque, rompido o anel em qualquer ponto, isso fica uma argola sem valor.


Então as virtudes constituem um anel coeso, rompeu num ponto, acabou o anel.

É a coisa escangalhada. O único jeito que há é a gente praticar tudo.Então, digamos, a mentira. Qualquer um compreende que a mentira é um mal e que não se deve mentir. Aquele dito cínico de Talleyrand: "a palavra foi dada ao homem para ocultar o seu pensamento", não passa de um gracejo de quem não tem sensibilidade moral. Porque qualquer um entende que a palavra foi dada ao homem para exprimir o seu pensamento. Portanto, não se deve mentir, qualquer um compreende isso. Mas eu compreendo que a virtude da veracidade, cujo valor qualquer um reconhece desde que tenha dois dedos de entendimento, repito. A virtude da veracidade não seja o píncaro do entusiasmo de alguém pela virtude. E que se pode, por exemplo, ter muito mais entusiasmo pela pureza, se pode ter muito mais entusiasmo pelo heroísmo, ou se pode ter muito mais entusiasmo pela Fé. E assim, outras virtudes. Mas, se a gente, por exemplo, peca gravemente contra a verdade, a gente perdeu aquele estado sem o qual nenhuma virtude vale nada. É o estado de graça. Pecou gravemente, perdeu o estado de graça. Perdeu o estado de graça, nenhuma virtude em mim é verdadeiramente virtude.

E eu estou arrasado e em poucos passos terei perdido todas as outras que eu tenho.


Quer dizer, em pouco tempo ter-se-ão ido embora todas as outras virtudes. Por quê? Porque eu rompi com uma só (...)


Não existe isso. Portanto, não posso perder o estado de graça, não posso pecar mortalmente contra a veracidade. Posso pecar venialmente? Bom, pecado venial leva ao Purgatório, mas a gente acaba indo para o Céu; desagrada um tanto a Deus, mas Deus ama a alma que está em estado de graça a tal ponto que é da vontade de Deus que essa alma O receba na Sagrada Eucaristia. Então, não há tanto mal assim, nisso. Mas, em pouco tempo vem a idéia: uma virtude guardada de tal maneira que a bem dizer eu tenho nostalgia do pecado mortal e a nostalgia do pecado mortal se chama pecado venial. A tristeza de não mentir que leva a mentir um pouco, quando a gente gostaria de mentir mais, me leva a compreender que não devo fazer nem o pecado venial. Devo me colocar de lado!

Pecado venial em matéria de pureza; há resvalar mais tremendo!? Não se pode fazer. Bem, alguém pode não ter o entusiasmo preponderante pela virtude da veracidade. Mas desde que ame com verdadeiro entusiasmo, com verdadeiro enlevo uma virtude qualquer, a virtude da Fé, digamos, ela acaba compreendendo que ela ou é veraz ou ela não serve à virtude da Fé que ela tanto ama. As virtudes são todas irmãs. Não se pode num anel de irmãs viver afagando uma e detestando outras... [Vira a fita] É preciso ter boas relações com todas. E não se pode viver nesse meio termo de boas relações com estas e com aquelas.

(...) a mediocridade é como uma bobina. Ela vai se desenrolando e a fita que dela se puxa é de um cinzento em que há cada vez menos branco e cada vez mais preto. E no fim da bobina a fita é francamente preta! E aquilo que era mediocridade nos anos vinte, nível geral, moral; ou ao menos chamavam de mediocridade, o nível moral geral hoje é mal. É próprio às pessoas que naquele tempo eram tidas como muito más. E o medíocre gerou a sua geração má. O medíocre gerou o mau. Os anos 80 são filhos ou netos dos anos 20. Eles geraram a abominação e a prostituição que está por aí andando pelas ruas!

Mas, foi, esse, precisamente, o grande sofisma que tive que enfrentar. Porque, naqueles tempos o bem e o mal se misturavam muito.

Mas, vejam que este sofisma que ele teve que enfrentar em relação ao mundo, é o sofisma que nós temos de enfrentar em relação à nossa vida interna.

Porque na nossa vida interna nós devemos estar sempre ansiando pelo plus ultra, pelo mais radical, pelas últimas conseqüências. Acontece que existe dentro de nosso convívio a mediocridade. E a mediocridade nos convida sempre a uma posição terceira força face às virtudes, face à radicalidade, face ao arrojo, face ao entusiasmo, face à entrega total. (...)


E havia encoberto em muita gente uma série de tendências más, sob uma aparência tradicional ainda boa. E a gente não podia saber bem naquela pessoa que no total parecia boa -- e eu vou dizer daqui a pouco o que se chamava uma pessoa boa antigamente, nos anos 20 -- no total de uma pessoa que parecia boa, a gente não sabia, no fundo, dizer se era boa ou má. Preponderava nela o bem ou o mal, na maior parte dos casos.

E então, se era levado a achar que o normal era aquela mistura entre o bem e o mal.


O que acontece conosco dentro, que a gente tem a tendência normal de achar que essa mistura entre a brincadeira e o sério, entre o sacral e o medíocre -- pagão, laico --, entre o espírito elevado e o vulgar, entre...

Quer dizer, que essa mistura é o normal.

(...)


E exatamente romper essa convicção, arrancar a máscara dos medíocres feitos dessa composição impossível entre o bem e o mal e formar um juízo interno, todos dizem a respeito deste ou daquela: "É bom". E eu digo: é má. E eu vou desenvolver a minha análise psicológica até o fim, vou analisar, vou fazer uma caçada dentro dessa pessoa até montar a psicologia inteiramente e compreender o mal que há nela. Isto era uma condição de sobrevivência para dar a mim mesmo a convicção, a persuasão de que aquilo era mal e que deveria gerar o mal.


(Aparte: Pugnemus pro Domina! Podia explicar um pouco mais esse ponto?)

Ele vivia... Vou dar um exemplo entre nós que fica mais fácil. Nós vivemos entre nós e temos entre nós alguns que querem a perfeição máxima, e entre nós há alguns que querem levar a vida medíocre e querem levar uma vida de mundo, uma vida de Revolução, uma vida de prazeres dados pela Revolução (...) enfim, uma vida que é uma vida ligada às coisas todas do mundo e ao Grupo. Há portanto uma mistura de bem e de mal na mentalidade de muitos de nós.

Então, ele, Senhor Doutor Plinio, com o discernimento dos espíritos batia os olhos -- isto, transposto para a sociedade do tempo dele -- para uma pessoa da sociedade que tinha bem e mal misturado em si e que diziam:

-- Que pessoa ótima, que pessoa boa.

E é o que dizem, às vezes, entre nós.

Espere um pouco, se um sujeito freqüenta um cinema não pode ser bom. Tenha paciência.

-- Ah, mas ele só vê filmes bons.

Qual o filme que é bom hoje em dia?

Bem, então ele batia os olhos e procurava penetrar no fundo da psicologia para distinguir bem o que havia de mal.

Quer dizer, se há algo de mal, está estragado. É mais ou menos como num tonel de vinho que deitaram apenas uma xícara de café de vinagre, acabou. É só esperar 24 horas que aquele vinho virou vinagre, deixou de ser vinho.

-- Ah, mas é uma xicarazinha de café de vinagre. O senhor agora vem com exagero!

É uma xícara de café de vinagre? Então tomou conta de tudo. Avinagrou.


O bem era ali uma fresta, era uma casca, era uma aparência. Era a última brisa de uma tarde que já se pôs, de uma luz que já está além dos montes.

(...) o que é que é aqui o ambiente medíocre? É o ambiente que tolera o mal, que sorri para as manifestações veladas do mal, para as manifestações encobertas do mal, não se alarma desde que o mal progrida devagar e que vive despreocupado e cantando. Esse é o medíocre. Esse estado de espírito não pode deixar de conduzir a um ponto em que a pessoa se entrega completamente.

(...) a mediocridade [...] começa com ares inocentes.

[Depois que a mediocridade acaba de reinar e de encher o ambiente inteiro], ela puxa de um canto a cúmplice dela, a infâmia, e lhe diz: "Agora podes entrar!" A primeira coisa que a infâmia faz, é expulsar a mediocridade. "Sua velharona! Sua tradicional! Para fora!" A mediocridade se esvai. De tal maneira ela é cúmplice da infâmia. A infâmia a injuria, ela nem sequer passa pela porta, ela se transforma em ar. Não existe mais. A infâmia toma conta de tudo. É este o caminho!


Lembrem que isto tem aplicação a nós. Nós não podemos tolerar uma mistura de bem e de mal. Ou nós queremos o bem extremo, o bem supremo, o plus ultra, ou nós queremos o tudo, ou nós entramos na mediocridade. E a mediocridade nos leva mais dia ou menos dia a essa infâmia.

(...) O medíocre o que é? É o sujeito que entre o píncaro do bem e o mais profundo do mal, ele escolhe o meio termo, ele não quer ser nem extremamente virtuoso e nem quer ser profundamente mau, mas ele escolhe o meio termo. É o centro decisivo, é a terceira força.

(Cfr. "jour-le-jour" 22/12/96, parte II)


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Fala Patrício Amunátegui ("E Monsenhor Lefevre vive?" p.146):


Às vezes o contendor só entende uma linguagem rude, e esta é a única forma de estancar o mal. Neste caso, não há como contemporizar. É o princípio da “onipotência da intolerância”, exposto pelo SDP:


Há uma teoria a que eu sou apegado: a intolerância agressiva, indignada e militante paralisa qualquer coisa.

Há um princípio de coesão na sociedade humana que faz com que todo mal que encontre diante de si uma reação violenta, enérgica e que desmascara esse mal, fica paralisado. Portanto, os bons tem sempre a possibilidade de deter o mal.

O mal não está em que os maus sejam audaciosos, está em que a lavada dos bons não corresponde ao mal. Não há reação. (...).

O mal está precisamente quando os bons deixam de ter essa intolerância violenta e triunfante (Reunião Normal, 8/5/59)


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Agora, o outro lado do jogo:


As medidas disciplinárias tomadas pelas Autoridades da TFP em relação à insubordinação de Ramón León e ao motim de Jasna Gora, foram qualificadas pelos dirigentes da “tfp” colombiana (com os quais várias “tfp” do Exterior solidarizaram-se) de: “expulsão sumária”, “excomunhão”, “[fato] inédito e oposto ao modo sabio e paterno com o qual o Senhor Doutor Plinio governou a TFP do Brasil e orientou sua Obra no mundo inteiro”, “medida drástica, aplicada com extrema dureza e (...) com precipitação”.

Mais ainda, afirmaram: “[ el SDP] soportaba todo a fin de no poner en riesgo con una decisión precipitada y drástica el cumplimiento de los designios de Nuestra Señora con respecto a la vocación de sus hijos y a su salvación eterna”, “un afecto caballeresco especialmente dedicado y prudente debería ser una de las notas tónicas en el modo de proceder de los que ejercen algún tipo de autoridad en la Obra del Señor Doctor Plinio”, “¿Con qué derecho se quiere imponer ahora un régimen de autoritarismo absolutista y arbitrario totalmente contrario al espíritu de Nuestro Fundador (...) ¿Será que su ejemplo y sus enseñanzas, a ese respecto, ya no son ley entre nosotros?”, “la mera desproporción entre el delito alegado y la pena impuesta hacen inevitablemente pensar que existen otras razones no declaradas”, etc.

(Cfr. grafonema a Dr. Paulo Brito no 20/11/97)


Por sua vez, os participantes das reuniões da “Hipoteca”, em grafonema-circular do dia 23/11/97, ao tomarem conhecimento da “expulsão arbitrária, injusta e sumária do Dr. Ramón León”, encheram-se “de justa indignação, talvez por um pálido reflexo da santa ira que nosso Pai e Fundador estará sentindo nos céus”.

Segundo eles, “o temor, a angústia e a indignação já começam a fazer parte do sofrido dia-a-dia de um membro fervoroso da TFP. Além de combater nossos inimigos externos, ele ainda tem que enfrentar os algozes internos, antes disfarçados sob o manto da neutralidade e que estão se mostrando agora cada vez mais ameaçadores”.

As medidas tomadas pelas autoridades da TFP " caracterizam tribunais revolucionários de rito sumário, que primam não só pela ausência do sábio e bondoso espírito do Fundador, como pela presença de uma sanha que ele sempre combateu”.


*


Referindo-se à “camaldulização” do líder do motim de Jasna Gora, Fernando Larrain, seu acólito Ramón León disse:


Um empregado não poderia ser tratado assim. Muito menos uma pessoa que merece todo o respeito por sua vocação, pelos longos serviços prestados à Causa e pela sua condição social. (Cfr. "Quia nominor provectus", p.37).


Mas JC colocou o Sr. Thomas Drake numa camáldula rigorosíssima nos Estados Unidos e mandou tratar como leproso durante 10 meses. Na conversa em que JC lhe impôs isso, o Sr. Thomas teve “a sensação de estar diante de um ditador, de um Hitler, que o olhava assim dizendo: agora eu te derrubei, eu te esmaguei, eu te triturei” (Cfr. reunião na SRM 16/12/97)


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A respeito do pranto dos joaninos pelas medidas disciplinares tomadas pelas nossas autoridades, e do “argumento” por eles invocado de que Dr. Plinio nunca antes procedeu assim, cabe lembrar que o próprio Dr. Plinio disse no almoço 2/10/94: o período de contemporizações em relação a nossas infidelidades parece ter cessado (Cfr. Capítulo 2)


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A desobediência, ponto de partida da formação de “panelinhas” – "Jour-le-jour" 24/9/96 - JC comenta uma epístola de S.Paulo, relativa à prevaricação dos romanos:


E, como não procuraram conhecer a Deus, Deus abandonou-os a um sentimento depravado, para que fizessem o que não convém, cheios de toda a iniqüidade, de malícia, de fornicação, de avareza, de maldade, cheios de inveja, de homicídios, de contendas, de engano, de malignidade, mexeriqueiros, detratores, odiados por Deus, injuriadores, soberbos, altivos, inventores de maldades, desobedientes aos pais,...

Desobediência, hein! Quando o sujeito abandona o flash começa a criticar o superior, começa a criar caso com o superior, já não se dá bem dentro do êremo, dentro do lugar onde trabalha, já começa a formar panelinha. É tremendo.


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Se a gente obedece, nunca erra - Reunião na Saúde, 26/11/96:


Eu me lembro dessa objeção que levantou uma vez um eremita do Praesto Sum I para o Sr. Dr. Plinio:

-- Mas a gente obedecendo a um outro que não é o senhor, a gente no fundo está obedecendo à FMR dele. Porque esse outro também tem FMR, é "efemerroso" e manda segundo os princípios da FMR. Então, ao invés de a gente estar obedecendo aos princípios do senhor, está obedecendo à FMR do outro.

-- Meu filho, quer que eu lhe diga uma coisa? Mais vale obedecer à FMR do outro do que à própria. Porque a gente, antes de tudo, erra menos. E, depois, se a gente obedecer nunca erra -- lembrem-se daquilo princípio que eu li para os senhores em reunião, que eu dei em reunião para os senhores -- e a Providência sempre protege o inferior com uma graça de estado. O inferior quando está nas vias da obediência, o superior pode errar quando manda, ele errando e o inferior obedecendo, não erra. Ele tem graça de estado para obedecer mesmo quando a ordem é errada e mesmo quando o superior é ruim. Isso é impressionante.


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Se o que carateriza o mau governante for aplicado aos Provectos, está certo. Se for aplicado a JC, não está certo - Ramón León vocifera:


- Autonomear-se num cargo (1), ainda mais sem ter condições para arcar com o peso da responsabilidade a ele inerente (2), querer governar ditatorialmente (3) e sem tomar em consideração as necessidades dos subalternos (4), são sintomas do absolutismo no governo (5), que, como nos ensinou nosso Pai e Fundador, constituem um passo decidido rumo à Revolução “nomenklaturesca” do Soviet Supremo ... (Cfr. "Quia nominor provectus", p.68)


- As virtudes, qualidades, prerrogativas e defeitos dos governantes estão muito bem esquematizadas pelo afamado moralista, Pe. Royo Marín:

Governa-se mal:

  1. Pretendendo, acima de tudo, governar

  2. Absorvendo as iniciativas e as atividades dos súditos: metendo-se em tudo

5. Mudando o rumo do que é tradicional contra o sentir de todos

6. Extrapolando a vigilância

7. Desconfiando dos súditos sem fundamento racional

11. Se procura o aplauso interesseiro.

O texto é tão elucidativo, que dispensa comentário (Cfr. "Quia nominor provectus", pp.96. 97) (6)


- Quem (...) não estiver disposto a servir antes que ser servido, a se imolar por seus subordinados (...), não possui qualificação para exercer o governo do Grupo. Pior, coloca em perigo o futuro de uma obra providencial (Cfr. "Quia nominor provectus", p.97) (7)


- [Os Provectos tem] planos de domínio absoluto sobre toda a família de almas da TFP (Cfr. "Quia nominor provectus", p.113) (8)


- [As] condições de saúde [de Dr. Luiz] o incapacitam, em boa medida, a arcar com tão pesado fardo (...). Doi constatar a temeridade de tal escolha, feita por pessoas da elite paulista, tão assinalada pela sua seriedade e coerência. Pois eles, mais do que ninguem, conheciam a debilidade de saúde do Dr. Luiz Nazareno (Cfr. "Quia nominor provectus", p.116) (9)


- Quiçá a principal falha do governo dos membros da Martim tenha sido o esquecimento do bem comum da TFP, atentando contra a unidade dela. Outras atitudes, tais como, a tendência de substituir-se a autoridades pré-existentes na família de almas, a auto-nomeação como diretores máximos do Grupo, o espírito de rivalidade na procura da influência, e outras que veremos a seguir, constituem males secundários, provenientes do primeiro. Se eles tivessem procurado o bem comum acima de tudo, talvez a maioria dos membros da TFP os tivesse aceito como experientes conselheiros na direção do movimento, sua voz seria ouvida com atencioso respeito e sua influência teria crescido com o passar do tempo (Cfr. "Quia nominor provectus", p.127)


- [Receiar que alguém lhe "roube" o título de sucessor que tanto almejam, é uma] preocupação que, de si, indica não ter qualificação para dirigir o Grupo (Cfr. "Quia nominor provectus", p.143).


Comentários:

  1. E JC não se auto-nomeou, na prática, Presidente de todas as TFPs, ainda mesmo em vida de Dr. Plinio, dando ordens a todo mundo, como se pode verificar, por exemplo, no "jour-le-jour" 6/9/95?

  2. JC tem essas condições?

  3. E JC não foi um ditador? Nos êremos São Bento e Praesto Sum não se podia mover uma palha sem autorização do omniarca.

  4. JC dava ordens, não só sem considerar as necessidades dos subalternos, mas também passando por cima de Dr. Plinio.

  5. E JC não era absolutista?

  6. Todas essas carateristicas do mau governante aplicam-se como luva na mão a JC.

  7. Isso não se aplica a JC?

  8. Também não se aplica a JC?

  9. A respeito da saúde de JC, vejamos o seguinte trecho do relato que o Coronel Poli fez de um telefonema que recebeu de JC (21/3/96):

Num clima de exaltação o Sr. João Clá continuou dizendo: (...), que confidencialmente pôs o Dr. Eduardo a par da situação delicada de sua saúde fisica e psíquica; que Dr. Eduardo ficou sabendo que o psiquiatra diagnosticou risco de ele entrar em processo irreversível de angustia (...).

O que é corroborado por JC no calhamaço “Juizo Temerário”, p.61: “Dr. Eduardo

(...) conhecia em minúcias meu atual e precário estado de saúde”.


*


Como ficou demonstrado, a conduta de JC e de seus adeptos em relação ao princípio de autoridade se carateriza pela hipocrisia e duplicidade. Mas a par disso, tudo indica que eles, quando falam de “autoridade”, não pensam na autoridade de Dr. Plinio nem na dos Diretores da TFP, mas exclusivamente na de JC. Do contrário, não se teriam revoltado. O seguinte documento não se explica a não ser assim:

"Jour-le-jour" 13/11/96, JC lê e comenta o MNF de 12/7/87:

(...) é a Providência, a graça e o discernimento dos espíritos que se espera do superior. E quando o superior não tem o discernimento dos espíritos? [Risos] Então, salve-se quem puder, é?Não. Quando o superior não tem o discernimento dos espíritos, Nossa Senhora chega ao alto ponto de adequar o caminho da graça ao erro do superior.

É mais ou menos como seguinte: Quando o sujeito se ordena sem vocação, vem depois necessariamente uma vocação remediativa. (...)


Aparte: (...) é intrínseco à vocação do superior ter o discernimento dos espíritos?

Provavelmente é isso, eu precisaria pensar.Mas se houver um superior que pecou e portanto não agiu segundo o discernimento dos espíritos, agiu de acordo com o intuito pessoal, porque o súdito é parente dele, porque é filho de um inimigo dele, sei lá o quê, se aconteceu isso, a Providência remedeia. Mas o súdito que age de acordo com a obediência é sempre tutelado.


Isso vale muito para nós.

A voz da obediência nunca conduz ao erro.

Aparte: Grande parte da Revolução se fez por obediência a superiores errados.)

Grande parte não. Houve episódios, houve lances, etc. Grande parte já seria excessivo. Põe-se assim: Nossa Senhora faz correr os acontecimentos de maneira que, por exemplo, a ordem do mau superior traga prejuízo à Contra-Revolução, mas o cumprimento que lhe deu o bom súdito, traga alguma vantagem para a obra da Contra-Revolução.

O superior pode errar no mandar. Se ele não manda o pecado, o inferior, portanto, obedece o erro que foi mandado pelo superior. O superior causa uma falha, causa uma mossa, tira uma fatia da Contra-Revolução com o erro que ele cometeu. Mas o súdito que obedece coloca uma pedra preciosa no estandarte da Contra-Revolução.


A resignação dele em fazer aquilo produz galerias sem fim.

Aparte: Normalmente não foram bons súditos que obedeceram.

Não. Você toma uma ordem religiosa. É observantíssima. Todos são muito obedientes. E o superior errado manda fazer uma coisa errada mas que não é intrinsecamente má.


Portanto, não é o pecado, mas é uma coisa errada.

Por exemplo, fazer uma campanha sem capa em tal lugar.

Não é pecado. Ele mandou fazer sem capa, o pessoal vai fazer sem capa, não é pecado fazer sem capa.


É patente que campanha com capa faria um bem enorme lá. Você passa o dia inteiro se esbaldando naquela praça fazendo uma campanha sem capa. A sua resignação fará mais bem ali, ou em outro lugar, por designação da Providência, mas você obedecendo nunca errará.

Aparte: Mas Leão XIII com o "Ralliement"...

É isso. É característico. A Leão XIII não, porque ninguém é obrigado para com o Papa ao tipo de obediência que há para com o próprio superior.

Não entendeu? Leão XIII vai e sai com toda a teoria a respeito do Ralliement. Se o Sr. Dr. Plinio está dizendo que é preciso obedecer, obedece e dá no estrago que nós conhecemos. Ou seja, nós viramos republicanos.

Aí o Sr. Dr. Plinio diz: "Espera lá. Em relação ao Papa nós, leigos, súditos, não temos a obediência que devemos ao nosso superior".

Eu escolhi esse tema para tratar com os senhores porque a maior parte dos senhores é eremita, ou a maior parte vive dentro de um regime de obediência, mas não é só por isso. É porque a circunstância atual exige essa obediência. É pela falta dessa obediência que pode haver um rasgão dentro da TFP e é pela falta dessa obediência que a obra do Sr. Dr. Plinio pode vir abaixo. Mas se houver essa obediência, a túnica é inconsútil, o bloco não sofre nenhuma avaria (1). (...)

Por exemplo, um religioso, um jesuíta que estivesse preparando uma obra contra a convergência, sai o Ralliement, o jesuíta recebe do superior essa ordem: "Tranque seu escrito na gaveta e vá para as ilhas do Coral porque tem curso de catecismo para negrinhos que você tem que dar lá". Ele deve embarcar tranqüilo. Porque o benefício que o mundo receberia da obra dele, esse benefício [alhures] o mundo receberá multiplicado pela imolação que ele fez.


O caso é tremendo, senhores. [Parte inaudível]. Ele deve embarcar tranqüilo, porque o benefício que o mundo receberia da obra dele, esse benefício alhures o mundo receberá multiplicado pela imolação que ele fez. É pelo princípio da comunhão dos santos, diz o Sr. Dr. Plinio. (...)


Aparte: Tem caso do Pe. Barbier que foi a São Pio X e recebeu deste a ordem de secularizar-se.

Não tem dúvida, isso o indivíduo pode pedir a secularização, mas se ele não tiver meio de obter ou qualquer coisa, é o que estou dizendo.


Ele pode pedir, pode implorar, mas se não tiver meio, ele tem que obedecer, e obedecendo ele fará mais do que se ele se mantiver dentro do trabalho ou dentro do estado que ele quer.

Quer dizer, no fundo a coisa é o seguinte: Há uma teoria da imolação que é muito bonita e que está no fundo da

concepção do estado religioso.(...)

Eu dou uma terceira razão pela qual quis tratar esse assunto com os senhores (2.). É que nós vamos entrar -- se é que já não entramos -- num regime de caos, caos tremendo. Os senhores têm superiores aos quais os senhores devem obediência porque já foi institucionalizado pelo Sr. Dr. Plinio que este é o superior, aquele é o superior, aquele outro é superior. Está muito bem.

Os senhores para evitarem de rolar ladeira abaixo e irem parar nos precipícios do Inferno, agarrem-se à obediência, agarrem-se ao superior. Caso contrário, entra uma osa, uma ice, uma mania qualquer girando como mosca azul pela cabeça do sujeito, e o sujeito enfia uma idéia na cabeça que tem que fazer isto, tem que fazer aquilo, tem que fazer aquilo outro, não quer saber de obedecer e lá se vai. Quando menos ele espera, ele está nas garras de Satanás. É a hora da loucura.

(...) Então, senhores, vejam a importância do tema para a hora presente. Mais do que para a hora presente, para a hora futura (3).

Eu fiquei com a impressão de que no pressuposto do estado religioso há a seguinte coisa: de que tudo aquilo que Deus me deu e que eu imolo em louvor dEle, eu com isto faço um determinado bem que muitas vezes, ou normalmente, pode ser [o] maior bem que eu faça daquilo, o melhor uso que eu faço daquilo.

Então vamos dizer que eu fosse dono dessa xícara.

Eu tenho duas possibilidades: uma é o uso que eu faço daquilo. É eu tomar o chá. E outro uso é eu não tomar o chá.

Há coisas que me deixam ver claramente e de um modo normal, que a Providência deseja que eu tome aquele chá.

E há ocasiões em que pelo contrário, eu vejo claramente que a Providência não deseja que eu tome esse chá, que preferiria que eu oferecesse esse chá, que fizesse uma imolação.

Agora, há outras ocasiões em que fica obscuro se eu deveria fazer uma renúncia daquilo ou se pelo contrário eu deveria utilizar aquilo. Nesse caso, normalmente -- é preciso entender esse princípio com muita, muito friamente porque do contrário ele dá em desastre -- normalmente o melhor uso que eu posso fazer é renunciar.


O Sr. Jiménez está me lembrando aqui de que num dos últimos Santos do Dia de sábado -- eu estava noutro país -- o Sr. Dr. Plinio tratava sobra a essência do espírito da Contra-Revolução. E o Sr. Dr. Plinio afirmava: "A essência do espírito contra-revolucionário é dizer: Que maravilha há em obedecer!".

Então, o melhor uso que eu posso fazer num estado de dúvida é a renúncia.

É portanto oferecer um holocausto.Isso posto, o que é propriamente a condição do religioso? É a condição daquele que tendo a livre disposição de si próprio e podendo fazer com essa disposição aquilo que convier, dá a livre disposição de si próprio em holocausto a Deus, fazendo o dom dela a alguém que o dirija em nome de Deus, como holocausto.

Então seria, por exemplo -- e aí a gente compreende como o estado religioso possa ter nascido da escravidão -- a gente compreende o seguinte: o indivíduo é um homem livre e tem ali os senhores de escravos.

E há um senhor de escravos muito católico e muito bom -- o homem livre também é muito católico e muito bom. O homem livre se dá ao senhor de escravos para fazer uma renúncia a Deus.

Isso é de acordo com a ordem das coisas?

Se for essa a vontade de Deus e ele não agiu assim por algum motivo humano difícil de conceber, mas enfim, se ele não agiu assim, ele de fato fez uma ação excelente, porque tudo que damos a Deus é excelente dar.


Ele ter-se entregado e viver na submissão do outro acaba sendo excelente.


E se damos tudo é mais excelente do que dar uma coisa em particular.Ora, dar-nos a nós é o mais excelente que podemos fazer. E portanto entrar nesse estado, nessa vida, é como entrar no Céu, na Terra, estando na Terra.


Senhores, entrar na via da obediência, onde a gente entrega e põe tudo nas mãos do superior e está disposto a obedecer o que for mandado, isto é nada mais nada menos, segundo o Sr. Dr. Plinio, do que entrar no Céu estando na Terra.


Acontece o seguinte: é que aí nós obrigamos a Deus -- mais ainda, Deus que nos chamou para esse estado -- fica obrigado por direito natural a nos dar certos apoios e certas saídas sem as quais essa própria doação seria absurda. Quer dizer, posto que existe a Igreja deve ser que alguns façam isso. Mas posto que como isto de outro lado seria um absurdo porque seria um homem pecável, entregar-se a outro homem pecável. E seria um cego guiando outro cego para o absurdo -- seria isso, bem, então isto ainda mesmo que o senhor fosse um santo.

De repente o santo tem um modo de entender as coisas -- ele aprendeu na FMR dele, por exemplo, que se ele está resfriado ele deve deitar-se ali, envolver-se em flanelas e de dez em dez minutos tomar um chá de cicuta.

Então ele diz para o súdito: "Você está resfriado e vai fazer tal tratamento". Bem, o outro, para cuja FMR isso é a morte, vai e se deixa envolver. Quando uma pessoa se sujeita a isso por amor de Deus, Deus quer receber uma prova de confiança completa em função da qual ele tira aquele homem da economia geral da graça e coloca numa economia especialíssima. E essa economia especialíssima consiste no seguinte: Ele adapta tudo, ajeita tudo, arranja tudo para, no fundo, o homem fazer o que Deus quer.

E às vezes Deus quer que o homem queira o que o superior errado,...


O Sr. Dr. Plinio é de uma radicalidade impressionante, está levando as coisas até as suas últimas conseqüências. Está pondo a idéia de um superior errado.


... incompetente, tonto, mandou mas que Deus não queria que o superior mandasse. Mas o súdito vai fazer por obediência, Deus arranja as coisas de modo que aquilo dê numa maravilha.

Vou indicar uma coisa que em princípio a gente diria que é até contra o direito natural: Aquele caso do Bem Aventurado Padre Anchieta com o Governador, o livro do Governador, o superior e a pinguela.

Eles iam atravessando uma pinguela. Em certo momento o Governador deixou cair uma coisa qualquer no fundo do rio. Procuraram de cima, não se encontrava. Diz o superior para o Padre Anchieta: "Vá pegar lá no fundo então". O Padre Anchieta não sabia nadar e jogou-se na água. E sumiu. O superior ficou apreensivo por que o Padre Anchieta não voltava à tona e mandou um índio que sabia nadar ver lá embaixo o que tinha acontecido. O índio contou depois que ele chegou embaixo e encontrou o Padre Anchieta sentado numa pedra, dentro da correnteza, folheando o breviário. E disse que o superior estava chamando.

[Ele:] "Ah, bom." Pssst... [Subiu].

Quer dizer, o superior deu uma ordem imprudente, errada, pode ser até que a demora do Padre Anchieta debaixo da água tenha sido para dar a ele um susto do outro mundo, pode ser que ele tenha cometido uma megalice diante do governador mandando o Padre Anchieta fazer isso, pode ser até, não sei, que isso desse em processo de inquisição, o governador dizer: “Ele é bruxo, etc, etc.”

Mas, para o Padre Anchieta, uma vez que o superior mandou, trata-se de ir para o fundo da água. Ele foi. Vejam o que Deus fez para premiar a obediência dele: sai um castelo de maravilhas. Séculos depois o fato ainda se conta.

Quer dizer, uma providência especialíssima corresponde ao rumo de vida especialíssimo para o que Deus chamou aquele homem.

Aparte: Quando o superior é revolucionário e o que ele manda é para obra da Revolução...


Aí é diferente. É pecado. “Ratione pecati” nunca. Aí não pode. Aí é resistência. Aí cessa tudo quanto a musa antiga canta. Então o superior pode fazer um bem menor, pode isso, aquilo, aquilo outro. O mal ele não pode mandar fazer.


Claro, mandar praticar o pecado não vai.

Não sei se percebem que há uma aliança entre Deus e o homem que se pôs nessa situação, que é o estado mais sublime e ao mesmo tempo mais duro e mais suave da confiança. Porque as perplexidades do homem livre, um súdito desses não conhece.


Aparte: Os atos de fé que ele tem que fazer...

A toda hora. Mas que corresponde evidentemente o que nós temos como conceito de santidade, é fora de dúvida. Agora, é muito duro o que estou dizendo. (...)

Me parece que é o fundo do estado religioso. É libertante. (...)


Aparte: Em Varennes, aqueles súditos não deveriam ter reagido?)

Ali é diferente. Aqueles homens não se deram a Luís XVI. Eles tinham relação Estado e Governo. Uma relação muito mais frouxa.

Mas o modo pelo qual se concebe o estado religioso é assim: O superior santo e sempre ordenando o melhor e nunca se equivocando sobre as questões contingentes.


Quer dizer, a suposição é de que o superior é santo. Está dito aqui pelo Sr. Dr. Plinio: o superior é santo.


Mas o modo pelo qual se concebe o estado religioso é assim: O superior santo e sempre ordenando o melhor e nunca se equivocando sobre as questões contingentes. Então, é quase um guru santo que tem comunicação com Deus e que vai dizendo: "Faça isso, faça aquilo, faça aquilo". Aí é fácil obedecer. Aí o superior é uma muleta para o sujeito. Como não usá-la se ele não anda de outro modo?

Aparte: Mas também os súditos deveriam ser tais que tivessem esse grau de virtude e isso não acontece.)


Não acontece. E aqui entra um problema que é muito delicado para a ordem religiosa.


Infelizmente houve um corte aí e alguém diz:

Aparte: O senhor respondeu dizendo que é para isso que tem noviciado que o súdito deve ser posto à prova e o superior só mandar o que o súdito pode obedecer, etc. Isso supõe que o superior seja muito bom superior. Agora, isso não acontece sempre. Então fica um mau superior e um súdito com pouca virtude.

Pode acontecer. Agora, vamos tomar o fato e tirar linearmente as conseqüências do fato. Se acontecer isso, dar-se-á o fato verdadeiramente absurdo e que causa horror, de um homem ser tentado além de suas forças. Porque as forças dele no momento não dão para aquilo. E aquilo representa para ele uma tentação. Ele foi tentado além de suas forças.

Ora, há uma promessa de Nosso Senhor que nunca ninguém será tentado além de suas forças. Ora, isso pode acontecer. Logo, chegamos ao impasse. Não é isso.

Quando isso acontece, Nosso Senhor dá forças extraordinárias para a pessoa.

De modo que quando há uma tomada de atitude do súdito errada é porque ele resistiu a uma graça de Deus, porque Deus não abandona nunca o súdito. E se ele aceitou a indicação de um pecado do superior -- porque o superior mandou o pecado, ele aceitou e praticou o pecado -- a culpa é dele. Porque ele recebeu graça para perceber que aquilo era um pecado e não deveria praticar.

Se o superior errou e mandou algo que era de acordo com o capricho dele, mas que não era o pecado, e o súdito se revoltou, ele ao se revoltar cometeu um pecado, e esse pecado ele cometeu rejeitando uma graça que a ele, súdito, a Providência deu forçosamente.

Se o superior é perfeito, mandou o bem e o inferior não tinha força para cumprir esse bem, porque de si é um mole, um pamonha, um lorpa, está bem, ele não tendo cumprido com essa vontade dada pelo superior pecou. Porque graças para cumprir ele recebeu, pelo princípio de que ninguém é tentado além de suas próprias forças.

Eu acho que em nenhum tratado a obediência fica tão clara quanto aqui. Nenhum.


Quando isso acontece, Nosso Senhor dá forças extraordinárias para a pessoa. Sem isso o estado religioso seria absurdo. Quer dizer, ou nós estamos imaginando a toda hora -- na vida da mais apagada das religiosas -- a todo momento um interferência da Providência, ou as coisas se toldam e desaparecem.

Uma coisinha minúscula: uma vez, havia perto de Itaici, um lugar onde havia um hospital fundado por uma família particular -- Indaiatuba -- uma parte do hospital estava desocupada e eles cediam para retiros, etc. E umas duas ou três vezes o grupo pequeno, inicial da Martim, a velha Pará, foi fazer retiro lá. E tinha umas freiras lá que foram comungar e nós entramos na fila para comungar também. Organizou-se a fila, houve um probleminha de fila nas freiras ali, e a superiora -- que parecia mais moça do que várias que estavam lá -- e no probleminha que houve eu vi que uma ficou na dúvida e olhou para a superiora e esta, apenas com a ponta do dedo, fez um sinal indicando a solução do problema. A outra prontamente virou-se e andou naquela linha.

Ela poderia estar vendo que aquilo estava mal orientado e poderia dar num caos. Pssst! Ela foi sem discutir. A Providência intervém e arranja; ou dá num caos que faz bem para a superiora, porque fica melhor. "Papapá", ou não sei o que, etc. Mas como ela é religiosa ela vai pela ação que Deus deseja naquele caso.

Isso é um holocausto admirável. Mas é um abraço com Deus que é, a seu modo, terrível...


(...)

Quantos não rolaram na nossa vida de Grupo, quantos não desceram ladeira abaixo e quantos não se perderam por causa da desconfiança da Providência dentro das vias da obediência. Nós teríamos exemplos, exemplos, exemplos a dar em quantidade.


(Aparte durante o "jour-le-jour" do Sr. Geraldo Martins: Aquele sonho que São João Bosco tem do Inferno, que o anjo vai mostrando a ele, quando chega no final ele pergunta a São João Bosco:-- Mas qual é a causa principal, a raiz que tantas almas se perdem, esses meninos todos do Oratório?

-- A soberba.

-- Não, essa é a causa geral. Quero saber a causa concreta.

-- Não sei.

-- A desobediência.)


É isso mesmo. E dentro da nossa vida o que foi, foi isso.Se nós pegarmos o caso Wellington, que terminou tragicamente, no fundo do fundo dos fundos foi desobediência. Ele era ultracapaz, ultracharmoso, ultraverboso, ultrajeitoso e começou a fazer as coisas da própria cabeça. E a gente dizendo:

-- Olha, para o senhor é melhor isso. Olha, porque o senhor é melhor isso. Olha, para o senhor é melhor isso.

Ele fez o que quis e deu no que deu. (...)


(...) Para falar com uma afetuosa franqueza, não se sujeita inteiramente nas vias de Deus quem não tenha se habituado a olhar as coisas assim.

Portanto, não pratica os dez mandamentos da Lei de Deus quem não se habituou a encarar a vida religiosa dentro dessa obediência conforme está descrita aqui.


(...)

O que distingue o pecado de Revolução de todos os outros pecados é que nos outros pecados ainda há a confiança na Providência, e no pecado de Revolução há uma ruptura com a Providência e há uma revolta contra a autoridade.


Comentários:

  1. É isso mesmo: a divisão da TFP teve sua origem na desobediência de JC aos Provectos --cuja autoridade sobre ele e sobre todos os membros do Grupo ele reconheceu inúmeras vezes.

  2. JC aborda este tema, não à toa, mas “cienter et volenter”. Visando o que? A obediência aos Provectos? Ou a obediência a ele?

  3. JC trata deste assunto com vistas ao futuro ... Está colocando premissas nas cabeças de seus ouvintes, para que procedam de determinado modo mais tarde.





D. Quanto ao modo de impostar-se perante os problemas internos. E no fundo quanto à esperança na Bagarre, Grand Retour e Reino de Maria


"Jour-le-jour" 19/5/97:


Já antes da morte dele, ele em vida, ele dizia para nós, muitas vezes, eu ouvi ele dizer isso inúmeras vezes:-- Quase que dá vontade de dizer para fulano: "Fulano agüente um pouco, agüente um pouco mais, porque vindo o Grand-Retour está tudo resolvido".

Quase que a gente deveria dizer para os membros do Grupo isso: "Agüente um pouco dentro, faça de tudo para se segurar, ainda que seja para se segurar nas paredes, mas se segure dentro, porque vindo o Grand-Retour está tudo resolvido".

É o que ele diz aqui perfeitamente neste MNF sobre a graça eficaz que nós estamos esperando. Então o que nós devemos fazer é agüentar, porque virá. Virá o quê? Um caudal de graças compradas por ele em 95, depois vem ele também. (...)

Há um tipo de graça, uma graça única, que a Providência dá uma vez só. Deu aquela graça, ela não volta a dar de novo. Se a pessoa rejeita, aquela graça toma um outro rumo. Há certas graças que dão à pessoa um outro rumo na vida. (...) Mas o que eu digo para o senhor é o que o Sr. Dr. Plinio me dizia, dá vontade de a gente dizer para esse fulano: "Agarre-se pelas paredes, fique dentro do Grupo, não sai, porque quando vier o Grand-Retour está tudo resolvido".

Ainda que tenha acontecido de haver graças que passaram e que não voltam, vamos esperar o Grand-Retour (2) que é a graça eficiente que traz tudo de volta. É como um cometa: vem aquela parte essencial e depois vem uma cauda que são todas as graças que nós rejeitamos, vem junto.


Comentário:

  1. Em lugar de confiar no Grand Retour, JC optou por revoltar-se e, pior ainda, destruir a TFP.

  2. Uma das “razões” subjacentes para JC proclamar “non serviam” foi a seguinte: a Providência está dando uma série de graças enormes --a “graça nova” por exemplo— e temo que não voltem; os Provectos não querem que eu tire proveito dessas graças porque tem inveja de mim; então vou me revoltar e vou destruir a Instituição.


*


Jour-le-jour” 16/3/97, parte II:


Julgo que quando vier o Grand-Retour nossas faltas vão sumir. É mais ou menos como o sacramento da extrema-unção: desapareceu, foram apagadas. Afinal, não é? [Risos] Somem e, dizem os espanhóis, passamos a viver com “borron y cuenta nueva”. Ou seja, todo o resto ficou apagado, a conta inteiramente nova. Tudo fica apagado, conta nova e começamos uma vida nova. É a única solução.

Não é o Reino de Maria uma era toda feita de misericórdia? Haveria misericórdia maior do que essa? Eu não conheço.

(...) O que a Providência pode fazer em matéria de perdão é inimaginável. Como o Bom Ladrão: "Ainda hoje estarás comigo no Paraíso". (...)

Tenhamos confiança. O que nos está reservado é um quinhão de bondade, é um quinhão de perdão, é um tesouro de misericórdia que nós não fazemos idéia. E nós temos que confiar nessa misericórdia, caso contrário nós não temos conserto.

Não venham me dizer:

-- Fulano de tal olhe só até onde chegou.

-- Escute, é problema de grau, mas na substância todos nós metemos o pé na lama. Um meteu o pé na lama até o tornozelo, outro entrou até a cintura, outro foi até o pescoço, mas lama todo o mundo tem. Então trata-se de encontrar um tintureiro que limpe da cabeça aos pés ou então limpe os pés, mas que é preciso tirar lama é preciso. Aí só a misericórdia, não tem por onde.

-- Mas nós vamos sofrer durante a Bagarre.

-- Sofrimento por sofrimento não adianta, porque para transformar-nos em cavaleiros do século XXI, membros substanciosos e substanciais do Reino de Maria, só uma misericórdia.


*


"Jour-le-jour" 31/3/97:


(Aparte: [Inaudível]?)

Somos todos, somos todos. Com raras exceções aqui honrosas, mas de resto todos nós somos ruins.

(Aparte: [Inaudível]?)

Até aí isto acontece: nós somos ruins, nós somos empedernidos, mas chega um certo momento em que, por misericórdia da Providência, por desígnio da Providência, desce sobre nós uma graça eficaz e a gente se converte, a gente fica bonzinho.

Se fosse necessário ser bom para receber graça, nós não estávamos aqui.


*


No "jour-le-jour" 14/9/97, JC lê e comenta as seguintes palavras de Dr. Plinio (emitidas no Praesto Sum, no ano 89):


Há dois caminhos dentro da nossa vocação.

Um caminho é: o indivíduo tem uma espécie de intuição, de impulso interior que o levava senão a prever a Bagarre, a se sentir chamado na sua existência a fazer qualquer coisa de muito extraordinário, para levar uma existência que não era a existência comum. E ter horror diante da hipótese de levar uma existência comum. E que quando conheceram a TFP aderiram com calor, porque sentiram com um pressentimento profético, participado de meu profetismo, sentiram que ali se realizaria!

Agora, outros não. Outros queriam a todo custo, e quanto isso é respeitável, queriam a todo custo levar uma vida católica direita. E viram que não tinham outro meio de levar a não ser entrando para a TFP. E assim, entrando para a TFP, eles não tinham a idéia de serem elevados por uma espiral profética até esses altos panoramas, mas tinham o desejo de viver uma vidinha direitinha, dando glória a Deus, morrer de uma morte direitinha e ir para um ceuzinho...

(...) Enquanto a gente tem essa espiral sagrada que sopra diante de nós, nós não nos incomodamos com os pequenos inconvenientes ou defeitos da grande e santa nau que nos leva, e que é a TFP.


Vou repetir porque essa frase deveria ser decorada. O ideal seria decorá-la.


Enquanto a gente tem essa espiral sagrada que sopra diante de nós, nós não nos incomodamos com os pequenos inconvenientes ou defeitos da grande e santa nau que nos leva, e que é a TFP. A partir do momento em que a gente vai sentindo a demora, a gente vai abrindo os olhos para esse ou aquele inconveniente:

- "Já notou que o fulano é assim? Já notou que o Cicrano faz tal coisa assim que eu não posso suportar? Beltrano não é quem eu pensava! E Mengano é mega!"

E assim a atenção se desvia da finalidade da viagem para concentrar-se no navio. E as questõezinhas internas do navio começam a absorver a atenção. E com isso num jogo muito bem feito do demônio o desejo da Bagarre e do Reino de Maria diminui.


Eu hoje ainda acrescentaria: a devoção, a união, a admiração, o que os senhores queiram, com o Sr. Dr. Plinio, diminui.


A esperança diminui. E o probleminha de amanhã é o que importa.Bem, e a alma é sugada. A alma que foi feita para encontrar um espiral que sopra para cima, é sugada por um espiral que sopra para baixo.


(...)


Então ponto fundamental: é preciso que nós estando na primeira categoria de almas tenhamos aquela atitude de não estar olhando para o navio nem para o que se passa internamente dentro do navio, mas estarmos olhando para o objetivo, para o espiral que nos leva.


É esse o processo psicológico no qual embarcaram os revoltados:

1a fase: peso da demora da Bagarre;

2a fase: a atenção se desvia das finalidades da TFP para se concentrar na vida interna --na “espiritualite”;

3a fase: a alma é sugada numa espiral que sopra para baixo: diminuição da esperança da Bagarre e do Reino de Maria, abertura para o mundo, dedicação preponderante à música (segundo reportagem publicada na “Tribuna do Ceará”, 14/12/99, os corais joanistas “compostos por vozes mistas, e pela Banda sinfônica que, contando com 52 elementos, apenas nos últimos 12 meses já levaram a cabo mais de 200 apresentações”), opção preferencial pela Estrutura.


*


"Jour-le-jour" 17/8/97, parte I, JC lê e comenta uma CSN:


Jó teve uma recompensa terrena, e uma recompensa opulentíssima. Ele foi levado pelos vales e pelos montes, mas ele teve uma recompensa opulentíssima. Uma das recompensas foi o que a Bíblia conta. Quer dizer, a esposa que ele teve, depois os novos filhos, etc., etc., uma das recompensas. Mas outra recompensa é uma glória por onde o nome dele vai chegar até o fim do mundo, e ele vai ser grande no céu, e já é grande no céu por causa daquilo. Jó, durante a provação dele, não era convidado à virtude da resignação. Ele era convidado à virtude da esperança. Resignação pelo que estava acontecendo, mas esperança pelo que ia acontecer.

Donde é que vinha a esperança, se Deus não tinha feito prever nada a ele, não apareceu nenhum profeta a ele para dizer o que é que viria?

São moções internas da graça, muitas vezes, creio eu, ligadas à mística ordinária, e que faziam com que em concreto aquele tinha uma razão, que ele não sabia porquê, que o levava a esperar tal coisa.


E os senhores têm isso. Os senhores sabem que os senhores agora estão sofrendo, os senhores estão sendo escorraçados da sociedade, os senhores estão sendo isolados, os senhores estão sendo debochados, os senhores até tem sofrimentos dentro da TFP, por causa do mau encaixe com esse, com aquele, com aquele outro. Tudo isso os senhores sabem e tem que ter resignação. Mas essa resignação tem que estar toda ela debaixo de uma esperança, porque a voz interior, uma moção interior da graça, como que impulsiona a alma de cada um no sentido de que virá um dia em que tudo isso vai acabar e será o dia da glória nesta terra ainda. Quer dizer, virá uma glória nesta terra.


*


Jour-le-jour” 18/5/97, parte II:


Sem uma graça especial, que é a graça do Grand-Retour, que é uma graça ligada ao dia de hoje muitíssimo, não tem perfeição. (...) sem que o Espírito Santo tome iniciativa e nos transforme, não adianta nós fazermos toda a espécie de esforços e toda a espécie de exercícios. (...) sem essa graça do Grand-Retour eu acho que seria impossível a gente chegar aonde deve. Porque cada um de nós tem obstáculos e obstáculos dentro da alma, que sem uma graça especial não consegue chegar onde deve.


Mas para JC, a solução está, não em esperar o Grand Retour, mas na insurreição.


*


Jour-le-jour” 23/3/397, parte II:


Eu creio que estar comentando entre nós que fulano de tal fez tal coisa, o outro fez tal outra, porque tem tal defeito, aquilo não sei quanto, porque tal bobagem, é contraproducente porque isso espalha entre nós um clima de ausência do Sr. Dr. Plinio. Bonito é a gente enunciar os bons atos, as boas qualidades, as boas virtudes deste, daquele, daquele outro, os bons acontecimentos internos.

(...) O ver as coisas boas feitas pelos outros e o comentá-las traz entre nós uma idéia de presença muito maior do que estar olhando os defeitos e criticando este, aquele ou aquele outro. (...)

Já imaginaram a beleza da situação? Deus que tira do barro desta terra um boneco, esse boneco é o Adão sem o sopro. Então imaginem o tempo que mediou entre a feitura do boneco e o sopro de Deus. Imaginem, então, a gente olhando para aquele boneco de barro, bem feitinho, muito bem acabado, muito bem esculpido, tudo com uma delicadeza de detalhes fora de comum, a gente olhando para o boneco de barro dizendo: "Que bonito boneco de barro", aparecesse um anjo de nosso lado e dissesse: "Esse boneco vai receber um sopro divino e vai se transformar em homem, vai ser carne, osso, sangue e alma. E a alma dele que vai ser infundida por esse sopro é uma alma que participa da natureza divina. Será um homem que terá um consórcio com Deus. Vivendo toda a sua vida neste Paraíso, no final da sua caminhada ele subirá com o seu corpo glorificado e a sua alma na visão beatífica".

Já imaginaram a diferença que vai entre o boneco de barro e Adão na visão beatífica?

Nós somos bonecos de barro. Respeitemo-nos, porque sobre esses bonecos perpassará um sopro divino. Nós vamos ser transformados.

Então é preciso que cada um olhe para o outro com uma consideração, com um amor, com um afeto, com um carinho, mais ou menos como alguém que toca uma relíquia, como alguém que toca em algo que vai ser utilizado por Deus e vai ser transformado por Deus.

Os senhores já imaginaram, depois de o anjo ter feito a gente compreender, o que vai ser aquele boneco de barro e como a gente teria vontade de oscular o boneco de barro? Porque é um santo, é uma relíquia, aquilo é algo que vai passar por um processo extraordinário.

Conosco é a mesma coisa. Nós por enquanto não somos, nenhum de nós pode se dizer discípulo perfeito, não há, entre nós não há isso. Mas há, isto sim, os bonecos de barro que vão receber o sopro do Espírito Santo e que vão se transformar nos maiores santos que a História já conheceu.


*


No Santo do Dia de 9/10/82 (lido por JC no "jour-le-jour" de 16/4/97), Dr. Plinio indica os modos errados e os modos virtuosos de ver e de proceder quando numa Instituição impera a mediocridade.

Para melhor entendimento da matéria, convém lembrar que JC se apresenta como o membro mais fervoroso de toda a TFP, em constante luta contra os “sabugos”.

[Proclamação: Um cavaleiro templário recebe a noticia de que a Ordem do Templo está sendo desfeita. Que atitude tomará?]

Meus caros, vós falastes [em vossa proclamação] do cavaleiro para quem o estandarte do Templo é a luz de seus olhos. Ele deu a sua vida para isso! E ele recebe --novo Jó-- notícias catastróficas, uma depois da outra: “Aconteceu isto com a Ordem do Templo, aquilo e aquilo outro". Depois, a pior de todas as notícias: “Os medíocres se aninharam na Ordem do Templo, e aquilo que deveria ser o santuário da mais vigorosa têmpera de alma, se transformou num lugar conspurcado pela mais preguiçosa, insignificante e insípida mediocridade!"


(...) Então, o cavaleiro teria dois caminhos de virtude para seguir, e teria inúmeros caminhos de vícios, de defeitos para seguir.

Um caminho de defeito poderia ser o desespero:-- "Eu não entendo mais; eu não atino com mais nada. Nada dará certo! Várias vezes em minha vida eu senti, pelas depressões de minha alma em circunstâncias duras, que tudo ia levar a breca, ia dar errado, que eu mesmo era um fracassado e não daria resultado também. E eis que, nesse momento extremo de minha vida, enquanto vejo que a morte me aguarda, percebo: nada é nada".

[Então uma] bifurcação:

-- "Revoltar-me-ei! Pôr-me-ei um instante de pé -- embora agonizante e estertorante -- e numa revolta inconsistente de meu ser que a morte já está tragando, grito: Nada é nada! e caio rolando num estertor maldito!"

É uma possibilidade. Outra, pelo contrário, é tomar diante disso a atitude da preguiça. (...) Quantas formas do desespero assim haveria que registrar!


Mas há a virtude! E nesta situação, o cavaleiro pode tomar duas posições virtuosas.Uma é receber todas essas notícias e dizer:-- "Senhor, como Vós sois maior do que todas vossas criaturas! Elas são precárias como tudo o que é humano. Elas passam, Senhor, e só Vós não passais, porque Vós sois eterno e reinais por cima dos Serafins e dos Querubins. O Templo eu o amei tanto, Senhor! Eu o amei de toda a alma. Eu me dei a ele, porque por detrás dele luzíeis Vós. (...)


[Outro caminho de virtude consistiria em dizer:]

-- ”(...)Ó, o Templo! Ó, o Templo! Ah! a lamentação da Escritura: Quomodo obscuratum est aurum? De que maneira, como foi que o ouro tão reluzente ainda há pouco tempo atrás, está escuro, perdeu o seu brilho?

"Senhor! Senhora, Mãe minha, hífen por cima deste infinito que vai entre Deus e eu, vede a perplexidade de meu espírito:

"-- Acabou o Templo? Eu devo considerar que esta glória sumiu, morreu? Para a Cristandade não se erguerá mais este exemplo? Os maometanos voltarão à carga, e levarão até os esplendores cristãos de Bizâncio o seu poder conquistador? Eu devo admitir que as margens do Mediterrâneo ficarão para todo o sempre, no seu lado africano e no seu lado asiático, dominadas por inimigos vossos?

"Senhor, se Vós assim quiserdes, eu não me revolto. Se Vós quiserdes eu me inclino, e ainda que a Ordem do Templo se feche e eu perambule como um homem sem explicação pelos universos: estrela cadente, errante e escura, caminhando pelas luzes dos outros homens que têm seu destino na vida, filho do fracasso, perambulando meus passos incertos e melancólicos sobre essa vida, até quando Vós quiserdes.

"Senhor, Vós sois Deus! Vós sois o Rei! Quem sabe, se de todas essas glórias do Templo, uma faltava para ser completa, e era a resignação perfeita do varão inteiramente submisso, que curva a cabeça na vergonha, na dor e, pelos pecados próprios e dos outros, sabe dizer longa e repetidamente: Confiteor, confiteor, confiteor (...). Senhor, se é isto o que Vós quereis de mim, com quanto gosto eu dou!


"Mas permiti, Senhor, que eu Vos revele o fundo de minha alma. (...) fostes Vós que pusestes aquilo que no fundo de minha alma está.

"(...) eu sinto em mim que a graça me pede outra coisa: ela não quer de mim as sublimes, nobres e austeras belezas da resignação, mas pede de mim a força indômita da esperança!"


(...) "Desde já vou pensar -- quando transpuser os umbrais do castelo -- de que maneira vou atacar aos medíocres; como vou, ali dentro, fazer apostolado e diplomacia, de modo a enxotá-los para que entrem as almas que amam a sublimidade. Como vou conservá-los para acender no coração deles o amor à sublimidade que morreu”.

(...) [O cavaleiro] entra no edifício do Templo com passo cadenciado e saúda os medíocres que o recebem com um desinteressado pouco caso. Dizem-lhe:

-- "Frei Fulano, como vai? Então está de volta?"

De fato pensam: "Como ele vem sujo, cansado; como suas armas são de pouco valor; como ele está despenteado. Que homem duro e feio entra aqui onde só habitam homens moles, agradáveis e sorridentes!"

Ele sente o desprezo. Finge que não percebe e responde com uma amabilidade que não desperte desde logo cóleras nem desconfianças. Ninguém hesita. Ele passa pelo meio dos indiferentes e vai ao Santíssimo. Reza, inclina-se diante da imagem de Nossa Senhora, vai à sua cela.

Soa a hora do jantar; ele está na fila com os outros.

Mas ele traz consigo uma luz que incomoda todo o mundo!

(...) Começa a luta e, várias vezes, ele tem a impressão da inutilidade de seus esforços. (...) Mais uma vez levanta-se diante dele a dúvida personificada por um demônio que o seduz e o amedronta como uma naja da Índia:

-- "Tu esperas ainda? Ridículo! Tu não percebes que a tua esperança é gratuita e infundada, que ela é um impulso da alma arbitrário, sem base em nada de racional? Idiota! Passarás a vida inteira fazendo esforços em vão. Imbecil! Eu te desprezo". (...)


Há um fundamento, e lembrem-se: os senhores vão passar por coisas dessas.(...)

De vez em quando, esse Divino Espírito Santo diz alguma palavra, sussurrada, discreta e leve dentro de seu templo. E o homem tem um misterioso ouvido para ouvir isto; o Espírito Santo sabe como falar à alma.

E quando a alma tem o ouvido pronto para ouvi-lo, ela não se engana.

Há uma palavra na Escritura que se refere à voz da graça dentro de nós: "Hodie si vocem ejus audieritis, nolite obdurare corda vestra" -- se vós, hoje, ouvirdes a voz dEle, não endureçais vosso coração. Tende o coração aberto, tendo o coração sensível, ouvi a voz da graça!

Fato curioso: a alma que ouve e se abre para isso, sente que, na perspectiva do que essa voz lhe aponta, toda a sua vontade de praticar a virtude toma mais força. Ela se torna mais pura, mais resoluta, mais límpida e vai para frente. A alma caminha para os sacrifícios internos da virtude como o templário ia cantando para os campos de batalha. Ela percebe que vai ter de se sacrificar, mas nasce nela uma nobre sede de sacrifício, e diz:

-- "Custará, mas eu exigirei de mim. Me pego pelo pescoço e me obrigo a fazer!"

Portanto, na raiz está aquela voz.


Outro dado da experiência é o seguinte: É que esta voz nem sempre é clara. (...) Às vezes se distingue, mas às vezes a gente ouve alguma coisa e se pergunta:

-- "É a voz...? Também não sei..."

E pode não ser! Mas os senhores dirão:

-- "O que fazer dessa voz tão preciosa, se ela é ambígua?"

Nasce em mim uma indagação:

-- "Será verdadeiro? Rezarei e pedirei: Minha Mãe, fazei-me ver, pelos acontecimentos internos ou pelo timbre interno dessa voz, como é que eu devo agir; se é ou não é a graça que está falando em mim. Fazei-me ver!"

Suplico, faço jejum, faço penitência, suporto os outros, faço o que for até saber o que esta voz me diz.

Aí eu terei praticado o que Deus mandou: "Hoje, se ouvirdes a sua voz, pelas durezas da preguiça não endureçais o vosso coração".

Sede infatigáveis até tirar a limpo o que é! Mas não tomeis como verdadeiro o ambíguo, e sobretudo não tomeis como verdadeiro o falso. Deus saberá dizer! Agora, oração, prudência e esperança. Se é a voz da graça, ela voltará mais intensa. (...)

Às vezes esta voz não fala por alguma coisa interna, mas sim por algum fato externo. Nós recebemos um impulso que nos parece tão grato, tão luminoso e tão empolgante, para fazer certa coisa, mas não temos certeza se é um movimento natural da alma ou um movimento sobrenatural. Rezamos, e acontece um fato externo que nos torna fora de dúvida ser aquilo o que Deus quer.

Retrospectivamente se dirá:

-- "Era a graça. Minha Mãe, eu vou para frente".

É preciso ter um senso profundamente católico para poder medir bem se é a hora da graça, porque às vezes sente-se nos imponderáveis que entrou a hora de uma instituição perecer, e outras vezes que é a hora de uma instituição ressuscitar.

Porque às vezes nosso senso moral nos indica que o pecado cometido foi tão grande que a única expiação é o arrasamento. E aí o varão, unido verdadeiramente a Nossa Senhora, sabe perfeitamente que ele não pode nutrir esperanças e deve desejar o extermínio.

Há outras vezes em que ele percebe que por detrás do pecado nauseabundo, indignante e revoltante, lateja ainda uma certa virtude e a graça se obstina em ficar nas almas daquelas pessoas que constituem o Templo. E que é preciso expiar porque nelas ainda há alguma luz. Enquanto a luz não se apagar, ele insiste.

Ele tem portanto um senso das proporções e um discernimento das coisas que lhe faz antever quais são os passos de Deus na História. (...)

Imaginemos que [nosso cavaleiro] esteja ainda do lado de fora da fortaleza, ou que ele está numa dessas horas de provação medonha dentro da fortaleza.

Há o costume entre os templários -- eu estou imaginando -- de que cada um conte um fato memorável de sua vida em determinadas noites de festa do Templo.

Ele foi chamado aquela noite a dar o fato --uma espécie de Santo do Dia--, e preparou a narração o melhor que ele pudesse imaginar; com o maior sabor de verdade e de realidade, precisa, sem pormenores inúteis mas rutilando de vida em tudo o que ele conta de épico. E para não se salientar, ele conta belezas de irmãos de armas que ele viu combater em outros lugares.

Reina na sala uma luz cheia de penumbra; alguns cavaleiros começam a dormir enquanto ele fala. Outros cavaleiros conversam baixinho. Num canto, um está com o livro de orações, pondo-as em dia, para poder dormir mais depressa.

Ele, entretanto, se anima, porque há no auditório três ou quatro almas mais eleitas que estão gostando.

E ele diz: "Eu estou acendendo essas almas".

Mas há um combate imponderável entre a preguiça contagiosa, que se espalha como mancha de azeite, e o interesse daqueles três ou quatro.

Ele vê apagar um, depois outro... Resta um que não se apagou inteiramente, mas que começa a ouvir a narração distante, prestando atenção noutra coisa.

Ele [procura saber] o que é: tomou o hábito e está trançando uma coisinha que não está bem arranjada.

E diz: "Até este? Para que continuar fazendo esforço dentro desse auditório que não é nada?

Ali há o feeling, o sentir, que tanto pode dizer a ele que interrompa bruscamente e diga:

-- "Senhores, vai alta a noite e eu não fui bastante hábil para contar essa narração num tempo que não abusasse de vosso cansaço pelo dia que vivestes -- a mediocridade se cansa! --; eu vou terminar bruscamente."

Faz a reverência diante de um Grão-Mestre que dorme o seu grande sono solto, e se retira pedindo: "Deus ultor affulge! [Deus vingador acorrei!] Encerrei!"

Há situações em que ele olha: o quadro é aparentemente o mesmo, mas ele discerniu numa ou noutra alma alguma coisinha que ainda dá esperança, no meio de todo o horror.

Ele sai e vai para a capela. (...) Ao alcance de seus olhos há uma imagem de Nossa Senhora. Ele diz: "Salve Regina, Mater misericordiae... Minha Mãe, salvai o Templo!"

(...) Num caso ele bate o livro que tem na mão, no qual ele ia mostrar uma iluminura, põe de lado e sai dizendo: "Deus ultor affulge!". E o castigo desce do Céu sob a forma de um decreto que Deus lançou e que ainda ninguém sente. Correm alguns dias, e como uma tempestade pesada, os castigos começam a cair. É a destruição.

Ele confiou ou não confiou? Confiou. Ele confiou na destruição!

No outro caso, pelo contrário, ele sai e percebe que há na capela -- às vezes pelo modo da chama da lamparina se agitar -- uma alegria que diz: "Sim, meu filho!"

Na confiança de que o Templo renascerá, começa uma longa caminhada, no fim [da qual] o Templo renasce.

Ele acertou, pois foi fiel à voz da graça, com discernimento, com ponderação e com espírito de Fé, .

Não só os acontecimentos vêm -- os bons ou os ruins -- mas a ductilidade de espírito com que ele soube perceber o que vinha, isto mesmo atraiu o acontecimento. E o castigo ou a restauração vêm mais cedo porque ele a pediu. O "sim" dele para essa certeza interior acelerou as vias de Deus.

(...)

Meus caros, (...) foi explicado por que lógica o homem espera; que direito o homem tem de esperar; que razões de certeza a sua esperança apresenta à alma.

É uma esperança que produz os acontecimentos. A confiança traz aquilo em que ela espera.

Esperai: nós estamos às portas da Bagarre. Virá o Reino de Maria!


*


No "jour-le-jour" 6/4/97, JC lê e comenta uma CSN, de fevereiro de 1983:

(Nota: na fita consta que era uma reunião em Amparo ... )


Nós devemos entender que a TFP é uma semente, e ela não passa de uma semente; por mais magnífica que ela seja em suas horas, ela não passa de uma semente; e que essa semente é singular, pelo seguinte:

A gente a compararia mal se a comparasse à semente de uma flor ou de uma planta que vai florir, depois floresce, ou frutifica. Está mal comparado. É uma planta, uma flor, uma coisa qualquer que vai se desenvolver e em certo momento baixará sobre ela uma bênção do Céu que fará dela uma coisa inimaginável.

Porque esta é a ação do Espírito Santo sobre as almas. E o Reino de Maria é o Reino do Espírito Santo. O Reino de Maria é o reino de uma plenitude de graça, de uma abundância de "Thau", de senso católico, de amor às coisas da Igreja e a Nosso Senhor Jesus Cristo e tudo mais, como nós não podemos ter uma idéia. A TFP é a corola de flor na qual essa chama pode baixar para dar o que nós ainda não imaginamos. Esta é a TFP.

E, aliás, é por isso que a Providência tira as mãos de quem, andando nas vias da TFP, não sente que estamos andando sempre para cima, sempre para cima, e que algo de incomensuravelmente alto nos atrai.


É a afirmação de um profeta. Isto não é a afirmação de um pensador só, não é a afirmação de um homem comum, isto aqui nos são palavras vindo do Céu, são palavras vindas de Deus.O que ele afirma aqui é que quando um de nós que anda pelas vias da TFP, ou seja, que é filho dele, que é servidor dele, que é seguidor dele, que é discípulo dele, deixa de ter a compenetração de que nós estamos indo para o alto, estamos subindo, a Providência tira as mãos de cima desse.

Quando um miserável entre nós diz: "Ih! tal coisa vai mal, porque a TFP está afundando, porque a TFP vai acabar", porque a TFP não sei quanto, podemos ter certeza: de cima desse a Providência tirou as mãos. Acabou. (1)


(Todos: Fenomenal!)


(...) E o mundo do Reino de Maria vai ser muito mais belo pelo nosso amor a Maria e pelo nosso amor à Igreja, e por essa presença dessa graça em nós, de que por todas essas razões materiais que serão apenas um reflexo disso. (...)

Se os senhores começarem a considerar as coisas, os senhores verão que é na esperança contínua disso que a pessoa começa a ser o homem com o qual começará o Reino de Maria.


O viver dentro dessa esperança já passa a dar a possibilidade de que este se transforme no homem com o qual o Reino de Maria iniciará.

Por que não ter essa esperança? Por que viver com lupa atrás dos defeitos, viver com lupa atrás dos casinhos, atrás dos problemas, atrás das briguinhas? (2). Para dizer: "Olhe aí, está vendo? Tem tal coisa, tem tal outra. Essas coisas não vão bem porque a TFP está afundando"?

Homem, esse não é um homem de Deus, esse não é um homem que vai iniciar o Reino de Maria. Está dito aqui.


Comentários:

  1. Se a Providência tira as mãos de quem não sente que a TFP está andando para cima, “a fortiori” tira as mãos de quem quer destruir a TFP por dentro.

  2. Por que revoltar-se e querer acabar com a TFP?


*


Jour-le-jour” 16/3/97, parte II:


Se nós formos olhar nossa semifidelidade... Quem é que pode dizer: "Eu fui fiel na integridade"? Ninguém. Quem é que pode dizer: "Eu me mantive inteiramente incólume dentro de todos os pontos"? Não há, não há ninguém que possa dizer: "Eu sou o homem que posso apedrejar qualquer um, porque eu não tenho mancha nenhuma". Não há.

Todos nós temos faltas, todos nós tivemos incorrespondências à vocação aqui, lá e acolá, e todos nós não demos aquilo que deveríamos dar. Então como é que nós vamos fazer? O conselho do Sr. Dr. Plinio. Nós devemos imaginar a mão esquerda dele no ombro da gente e dizendo: "Meu filho, fique no Grupo. Quando vier o Grand-Retour está tudo consertado". É esperar que chegue um certo momento em que a Providência, a rogos dele, por conquistas feitas por ele, derrame sobre nós o Grand-Retour. Nós não vamos nos reconhecer como ele dizia, vamos olhar um para o outro e vamos dizer: "Espere um pouco. É mesmo aquele Fulano de Tal? Mas eu não reconheço mais, mudou completamente". Porque é evidente que mudando o interior, muda a fisionomia. Nós vamos ter até outra fisionomia.

(...) É isso, é o que eu tenho para comigo. Eu me agarro com unhas e dentes, deixo o demônio pintar e bordar, sair não saio, e espero o Grand-Retour.


*

Telefonema para a Saúde, 12/10/96:


Bem, nós devemos ter no fundo da alma uma esperança inabalável --praticamente nem é confiança, é uma certeza-- que a causa do Sr. Dr. Plinio, a causa para a qual nós fomos chamados pela Providência a seguir e a servir, essa causa é invencível, essa causa é feita para chegar à vitória. Por maior que seja o número dos adversários, por maior que seja o poder dos adversários, por maior que seja a capacidade dos adversários, por mais reduzida que esteja a causa do bem, pouco importa, a causa do bem tem que vencer. Porque o Sr. Dr. Plinio disse que a História não pode terminar sem que haja uma era em que Nossa Senhora reine plenamente.


*


Reunião na Saúde, 25/2/97:


Naquele tempo, da barbárie se caminhava para a civilização; hoje nós estamos num período contrário àquele: nós caminhamos da civilização que houve, para a barbárie. Os homens estão ficando bárbaros. Naquele tempo, os bárbaros protegiam os que eram bons, protegiam os católicos e liquidavam os que estavam apodrecidos; hoje em dia, os [neo]bárbaros protegem os maus e querem liquidar os bons. Nós estamos numa situação bem oposta, de extremo a extremo, ao que foi o começo do cristianismo: é o fim do século XX.

O que precisamos fazer? Ter uma compenetração, uma coragem maior do que tinham os primeiros cristãos. Não podemos ter medo nenhum de qualquer ataque que possamos sofrer e de, portanto, sermos de repente levados ao martírio. Pelo contrário, nós devemos ter uma fé ardente, ardorosa, maior do que a dos Mártires, a ponto de que, se por acaso quiserem nos destroçar enquanto instituição, chegará ou o Grand-Retour, a Bagarre e o Reino de Maria, ou o fim do mundo. Porque nós somos o resto de Igreja que existe, e Nosso Senhor disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja. Nós precisamos ter certeza de que a Providência nos protegerá, mais ainda do que tinham fé os primeiros cristãos.


*


"Jour-le-jour" 13/4/97 (parte I), JC lê e comenta um jantar confidencial --no qual parece que ele esteve presente--, de janeiro de 1995, a respeito da preservação e decadência do Reino de Maria:


O Reino de Maria só existirá se houver gente com muito fervor, e fervor sempre crescente, porque o fervor que não cresce é como a vista de um homem que está ficando cego.

Pode ser que ele ainda veja alguma coisa, mas está ficando cego. (...) o problema está no centro da questão da TFP. Quer dizer, você tendo fervorosos é uma coisa inegável que o fervor toma conta do resto. (...) Mas se o fervor de uns certos fervorosos, que você poderia chamar de predestinados (1), decair, não há o que conserte. (...) De maneira que tem o seguinte: se umas tantas almas que devem espelhar tudo, não se expuserem a toda a espécie de coisas, não há arranjo para nada, está tudo perdido.

Enfim, se nós acreditamos e defendemos com a efusão do nosso próprio sangue se for necessário a teoria da desigualdade, se nós defendemos, portanto, as teses do Sr. Dr. Plinio sobre hierarquia (2), se a "RCR" é o nosso livro de cabeceira, (...), se nós defendemos a teoria da desigualdade, é claro que umas almas são chamadas mais do que outras. Há algumas almas, como ele diz aqui, que são chamadas a espelhar tudo. (...) Esses [que] são os que devem espelhar tudo, se não se expuserem a toda a espécie de coisas, ou seja, se não estiverem dispostos a todo o ato de generosidade, a todo o ato de apostolado, a todo o ato de submissão, a toda a humilhação, a isto, aquilo e aquilo outro, não há arranjo para nada, está tudo perdido. Eles devem estar dispostos a todo o arrojo, a todo o recuo, a toda a humilhação, a tudo o que for (3).

Se não houver isso, senão houver almas assim, o senhor tem uma massa e a massa o senhor não toca adiante. (...)


(Aparte: Muito bom. Isso é uma explicação de ouro realmente.)


E cabe a nós, ouviu?

Cabe a nós. Nós temos de ter esse fervor, porque caso contrário não tem Reino de Maria (4).É o que o Sr. Dr. Plinio diz aqui, que sem esse fervor não há Reino de Maria.O Reino de Maria não é dizer acaba com a imprensa, acaba com a mídia, acaba com o rádio, acaba com não sei quanto. O Reino de Maria é fervor cada vez mais, cada vez mais.


(...)


[Imagine] que na TFP houvesse um núcleo de duzentos que incessantemente se santificassem, como é que a história estava?

(Aparte: O senhor teria muito menos preocupações.)

Nem tem comparação, não é?

(Sr. -: Tal qual. E o curioso que isso alguns mais chamados, que o senhor dizia, por assim dizer, predestinados, e, às vezes, pode depender de um ou de outro, assim... que a coisa pode cair.)


Inteira.

(Sr. -: Tremendo isso.)

Mas tem o seguinte, se por exemplo, você está num circuito assim. Bom, pode ser que entre nós haja uma relação espiritual pela qual um decaindo, os outros três comecem a decair.

Mas, se um disser: "Ainda que eu fique só, eu continuarei a me santificar", pode reerguer os outros.


Quando JC terminou de ler esse jantar, passou a comentar o seguinte trecho de um MNF de março de 1995:


O sofrimento, quando bem aceito, é um turíbulo que incensa os pés de Nossa Senhora em todos os minutos de minha existência.

Este sofrimento é gratíssimo a Ela. Ela sorri do alto dos céus e ele é mais útil na ordem da comunhão dos santos do que tudo quanto eu digo ou faço.


Essa compenetração nós precisamos ter. Quando nós sofrermos, nós fazemos mais do que se nós tivéssemos montado uma empresa magnífica de apostolado ou se nós estivéssemos fazendo conferências brilhantíssimas. O sofrimento é mais do que tudo isso.


O padecimento tem papel prioritário e tem bom odor quando bem consentido. Só a lógica, boas maneiras, retórica não adianta. Quem maneja a dor, maneja o verdadeiro timão da História, o resto é conversa.

A eficácia apostólica é sofrer. Esse ponto jamais se encarecerá suficientemente. A moeda de ouro é a oração e o sofrimento.

Trabalhar, muitos trabalham; rezar, poucos rezam; sofrer, ninguém quer.

É muito bonito. Eu me lembrava do texto. Senhores, nós tivemos uma reunião muito sui generis, (...): fervor e dor.Alguém faz um gesto aqui, o Sr. Borsato, como se fosse um arco gótico. Exatamente, fervor de um lado, dor de outro. São as duas hastes, as duas vertentes de um arco gótico. Eles se encontram, eles se unem.

É o fervor misturado com a dor que levam a causa católica para a frente, que levam a TFP para a frente (5). Portanto, saibamos sofrer como ele, saibamos ter entusiasmo como ele.

Ele aos oitenta e seis anos era entusiasmado, ele aos dois anos de idade já era um sofredor. Então saibamos ser sofredores, saibamos ser entusiasmados. Entusiasmo e dor, dor e entusiasmo (6).


Comentários:

  1. JC é tido e se apresenta a si mesmo como fervoroso predestinado. Assim sendo, e considerando que, segundo JC afirma, Dr. Plinio não dá ponto sem nó, pergunta-se se as palavras de Dr. Plinio emitidas neste jantar não foram especificamente dirigidas a ele.

  2. No entanto, no processo judicial aberto por JC e seus correligionários contra a TFP, eles atacam a estrutura hierárquica do Estatuto da TFP, em nome do princípio da igualdade.

  3. Mas tendo que optar entre ser submisso e obediente às autoridades da TFP, ou revoltar-se, JC bradou “não servirei!” e começou a destruir abertamente a obra de Dr. Plinio.

  4. JC está perfeitamente consciente da gravidade da prevaricação de um fervoroso predestinado.

  5. JC reconhece que para tocar o apostolado existem duas vias: a “minor” --conferências brilhantes, apresentações musicais muito aplaudidas, etc.--, e a “mayor” –através da dor. Esta última é muito mais útil, muito mais eficaz, coloca nas mãos da alma sofredora o timão da História, etc. Mas optou pela via “minor”. Logo, o que no fundo move a JC a proceder como está procedendo, não é o zelo pela glória de Deus.

A respeito das vias “minor” e “mayor” do sofrimento, há também as seguintes palavras de JC numa reunião na Saúde de 15/4/97:

Cada um de nós, quando tem debaixo de si outras almas, quando é responsável por outras almas, tem de sofrer, não tem conversa. E tem de sofrer bastante. Há uma espécie de roldana de sofrimento. À medida que a gente vai participando da vocação dele para sustentar outros, tem que sofrer. Porque é ilusão -- não estou vendo o Sr. Auro aqui, porque eu queria que o Sr. Auro puxasse a orelhas dos apóstolos todos daqui -- o apóstolo julgar que ele leva adiante os outros à base de truques e à base de jeitinhos, e à base de conferenciazinhas. Mentira!

Um apóstolo leva um grupo adiante quando sofre; quando ele não sofre, o grupo pode até crescer, mas cresce pecamente. Fica um fruto peco. Nasce na árvore uma série de flores, a gente olha para as flores todas e pensa que vai dar frutos extraordinários: quando as flores morrem, saem uns frutos todos pecos.

Então, o grupo pode até adquirir elementos. Pode passar de vinte elementos para trinta, para cinqüenta... A gente olha, é uma penca de frutos pecos. Enquanto que o apóstolo que sofre, pode ser que o grupo até nem cresça. Mas ele sofre, sofre, sofre... Quando chega um determinado momento, aquilo é uma explosão de gente, e tudo gente de qualidade.

  1. Mas JC imita a Dr. Plinio no entusiasmo e no sofrimento?


*


Reunião para CCEE, 17/3/96:


(Aparte: A questão do Sr. Dr. Plinio, o corpo dele. Como nós devemos esperar? Eu, por exemplo, dentro de mim acredito que ele está... O que o senhor tem a dizer?)


Eu já tenho as instruções dadas por ele aqui a respeito da Sra. Da. Lucilia. Eu espero tal qual o senhor espera, mas estou disposto a tudo. Porque se é para haver algum fenômeno extraordinário qualquer, eu me pergunto às vezes se não é mais potente ser feito com puros ossos do que com o corpo incorrupto. Não sei.

Eu confesso para o senhor que tenho todas as esperanças e todas as conformidades. Depois de tudo o que já passei eu já estou pronto para tudo. O que eu tenho certeza absoluta é de que ele é vencedor, de que as vozes não mentiram, de que ele não mentiu. Isso eu tenho certeza. [Aplausos.]





E. No tocante ao relacionamento entre os membros do Grupo


Nosso trato deveria ser semelhante ao das Pessoas da Santíssima Trindade - "Jour-le-jour" 1/6/97 - JC comenta um EVP sobre a Cavalaria:


Continua [Dr. Plinio] a discorrer sobre o trato e vai fazer uma afirmação ousadíssima a respeito de como deveria ser o trato entre nós. Os senhores estão imaginando um trato mais cordial, mais cheio de benquerença, mais cheio de algumas fórmulas. Os senhores vão ver o padrão de trato que ele tem para nós. (...)

(...) [Quando dois membros do Grupo] se encontram é uma graça de Deus que encontra outra, e é algo remotamente como o Convívio de duas Pessoas da Santíssima Trindade.


Quer dizer, o encontro entre nós deveria ser como o encontrarem-se duas Pessoas da Santíssima Trindade.

É até lá que nós deveríamos chegar habitualmente. E nós deveríamos nos ajudar mutuamente a chegar habitualmente até lá. (...)

Pois é, e muitas vezes -- isso é que é mais terrível -- muitas vezes o indivíduo dentro da TFP, tem essa sensação a respeito da TFP. Em um ponto ou outro a TFP dá uma nota muito alta, em um ponto ou outro, ela dá uma nota muito baixa. E como a nota muito baixa ele olha, e não acha que é repreendida por ninguém, ele tem a impressão que é inerente à TFP ter essas notas baixas.

Vem aí, ainda que o sujeito não queira, um baque na Vocação.

Isto para nós é uma advertência, isto para nós é um convite. Porque se nós olharmos este aspecto baixo, aquele outro aspecto baixo, aquele outro aspecto baixo, julgarmos que isto não tem a recusa de ninguém, e sobretudo analisarmos a TFP só por aquilo que eu vejo debaixo, eu tenho um baque na minha vocação, o meu thau se encolhe e eu fico reduzido ao tamanho de mim mesmo, que é a estatura menor que eu poderia encontrar na face da terra. Sou eu. É tremendo isso.

Saibamos olhar a TFP, saibamos olhar a obra dele, saibamos olhar o conjunto de todas as coisas dele segundo os olhos dele. (...) Ele fixava os olhos nos aspectos onde a graça de Deus iluminava, a graça de Deus tornava mais atraente, tornava mais grandioso, e não ficava o dia inteiro como um ranheta: "Está vendo, tem tal coisa assim e assim. Olhe aquele outro lá que fez aquilo lá. Aquilo lá também está errado".

Puxa, daria vontade de fazer um convento dos ranhetas. Enfia lá dentro e vai chorar a sua amargura e a sua miséria.


(Aparte: [Inaudível].)

É, no fundo, um encanto pelas coisas do mundo. O sujeito está sonhando com um certo anel no dedo, está sonhando com uma carreira fora, está sonhando com um diploma, está sonhando com dinheiro. Ou, então, o que é pior do que tudo isso, pior do que tudo isso: inveja. Olhou para um outro, o outro fez mais do que ele, então ele diz: "Por que é que eu não fiz", e aí começa.

Não há pecado que atraia mais a possessão diabólica do que a inveja. Não sou eu quem digo isso, quem diz isso são exorcistas, são teólogos. A inveja é uma coisa tremenda, Deus nos livre da inveja. Nós não queremos nenhum outro defeito, evidentemente, mas sobretudo a inveja.


Porque, ou a TFP, no que ela tem de oficial, é uma recusa completa e contínua dessas notas, ou nada feito.Os senhores notem aquele celebrante que vimos, com aquela sandália, e aquela juba, todo faceiro. O misto de faceirice com relaxamento dá um fétido que destoa do que nós quereríamos dele, que é que ele ali não visse esta uma pessoinha -- um tal X, nascido não sei onde -- mas que está, pelo contrário, o Sacerdote de Nosso Senhor Jesus Cristo, e presente na pessoa do Sacerdote o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Ver isso nele!

Agora, muitas vezes, nós fazemos umas "faceirices". E eu creio que isto nos corta o coração a todos nós, hein?

Nós somos como pessoas que passam o punhal uns nos outros involuntariamente nesse ponto.

(...) cada um dos senhores têm o seu carisma. Terá conhecimento dele? Saberá bem seu próprio lado profético? A atração que os senhores têm por mim é a atração de um carisma menor para um maior. É mais ou menos como o filho se apoia no pai, ou alguém que procura sua própria plenitude.

Os senhores se respeitam neste grau? Os senhores se têm nesta conta? Então, o que fazer?


Nós temos esse trato entre nós? Nós nos temos nessa conta?

JC procede conforme o que prega, por exemplo em relação aos Provectos e aos que não o adoramos?


*


Nós deveríamos ter para conosco um trato todo especial, porque nós somos pessoas sagradas - “Jour-le-jour” 18/12/96 - JC lê e comenta palavras de Dr. Plinio emitidas num EVP do ano 72:


(...) nós deveríamos adquirir um grande respeito pela sacralidade nossa, uma grande admiração. Compreender bem, admirar bem, respeitar profundamente essa sacralidade. E ter a alegria de possuí-la, porque é um traço de união entre nós e Deus.

Como, por exemplo, D. Bertrand deve ter a alegria sacral de ser príncipe, porque é, a seu título, um outro vínculo com Deus Nosso Senhor, e a esse título a gente deve amar, deve respeitar. Nós deveríamos ter a alegria dessa sacralidade e deveríamos nos tratar como pessoas sacrais se tratam. Não é só pessoas com espírito sacral, mas pessoas que se sabem sagradas. (...)


(...) esta é a noção que nós deveríamos guardar a nosso próprio respeito. Portanto, nós deveríamos ter para conosco um trato todo especial, porque nós somos pessoas sagradas. Sagradas por causa do fim que é um fim altissimamente sagrado e por causa do holocausto de nossas vidas.

Tratando-nos a nós mesmos com muita sacralidade, nós deveríamos ainda com mais respeito, com mais veneração, com mais admiração, com mais amor, com mais afeto, com mais empenho, com mais benquerença tratar os outros.

-- Mas fulano tem o nariz torto.

-- Tenha o nariz torto, tenha a orelha caída, tenha a orelha em pé, isso pouco me importa, ele é uma pessoa sagrada, não me interessa.

-- Mas ele me fez tal coisa, porque ele disse tal horror a meu respeito, porque ele me caluniou.

-- Não me interessa. Ele é um filho do Sr. Dr. Plinio, ele é um neocruzado, um supercruzado, ele é um membro da TFP? Ah, é sagrado. Então eu passo por cima de qualquer coisa e estou disposto a qualquer coisa porque ele é uma pessoa sagrada.

Isso daria entre nós um trato arquiluciliano. Para dizer numa palavra só, o trato entre nós seria pliniano, porque o Sr. Dr. Plinio nos tratou sempre assim a cada um de nós.


(...) Não se trata de um valor moral que foi posto em nós, mas trata-se de uma condição jurídica, de uma categoria jurídica que foi posta em nós, e categoria essa que nos sacraliza. Independente dos valores morais,...


Quer dizer, ainda que o sujeito seja virtuosíssimo ou seja um sujeito carregado de defeitos, não importa. Pode ter defeitos, não importa.


(...)


Eu não posso ler o que está escrito aqui, infelizmente. Quase que eu leio. Mas eu dou a idéia do texto.

O Sr. Dr. Plinio diz o seguinte: que seria normal que entre nós houvesse uma tal sacralidade de trato, que pelo menos duas pessoas de condições sociais diferentes, uma inferior e outra superior, chegassem e se tratassem com um respeito ainda mais entranhado. Porque ainda há outro elemento: a Revolução penetrou tanto em nossas almas, que se não fosse a força dele, Sr. Dr. Plinio, sobre nós para que haja entre nós esse trato respeitoso, isso não se daria.


*


Nossa benquerença tem que ser luciliana - “Jour-le-jour” 9/2/97:


Aqui está um almoço de sábado de 1983 - faz tempo -, de 5 de fevereiro. Portanto, nós estamos até no mês em que isto se deu. (...)


(...) a Revolução deu a entender que essas virtudes eram incompatíveis com as virtudes específicas da Contra-Revolução.

Quer dizer, uma vez que se é contra-revolucionário não se pode ser bondoso, não se pode ser afetuoso, não se pode ter meiguice para com os outros, nada. Tem que ser carrancudo e viver de chibata na mão.


Aqui pega o carro. Quer dizer, portanto, o ser a favor de uma regra, de uma ordem, de uma lei, de uma hierarquia, de uma desigualdade bem ordenada, isto era contrário à bondade, à ternura etc., etc., etc. Aliás, isso se hipertrofiou. Vocês encontram uma manifestação dessas hoje. Há uma palavra especial para designar o sujeito que é muito coerente. Parece que dizem que é duração, um qualificativo de gíria.


(Dr. Eduardo: Quadrado.)


Quadrado. O sujeito quadrado - noutro sentido que não o usado por nós - quer dizer, no fundo, um sujeito cheio de ângulos, de arestas. É todo sujeito que é a favor de uma lei, de um princípio. E não se pode ser quadrado. Donde é que vem isso?

Vem dessa idéia mais remota de que todo mundo que é a favor de uma regra, de uma ordem, de uma lei, de uma hierarquia, de uma autoridade, este não é bom, este é ruim.

Agora, ela [NB: a SDL} (...) tinha em grau eminente, mas de ligar isso a uma alta - se se pudesse dizer assim - dosagem, a uma alta perfeição das qualidade que se diz que o quadrado não tem. Isso então desmente essa versão da Revolução.


Porque ela era muito a favor à lei, muito a favor da autoridade, muito a favor da hierarquia, muito a favor dos princípios bem observados, e entretanto era cheia de bondade. Então este mito revolucionário, essa máfia revolucionária, essa compreensão errada que a Revolução põe na cabeça das pessoas caía por terra no modo de ser dela.


(...)


Eu sei que isto vai agradando, e agrada a todos. (...) É verdade, mas vejam bem: isto o modelo para nós. Não para ser usado com a Revolução, evidentemente. Com a Revolução é chicote na mão mesmo, e outras coisas mais, [outros] acessórios. Com a Revolução é trato duro mesmo, não tem a menor dúvida, mas entre nós o trato deveria ser esse. Amor pela grandeza, amor pela monumentalidade, amor pelo princípio da autoridade, amor pela hierarquia, amor pela ordem, amor pela disciplina. Enfim, o trato entre nós deve ser todo ele pervadido, todo ele embebido de bondade. Quer dizer, nossa benquerença tem que ser luciliana.

(...) O trato entre os senhores têm que ser como a Sra. Da. Lucilia trataria a cada um. (...)

Os senhores têm aquele célebre trecho que o Sr. Andreas carrega no bolso, deve ter ele no bolso, de São Julião Eymard sobre o entusiasmo. (...) São Julião Eymard diz o seguinte:


Nosso Senhor quer estabelecer em nós um amor apaixonado por Ele.


Mas esse amor apaixonado por Nosso Senhor comporta um amor apaixonado por Nosso Senhor e pelo fundador na alma de todos. Quer dizer, eu tenho sede. Eu olho para um outro, seja ele quem for, tendo thau, sendo filho do Sr. Dr. Plinio, eu quero tudo para ele, eu quero tudo (...) eu fico encantado por ele, eu tenho vontade de fazer bem à alma dele!

Essa sede de alma está dentro disto aqui.


Nosso Senhor quer estabelecer em nós um amor apaixonado por Ele. Toda virtude, todo pensamento que não termina numa paixão, que não acaba por tornar-se uma paixão, nada de grande produzirá jamais.


Nosso amor pelos outros tem que terminar numa paixão, tem que terminar num desejo, numa espécie de entusiasmo, de querer fazer bem pelo outro.


O amor só triunfa quando é em nós uma paixão vital.


Paixão vital aqui é paixão com vida.


Sem isso podem produzir-se atos isolados de amor, mais ou menos freqüentes. A vida não é tomada, não é nada.

Nosso amor para ser uma paixão deve sofrer as leis das paixões humanas. Falo das paixões honestas, naturalmente, boas, pois as paixões são indiferentes em si mesmas.

Nós as tornarmos más quando as dirigimos para o mal, mas só de nós depende utilizá-las para o bem.

Ora, a paixão que domina o homem concentra-o. Tal homem quer chegar a uma determina posição honrosa e elevada; só para isso trabalhará dez, vinte anos, não importa: "Chegarei", diz ele. Faz unidade, tudo se acha reduzido a servir esse pensamento, esse desejo, deixa de lado tudo quanto não o conduzir a seu objetivo.

Eis como se chega no mundo ao que se deseja. Essas paixões podem tornar-se más e aí muitas vezes não são mais do que um crime contínuo. Mas, enfim, podem ser e são ainda honoríficas.

Sem uma paixão nada se alcança. A vida carece de objetivo, arrasta-se uma vida inútil.


Quem não tem esse ardor, tem uma vida inútil, [diz] São Pedro Julião Eymard. Inútil! Quem não tem paixão e quem não tem desejo de levar os outros à perfeição é um inútil, não vale para nada.


Pois bem, na ordem da salvação é preciso ter também uma paixão que nos domine a vida e faça produzir, para glória de Deus, todos os frutos que o Senhor espera. Amais tal virtude, tal verdade, tal ministério apaixonadamente,...


(...) Está de acordo isto?


(Todos: Sim.)


Não tem ninguém que objeta, não é? Então tem que pôr em prática. Se ninguém objeta, se todo o mundo admitiu, isto tem de ser posto em prática.

- Ah, mas Fulano de Tal me fez isto, me fez aquilo, foi uma injustiça, porque não sei quanto...!

Tudo perdoado. Porque qualquer injustiça que se fizesse à Sra. Da. Lucilia, depois de tê-la praticada se se chegasse a ela e pedisse perdão, pronto, está tudo resolvido. Já está perdoado ante de cometer a falta.


JC retoma a leitura do texto do almoço:


(...) Como o imperador era um paradigma da bondade. Todos os grandes homens e grandes damas eram bons. Porque ainda vinha da idéia do Ancien Régime, de que as maneiras nobres faziam parte da doucer de vivre.

Isto deve ser objeto de encanto para nós, mas isto deve ser objeto de imitação para nós. O trato entre nós deve ser mais requintado, mais ainda suave, mais ainda elevado, mais nobre do que o trato do Ancien Régime.

Só um pouquinho de gente disse "nossa!".

Tem que ser, porque senão não sai Reino de Maria!

Os senhores dirão:

- Não, vamos ficar assim na base do pontapé um no outro até a hora do Grand-Retour. Quando vier o Grand-Retour, aí já veio tudo junto.

Tem que começar de agora, porque assim quando vier o Grand-Retour, o Grand-Retour sublima algo que já existe.


[Aparte, durante a reunião do "jour-le-jour" ....]


Mas é um, é outro, é outro, cada um de nós tem um reflexo, guarda um reflexo do que ele, Sr. Dr. Plinio, é. Nós somos, portanto, espelhinhos que refletem um aspecto qualquer da alma do Sr. Dr. Plinio.

Nós deveríamos ter entre nós este amor de uns pelos outros que fosse o que o senhor diz, um amor, na vida de todos os dias, entusiasmado. Se se trata de um superior dentro de um setor, esse superior deve amar os seus inferiores com este entusiasmo. Se nós somos inferiores em relação aos superiores, devemos amar os superiores com esse entusiasmo.

Nosso Senhor diz: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". Mas Ele mesmo diz: "Eu vim trazer à terra o fogo e que hei-de querer senão que arda?". E diz também: "Eu vim separar o filho do pai, a filha da mãe", etc.

De maneira que também acontece às vezes que a gente nota num superior ou nota num inferior um aspecto que não é do Sr. Dr. Plinio. Aí, portas fechadas. Mas não que o trato deva ser um trato de violência, um trato de brutalidade. Trato de brutalidade entre nós nunca, em hipótese alguma. A brutalidade não deve ter cidadania entre nós, a brutalidade é um pecado entre nós. Nós devemos nos tratar segundo o modelo máximo de trato que nós tivemos entre nós, que é o Sr. Dr. Plinio.

O Sr. Dr. Plinio como é que nos tratava? Nos tratava como se nós estivéssemos no auge de nossa perfeição.


Depois JC passa a ler um jantar do dia 5/9/87, feito no êremo de São Bento:


E você vendo todas as fotografias, sem nenhuma exceção, você vê uma pessoa com a alma imersa nessa clave.


Constantemente o que havia na Sra. Da. Lucilia era isso: ela tratava com as pessoas como se as pessoas estivessem sendo tocadas por Deus. Esse deve ser o nosso trato entre nós e isso é que nos leva à santidade na vida comum de todos os dias. Não sei se está claro.


(Todos: Claríssimo.)


O que eu tenho impressão de que seja um modo de fazer continuamente oração.


O fato de ela estar constantemente nessa clave, ela estava em estado de oração permanente. E é o que nós precisamos ter no trato entre nós: uma tal consideração pelo outro como se o outro estivesse sendo tocado por Deus. Esse trato acaba trazendo, como conseqüência, que nós entramos em estado de oração. Não sei se está claro isso.


(Todos: Sim.)


(...)


O trato dela, Sra. Da. Lucilia, era como se Deus estivesse presente na alma dela e estivesse presente na alma do outro. Era preciso, então, Deus que estava na alma dela tratar a bem a Deus que estava na alma do outro. Está claro isso?


(Todos: Sim.)


E esse deve ser nosso trato.


Quer dizer, essa perfeição desse gênero de amizade existe quando duas almas sentem reciprocamente Deus uma na outra. Aí está a perfeição. E isso é que propriamente realiza a perfeição da vida de família. Mas precisa bem entender, da vida de família profundamente católica. E enquanto profundamente católica, voltada sempre a ver por detrás das coisas como seriam elas se Deus as tivesse tocado naquele momento. Que é o que nós propriamente chamamos o senso do sublime, o senso do sobrenatural, etc., etc., é isso.


(...)


De que adianta nós considerarmos a bondade da Sra. Da. Lucilia como um exemplo em tese, como um exemplo posto na vida de quem a conheceu, ou então de quem não a conheceu, mas que, pelo contrário, acaba tomando contato com a história dela e nessa intimidade da história acaba se encantando? Mas fica só nesse encanto, depois volta à vida comum, e nessa vida comum começam os choques, começam os atritos e começam os maus tratos?

Não, vendo um exemplo de santidade, nós somos obrigados, primeiro, a nos encantar, é verdade, não há dúvida que nós precisamos de ter esse encanto, mas, em segundo lugar, nós precisamos fazer com que este objeto do nosso encanto passe a ser vida em nós. Aí nós nos santificamos.

Então nós saírmos desse JxJ de domingo com a convicção de que o trato entre nós deve subir de nível. Deve sair do nível comum que nós tínhamos até o presente momento e passar para um nível que é bem mais elevado e que se chama luciliano e pliniano. Nesse trato luciliano e pliniano, nós devemos nos ver com outros olhos, nós devemos nos analisar com outros olhos, e devemos, portanto, nos relacionar também numa outra clave.

Se isto acontecer, nós estamos como que antecedendo o Grand-Retour. O dia do Grand-Retour fica antecipado por nós, porque nós resolvemos tomar como modelo de nosso trato ao Sr. Dr. Plinio e à Sra. Da. Lucilia.

A partir daí, então, nossa benquerença para com os outros terá crescido. Tendo crescido, nós subimos na santidade e estamos mais próximos daquele modelo ideal para o qual nós fomos criados.

Aí nós vamos ter aquilo que era a felicidade luciliana, vamos ter a felicidade pliniana de viver. A vida toma outra perspectiva, nós acabamos sentido num fundo de nossas almas uma alegria, um bem estar que são alegria e bem-estar lucilianos e plinianos. Nós com isso tornamos mais presentes o Sr. Dr. Plinio e a Sra. Da. Lucilia entre nós.

Para isso nós nascemos!

Mais vale a vida interna que nós levamos, a vida de Grupo, do que as campanhas que nós fazemos.

Alguém dirá: - Não, nossa missão é missão pública.

Sim, mas nós só levaremos ao público aquilo que é a vida que nós temos. Se nós não somos puros, como é que queremos purificar? Não dá para purificar! E se nós não temos esse trato entre nós, como é que nós queremos mudar a opinião pública para que ela seja segundo Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Nossa Senhora, segundo nossos fundadores? É impossível!

Então mudemos nosso trato internamente, que depois isto se espalhará para o mundo fora.


*


Devemos estimar todos os filhos de Dr. Plinio como se fossem relíquias dele - Reunião na Saúde, 21/5/96:


Se eu estimo um pedaço do paletó de [Dr. Plinio], mais ainda devo estimar um filho dele, [Exclamações], então como todos são filhos eu devo ter uma estima por todos tão grande quanto eu tenho por uma relíquia que eu carrego no bolso, está claro ou não?

Então eu amando os outros todos, eu nesses outros quando eu amo, quando eu estimo, eu no fundo o que eu estou estimando, eu estou amando é o fundador.


*


Devemos estar dispostos a dar a vida pelo outro, seja ele quem for - Reunião do 26/4/97, realizada na Espanha:


Eu julgo que [o] apoio colateral é indispensável para nós mesmos no que diz respeito a nós nos sentirmos filhos de um mesmo pai, mas no conjunto nós nos sentirmos irmãos, defensores de uma mesma causa, e portanto vivendo nós em conjunto.

Este apoio colateral é mais difícil quanto mais vai diminuindo o número do conjunto. Quando chega a dois é mais difícil do que três, e quando chega a um é mais difícil do que dois.

É preciso que quando sejam dois, quando sejam três, quando sejam seis, quando sejam dez que uns tenham essa preocupação de fundo de alma de ser outro Plinio para o outro. Então ter pelo outro um zelo, um amor, um desejo de fazer bem, um desejo de penetrar na alma dele com bondades, um desejo de querer fazer com que aquele se torne mais ainda filho do Sr. Dr. Plinio, um desejo de fazer com que aquele se torne mais santo, mais perfeito, mais escravo, mais servidor. Esse desejo deve existir no fundo das nossas almas a respeito de cada um.

Nós deveríamos, justamente, nos tratar assim, com essa benquerença tão grande, mas tão grande, que quase que a gente não sentisse que há defeitos dentro do Grupo.

Frase de Paul Bourget -- infelizmente eu não a sei de cor, eu não a guardei em francês, eu lhes digo em português o sentido da frase: "Quando começou-se a prestar atenção mais nos defeitos das pessoas que pertencem a uma instituição, já se deixou de amar a causa".

E nós podemos, sem ser Paul Bourget, inverter a frase: "Quando se faz um esforço cada vez mais crescente de prestar atenção no thau, nas qualidades, nas virtudes, nos reflexos do Sr. Dr. Plinio que existe nas almas dos outros, é porque se começou um caminho de entusiasmo pela causa". [Aplausos]

De maneira que, então, este apoio colateral é indispensável, mas dentro desse espírito que é tão bem-visto pelos pagãos dos primeiros tempos quando contemplavam os Apóstolos, quando contemplavam os discípulos, as Santas Mulheres e tudo o mais, os cristãos. Eles, pagãos, olhando para os seguidores do Deus que morreu na cruz e ressuscitou, eles diziam: "Vejam como eles se amam".

Este amor é que é preciso existir entre nós. Um amor tal que cada um esteja disposto a dar sua vida pelo outro, seja o outro quem for. Este é o amor que nos entranha, este é o amor que nos imbrica, este é o amor que nos leva adiante.


Para ter uma idéia da autenticidade com que JC fala, ver os telefonemas dados por JC ao Sr. Luiz Antônio Fragelli e ao Sr. Fernando Antúnez, de outubro de 1996 (Capítulo 18).


*


Nosso Pai e Fundador queria um profundo respeito de uns pelos outros - Congresso de neo-cooperadores, 20/2/96:


Um grande desejo de nosso Pai e Fundador [era] de sacralizar a ordem temporal. Porque ele quereria uma ordem temporal toda ela feita de respeito e profundo respeito de uns pelos outros.


*


Devemos nos tratar uns aos outros olhando para a legenda que há em cada um - “Jour-le-jour” 7/1/96:


Nós devemos nos tratar uns aos outros olhando para a legenda que há em cada um, e considerando a cada um na sua legenda. Porque essa legenda é um reflexo de Deus criado naquele ponto para me dar uma idéia de Deus reluzente naquele ponto. (...) Daí o importante que é de a gente não estar se roçando com este ou com aquele durante o dia na vida do Grupo, ainda mais num grupo pequeno como nós. Não podemos estar prestando atenção nesse aspecto errado, porque fulano errou assim, o outro errou. Fica com uma espécie de visão ácida, acre deste ou daquele. Nós com isso destruímos a legenda e perdemos o principal.


*


Não sejamos Satanás entre nós, divisão nenhuma - “Jour-le-jour” 13/1/96, texto 744:


Então, todos se respeitem mutuamente, porque antes de tudo vale a palavra de nosso Pai e Senhor do dia 19/8/1995, em que ele dizia: “Terminada esta reunião, o que fará o demônio? Já a partir do momento em que cruzem estes portais aqui, estará o demônio atrás de cada um querendo produzir divisões internas”.

Não sejamos Satanás entre nós, divisão nenhuma.

- E tal coisa que foi feita?

- Escute, o senhor não entendeu? O senhor tem todo o direito de não entender, o que o senhor não tem direito é de falar.

- Mas, espere, eu sou obrigado a pôr minha opinião.

- O senhor põe a sua opinião com todo o respeito, porque se o senhor não puser com todo o respeito, o senhor está indo contra a última vontade expressa de nosso Pai e Fundador.

- Espere um pouco. Então todos vão ser obrigados a pensar do mesmo jeito?

- Pense como o senhor quiser, mas sobretudo pense de acordo como o Sr. Dr. Plinio queria. Ele queria, deve continuar.

- Espere um pouco. E Fulano de Tal?

- Escute, como é que o Sr. Dr. Plinio tratava Fulano de Tal?

- Bem... ele tratava assim, não é?

- O senhor tem que tratar também. O senhor tem que continuar a obra de nosso Pai e Fundador.


*


Como proceder quando a gente é objeto de perseguição, injustiça e brutalidade? - Reunião para os veteranos, 16/4/96 - JC lê e comenta as seguintes palavras emitidas por Dr. Plinio em 16/3/80:


Há certas pessoas que parecem ser fadadas pela Providência receber toda espécie de ingratidão possível e toda espécie de injustiça possível. Mamãe foi excelsamente assim. E as circunstâncias parecem demonstrar que algo disto devo fazer também, isto é, levar por submissão a vontade de Deus e por amor a Ele a condescendência para com os outros a tal ponto, que a gente diz o seguinte: "Bem, tudo isso eu aceito sem discutir e levo o meu afeto por eles até o último ponto. Se eu for tratado por eles com injustiça e maldade, tratá-los-ei com lealdade e bondade."

Isso corresponde àquela palavra de Nosso Senhor que está no Evangelho e que me arrepia e me produz uma impressão de alma profunda, cada vez que eu me lembro dela: "Como Ele quisesse bem aos seus, amou-os até o fim." Querer bem aos outros por amor de Deus é levar até este ponto.

Nosso Senhor deitou o olhar misericordioso sobre São Pedro, depois de ser traído por São João deu-lhe sua Mãe de presente. Se não for até este ponto não cumprimos nossa vocação até o fim.


Isso é um modelo para nós! Ou seja, eu devo querer bem aos outros ainda quando os outros internamente me façam mal. E eu devo querê-los até o fim. Quando eu for objeto de uma injustiça, de uma perseguição, de uma brutalidade, ou o que seja da parte dos outros, o que eu devo fazer é amar a eles como se eles tivessem me dado o maior presente do mundo. Porque este é o exemplo, o modelo dado por ele e dado por ela.

Esta é a característica essencial do Reino de Maria, hein!

(...)


(Aparte do Sr. Leonardo Mourão, durante o "jour-le-jour": Sr. João, esse texto que o sr. está lendo da bondade da Senhora Dona Lucilia, a gente vê que é literalmente a santidade, não é?)


Ah, não tem dúvida!

(Aparte do Sr. Leonardo Mourão, durante o "jour-le-jour": Fazer o bem pelo bem e querer tão bem as pessoas mesmo que elas sejam ingratas, é uma coisa impressionante. Se não for santo...)

Ah, se não for santo não sai, isso não sai! Isso por dom natural, jamais! Porque o sujeito chega numa certa hora que tem o amor-próprio que pula. Mas nela nunca.





F. No tocante a Dom Bertrand


Jour-le-jour” 15/1/97:


Eu vi uma vez num auditório... Não vou dizer quais são as pessoas, eu posso dizer apenas de D. Bertrand, dos dois outros anteriores não vou dizer porque fica meio depreciativo.D. Bertrand estava dando uma explicação qualquer no Auditório São Milas ainda. Estava dando uma explicação para o Sr. Dr. Plinio, e o Sr. Dr. Plinio então quis fazer um gesto de consideração para com D. Bertrand. O encanto que ele tem pelo principado, o encanto que ele tem pela monarquia, então ele quis manifestar uma atitude qualquer por onde deixava claro o amor, o empenho que ele tem em ressaltar a figura de um príncipe.

Ele disse:

-- Mas D. Bertrand precisaria de uma vara para poder explicar com mais facilidade. Ninguém conseguiria aí uma vara para D. Bertrand?

Então veio um trazendo uma vara de lá de fora, um bastão. Essa vara ele veio trazendo de uma forma meio grotesca, passou para um segundo que era menos grotesco do que ele e a vara quase que mudou de configuração na mão do segundo. Quando a vara passou para as mãos de D. Bertrand parecia um condão de anjo, porque D. Bertrand pegava aquilo com tanta categoria, com tanta “aisance”, com tantos dons que são próprios ao principado, que a vara parecia de marfim nas mãos dele.

Então primeiro vem um pedaço de pau que passou a ser um bastão e depois virou uma vara de marfim nas mãos de D. Bertrand.

O senhor me pergunta:

-- Por que é que a vara mudou? É a mesma, mas a vara adquiriu algo que ela não tinha. Nas mãos do primeiro era um pedaço de pau, nas mãos do segundo passou a ser um bastão, nas mãos do terceiro -- é um príncipe -- passou a ser um condão de marfim.


Mas por debaixo do pano JC fala pestes de Dom Bertrand.





G. No tocante aos Diretores da TFP Brasileira


1. Retos, dignos, nobres; herdeiros de Dr. Plinio; o espírito de Dr. Plinio os assiste; relíquias vivas de Dr. Plinio; pessoas de muito valor e de muita categoria


Carta de JC a Dr. Eduardo, 1/3/96:


[Os Provectos são] retos, dignos e nobres, com os quais o entender-se é fácil e simples como o tomar-se um copo de água fresca e cristalina.


No libelo "Quia nominor provectus", Ramón León, o conhecido subordinado de JC, propaga que os Provectos não são nem retos, nem dignos, mas nobres decadentes e tiranos.


*


No "jour-le-jour" de 18/6/96, depois de ter sido lido o manifesto “O Brasil na iminência de uma convulsão social” --em cuja elaboração os Provectos tiveram um papel saliente--, JC disse:


Quem não reconhece nisto o espírito do Senhor Doutor Plinio?

Quem é que atira uma pedra dizendo: "Não, isso não é de acordo com o espírito do Senhor Doutor Plinio."

Está inteiramente como deveria ser. Está nobre, distinto, elevado, apertante, categórico. Tem todas as tonalidades, todos os coloridos, todos os matizes de como Senhor Doutor Plinio faria. Alguém diria: "Mas, ele faria uma coisa ainda mais..."

Não tem dúvida, podia ser que fosse mais. Mas acontece que está inteiramente de acordo com aquilo que ele aprovaria. E foi o que ele fez do céu, inspirou e aprovou. E aí está. (...) E acho que foi muito inspirado, o texto está... se fosse assinado Plinio Corrêa de Oliveira estava perfeito, porque é Plinio Corrêa de Oliveira mesmo quem escreveu.

*





Palavras relativas aos Provectos, emitidas por JC, no Auditório Na. Sra. Auxiliadora, no 15/8/96:


A um, individualmente, a Providência pode ter permitido que herdasse o espírito do sofrimento de nosso pai e senhor. (...) A outro, a Providência poderá ter feito com que herdasse de nosso pai e fundador a inocência e a lealdade. A outro, a operosidade. A outro, a astúcia da serpente, que é indispensável para um bom filho da luz. A outro ainda, poderá ter feito herdar o temperamento, aquela paz, aquele desejo de tranquilidade da ordem, nunca criando caso com outrem, aceitando sempre as coisas como elas se põem, com toda aquela serenidade caraterística de nosso pai e fundador.

Esses são os cinco Provectos, individualmente considerados.

Mas, se formos analisar o conjunto, e os virmos em suas reuniões, em suas tarefas de condução das coisas, na responsabilidade de desenvolver uma herança que foi deixada nas mãos deles, constataremos que, inúmeras e inúmeras vezes, temos tido prova de que o espírito do SDP os assiste.

(...) nós, que somos subalternos, estamos submissos à orientação e às decisões deles (...)

(...) em relação a eles nós [precisamos ter] reverência, veneração, obediência. Essa obediência tem que ser como numa ordem religiosa. Se não mandarem o pecado, o que decidirem, o que ordenarem, tem que ser obedecido porque eles são os herdeiros verdadeiros e substanciais desta missão. Então, nós lhes devemos obediência. (...)


*


Os Provectos receberam de Dr. Plinio a herança de decidir sobre as coisas. Ou existe submissão e obediência a eles, ou a TFP está destruída - “Jour le Jour" 27/10/96 - JC lê e comenta a Conversa Sábado à noite de 3/10/87:


(...) a minha compreensão era imensamente voltada para compreender a ordem interna das coisas, e depois as várias ordens, até a ordem total. Isto era uma matriz do espírito -- eu acho que vinha da inocência --, por onde previamente a todos os conhecimentos que levavam à ordem total, eu tinha uma espécie de respiração da ordem total, se vocês quiseram uma espécie de instinto da ordem total que, ou eu me engano muito, ou é profundamente tomista. Quer dizer, é propriamente um instinto. Instinto da alma, mas é instinto. Mas é firmíssimo! (...)


Diz São Tomás que o homem erra porque peca. Ao pecar ele perde a inerrância, e o que mantém a inerrância desses instintos é a inocência.

Por isso, conclui o Pe. Santiago Ramirez, como poucos são os homens que mantêm inocência, a verdade é pertencida por muitos poucos. Por isso ele dizia que a verdade é aristocrática porque é possuída por [poucos].

É muito interessante, mas vai na linha do que o Sr. Dr. Plinio diz e que justifica o que o Sr. Dr. Plinio diz. (...) [O] instinto do ser dele era inerrante porque ele tinha mantido a inocência. Ele tinha um senso da verdade colossal, um senso do bem e do mal colossais, porque é inocente.


... eu não quero dizer inato, mas é próximo do inato da ordem, é o sentido do ser, mas muito ampliado, muito reto, muito direito, tendo esse sentido, você compreende como tudo se orienta facilmente, e como essa facilidade das correlações servia ao sentido da ordem.


Claro. Era um homem paradisíaco, era um homem mais ou menos como Adão foi criado, em certo sentido. Próximo, portanto, do modelo ideal de homem criado no Paraíso. Um homem extraordinário!

Por isso, como é que a gente pode imaginar que exista um sucessor? Sucessor como, sem isso? Então vai suceder o quê? Esse vai ver o quê, vai entender o quê, vai correlacionar o quê, qual é a reversibilidade do quê?

Alguém dirá:

- Então a TFP acabou?

- Não, espere. Graças a Deus a TFP tem alguns que receberam dele a herança de decidir sobre as coisas. Esses que receberam essa herança se reúnem. Se nessa reunião eles procuram não impor a própria vontade, mas estarem à busca de quais eram os princípios dados pelo Sr. Dr. Plinio, o espírito do Sr. Dr. Plinio, e se basearem nisso, é só aplicar aquilo que eles viram, aquilo que eles aprenderam ao caso concreto, e aí está a inerrância.

- Então o senhor está dizendo que eles têm inerrância?

- Eu não estou dizendo que eles tenham ou não tenham a inerrância. Eu estou dizendo que eles apoiados na inerrância do Sr. Dr. Plinio resolvem as coisas e a TFP está de pé. [Exclamações e aplausos]

Por isso ainda recentemente Dr. Luizinho teve para comigo o papel de uma mãe, praticamente. Porque ele encontrando-me receoso de como estava minha saúde, como não estava, encontrou um supermédico, um bonzo em São Paulo em que a consulta demora duas horas, comigo demorou duas horas e meia, o homem fez uma análise absoluta, perfeita e ele quis acompanhar a consulta inteira, prestou atenção na consulta inteira, quase me pegou no colo para levar no médico. Foi um gesto muito tocante realmente. Eu tive de conversar longamente com ele, porque nós saímos quinze para as 4h e voltamos eram 8h10 da noite. Foram horas de conversa que nós tivemos e eu pude dizer para ele:

- Olhe, Dr. Luizinho, queria dizer uma coisa ao senhor. Eu fiz minha entrega nas mãos do Sr. Dr. Plinio, me entreguei a ele, e me entreguei no dia 18 de maio nas circunstâncias que todos os senhores conhecem. Agora, eu quero dizer o seguinte: da mesma forma que estava nas mãos dele, eu estou nas mãos dos senhores. Os senhores não me mandando o pecado, que eu sei que não farão, o que os senhores me mandarem, ainda que minha inteligência diga não, isso é menos, eu faço. Porque ou existe esse princípio de submissão e de obediência em relação aos senhores, ou a TFP está destruída.

-- Não, é assim que deve ser.

E é verdade, é assim que deve ser. (...)


*


Os Provectos: relíquias vivas de Dr. Plinio, eles me foram um sustentáculo, uma via, um caminho, um amparo, um luzeiro - “Jour-le-jour” 23/4/96:


Palavras de Dr. Paulo Brito:


Antes de começar a reunião, eu pedi ao Sr. João licença para dizer umas palavras em nome dos Provectos. E essas palavras referem-se ao livro da Senhora Dona Lucilia. Parece-me que o mais apropriado seria praticamente repetir o que eu disse em Laje do Muriaé (...). Naquela ocasião, eu, prestando uma homenagem ao Padre Gervásio, disse que poderíamos passar aquela noite inteira falando a respeito do nosso Pai e Fundador. [Exclamações] (...) Mas, então, ocorreu-me dizer que não era necessário, porque como diz o Evangelho "pelo fruto conhecereis a árvore". E no público lá poderia se observar dois frutos muito característicos da obra do Senhor Doutor Plinio que eram a fanfarra e o coro.

Bem, eu lembrei então que não era absolutamente possível ter surgido dois frutos como aqueles, de uma fanfarra e de um coro daquela categoria e com aquele espírito de unidade e que refletia no plano musical o espírito do nosso Fundador, se não houvesse um discípulo fidelíssimo... [Aplausos efusivos]

Um discípulo fidelíssimo que compreender inteiramente a mentalidade de nosso Fundador e transplantar isso para o plano musical, sendo ele dotado de qualidades absolutamente incomuns no próprio plano musical.

(...) Mas, se nós restringíssemos apenas a esse aspecto o papel desse discípulo fiel seria uma coisa injusta, porque o papel dele transcende muito disso. O papel dele como formador de sócios e cooperadores é um papel que - a assembléia presente aqui - os presentes podem confirmar, digamos assim, "ex corde".

(...) na parte da espiritualidade, esse discípulo fiel soube redigir e produzir obras que são fundamentais não só para a formação da TFP, mas que certamente passarão para a história da Igreja. E, a última obra - e era a que ia ser oferecido lá, logo depois o Sr. João Clá ofereceu ao Padre Gervásio - que era o Álbum da Senhora Dona Lucilia (...) (1).


Resposta de JC:


(...) Nem de longe mereço as palavras que ele [Dr. Paulo Brito] disse, até pelo contrário, meu exame de consciência me acusa de muitas outras observações que ele, por falar de público... Mais ou menos como quando se faz o discurso de alguém que está sendo enterrado, não vai se lembrar das partes falhas, das partes da miséria.

Ele, falando de uma obra que estava completa, de uma obra que foi terminada, etc., etc., falando do autor evidentemente só tinha que dizer das supostas qualidades, não podia falar a respeito dos defeitos.

(...)

Acontece que se alguma fidelidade há naquele que escreveu este álbum, escreveu... que promoveu, que propulsionou este álbum, se alguma qualidade há, se algum dom de fidelidade há - conforme disse o Dr. Paulo Brito - ele se esqueceu de um elemento muito importante e é fundamental.

É que este autor teve alguns que o precederam com o sinal da Fé. E esses que o precederam com o sinal da Fé, que são os provectos, deram a ele mil oportunidades para aprender a observar o Senhor Doutor Plinio.

Esse autor se lembra enjolrinhas, quase, quase que foi apanhado de calças curtas para entrar para a TFP, quase. Faltou pouco. Esse enjolrinhas entrou e se encantou. Encantou com o modo de ser dos provectos. O próprio orador que aqui lhes falou (...) deixava esse enjolrinhas encantado quando menino (...) e que dava a ele [enjolrinhas] um enlevo e o sustentava.

Só este? Eu não vou falar de cada um deles. Mas, há um outro aqui presente também que o introduziu num método que hoje é comum dentro da TFP, e que hoje fez fama dentro da TFP.

Mas o autor deste livro mencionado pelo Dr. Paulo Brito, esse autor aprendeu esse método com um outro provecto aqui presente. Esse provecto tinha a paciência de pegar dois enjolras - um apostatou, o Paulo Vieira da Rocha. Pegava este apóstata e este outro que ficou e que é a pessoa mencionada pelo Dr. Paulo Brito, pegava esses dois e tinha reuniões de horas, mas de horas. Onde ele pegava as reuniões feitas pelo Senhor Doutor Plinio para eles, reuniões feitas em particular nos sábados de manhã, Comissão B, ou então nos sábados à tarde, para a própria Martim Francisco. E tomava aqueles princípios: "O que somos nós"; as conferências do Yves. E ficava horas lendo e comentando e lembrando fatos, e mais fatos, e isto e mais aquilo. E o enjolrinhas esse, encantado. Só não se punha de joelhos porque ia causar espécie.

Mas encantado com o modo de ver naquele provecto o entusiasmo, o fervor, a adesão que ele dava ao Senhor Doutor Plinio.

(...)

Se o Dr. Paulo Brito disse que nós poderíamos passar uma noite falando a respeito do Senhor Doutor Plinio, eu posso dizer ao Padre Olavo e a todos os srs., com segurança, que eu passaria a reunião inteira, a tarde inteira, contando os meus flashs com os provectos.

Eu posso inteiramente dizer que eles me foram um sustentáculo, eles me foram uma via, eles me foram um caminho, eles me foram um amparo. Eles foram um luzeiro que me indicaram como é que deveria ser o meu comportamento em relação ao Senhor Doutor Plinio. De maneira que, eu fui precedido.

O Dr. Paulo Brito fez aqui um elogio a alguma coisa que possa existir em mim. Eu posso dizer aos srs.: se não tivessem sido os provectos eu não teria tido o que tive.

De maneira que eu aqui me vejo posto na parede e sou obrigado a declarar aquilo que eu nunca tinha dito assim com tanta precisão. Se de fato este livro saiu, se de fato alguma coisa do que disse o Dr. Paulo Brito se aplica inteiramente à pessoa que ele pôs em evidência nas suas palavras, isso foi porque houve alguns que circundavam o Senhor Doutor Plinio... (...)

Bem, é que eu dizia em Lajes de Muriaé, uma gravata vale muito menos do que uma relíquia pessoal, do que um instrumento pessoal, humano. Um instrumento humano vale muito mais do que uma gravata, uma alma vale muito mais do que uma gravata. Uma alma vale o sangue preciosíssimo de Nosso Senhor Jesus Cristo. O peso de uma alma é uma coisa colossal.

Pois bem, nós temos, graças a Deus, entre nós, nas pessoas dos provectos, relíquias vivas de nosso Pai e Fundador. [Aplausos]

De maneira que é para nós uma felicidade enorme poder no convívio com eles, no contato com eles, sem que eles percebam, às vezes, no comentar uma xícara, ou às vezes no comentar uma notícia do jornal; às vezes, no elaborarem um documento que deva ser mandado para a imprensa, a gente percebe tudo aquilo que foi o legado de nosso Pai e Fundador deixado nas mãos deles (2).


Depois disso, JC pediu que um eremita proclamasse o manifesto “Em face da tragédia de Eldorado de Carajás - A TFP apresenta reflexões serenas e ponderadas”, elaborado com a participação dos Provectos. A medida que ia sendo lido, JC foi intercalando exclamações, aplausos e elogios:


- Os Srs. vêem como está bem escrito. Está muito pliniano.

- Muito bem feito.- Está muito bonito.- [Aplausos, brado, aplausos]

- [Aplausos]

- Está muito bom.

- Está muito bom.

-[Exclamações]

-[Exclamações]

- Muito bom, muito bom.

- [Exclamações]

- [Aplausos]

- [Aplausos] Faço questão de dizer de pé. Esse documento poderia ter o título: "O Senhor Doutor Plinio não morreu".

- (...) esse artigo é tão bem escrito, tão plinianamente redigido (...)

- esse documento é um testemunho autêntico de que ele não morreu. (...)"Ele não morreu" no seguinte sentido: o espírito dele continua inteiramente vivo e inteiramente ativo.

- esse documento é carismático. Esse documento é portador de um carisma. Qual é o carisma? Carisma de Plinio Corrêa de Oliveira. [Exclamações] Ele tem o timbre, ele tem a impostação, ele tem a substância do próprio Senhor Doutor Plinio. Quer dizer, se o Senhor Doutor Plinio estivesse vivo, talvez esse documento saísse com algumas perfeições a mais do que já tem. Mas a essência é essa, não tenho a menor dúvida de que a essência é essa.

Ninguém seria capaz de dizer: "Olha, eu acho esse documento inteiramente fora das trilhas do Senhor Doutor Plinio." Não se pode dizer. Porque esse documento é inteiramente pliniano. Esse documento é quase que um sacramental. Ele exorciza, ele tem o efeito que a verdade possui no meio da confusão posta pelo demônio. A verdade entra, a luz entra (3).

Comentários:

  1. As palavras de Dr. Paulo Brito são menos elogiosas da pessoa de JC do que a primeira vista parece.

  2. A respeito desse trecho, Patrício Amunátegui, teólogo do joanismo, diz: “O Sr. João Clá não poderia ter sido mais justo, exímio e mais fraternal em se exprimir como o fez. Demonstrou sua profunda e sincera admiração por aqueles lados da vocação de nosso Pai e Fundador que os membros da Martim foram chamados a refletir” (cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.153).

  1. Tempo depois desse "jour-le-jour", ao analisar as palavras de Dr. Paulo Brito emitidas nessa ocasião, Patrício Amunátegui afirmou que elas foram acolhidas por JC como uma “amostra sincera de reconciliação” (a crise em torno da Missa Nova tinha acabado poucos dias antes), e que “nos círculos de seus subordinados diretos, o Sr. João passou a defender a boa vontade dos membros da Martim” (cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.151).

Mas na realidade, JC continuava difamando aos Diretores da TFP. Com efeito:

a) “Conversa após ensaio do coro”, de JC com eremitas de São Bento - Praesto Sum, 15/5/96:

Então, há gente que tem os olhos completamente embaçados para o Senhor Doutor Plinio. E eu acho que uma recordação da história dele posta em música e não sei quanto, e proclamação, eles vendo pessoas que cantam a história dele, proclamam a história dele com convicção, alguma poeira na alma deles, sacode. (...) é importante porque faz bem a essas almas todas: os bons se afervoram, os medíocres se sacodem e os... ficam com ódio.

(...)

( José Afonso: Para a "Chanson" de amanhã, o senhor acha que ficaria bem colocar outros quadros a mais do Senhor Doutor Plinio e da Senhora Dona Lucilia?)

b) Trecho da “Chanson” acima aludida, proclamada por eremitas de São Bento e Praesto Sum no ANSA:

Segue-se a gloriosa batalha do “Em Defesa” (...) carta de aprovação da Santa Sé à sua obra (...), P-1 e “Catolicismo”; frutificação do apostolado (...). Uma vez mais cruza ele[SDP] o oceano (...) Enlevado com a Cristandade medieval, delineia o esboço de um belo livro que a História não conhecerá, por não o terem desejado alguns de seus mais próximos: “A Chave de Prata”.



*


Reunião para CE, 4/11/95:


[Após o falecimento do SDP], a obra dele, como fica? Qual vai ser o dia de amanhã de toda a herança que ele nos deixou? Como continuar sem ele? Que devemos fazer nós para que o entusiasmo que ele nos concedeu, que ele nos conferiu, esse entusiasmo não diminua, mas aumente? Ele não deixou ninguém como substituto dele, ele não deixou nenhum sucessor, não há quem, entre nós --apesar de haver gente de muito valor, como a direção e como os provectos que estão aqui à minha esquerda. Apesar [de eles] serem pessoas de muita categoria e de muito valor, eles, creio, serão os primeiros a reconhecerem que não têm estofo suficiente para fazer o papel que fazia o Senhor Doutor Plinio.


Porém, meio por debaixo do pano, naquela época, e depois abertamente, JC e sua tropa de choque espalham que os Provectos são fisicamente incapazes de governarem a TFP, e ao mesmo tempo são uns tiranos ... ; vivem completamente alheios à vida interna da Instituição e simultaneamente são absolutistas, pois chamam a si as tarefas das autoridades intermediárias ...





2. Dr. Luiz: muito bondoso, manso e luciliano


Jour-le-jour" 8/10/95:


O Dr. Luizinho, que se mantinha constantemente em comunicação comigo, numa caridade fraternal, paternal, maternal, telefonava várias vezes. Assim que faleceu o Sr. Horacio ele foi avisado e imediatamente passou a mão no telefone e me telefonou aos Estados Unidos, Spring Grove.


*


Fax de JC a Dr. Luiz, 15/11/96:


Caríssimo, manso e luciliano Dr. Luizinho, Salve Maria!

(...) Dr. Luizinho queridíssimo, desejo mostrar TODA MINHA SUBMISSÃO aos Provectos, em especial ao Sr. Disponham sempre COMO E QUANTO quiserem de mim! Sou TODO e TOTALMENTE VOSSO!

(As maiúsculas são do próprio JC).


*


Fala André Dantas:


O estado de espírito em que se encontra o Sr. Mário [Navarro] não conseguiu ser apaziguado nem mesmo pela bondade e pela autoridade do Dr. Luizinho.

(Cfr. Grafonema confidencial de André Dantas para Marcos Faes, 25/10/96, pág.21).


*


Vejamos agora como foi recebida a notícia da eleição de Dr. Luiz no cargo de Vice-presidente da TFP: em público e “pra inglês ver”, JC e seus sequazes aplaudiram e manifestaram alegria; procederam assim para não descolar da “cauda da serpente”, isto é, para não se desligar das bases, que nesses dias ainda não estavam o suficientemente “conscientizadas”; mas no fundo eles ficaram surpresos, perplexos e descontentes.


a) "Jour-le-jour" 19/10/95:


Bem, há uma notícia que eu não sei se foi afixada nos quadros de aviso, que é um comunicado de imprensa a respeito da assembléia geral realizada pela TFP. Conhecem? Não.


TFP realiza assembléia geralNa assembléia geral que a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade TFP realizou no dia 11 do corrente, o Dr. Plinio Vidigal Xavier da Silveira propôs, como homenagem à memória do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, que aquela reunião, a título excepcional, não elegesse substituto no cargo de presidente do Conselho Nacional da entidade, determinado que tal cargo permanecesse vacante enquanto existir a associação.


Até ao fim do mundo. [Aplausos]. Até ao fim do mundo fui eu que coloquei, não está na notícia. [Risos]


Submetida à deliberação da assembléia, essa proposta foi aprovada por unanimidade.

(...) o Dr. Eduardo de Barros Brotero propôs que fosse eleito para o cargo de vice-presidente do Conselho Nacional da TFP o Dr. Luiz Nazareno Teixeira de Assumpção Filho, com mandato igual aos dos demais diretores. Submetida à votação, a proposta foi aprovada por unanimidade, com exceção do eleito, que se absteve de votar.


[Aplausos]



b) “Todos estão muito contentes com a nova direção” – 30/12/95, trecho do jornal falado lido por eremitas de S.Bento – Praesto Sum, no Auditório Nossa Senhora Auxiliadora do processo correlato ao estrondo da Espanha (caso Santiago Canals):


Depois da exploração judicial, procedeu-se à declaração das partes. Consistia no interrogatório de Dª Roser [mãe de Santiago Canals] e do Sr. Santiago, feito cada um pelo advogado da parte contrária e lido pela Juíza. Primeiro foi a vez do Sr. Santiago. Realizou-se no gabinete da Juíza.

As perguntas foram preparadas pelo advogado de Dª Roser.

(...)

[Pergunta décimo segunda do advogado de Dona Roser]: que após a morte de Plinio, há duas correntes que se enfrentam dentro da TFP.

Resposta de Santiago Canals: É completamente falso, pois a organização está inteiramente coesa e todos estão muito contentes com a nova direção.


c) Novembro de 1997, vocifera Ramón León:


Uma eleição perplexitante.

Logo após o passamento do Sr. Dr. Plinio, uma das primeiras gestões de governo dos mais velhos, que me surpreendeu muito pela sua temeridade, foi a escolha do Dr. Luiz Nazareno para vice-presidente da TFP, com poderes de presidente. É bem verdade que, por tratar-se de um cargo estatutário, sua nova dignidade não lhe pesaria do mesmo modo que a nosso Fundador a liderança da família de almas conjugada com o cargo de presidente do Conselho Nacional da TFP brasileira; entretanto, devido à debilidade da saúde do Dr. Luiz Nazareno, a eleição pareceu-me, pelo menos, imprudente.

(Cfr. "Quia nominor provectus", p.115)



d) Novembro de 1997 - Trecho do processo movido por JC e 51 litisconsortes contra a TFP:


Após o falecimento do Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, procedeu-se a uma eleição para preenchimento do cargo do vice-presidente da associação civil, com poderes de presidente. (...)

A partir de tal eleição, o vice-presidente eleito [NB: Dr. Luiz], bem como outros diretores da sociedade civil, passaram a intervir cada vez mais na vida da associação extrapolando o estabelecido pelos estatutos, causando transtornos, desavenças e discórdia entre os componentes do Grupo.

Além disso, um número muito grande de membros da TFP não reconhecem esses dirigentes estatutários como seus líderes naturais. Também temem pelo futuro da associação, pois não reconhecem os dirigentes eleitos como capazes de conduzir a associação para o fim pelo qual entregaram voluntariamente toda a sua vida.

[Os] atuais dirigentes da TFP constituem uma verdadeira casta (...)

Os atuais dirigentes da TFP, coerentemente com sua opinião de serem detentores de um poder absoluto (...)





3. Dr. Eduardo: fidelíssimo filho de Dr. Plinio


Referindo-se a um escrito que Dr. Eduardo enviara para ele (8/10/96), JC disse:


(...) fax nobre, distinto e cheio de benquerença que o Sr. teve a bondade de me enviar, tão próprio às almas bem nascidas e de longo convivio com MSS. Sou-lhe efusivamente agradecido por ele e guarda-lo-ei entre os bilhetes e cartas que MSS me escreveu (...) por muito se assemelhar ao modo de ser dele e à linguagem destas.


Antes de terminar, JC refere-se a Dr. Eduardo como “fidelíssimo filho” espiritual do SDP.





4. Dr. Paulo Brito: descido do mundo dos anjos, muito puro, dotado de uma inteligência privilegiada


Jour-le-jour” 28/11/95:


Dr. Paulo Brito tem um feitio muito metodológico dado os estudos que ele fez. Professor catedrático, é claríssimo na exposição. O Sr. Dr. Plinio já disse --eu posso dizer porque ele não está aqui nem vai-me ouvir-- que ele tem uma inteligência privilegiada, brilhante. Eu me lembro, era enjolras como os senhores, talvez mais novo do que os senhores, ouvindo uma reunião do Prof. Paulo Brito. Uma reunião claríssima. Ele tem uma dicção, uma construção de frases muito bem feita, tudo muito claro.


*


Jour-le-jour” 17/12/95:


Dr. Paulo Brito (...), cabeça muito lógica, inteligência privilegiada. É verdade. É ou não é? Sr. Poli é testemunha de comentário que nós ouvimos do Sr. Dr. Plinio a respeito. De modo que eu estou aqui transmitindo... Depois, preservado, muito preservado.


*


Jour-le-jour” 23/4/96:


O próprio orador [Dr. Paulo Brito] que aqui lhes falou com tanta verve, com tanta inteligência, com tanta concatenação, com lógica e expressividade, esse próprio orador deixava esse enjolrinhas encantado quando menino. Ele o olhava como um ente descido do mundo dos anjos, muito puro, muito virginal, muito casto. E que dava a ele [enjolrinhas] um enlevo e o sustentava.


*


Juízo Temerário”, p.234:


Dr. Paulinho, noto quanto o senhor se deixou levar pela paixão, mas não posso crer que além disso o senhor seja um espírito obtuso, e menos ainda oligofrênico [retardado mental]

5. Dr. Plinio Xavier: a Providência o vai preparando para, na hora da Bagarre, resolver situações sem saída


A respeito da célebre campanha da TFP na Praça do Patriarca, JC conta o seguinte:


Mas houve um episódio que teria posto fogo na campanha se não tivesse havido uma presença de espírito nessa hora. Houve um episódio bem marcante.

O Sr. Schaffer estava com um carrinho, um Volkswagen vermelho, com alto-falantes tocando a Marcha do Duque de Noailles, com ditos sobre a campanha, dizeres sobre a campanha. D. Luiz dada, primeiro, a condição de príncipe dele -- ele não podia fazer campanha, enquanto príncipe não ficava bem ele estar fazendo campanha -- e, em segundo lugar, dadas as condições físicas dele, ele para participar da campanha de alguma forma subiu nesse carro de propaganda.

Ora, quando a coisa estava no seu maior calor de batalha ali, onde soltavam rojões de um lado, gritarias e não sei mais quanto, o Sr. Schaffer sem saber de nada entrou com toda a sua inocência dentro daquele bolo todo. Os agressores, que eram ao todos uns vinte quando muito, os agitadores eram uns vinte, não era mais do que isso, esses agitadores avançaram em cima do carro, começaram a agarrar o carro e iam virar o carro. Virado o carro, era possível até que pusessem fogo. Com D. Luiz dentro, isso daria um objeto para a imprensa de primeira.

Nesse meio tempo entrou Dr. Plinio Xavier no meio dos agressores todos e começou a berrar com voz firme, com muita personalidade: -- Saia daqui! Vá para lá! Deixe isso aqui! Os agitadores ficaram assustados, abriram um pouco, e o Dr. Plinio Xavier disse para o Sr. Schaffer:

-- Schaffer, fuja daqui!

Aí o Sr. Schaffer foi embora.

À noite, na hora do jornal-falado, cada um ia contando: aconteceu isso, aconteceu aquilo, aconteceu não sei quanto. Aí Dr. Plinio Xavier teve que se levantar, pediram a ele para contar. Ele foi contar e foi muito honesto:

-- Dr. Plinio, eu vi aquilo e, eu não sei, senti em mim uma força que eu não tenho normalmente. Eu senti-me assistido por um determinado espírito, por um impulso, e eu, então, me lancei. Mas eu me lancei por algo que não era meu, eu vi que era alguma coisa que vinha de fora e fiz aquilo que normalmente...

-- Coisa curiosa. É bom que você diga isso porque eu vou dizer o que é que se passou comigo nessa hora. Vendo aquela situação eu deduzi tudo o que ia acontecer, tudo o que podia significar de horror para nossa causa. Eu quando vi aquilo, percebi tudo o que ia acontecer, todo o estralo de imprensa que ia dar. E pensei: "Ai, que pena, eu não tenho mais idade para entrar aí e fazer isso". Nessa hora eu vi que você saiu.

(...) Mas o Sr. Dr. Plinio fez outro comentário. Numa outra ocasião que não foi nessa, foi numa reunião no Rio de Janeiro, lembrando-se desse episódio ele chegou a dizer o seguinte:

-- Vejam, o Plinio Xavier é um homem assim: ele tem algumas funções dentro da TFP, algumas obrigações, mas quando alguma coisa encrenca e ele percebe que encrenca, ele chama a si. Na vida comum, na vida diária, na vida cotidiana, ele vendo algum caso qualquer que pode entrar e que pode resolver, ele entra e procura resolver. Ele gosta de chamar a si as coisas complicadas para resolver. Isto é um modo de ser dele que a Providência vai preparando para a hora da Bagarre.

O que aconteceu com ele naquele momento da Pça. do Patriarca foi exatamente isso: ele tão habituado a chamar a si os problemas complicados para resolver, quando houve uma complicação muito grande e da qual nós não tínhamos saída, ele foi assistido por um espírito -- não dizia que era espírito dele, mas é evidente que é -- por onde ele entrou e resolveu.

(Cfr. reunião para os EEII, 7/10/96)





6. Dr. Caio: vanguardeiro que levantou países inteiros da estaca zero


Jour-le-jour” 23/5/96:


(...) Depois Inglaterra. Se Dr. Caio não tivesse posto a mão não teria saído nada, porque a própria perua que eles estão usando, toda a sustentação financeira, toda a orientação de como é que deveria ser feito o mailing lá, como é que deveria ser feita a distribuição dos folhetos, tudo foi feito pelo Dr. Caio.

Nos Estados Unidos (...) [Dr. Caio] tem ido todos os meses lá e em cima. Martelando em ferro frio, ele foi moldando aquilo, moldando aquilo. E de uma concepção que todos os norte-americanos do Grupo tinham de que dos Estados Unidos não se tirava nada, ele bateu, bateu, eu sei que o ferro era frio, ele malhou, transformou o ferro e agora está nessa beleza que ele está dizendo aqui.

Espanha a mesma coisa. Espanha -- eu posso dizer porque eu estou muito ligado a eles, até pelo sangue -- estava numa situação caótica. Estava, como eles dizem, uma chapuza. Eu sei que Dr. Caio entrou, mexeu, e agora está nesta perspectiva magnífica que ele está dizendo aqui.

Gabão também ele se pôs detrás e não disse nada.

(...)

Eu aqui me lembro de um episódio de um pároco que teve uma visita episcopal. O bispo chegou à paróquia dele -- o Sr. Dr. Plinio contava esse fato -- e então ele mostrava:

-- Bem, tem isto aqui. Tal coisa foi desenvolvida assim.

-- Ah, mas a Providência! Que coisa é a Providência!

-- Tem tal coisa assim e assim.

-- A Providência, que coisa impressionante como a Providência trabalha!

-- Depois tem tal outra coisa assim, porque esse colégio foi fundado por nós.

-- A Providência!...

Houve uma hora que o pároco que se impacientou -- não devia, mas, enfim, aconteceu --, virou para o bispo e disse:

-- É, Sr. Bispo, o senhor precisava ver quando isto aqui estava só nas mãos da Providência como é que era. [Risos]

Esses países todos que o Dr. Caio citou estavam numa situação X nas mãos da graça, nas mãos da ação sobrenatural, nas mãos dos encarregados respectivos, antes do Dr. Caio chegar. O Dr. Caio chegou e mudou tudo, mas ele aqui se ocultou.

De modo que, apesar dele não gostar do que eu estou dizendo, eu faço questão de dizer que tudo isso se desenvolveu porque foi posta a mão de um filho fiel do Sr. Dr. Plinio. [Aplausos]

(...)

O Sr. Dr. Plinio mesmo dizia quando ia ao Êremo de Nossa Senhora da Divina Providência, que foi fundado por ele: "Este êremo constitui para mim um travesseiro de pluma de ganso. Porque eu saber que as coisas caminham como estão caminhando aqui, isso para mim é um repouso".

Então não se trata de um “durt work”, mas pelo contrário, se trata de um serviço muito elevado, que é a nossa subsistência.

O Sr. Poli dizia que as possibilidades de expansão são enormes. É verdade, mas são enormes porque existe alguém por detrás que foi ordenando tudo isso em todos esses países, assumindo com uma generosidade, com fôlego. Nem gato tem fôlego para tanto, porque ele já desce do avião e dentro do carro já vai tratando dos assuntos, passa dois, três dias nesse país, pula para um outro, e vai tocando tudo com uma energia e com um “aufpumpen” de fazer inveja a gatos.


*


Simpósio para CCEE, 2/6/96:


Para o mailing da Itália eu me lembro... Dr. Caio tratou com o Sr. Juan Miguel e comigo longamente. Ele, aliás, levantou a Itália de uma estaca bem complicada, eu não diria zero mas zero vírgula cinco quando muito. Mas estava uma situação financeira difícil. Ele levantou e fez... A Itália hoje vive com inúmeros membros, com uma atividade colossal porque ele pôs a mão naquilo e levantou.

Lembro-me quando ele expôs o plano todo ao Senhor Doutor Plinio. E o Senhor Doutor Plinio achou ótimo o plano dele, como todos os planos que ele sempre apresentava ao Senhor Doutor Plinio, e o Senhor Doutor Plinio achou ótimo.

Mas, Senhor Doutor Plinio disse: "Mas, há uma coisa. Nós na Itália temos que crescer com esse mailing o quanto antes, a toda pressa e vigorosamente. Porque se nós caminharmos devagar, eles nos esmagam."

E foi o que foi feito. Hoje em dia é uma força.

Hoje em dia eu tenho isto para contar.

Dr. Caio teve a idéia de lançar um mailing contra o aborto na Itália. Esse mailing está tendo um tal sucesso na Itália, que de repente eles recebem uma carta do vicariato de Roma, pedindo 150 exemplares do mailing. Eles ficaram assustadíssimos: "Bem, agora aqui vem uma bomba."

Mas nós não temos outro jeito. Cento e cinqüenta exemplares mandaram para o vicariato.

De repente o presidente do mailing que é um rapaz italiano que eles contrataram, foi chamado para participar de uma reunião do episcopado italiano que estava havendo no vicariato de Roma. Chegando lá... Ele teve que aparecer porque acharam que era o caso que ele aparecesse.

Então ele foi à reunião do vicariato e estavam todos os bispos reunidos, com 150 exemplares distribuídos nas pastas dos bispos, e pediram para ele fazer uma exposição a respeito do assunto aborto. [Aplausos]

Quer dizer, se Dr. Caio não fosse dos vanguardeiros mas -- que Deus nos livre e guarde -- fosse dos indolentes e pior ainda se fosse dos sabugos, ele ouviria uma coisa dessas do Senhor Doutor Plinio, diria: "É... Senhor Doutor Plinio... está muito bom... Mas olha, é perigoso a gente crescer. Vamos fazer um "mailingzinho" pequenininho, a gente consegue um dinheirinho pouco para isto."

Não. Ele ouviu o Senhor Doutor Plinio e lançou a coisa com todo o entusiasmo, com toda força.

Conclusão está aí. Até o vicariato de Roma está vivendo em função do mailing contra o aborto feito pela TFP.





7. “Entretelones” de uma carta transbordante de “ ilimitada benquerença”...


Em 28 de janeiro de 1996, JC, estando em Roma, escreveu uma carta aos “respeitáveis e estimados Provectos do SDP, meus irmãos saudosos e tão queridos”.

Apôs iniciar o escrito com palavras “perpassadas de fraternais saudades e ilimitada bemquerença”, JC lembra conselhos dados pelo SDP, um ano antes de morrer, no sentido de, perante um surpressona que se vislumbrava no horizonte, era preciso que mantivéssemos a união, puséssemos de lado rivalidades e confiássemos em Nossa Senhora (*). Conta que por onde passou --França, Espanha, Estados Unidos e Canadá-- reina “bom estado e ótimas disposições espirituais” entre os membros do Grupo. E termina transcrevendo 7 relatórios sobre sonhos e prodígios.


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(*) Reunião de Recortes, 1/10/94: “Nós temos que estar mais unidos do que nunca. E se há uma hora em que todos nos devemos perdoar tudo uns aos outros (...) é essa. Fricotes, questõezinhas, amores-próprios sobretudo, vontade de aparecer e coisas dessas, sejam malditas entre nós. Porque estes que levantaram questiúnculas e coisas nesta hora fariam da TFP o que fizeram de certas Cruzadas alguns cruzados: (...) na hora de escalar os muros do adversário, eles não avançaram porque tinham questõezinhas: ‘esta lança é minha’, ‘não, não é sua’, ‘eu vou na frente porque tenho precedência, meus antepassados são mais ilustres que os seus’, ‘é verdade, mas eu combato melhor que você’. (...) Depois, é preciso ter uma completa ausência de rivalidades, de coisas desse gênero e uma só vontade: esmagar a Revolução e instaurar o Reino de Maria”

Este mesmo trecho dessa RR, JC repetiu no ANSA, em janeiro de 1997, conclamando hipocritamente para a união. Um mês antes --dezembro de 1996-- , os joaninos do mundo inteiro desataram uma chuva de protestos contra a TFP Americana, pelo fato de esta ter se desentendido com JC.

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Mas chama a atenção o contexto dentro do qual se insere a carta de JC.


Ela foi redigida pouco tempo depois:



Pouco tempo antes:



E simultaneamente com os preparativos para dar os “cuartelazos” nas TFPs do Exterior, bem como nos grupos do interior.





8. Em relação a JC, é preciso ser indulgente. Em relação aos Provectos, não


Carlos Tejedor sustenta que: “si [JC] hubiera defeccionado, (...), era el caso de ver cómo hacer para disimular la defección, ver cómo se arregla la cosa de forma a no escandalizar a quienes tienen a [JC] como apoio”. (Cfr. grafonema de Tejedor ao Dr. Mário Navarro, de 9/12/96).


Mas esse modo de proceder, que para os “joaninos” vale para seu chefe, não vale para ao Provectos.






H. No tocante à TFP Americana e a seus diretores


Despacho de JC com José Cyro, C. Newton e David Francisco, no ano 1996:


Tomem por exemplo os Estados Unidos. Tudo que é feito, é feito com uma unidade absoluta. Todos tem o mesmo interesse. (...) as pessoas se interessam por quem está vendendo livros, coletando donativos, visitando padres, trabalhando na revista, na pintura da casa, com quem está fazendo a capela, etc. (...)


*


"Jour-le-jour" 25/1/96 – Estando em Roma, JC leu e comentou um texto do SDP a respeito da necessidade de os membros do Grupo permanecermos unidos. A respeito disso, Frizzarini disse o seguinte:


(Depois o fato de ele [SDP] falar que na desunião Nossa Senhora se retira... É impressionante como em qualquer lugar o senhor põe o Sr. Dr. Plinio no centro, faz com que todo o mundo vire para o Sr. Dr. Plinio, entra uma graça...)

Resposta de JC:


É o que o senhor nota no grupo dos Estados Unidos. É o que o senhor nota no grupo da Espanha, é o que o senhor nota no grupo da França. E aqui na Itália não tem desunião nenhuma, não tem ninguém futricando contra ninguém. E o que acontece é que Nossa Senhora está presente.


*


"Jour-le-jour" 11/2/96 - JC estava nos Estados Unidos. Pouco antes de retornar ao Brasil, refere-se à TFP Americana nestes termos:


Estamos partindo, estamos prestes a deixar este território abençoado por Nossa Senhora e bem querido por nosso Pai e Fundador, porque tem aqui filhos que prometem muito para o futuro (...)


*


Congresso de neo-cooperadores, 20/2/96:


Eu conheço um pouco a vida do Sr. Mário Navarro da Costa. (...) Não vou dizer nada que entre em detrimento da pessoa dele, das funções dele, até pelo contrário, não há algo que eu conheça que entre em detrimento da pessoa dele e das funções dele. É pessoa excelente, da qual o Sr. Dr. Plinio sempre gostou. Muito devoto do Sr. Dr. Plinio e agora ainda mais.


*

Reunião no Praesto Sum, domingo 24/3/96:


Eu me lembro Pe. Royo Marín e a irmã, Da. Glória Royo Marín, em Bedford, no Êremo Sedes Sapientiae, assistindo os eremitas cantar ofício. Um simples ofício um efeito extraordinário. Eles estavam como crianças que tinham sido batizadas.

Saíram e Da. Gloria disse:

-- Não sei que comentar, isso aqui é uma cena do Paraíso Celeste. Eu estive no Céu! Eu estive no Céu! Eu quase vi a Deus! Eu quase vi a Deus!

O Pe. Royo:

-- Isso me emocionou, porque eu me lembrei da época em que eu era seminarista em Salamanca. Nós éramos uns duzentos, cantávamos ofício, mas não assim, não assim, assim não. Com a perfeição que havia aqui não.


*


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 31/7/96:


Aqueles que tinham uma abertura de alma muito grande para com o Sr. Dr. Plinio na direção dos pequenos grupos ou dos grandes grupos que eles tinham debaixo de si, esses acabaram se compenetrando muito mais depois da morte do Sr. Dr. Plinio e recebendo mais graças para ajudar os seus que estão abaixo.

Eu lhe dou dois exemplos.

Um é um homem que até tem família e que diz que se tivesse conhecido o Sr. Dr. Plinio não teria casado: é o Sr. Fragelli. Se o senhor vai ao grupo dos Estados Unidos, o senhor esteve lá em tempos idos, mas se o senhor vai agora, o senhor vê que ele no meio de todos os afazeres que tem, no meio de todas as ocupações que tem, procura pegar os textos da reunião que vão daqui e faz reuniões para o pessoal lá que são abençoadas e que mantêm aquele pessoal dentro de um estado de espírito que é de união com o Sr. Dr. Plinio.


*


Todos esses elogios à TFP Americana, às suas autoridades e membros, cessaram a partir de outubro de 1996, data em que subitamente virou o alvo de toda classe de injurias e calúnias por parte da seita de JC.











I. No tocante ao Coronel Poli


20/1/96, "jour-le-jour":


O Sr. Poli, que é uma pessoa que o senhor conhece e é de uma estima do fundo do coração, eu dou minha vida por ele, eu estimo a ele mesmo, é uma pessoa realmente admirável (...)


*


1/3/96, numa carta JC assim descreve uma conversa que teve com os Provectos e com o Coronel:


Compreendi a fundo a bondade luciliana com que me trataram, totalmente pervadida de paciencia, atenção e ternura fraternais, a respeito da qual lhes sou muito e muito agradecido.


*


19/3/96, trecho relativo ao Coronel Poli, escrito por JC numa carta que “pretendia enviar ao Dr. Eduardo Brotero”, mas depois “desistiu de entregá-la”:


Seu modo de ser é fiscalizar tudo com uma tirania absoluta, controlando até os tostões que se gastam. Não é essa a escola do SDP. (Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" pp. 185 e 186)


*


31/8/96, fax de JC ao Dr. Mário Navarro:


(...) o Atanásio [Carlos Alberto] já tem experiência de que na hora da conversa o José [o Coronel] se mostra manso e humilde de coração mas, no dia seguinte, está tal e qual a hiena de sempre, sem mudar uma só vírgula de seu comportamento. Muito pelo contrário, vai se tornando cada vez mais agressivo e imperador.


*


26/10/96, trecho de um telefonema de JC ao Sr. Fernando Antunez:


O gaúcho [NB: Coronel Poli] é um miserável!


*


31/10/96, bilhete de JC ao Coronel, quando este retornou de uma viagem que fez à Europa:


Carissimo Sr. Poli

Salve Maria!

Bien venue!


Estive aqui para lhe dar um forte abraço de boas vindas, assim como matar um pouquinho de minha incomensurável saudade (...)

Espero que o senhor tenha chegado bem pois, quanto à viagem fui tendo notícias quase “au jour le jour” de todos seus encantos e entusiasmos que aliás, muito lhe agradaram.

(...) Felizmente o Sr. está entre nós e desejo seja bem recebido por nosso Pai e senhor, como também pela própria dona Lucilia.





J. No tocante ao Sr. Fernando Antunez


Referindo-se à atitude do Sr. Fernando Antunez durante a crise entre a TFP Americana e JC, este afirma:


(...) agiu com o raffinement, com a nobreza de alma e de sangue que tanto o carateriza, isto, evidentemente, fez com que sua fama em nada fosse maculada diante de qualquer pessoa que fosse.

A atitude de Longinus [NB: Sr. FA] não é que só mereça meu aplauso, ela tem a minha mais profunda admiração e gratidão. Nunca um irmão poderia ter agido com seu semelhante com tanta benevolência e tanta honestidade e lealdade como fez o Longinus com esta pobre vítima que ora lhe escreve.

(Cfr. fax de JC para o Sr. Fernando Antunez, de 25/11/96, pp.9,10).


No libelo "Quia nominor provectus", redigido com o “imprimatur” e as benções de JC, Ramón León carateriza ao Sr. Fernando Antunez como uma pessoa que nunca sobressaiu pela preocupação pelo bem espiritual de terceiros.





K. No tocante a padres muito chegados à Instituição


1. Em relação ao Sr. Cônego José Luiz Vilaq:


20/7/96 – Numa carta JC disse ao Sr. Cônego não ser uma pessoa que recalcitra contra nenhum dos seus conselhos; e acrescenta: “sempre fui dócil”.


*


23/7/96 - Fax de JC ao Dr. Mário Navarro:


Caríssimo e já muito saudoso Sr. Mário

Salve Maria!

Envio-lhe logo a seguir uma cópia de uma carta que acabo de receber do Sr. Cônego. Parece-me bastante razoável e de muito bom espírito.

Pretendo respondê-la em síntese nos seguintes pontos:

  1. Exaltando a pessoa, a sabedoria, a experiência e a tradição que já possui junto a nós. Por outro lado ainda mostraria toda a confiança que tenho nele.

  2. Contar-lhe o telefonema que o Sr. teve ontem com os Provectos nos termos exatos que o Sr. me transmitiu por telefone. Visaria com esta narração tranquilizar a consciencia dele imaginando que existe uma dicotomia entre “cabeça [os Provectos] e coração [JC]”.

5. Que jamais passaria pela imaginação quer “da cabeça ou do coração” a idéia de trocá-lo por quem quer que seja em matéria de arbitragem pois, minha confiança absoluta e total sempre foi posta nas mãos dele.


*


Janeiro de 1998 - Trechos de "E Monsenhor Lefevre vive?" pp.69, 77 e 78:


A fim de pôr uma pedra, definitivamente, sobre o “caso” da “Missa Nova”, em abril de 1996 foi pedido um parecer ao Rvmo. Cônego José Luiz Villac que esclarecesse todo o assunto. As longas décadas a serviço da Santa Igreja, sua dedicada assistência religiosa ao Grupo, o conhecimento que ele tinha da matéria, pois em algumas ocasiões o SDP o consultara para esclarecer dúvidas a respeito, tudo isso levava a crer que o parecer saído de sua pena confirmaria as normas de prudência dee nosso Pai e senhor. (...).


Enquanto confessor e diretor de almas --é preciso dizer-- o Revmo. Cônego José Luiz sempre foi de extrema valia para a TFP. Sua solicitude apostólica na preciosa tarefa de ministrar os sacramentos encontra no coração de cada membro do Grupo uma gratidão especial.


*


18/1/99 – Teses da carta-circular da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima aos Bispos, assinada por Hagop Seraidarian, mas evidentemente ditada por JC:


A divisão na TFP começou quando os cinco principais diretores da entidade (...) dirigiram uma carta ao Sr. João S. Clá Dias, (...).

(...) Diante do impasse assim criado, ambos os lados concordaram em pedir a opinião de um sacerdote, o Revmo. Cônego José Luiz Marinho Villac. Este, em vez de tentar restabelecer a harmonia na entidade emitiu um "parecer" totalmente alinhado com o pensamento da diretoria.

Conforme V. Exa. mesmo pode constatar, pela cópia desse "parecer" que enviamos em anexo, as incríveis opiniões do Sr. Cônego Villac - e da diretoria da TFP - são em tudo parecidas com (ou até mais exageradas do que) as dos seguidores de D. Marcel Lefebvre, o finado bispo francês, tristemente famoso por sua rebeldia contra a Santa Sé e por ter sido excomungado pelo Papa João Paul II.

Essas opiniões eram, portanto, completamente inaceitáveis para a maior parte dos membros da TFP (especialmente os da ala jovem), que passaram a externar sem rodeios seu descontentamento.





2. Em relação ao Padre David


Carta do Pe. David a Dr. Caio, 3/2/97:


[JC] na frente trata bem, como nos contatos telefônicos, e por traz procura desacreditar-me. Ele se manifesta amigo, mas o que ele quer mesmo é tirar todos os empecilhos que atrapalham seu plano.





L. No tocante aos eremitas


Carta do Sr. James Dowl a Pedro Morazani filho, de 16/2/97:.


Na visita anterior dele [JC] aqui [Estados Unidos], eu o vi dizer coisa puxadíssimas sobre o eremita que estava servindo as refeições dele. Quando o servidor entrava, o Sr. JC sorria a ele, dizia amabilidades, e quando o servidor saia, dizia umas barbaridades contra ele. Um outro servidor entrava (agora da visita em setembro) e ele agradecia pelo serviço (Sr. JC agradecia) e quando o eremita que estava servindo saía da sala, o Sr. JC fez uma careta de bobo para exprimir o que ele pensava do servidor. Naquela hora também me lembrei que ouvi o Sr. JC dizer uma vez que ele tinha dominio absoluto sobre as expressões fisionômicas, e que ele sempre calibrava a fisionomia à pessoa com a qual ele estava falando.





M. No tocante à Sede do Reino de Maria


Jour-le-jour” 4/6/96:


A Sede do Reino de Maria, senhores, está um pouco abandonada, os senhores têm freqüentado pouco, e é o nosso santuário. É a sede principal, é a sede que saiu do coração dele [Dr. Plinio].


Mas por outro lado, os joanientos referem-se à Sede do Reino de Maria como “o covil”. Nem mesmo a presença sacrossanta da Sagrada Imagem de Nossa Senhora de Fátima, em março de 1998, foi o suficientemente forte para atrair os renegados à Sede.





III. Em relação ao espírito contra-revolucionário


A. No tocante a espírito de hierarquia


Deus ama a desigualdade - Reunião de JC na Saúde, 24/10/95:


Quando Deus quis criar, Ele ficou numa contingência muito sui generis. Por quê? Ele ou criava uma multidão de criaturas, ou não podia criar (...) ou criar uma só é impossível, porque uma criatura não refletiria a Ele. (...) Mas Deus, se há alguma coisa que Deus não é, é gago, dizia o Senhor Doutor Plinio, e por isso Deus não cria duas criaturas iguais. (...) Então Deus criou uma multidão. Mas, ao ter de criar desiguais, era inevitável que Ele criasse dentro de uma hierarquia --era inevitável--, porque Deus é monarquista, Deus é antiigualitário, Deus ama a aristocracia, e Deus ama a desigualdade.


*


A verdade é aristocrática - “Jour-le-jour” 5/5/96:


Nós infelizmente talvez uns pelos outros --eu não digo todos, eu estou dizendo uns pelos outros-- perdemos a inocência primeva. Ao perder nossa inocência primeva nós nos tornamos errantes, porque é inerrante segundo São Tomás de Aquino... E quem conclui isto tirando de São Tomás de Aquino é o Pe. Santiago Ramirez, discípulo perfeito do Pe. Victorino. Pe. Santiago Ramirez um gênio, um homem culto a mais não poder, com várias obras, já foram publicados trinta e seis volumes das obras dele, todas em latim, ele dava aulas em latim e escrevia em latim, que são comentários tirados da Suma e de outras coisas mais. Ele comenta isso, tirado de São Tomás: que por isso a verdade é aristocrática, porque são poucos os que mantêm a inocência inteiramente intacta e, portanto, mantêm a inerrância da inteligência, a inerrância da vontade.

Por isso diz ele que a verdade é aristocrática porque é possuída por muito poucos, é possuída por aqueles que mantiverem a inocência.


*


O espírito de Dr. Plinio comporta um amor à hierarquia como nunca houve na História - O cerne da missão de Dr. Plinio é lutar contra o igualitarismo - Reunião para a Saúde, 2/4/96:

[O espírito de Dr. Plinio] é universal. Ele não é um espírito específico neste ponto e naquele ponto.Não é um espírito específico? Espera um pouco, dentro do universal ele tem umas especificidades, mas é universal.Quais são as especificidades do espírito do Sr. Dr. Plinio dentro do universal? Diga? Existe dentro do universal uma especificidade. Essa especificidade se define assim: todos aqueles pontos em que a Revolução mais procura combater, aí está a especificidade do Sr. Dr. Plinio.

Ela procura combater sobretudo o quê? A hierarquia, ela detesta a hierarquia, ela quer a igualdade total. Querendo a igualdade total, o espírito do Sr. Dr. Plinio se define enquanto um espírito universal. Mas dentro do universal, hierarquia, amor à hierarquia, um amor à hierarquia como nunca houve na História, completamente específico, vocação específica dele, espírito dele. Dizer espírito pliniano é dizer, antes de tudo, espírito universal e, dentro do espírito universal, dizer antiigualitarismo, espírito hierárquico.

Mas só essa especificidade que é a hierarquia? Não.

(...)

Ele era um homem amante de todas as hierarquias. Não havia meio de ele passar numa porta que ele não oferecesse a passagem antes aos príncipes.D. Luís, com uma retidão impressionante, sempre fazia pé-firme: "Não, senhor. Antes o senhor, depois eu". D. Bertrand, com um senso do principado, passava adiante. Mas ele, tanto numa circunstância, quanto noutra, tanto no modo de ser de um, quanto no modo de ser de outro, alegríssimo, porque ele tinha dado vazão a algo que estava no fundo da alma dele, que era a prestação de uma homenagem a uma autoridade que estava acima dele pelo sangue. E com isso ele pisava na Revolução.


*


Congresso de neo-cooperadores, 20/2/96:


Uma ocasião, viajando com D. Mayer, D. Mayer não era ainda bispo, era sacerdote. D. Mayer virou-se para ele e disse:

- Mas como é que você, Plinio, deixa que eu carregue as malas.- Pe. Mayer, eu tenho uma condição social que não me permite carregar malas. Agora, se o senhor quiser, eu posso pagar um carregador, mas eu não carrego nem as minhas próprias, porque não fica bem à minha condição carregar malas. [Aplausos.]


Mas eu estou contando estes fatos aos senhores porque tudo isso vai inteiramente contra o espírito democrático imposto pela Revolução, imposto por Hollywood, imposto pelos filmes norte-americanos que invadiram o mundo inteiro e que transformaram o mundo num "paraíso" de igualitarismo. Ou seja, num inferno de igualitarismo.


*


Jour-le-jour” 23/7/97:


Nós vamos ver uma colcha de retalhos tirada de várias reuniões, conversas, almoços, etc. Uma composição, portanto, feita sobre Santa Joana d'Arc, repetindo um ou outro conceito, uma ou outra explicitação [de Dr. Plinio].

(...) Ele, evidentemente, ao analisar Santa Joana d'Arc vai fazer um comentário a respeito do papel da nobreza. Isso é inevitável. Querer que o Sr. Dr. Plinio fale de algo ex abundantia cordis, onde não entra uma palavra sobre a nobreza, sobre a hierarquia social, sobre a diferença de classes, isso é impossível.

Ele vai se deter sobretudo num ponto, às tantas, que é a beleza da homenagem do ser que é menor em relação ao maior, onde vai transparecer muito o antiigualitarismo da alma dele, o senso de hierarquia da alma dele.


*


Jour-le-jour” 7/4/96, texto 960407”Jour-le-jour”-768:


Eu pretendo dar aos senhores --eu não sei se os senhores terão tempo todos-- treze aulas do Sr. Dr. Plinio sobre o igualitarismo, que constitui - não é a meu ver, não, isso constitui objetivamente falando - o cerne da missão dele, que é a luta contra o igualitarismo neste século XX.


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Nossa santificação comporta amar as desigualdades - Reunião na Saúde, 9/10/97:


O senhor podia perguntar qual é a graça que [o SDP] mais pedia para si. Era a graça da santificação. Ele queria ser santo a todo custo, e por isso ele pedia muito a graça da santificação. (...)

E nós, o que devemos pedir? Também, nós devemos pedir muito pela nossa santificação. (...)

Então o senhor tem que rezar para ser santo. Santo cavaleiro, santo guerreiro, santo escravo, santo monge, santo amante das desigualdades, santo da ordem temporal.


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Jour-le-jour” 5/2/96:


[No 18 de maio de 93, num almoço no primeiro andar, dia da primeira cerimônia oficial da Sempre Viva, o Sr. Átila perguntou a Dr. Plinio] o que é que ele esperava com a plenitude da SV.

Ele respondeu e é uma síntese que eu nunca vi assim exposta de quais eram as esperanças dele para o futuro com a realização plena, com a correspondência plena às graças da SV.

É o que eu digo, não são palavras tais quais ele as pronunciou, mas é um esquema muito próximo do que ele disse.


Eu tinha a esperança do enrijecimento da SV, e que se daria assim. Quer dizer, um entusiasmo forte para certos ideais que nos levasse à obediência radical. Se isso se desse, o ideal que eu tinha dentro da alma se realizaria por inteiro. E era de formar muitos santos,...


[Exclamações.] Mas vejam que tipo de santo, ele vai especificar bem qual é esse santo.


... mas santos carolíngios e por vários aspectos inacianos,....

Eu estou dando isso não como alguém que lamenta: "Ai, que isto não se realizou". Se foi um desejo dele, vai acontecer, mais dia menos dia isto se dará. E com Grand-Retour sobretudo então nem se diga.


... que impressionariam o mundo pela dedicação e por dois traços:...

Nós vamos ver como isto se relaciona com as aulas sobre o igualitarismo.

... o caráter fundamentalmente católico, mas católico como mais ninguém era. A compreensão de que se nos fosse dada a vocação de uma guerra, o enrijecimento viesse. Então com uma guerra a graça do enrijecimento viria.

No meu espírito isso deveria ser em relação à Revolução Francesa e às três Revoluções in genere.

Quer dizer, essa santidade...


Ele vai caracterizar a santidade.

Quer dizer, essa santidade deveria ter uma abertura de alma, uma compreensão, etc., em tudo o que diz respeito ao combate, à Revolução Francesa e às três Revoluções in genere. O que os jesuítas foram em relação ao protestantismo nós seríamos em relação às três Revoluções no seu todo.


*

A razão de ser de nossas vidas é lutar pelas desigualdades - "Jour-le-jour" 22/9/97 (1), JC lê e comenta palavras que Dr. Plinio emitiu num jantar do ano 1988:


Eu posso ter uma idéia esquemática, genérica, de qual seria esse meu papel [durante a Bagarre], porque entra pelos olhos. Mas, pormenores eu nunca me permiti de imaginar. Então, eu dou o que eu tenho na cabeça.

É preciso os srs. notarem que na Bagarre, qualquer que seja o modo pelo qual a Bagarre se desenrole --seja a Bagarre de idéias, e, portanto, a contestação, a confrontação de idéias, seja qualquer outra forma em que a Bagarre possa se desenvolver-- ela tem como motor principal, do lado dos bons, o amor de Deus; o amor, portanto, a Nossa Senhora e à Santa Igreja Católica.


Nós podemos dizer: o amor a ele, o amor à vocação.

Em termos diferentes, é preciso termos uma convicção refletida, séria, profunda, apoiada (será o excelente!) por graças da via mística ordinária, tanto quanto possível numerosas e ricas, que ajudem para nos dar uma dessas convicções de pedra e cal de que a Santa Igreja Católica Apostólica Romana é a única Igreja verdadeira de Nosso Senhor Jesus Cristo, da qual decorre toda a ordem espiritual e temporal, e aquilo que se afasta dessa Igreja é, portanto, nocivo, ruim, etc. O que é sinceramente feito, seriamente feito segundo essa Igreja, isso é excelente, é o perfeito.

Em segundo lugar, de que uma ordem anti-igualitária, hierárquica, concebida por degraus, como diz São Tomás de Aquino, e respeitando em cada indivíduo as igualdades fundamentais que existem entre todos os homens, que esta ordem é a própria projeção das perfeições de Deus na organização dos homens. E que nessas condições, a ordem humana se constitui como um hino de glória a Deus, quer na Igreja, quer na sociedade civil. E é nossa missão querer que esse hino seja entoado pela humanidade inteira! (2)


Os senhores vêem que ele começa a falar da Bagarre dando um esquema a respeito da missão dele, que é, por participação, a nossa missão.


Pelo contrário, a negação desse princípio anti-igualitário, hierárquico, gradativo - em algum aspecto igualitário, quanto às condições fundamentais do homem enquanto homem, etc...

Todos os homens pertencem à natureza humana; e, nesse sentido, todos são iguais: todos têm cabeça, tronco e membros, alma, inteligência, vontade e sensibilidade. Acontece que a cabeça, que a inteligência, a vontade e a sensibilidade, a alma de cada um é inteiramente diferente de todos os outros; cada um é um só.

... que a violação desse regime, e o estabelecimento do comunismo, é como uma espécie de blasfêmia contínua, que se dirige continuamente para o céu, como a blasfêmia do inferno também (3). No inferno estão os condenados, os precitos, as almas dos homens que foram condenadas para o fogo eterno, e que estão à espera dos respectivos corpos para irem arder lá embaixo também; os corpos ressurgem e se ligam às almas. Ou então os demônios, que desde a mais antiga origem da história da criação se revoltaram contra Deus e estão ali gemendo merecidamente por todo o sempre!

É preciso também que nós tenhamos a convicção, mas uma convicção profunda, de que nosso dever é de lutar por isso como razão de nossa vida.

Igreja, sociedade temporal hierarquizada: nós devemos lutar por isso como a razão de nossa vida. Quer dizer, nós devemos dar o nosso sangue por isso (4).


Nós recebemos um chamado para fazermos a Contra-Revolução. E a nossa vida é uma negação, uma recusa desse chamado, e portanto uma fraude a Deus - porque Deus tem o direito de mandar em nós, e nós portanto não podemos fazer o contrário do que Ele quer sem defraudarmos a Ele; tomarmos a nossa vida que é um dom dEle, e usarmos como Ele não quer é uma fraude - então, nossa vida é uma fraude se nós nos entregamos ao oposto a isso.

(...) Pode ser que meu papel seja antes de tudo - e é o que tem sido - o papel do que denuncia a Revolução, do que levanta o espírito dos srs. a favor da CR, e lhes indica o dever da batalha. Mas, por que isso não continuará durante a Bagarre? É o meu papel!


Então, o papel dele que sempre foi, sempre será e está sendo, é o de denunciar a Revolução, de levantar os senhores do lado da Contra-Revolução e de lhes indicar o rumo da batalha (5).

(...) Pode ser, pode ser - a gente lá pode saber? - que Nossa Senhora me chame para o repouso eterno antes disso! Nós não podemos saber. Nossa Senhora dispõe de tudo. E quem sabe se o meu papel é, depois de ter passado pelas purificações do Purgatório, estar no Céu lutando, pela oração, ao lado dos srs. enquanto os srs. lutam na terra.

É possível... Quer dizer, o seguinte: eu também não acho provável, mas Nossa Senhora, se fizer, fez. E bendita seja Ela. Para Ela sempre incondicionalmente o nosso amor, nossa submissão e nossa confiança. Incondicionalmente!

Então, estarmos preparados para tudo, dispostos a tudo, a sacrificar tudo, a obedecer sempre, a não discutir, renunciarmos a tudo, esta é a nossa glória! (6).



Comentários:

  1. Observe-se a data desse "jour-le-jour": nessa época JC e seus cúmplices já estavam montando o processo jurídico contra a TFP, acusando nosso Estatuto de transgredir o princípio da igualdade.

  2. Se é nossa missão lutar para que o hino anti-igualitário seja entoado pela humanidade inteira, “a fortiori” dentro da TFP. Mas segundo JC, excepto dentro da TFP ...

  3. Por um lado JC reconhece que a violação do regime hierárquico constitui uma blasfemia continua. E por outro lado, vive falando que precisamos ser santos de altar!

  4. JC concorda que devemos lutar por isso e dar nosso sangue por isso. E por debaixo do pano, não só não vive conforme o que fala, mas procede frontalmente contra o que fala: ele luta contra a hierarquia na TFP, dá seu sangue para implantar o igualitarismo na TFP.

  5. Mas em concreto, JC está usurpando esse papel a Dr. Plinio. Só que, para ele, o adversário é a TFP; e trata-se de levantar os espíritos do lado da Revolução e de colocá-los na órbita da Estrutura.

  6. JC imita a Dr. Plinio nestas coisas?


*


Jour-le-jour” 25/4/96:


Antes de entrarmos propriamente na segunda aula [sobre igualitarismo], eu leio aqui um trecho do SD do dia 23/9/94, que é um elo de ligação entre a aula anterior e a aula segunda que o Sr. Dr. Plinio fez em 57. Esse texto não é longo, mas é muito substancioso.

Diz o Sr. Dr. Plinio:


(...) o por onde o demônio mais prende as almas e mais as desgarra da verdadeira Fé?(...) Alguns dos senhores estarão dizendo: "O Dr. Plinio vai-se referir à castidade e depois vai falar do aids, que as pessoas têm um tal horror à castidade que correm um risco de vida para praticar a impureza, mas não querem a pureza". Eu poderia falar e diria uma verdade muito verdadeira, mas não é do que eu vou tratar agora.

As almas encontram tanta dificuldade em praticar a castidade porque em grande parte elas são igualitárias. E o igualitarismo é um assomo de orgulho, é um assomo de inveja, é um jato de vontade de ser supremo.

O programa do igualitarismo é o programa de Satanás na sua revolta no Céu.

(...) Qual é a substância do espírito de impureza? É o igualitarismo. A tal ponto que os senhores me têm visto várias vezes, conversando com este ou aquele de meus filhos sobre assuntos de vida espiritual, dar esse conselho: "Meu filho, se você tem dificuldade em matéria de pureza, procure ser antiigualitário (...)"

Então, de todos os encargos da TFP, de todas as frentes em que ela combate... e essas frentes vão-se multiplicando por aí por fora. Basta falar da homossexualidade, pensar nesta infâmia sem nome da legalização do concubinato homossexual como se fosse um verdadeiro casamento, para a gente compreender quantas coisas tem para combater. Nós as combatemos em toda a medida do possível, mas no centro do nosso combate fica o centro do nosso inimigo. Nós vamos dar as cajadadas mais doloridas e as investidas mais perigosas, nós vamos dar contra esse que é o centro da articulação, é a cabeça do polvo. E a cabeça do polvo é o igualitarismo.


*


Quem dizer que na TFP alguém possa ser republicano, diz uma estupidez - “Jour-le-jour” 20/4/97, parte II:


O instinto do homem é inerrante até o momento do primeiro pecado. Depois do primeiro pecado ele começa a falhar. Enquanto ele se mantém na inocência, ele tem o instinto inerrante.Este instinto o Sr. Dr. Plinio dá o nome aqui de senso do ser. É o instinto da alma humana, o senso do ser, por onde o homem procura o que é verdadeiro, por onde o homem procura o que é bom.

Por isso é que o homem por natureza é aristocrata. Quem diria que o homem por natureza é republicano, esse faria uma afirmação asnática, porque o homem por natureza é aristocrata.

Por quê? Porque ele tem um instinto que o faz procurar aquilo que é bom. A natureza dele ordenada leva-o a procurar o que é bom. Levando-o a procurar o que é bom, ele quer o governo dos bons. Ora, o governo dos bons é o que há na alma humana, é o desejo da alma humana. A alma humana no seu nascedouro deseja o governo dos melhores, então o homem por sua natureza ordenada é aristocrata.

Portanto, alguém dizer que na TFP alguém possa ser republicano diz uma estupidez, porque o querer ser republicano seria querer ir contra a própria natureza humana. Isso é um contra-senso.

Nós somos defensores do senso do ser, nós somos tomistas. Portanto, somos aristocratas. A partir de qualquer conversa, já de início de qualquer conversa nós somos aristocratas.


*


"Jour-le-jour" 23/2/97, parte I – JC lê o seguinte trecho de um EVP, onde Dr. Plinio sustenta que a TFP é intrinsecamente aristocrática:


Como também seria mula-sem-cabeça uma outra coisa: organiza-se a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo sob o bafejo do Espírito Santo como ela se organizou, toda ela aristocrática -- porque ela era aristocrática, não se pode negar; todo o aspecto da Igreja era aristocrático -- entretanto a sociedade temporal não tem que se parecer com ela em nada, pode ser o contrário dela e não tem nada!

(...) O Grupo tem que ser uma imagem dessa sociedade temporal, porque ele tem que dar aos seus membros a imagem viva desse aristocratismo. O Grupo sem aristocratismo seria como um convento sem monges.


Esta afirmação de Dr. Plinio é inalterável, vale para todo o sempre. Com efeito, no final da leitura dessa reunião, JC disse:


Podia se fazer um catecismo mesmo de perguntas e respostas, com o texto todo dele. Não mudar em nada o texto dele, porque se mudar em uma palavra já está o texto alterado e não poder ser. Aqui os senhores vêem bem como o princípio protestante, luterano, calvinista, zwingliano de dizer: "Não, espere um pouquinho, as coisas do Sr. Dr. Plinio precisam ser reinterpretadas todas" [não vai].

Claro que um dito dele sobre uma circunstância X pode mudar numa circunstância Y, isso não tem dúvida, mas aqui não. Aqui se trata de uma doutrina explicitada por ele que não pode ser alterada, e é uma doutrina fixa que vale para toda época histórica. Valeria para Adão e Eva no Paraíso, assim como valerá para a época do Anticristo no fim do mundo, de alfa a ômega dentro da criação da Humanidade na face da Terra.


*


A II Revolução entre nós: “todos somos iguais” - “Jour-le-jour” 23/2/97, parte I:


Eu graças a Deus não vi que isto acontecesse aqui entre nós, mas podia ser que alguém dissesse:

-- Eu tenho um thau e tenho uma voz interior, de modo que para mim pouco me interessam os textos do Sr. Dr. Plinio. O que o Sr. Dr. Plinio disse ou que ele não disse, para mim não me interessa, porque eu tendo o thau e tendo a voz interior, eu me guio por isto que está aqui dentro. A infalibilidade está aqui dentro.

É o livre-exame, seria o livre-exame.

Eu vejo que os senhores até se mexem na cadeira, reclamam, exclamam. Ótimo, porque isso seria a Iª Revolução entre nós.

A IIª Revolução seria:

-- Olhe aqui, todos nós somos iguais. Esse negócio de um porque é mais antigo, outro porque conhece mais, outro porque tem mais thau, isso não existe. Pois se cada um de nós tem thau, tendo thau nós somos todos iguais porque os thaus são iguais. Quem disse que os thaus são diferentes?

Aí seria a IIª Revolução, e assim por diante até chegarmos à Vª Revolução.


*


O que a Revolução mais odeia é a aristocracia - “Jour-le-jour”, 26/9/96, Spring Grove:


O que a Revolução tem mais ódio é da monarquia.Mais ainda do que da monarquia o que a Revolução mais odeia é a aristocracia. Porque a monarquia ainda é menos odiada pela Revolução do que a própria aristocracia. E daí o livro dele sobre a nobreza, "Elites tradicionais análogas". (...) o ponto que a Revolução mais odeia é a aristocracia. (...) o que a Revolução mais quer destruir é a aristocracia.


*


O igualitarismo é um trabalho satânico. O igualitário tem um misterioso vínculo com satanás - “Jour-le-jour” 5/2/96:


III aula sobre igualitarismo (...) Em nossa última aula notamos como estamos diante de uma bem planejada revolução igualitária que visa a transformação de tudo quanto no universo é transformável, para estabelecer nestas coisas a igualdade.

Tudo aquilo que for possível transformar no universo, essa revolução vai transformar.


Além disso, visa a apresentação ao homem de vários aspectos do universo, que não são transformáveis, de tal maneira que ele perca a consciência da desigualdade existente,...


Quer dizer, é um trabalho satânico para transformar tudo o que é possível em igual. O que não for possível, fazer com que o homem esqueça, não pense.


*


Jour-le-jour” 18/4/96:


Para os espanhóis em 22/9/94 ele [Dr. Plinio] diz o seguinte numa conversa:


Ora, o ponto mais estratégico por onde a Revolução mais atrai almas e as mantém no cativeiro dela, esse ponto mais importante é a questão do igualitarismo.

O não querer ter superiores, o não querer ter gente maior do que si mesmo, o se revoltar quando vir que um outro é mais, é uma coisa que estabelece uma misteriosa união entre o pai da perdição e o chefe da Revolução que é satanás, e aqueles que na Terra estão lutando com a luta da Revolução.

Então, o que eu estou dizendo é que entre os revolucionários e satanás há um ponto de união especial, um ponto psicológico de união especial, que faz com que as pessoas que consentem nesse ponto, fiquem numa dependência especial dele, se sintam atraídos por ele especialmente e tenham, portanto, muito mais empenho em fazer o contra-apostolado do mal, do que nós temos empenho em fazer o apostolado bem. Primeiro ponto.

Em segundo lugar, faz com que esses que se movem para o apostolado do mal, também façam o contra-apostolado do mal para outros, outros e outros. Utilizem muito esse ponto. Qual é esse ponto? É o igualitarismo.


*


Não há um só campo onde as transformações igualitárias não penetrem - “Jour-le-jour” 25/4/96 - JC lê e comenta a II aula de Dr. Plinio sobre igualitarismo:


(...) estamos, hoje em dia, em presença de um fato dominante que engloba todos os outros fatos, que contém todos os outros fatos e dentro do qual todos os outros fatos se encaixam, e que é a revolução igualitária.


(...) Ou seja, o cerne da nossa vocação está posto no antiigualitarismo, porque o igualitarismo engloba tudo.

(...) É de uma necessidade imperiosa para nós, sabermos provar para aqueles com quem tratamos, que existe ...

Falta uma palavra no microfilme, mas eu creio que pode se colocar, talvez: que existe essa revolução igualitária -- porque ele se refere anteriormente.

sob ponto de vista essencial para depois sustentarmos a tese de que esse desejo de igualdade é, em si mesmo, um desejo mau, satânico, diabólico, se fizermos uma análise desse desejo de igualdade.


Ele martela neste ponto, porque, eu insisto, é o ponto central de nossa vocação.


(...) Temos uma necessidade absoluta de sairmos de dentro desses probleminhas e de colocar nossa linha de defesa num campo muito mais alto, por onde possamos demonstrar que não estamos em face de pequenas transformações igualitárias, mas que as transformações igualitárias se dão em todos os campos possíveis;...


Portanto, não há um só campo onde ela não entre, todos os campos possíveis.


em cada campo dão-se de todos os modos possíveis;...

Ele mostra como é avassaladora. Então é em todos os campos, em cada coisa, de todos os modos possíveis.

não há uma transformação que se dê que não seja igualitária. (...)


Ele de propósito não está tratando do assunto central, que é onde incide o ódio principal da Revolução, que é a temática classes socais, que ele trata no livro depois escrito por ele, o livro sobre a Nobreza e Elites Tradicionais Análogas. Ele não está tratando desse assunto, ele está querendo mostrar como o igualitarismo é uma avalanche que invade todos os campos, todos os setores e, dentro de cada campo e cada setor, não há onde ele não penetre, e como toda e qualquer transformação é na linha do igualitarismo.

Ele está evitando o assunto classes sociais, ele não está tocando neste assunto, que é onde justamente o problema ferve mais. Ele vai deixar para outras aulas isto.

Ele aqui está querendo mostrar a universalidade, como ela está em todos os campos.


(...)


(...) O Sr. Dr. Plinio quando começou o movimento de correspondentes e esclarecedores, logo no início, num almoço, ele me disse o seguinte -- não sei se algum dos provectos estavam presentes ou não, se D. Bertrand estava presente: "Nós temos de encontrar um meio de formar essa gente que está tendo contato conosco agora -- que eram os correspondentes -- na linha do antiigualitarismo, na linha do senso da hierarquia. Caso contrário nós não temos o povo que devemos ter para entrar no Reino de Maria". (...)


(...) Notem que eu estou me colocando intencionalmente em minha exemplificação fora dos problemas das classes sociais. Esse problema deve ser abordado depois.

É uma didática profética! Porque se ele abordasse antes, já começavam os nós que a Revolução já pôs na alma deste, daquele e daquele outro. (...)


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Sujeira, corre-corre, república e impureza é uma coisa só - “Jour-le-jour” 23/6/96:


Sujeira, corre-corre, república e impureza é uma coisa só: desarmonia. Ordem social, monarquia, ambiente todo ele feito de um relacionamento elevado, nobre, distinto e aristocrático, linguagem elevada, relacionamento elevado, tudo isto constituía o outro mundo: é o mundo da harmonia. É a harmonia contra a desarmonia, é a ordem contra a desordem.


JC tem toda a razão: seus discípulos são republicanos; gostam do corre-corre; sujos --basta ver como deixaram as sedes das quais tinham tomado posse e a ortografia de seus grafonemas.


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Quem não tem verdadeiro senso religioso católico, é republicano e igualitário - "Jour-le-jour" 6/1/96:


Tenho aqui uma reunião que é da Comissão B, do dia 23 de julho de 66 (...):


O senso religioso foi definido por mim como tendo essa faceta fundamental, que é a seguinte: Diante da grandeza de Deus, da santidade de Deus, da bondade de Deus, um movimento de abnegação.

Esse movimento não é um mero impulso. Esse movimento não é um mero impulso, mas é uma coisa profundamente razoável, que decorre da seguinte idéia de que os seres menores existem para os maiores, e de que, portanto, a boa ordem do ser menor é de voltar-se inteiramente para a admiração, para o amor e para o serviço do ser maior. Este é o fundo do senso religioso.

(...)

Os senhores compreendem então o seguinte: que para todo o mundo, mas, sobretudo, para o membro do grupo, o que é preciso cultivar? Qual é a virtude para a qual é preciso conduzir as almas dos membros do Grupo? É esta posição primeira e fundamental do espírito, em virtude da qual eu compreendo que o menor existe para o maior, o menos perfeito para o mais perfeito, o contingente para o absoluto, o transitório para o eterno, e pela qual eu compreendo que o meu bem nesta vida --o meu, para falar em termos de eu-- o meu bem não é minha carreira, meu emprego, meu dinheiro. Nada disso. O meu bem é Deus Nosso Senhor, é evidentemente Nossa Senhora, a Igreja. São os absolutos que existem na criação e que me falam de Deus. É claro que é o Grupo. Dentro do Grupo, aqueles que na ordem da vocação são maiores para nós, ou pela missão no Grupo, ou pelo thau, enfim, por mil razões.

Os senhores querem ver uma expressão curiosa disso? Quando o indivíduo vai bem no Grupo, ele tem alegria em servir abnegadamente ao Grupo; ele faz trabalhos, ele se dedica, ele agüenta até que os superiores abusem dele um pouco da saúde ou da capacidade de trabalho dele, sem nem perceber que ele agüenta.

Outra coisa: ele se dedica muito facilmente aos que são mais do que ele no Grupo (...) ele tem uma facilidade de se dedicar até para os negócios pessoais dele: vai fazer uma compra, faz outra coisa, gosta, fica alegre.

Bom, a característica do sujeito que não vai bem no Grupo é o aparecimento dos pequenos interesses dentro do Grupo. (...) Isso se prende ao que nós dissemos: Quando o sujeito vem na nossa vocação, a vocação acende nele esse senso do menor alegre em servir o maior, e, portanto, do filho do Grupo alegre em servir o Grupo.

Agora, pelo contrário, quando a vocação vai periclitante, levada enlambuzadamente, sporcatta, então é o contrário, começa a aparecer os interesses individuais (...)


Ou seja, o que ele está querendo demonstrar é que a pessoa perde com isso o senso religioso. Só tem verdadeiro senso religioso aquele que se coloca numa postura de serviço, de amor, de admiração, de entusiasmo, pelo que é maior. Quem não tem isso, não tem senso religioso. E este é o fundamento do senso aristocrático. Portanto, quem não tem isso é republicano, é igualitário.


Desta posição religiosa decorrem duas coisas e duas coisas que caracterizam o nosso espírito a mais não poder. Primeiro: o senso aristocrático. Segundo: o melodismo. (...)

Senso aristocrático por quê? Porque a dedicação do menor pelo maior e da família menor pela família maior, cria inevitavelmente a aristocracia.


Aqui ele vai passar muito voando. Mas é evidente. Se há esse impulso, se há esse instinto, se há esse senso numa sociedade e umas famílias inferiores começarem a servir as superiores, algumas famílias serão mais servidas por várias outras. Essas poucas famílias constituirão o que se chama a aristocracia. Eles é que, praticamente, vão dar a orientação à sociedade. Aí os senhores têm uma sociedade orgânica com base no amor de Deus, com base no senso do absoluto (1).

(...) Abandonada essa posição de espírito, a única atitude possível é a democracia, a filosofia do egoísmo é a democracia, ou, vamos dizer, a organização político-social-econômica do egoísmo se chama democracia. "Por que você vale mais do que eu? Não senhor! Voto igual, fortuna igual, vamos acabar com essa história”. (...)


Eu achei essa reunião a mais central, a mais cérnica vamos chamar assim, mais de cerne mesmo, de substância, por onde a gente percebe o que [no SDP] é o tal enquanto tal.

Aqui é que o senhor percebe a fundo como na alma dele a atitude social, a atitude política, tinha que ter um correlato com a atitude religiosa. Como elas se encaixam inteiramente neste princípio.

(...)

Ele me disse uma vez: "Nós temos dois caminhos a seguir --no começo da década de 80-- dois caminhos a seguir diferentes: com os enjolras, nós devemos tocar pelo senso religioso até eles florescerem no senso aristocrático. Com outros --não quero dizer que eram os outros-- temos que aproveitar o senso político, o senso que eles têm e ir desenvolvendo a ponto de eles compreenderem que o fundamento real do senso político, do senso aristocrático é o senso religioso. Com isto nós teríamos a homogenização do Grupo.

Quando começaram os correspondentes e esclarecedores, ele disse: "Seu Senhor tem um grande problema: como fazer com que esses correspondentes e esclarecedores tão fortes na piedade, na oração, na penitência, compreendam que o senso religioso verdadeiro tem uma ligação total e intensa com o senso aristocrático? Se nós não fizermos isso, nós não temos Reino de Maria."


Comentário:

  1. Em outros termos, Dr. Plinio ensina que, dependendo do amor ou do ódio da pessoa às desigualdades, a morfologia da sociedade será orgânica ou anorgânica.

Ora, no processo jurídico que os adeptos de JC abriram contra a TFP, eles falam muito da “organicidade”; e ao mesmo tempo manifestam um ódio muito profundo às desigualdades.

Quer dizer, o que eles entendem por “sociedade orgânica”, não corresponde ao que Dr. Plinio --e nós-- entende como tal.

Assim sendo, é razoável perguntar se o joanismo não comporta uma concepção do homem, da sociedade, do universo e da religião diferente da concepção pliniana, e portanto da católica.


*


Isso posto, como explicar que, por um lado os joaninos concordassem e aplaudissem os ensinamentos de Dr. Plinio e os comentários de JC a respeito de igualitarismo (1), e por outro lado eles estivessem infeccionados pelo igualitarismo? (2)


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1. Mais ainda, os joaninos antipatizavam profundamente quando se defrontavam perante qualquer coisa que tivesse conotações igualitárias. Eis o que constata seu chefe JC:

E assim continua o Sr. Dr. Plinio analisando D. Quixote, mas eu não vou fazer uma análise. Acho que os senhores se sentiriam aborrecidos e furiosos porque tem lados republicanos, tem lados igualitários, tem lados depreciativos, e os senhores ficariam furiosos.(Cfr. "jour-le-jour" 21/9/97, parte II)

2. Prova dessa infeção são as inúmeras manifestações de desobediência, desacato e insubordinação, desde antes do falecimento de Dr. Plinio.

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Dizer que se trata de hipocrisia, é uma hipótese que explica o fenômeno, mas em parte.

Outra hipótese --que não elimina a anterior, mas a complementa-- é que as palavras “hierarquia”, “desigualdade”, “igualitarismo”, etc., tem, na mente dos adeptos do joanismo, um significado que não corresponde ao comum e corrente.

Esta conjetura é corroborada ao ler o livro “Quia nominor provectus”, onde Ramón León e a equipe de eremitas de São Bento – Praesto Sum que o acolitaram acusam aos Diretores da TFP de serem ... igualitários! (Cfr. pp.24, 68, 83, 189 e 192). E no libelo "Monsenhor Lefevre vive?" (pp. 280, 259), Patrício Amunátegui, refere-se às nossas Autoridades como “os inconformes”, “partido da Montanha”, etc.







B. No tocante à pureza


Reunião na Saúde, 7/1/96:


A castidade é como um arminho. O arminho morre de desgosto quando sente que está enlameado, porque ele é puro. Ele sentiu que uma lama tocou nele, morre de desgosto.Assim também o homem puro. O homem puro quando sente que uma lama qualquer da impureza quer tocar nele, ele prefere morrer.

(...) Há uma coesão muito grande entre humildade e pureza. Por isso quando a gente vê uma pessoa muito mega, a gente fica desconfiado que mais dia menos dia ele vai cair de costas e quebrar o nariz em matéria de pureza.

Quando a gente vê uma pessoa toda entregue à impureza pode ter certeza que ordo para ela, submissão à autoridade não significam nada, porque ela tem uma dificuldade enorme em ser submissa.

Por que tem dificuldade pela submissão? Porque é impura. A impureza leva a querer se revoltar contra toda lei, e aquele que se levanta contra a lei não tem forças para manter a sua própria castidade.


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Telefonema Saúde, 4/1/97:


[A pureza] é uma virtude que praticada sobretudo neste século e neste ano de 1997 tem a força que tiveram as virgens nos primeiros tempos do Cristianismo. Elas pela sua virgindade derrubaram o Império Romano.

Nós devemos ser os virgens, os castos, nós devemos amar a virtude da pureza como nós nunca amamos a ninguém ou a nada. A virtude da pureza deve ser o nosso escudo, deve ser o nosso facho de luz, nosso farol, deve ser nosso pico de montanha, deve ser nosso ninho de águia. Ela deve ser a proa de nosso navio no meio da tempestade, ela deve ser a escotilha de nosso navio no meio dos perigos e dos riscos.

Então nós devemos, além da virtude da confiança, praticar muito a virtude da castidade durante esse ano, e defender a nossa pureza com unhas e dentes, não querer de forma nenhuma que o demônio nos arranque essa virtude. Sobretudo sendo nós virgens, jamais permitir que essa virgindade se vá por um sopro de Satanás. (...)

(José Luís: Sr. João, e qual seria a maneira melhor de nós nos mantermos na virtude da pureza e da confiança a cada minuto deste ano de 97?)


Rezando muito pela virtude da confiança e da pureza, mas para a virtude da pureza especialmente ser muito vigilante, nunca se aproximar de uma ocasião de pecado. Ocasião próxima de pecado deve estar longe de nós.

Então afastar-se dos riscos, afastar-se dos perigos, porque se há alguma coisa que nós não queremos perder jamais nesta vida é a virtude da castidade.

(...) O que mais sustenta a virtude da castidade em nós é a humildade. Um sujeito que é mega, que gosta de chamar atenção sobre si, que se acha belo, bonito, que se acha vaidoso, que se acha o centro do universo, esse não tem virtude da castidade. Mais dia, menos dia, ele escorrega, cai de costas, bate a nunca no chão e quebra o nariz.


No apostolado feminino, que JC desenvolve com tanto gosto, ele procede de acordo com todos esses belos conselhos?





C. No tocante à humildade, despretensão e ausência de amor próprio


Nosso Senhor, quando era aclamado, mandava calar a boca e fugia; quando O ofendiam, não retrucava; não megalava. Imitêmo-Lo - Reunião na Saúde, 4/6/96:


Nosso Senhor o que diz no Evangelho? Nosso Senhor diz no Evangelho, "aprendei de mim a criar"? Ele diz "aprendei de mim a fazer milagres"? Ele disse isso? Os senhores encontram no Evangelho Nosso Senhor dizendo "aprendei de mim a pregar!" Os senhores encontram isso ou não? Ele diz: "Aprendei de mim a viajar e a transformar as almas"? O que é que Nosso Senhor disse?

"Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, e vossas vidas com isso serão serenas e tranqüilas."

Então, o que Ele quer que nós aprendamos dEle o que é?

A humildade. A mansidão.

Mas, se for analisar o que é a mansidão e a humildade em Nosso Senhor, a humildade dEle, criador do céu e da terra, criador de todo o universo. Criador. Ele, Deus, Senhor dos senhores, entretanto, se faz homem. Mas Ele ao se fazer deveria se fazer um homem colosso, um homem com corpo glorioso. Não. Homem com corpo padecente.

Mas, Ele deveria ter mandado na frente anjos construírem um superpalácio para Ele poder morar.

Gruta. Manjedoura.

Os grandes tecidos nos quais Ele é envolto são uns trapos. O aquecimento dEle, um boi e um burro. Ele se aquece com o calor do boi e do burro perto dEle porque era uma noite de frio. Quer dizer, o grande, o Rei do universo nascendo assim.

Depois, quando O aclamam, Ele manda calar a boca. Ele manda calar a boca às crianças e aos demônios.

Quando O ofendem, Ele não diz uma palavra.

Quando O querem aclamar rei, Ele foge.

Mas quando O apanham para ser crucificado, Ele se entrega.

"Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração."

Então, essa deve ser a nossa conduta entre nós: mansidão, humildade, sempre um disposto a ajudar o outro, sempre um disposto a fazer a vontade do outro, sempre um disposto a ser manso em relação ao outro. Nunca levantar as garras e querer brigar ou coisa que o valha. Nunca.

Esse exemplo o Senhor Doutor Plinio seguiu? Oh!

E nós temos nele um reflexo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Temos nele, portanto, nosso exemplo.

Então como é que deve ser o trato dos escravos? Todo feito de mansidão, humildade e benquerença. Mansidão, humildade, benquerença.


*


Jour-le-jour” 19/5/97:


Deus é a humildade. É bem diferente de nós, porque se fôssemos nós a gente diria: "Olhe, vou-lhe dar, mas fique sabendo que sou eu, hein?". Deus não, Ele dá e se esconde.

Imitemo-Lo.


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Não se deve falar nunca de si:


- Não se deve falar de si nunca, o falar de si é uma coisa perigosa (...).

(Cfr. Congresso de neo-cooperadores, 20/2/96)


- A gente não deve falar de si, nem para falar mal a gente deve falar de si (...)

(Cfr. “Jour-le-jour” 23/3/97, parte I)


- A gente não deve falar nunca a respeito de si, nem para comentar os defeitos, porque é perigoso.

(Cfr. “Jour-le-jour” 1/8/97)


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Sou um servo inútil, uma formiguinha miserável; eu sou ruim mesmo:


- Que saudades da confiança paternal de MSS e da total liberdade de movimentos que ele dava a este inútil servo!!!

(Cfr. “Juizo Temerário”, p.14)


- Quanto à forma de operar, infelizmente, senhor [NB: JC está se dirigindo a Dr. Plinio], a Providência não vos proporcionou um servo luzidio dos coruscantes reflexos de vossa profética grandeza. O único dom concedido a quem vos escreve neste instante é alguma facilidade para agradar. (id. p.26)


- Eu sou uma formiguinha miserável, e assim mesmo com algumas pernas quebradas (...)(Cfr. “Jour-le-jour” 12/10/97, parte II)


- (...) quanto mais mal falarem [de mim], ainda não dão a volta inteira na maldade, porque eu sou muito ruim mesmo! (cfr. Conversa na Saúde, ano 1994, sem data, arquivo de computador 940000TC.SA)


A respeito disso, duas observações:


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Conosco, sem nós, contra nós, por cima de nós, a Obra de Dr. Plinio chega até o fim do mundo:


a) “Jour-le-jour” 25/9/97 - JC lê e comenta uma apostila de MNF, e mais especificamente a Teoria do Post-Scriptum da História:


Diz Bossuet que o centro da História são os justos e que tudo acontece para favorecer o curso dos justos. Portanto é a propósito dos justos que acontece a História. Então, se não houvesse um filão de justos que agüenta hoje, apesar de tudo, o mundo acabaria. E nós podemos nos perguntar se a TFP não é o por onde o mundo não acaba.

E aí toda a história, inclusive interna da TFP, toma ar de um centro da História.


E inclusive agora, durante a ausência dele, hein! Durante esse interregno de ausência dele.


Depois, dizer que há justos em atenção aos quais o fim do mundo é prorrogado, não é verdade, a coisa é outra: como o fim do mundo foi prorrogado, há uns pangarés que mantém a continuidade para o mundo não acabar. Mas tudo se joga em função desses pangarés.


(...) todos nós somos pangarés. Agora, nós vamos determinar que a história não acaba? Aí então a gente olha para o Sr. Dr. Plinio e diz: "Não, mas é por ele que a História não vai acabar". Mas enfim, ele foi e nós ficamos pangarés. Porque antes, nós éramos uns pangarés, ou seja, zero com um número nove na frente. Então, pronto. Aí era um número fabuloso. Mas tirou o nove, ficou tudo zero. [Risos.] E somos nós. Nós uns pangarés. Agora então vem a explicação.


Mas tudo se joga em função desses pangarés. E então, a história do mundo acabou, porque isto que vai acontecer de agora em diante não é mais História.

(...) Nós estamos entre o termino da História e o começo do post-scriptum. Este tempo nos é dado para que nós compreendamos que somos trapos. [Risos.]

Porque quanto mais nos convencermos que somos trapos, mais aproveitaremos quando vier o elo. Então é preciso nós nos convencermos de que somos pangarés. E que não é por nossa causa que virá o post-scriptum. É porque a Providência já Se decidiu em fazer o post-scriptum. Ela vai se servir de nós enquanto pangarés, e enquanto trapos. Mas servir-Se-á de nós na união com ele.



b) “Jour-le-jour” 23/1/96:


Nós, que tivemos a possibilidade de conhecê-lo [ao SDP], uns cinqüenta, outros quarenta, outros trinta, outros vinte, outros cinco, outros três, que seja, alguns só meses, nós temos uma responsabilidade junto aos que vêm depois enorme. Porque eles olharão para nós à procura, em nós, daquele para o qual eles foram criados.

Por isso eu vejo nos Estados Unidos, por exemplo, esses menininhos. Os senhores devem ter visto. Eles juntam em torno de mim depois de uma reunião e insistem que eu peça ao Sr. Dr. Plinio que os abençõe. Eu peço. Eles tomam a bênção e todos se ajoelham, porque eles estão com aquela idéia de encontrar ao Sr. Dr. Plinio nos outros, tout court.

Agora imaginem que se eu não correspondesse à graça. Ou pelo menos se eu correspondesse como devesse, ainda faria mais bem. Mas se eu não correspondesse inteiramente à graça, o que aconteceria é que eles não teriam isso. Teria a graça, como o senhor diz, de encontrar outro meio para formá-los, porque essa obra é imortal. Conosco, sem nós, contra nós, por cima de nós, isto chega até o fim do mundo, não tem por onde.



c) Reunião na Saúde, 30/4/96:


Eu não sei se vou passar para o Reino de Maria, não tenho idéia, espero. Nós temos que estar resignados a tudo.



d) Reunião para CCEE, Belo Horizonte, 3/8/96:


Anteontem partiram três pessoas, duas daqui de São Paulo e uma de Colômbia, para a Guatemala, com uma sede aberta, já com apostolandos, já com contatos. [Aplausos]

É nesse sentido que já há um apartamento, já há uma sede no Japão. (...) É por isso que este Congresso de Neocooperadores em São Paulo tinha praticamente o dobro do último, e gente com muito thau, com muito fervor, com muito futuro, e um brilho extraordinário.

Nós fizemos um simpósio em São Paulo muito recentemente a respeito de como fazer visitas, de como ampliar o quadro dos correspondentes e esclarecedores, como aproveitar os nomes do mailing. Recebi um relatório que mostra que nesse meio tempo -- dois meses e pouquinho -- foram feitas nada mais nada menos do que mil trezentas e cinqüenta visitas. O que representa isso de bola de neve que vai crescer, que vai crescer, que vai tomar conta?

O que tem sido as apresentações? Hoje mesmo teremos uma à tarde aqui, amanhã teremos outra em São João del Rey, depois outra em Arcos, depois será o norte Fluminense. Isso vai também num crescendo. Tudo isto conquistado por ele [Dr. Plinio], tudo isto orientado por ele, tudo isto comprado por ele.

(Sra. -: O senhor tem colaborado constantemente.)


Minha colaboração é mais ou menos como a colaboração de um pincel de poucos pelos, de pouca linhagem, nas mãos de um bom artista. Esse artista se chama Plinio Corrêa de Oliveira.

Quanto pior o pincel, mais a arte do pintor transparece. Por um lado eu fico triste de ter minhas misérias, por outro lado eu fico contente, porque aí fica patente que ele é um grande pintor mesmo. [Aplausos]


Mas uma das “razões” da revolta foi que, sem JC, a Causa da Contra-Revolução deperecerá irreversivelmente.

E o próprio fanfarrão afirmou taxativamente que, sem ele, todo um conjunto de membros do Grupo, vai cair na devassidão:

[A TFP Americana vai cair num] “precipício, porque essas almas todas que eu dirigia eu perdi completamente a influencia. Esse Grupo vai entrar, à medida que o tempo for passando, na podridão de toda vida moral” (Cfr. conversa telefônica com o Sr. Fernando Antunez, do 18 ou 28/10/96)


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Eu nada exijo para mim, eu quero ser pisado, eu quero ser esquecido, quero ser apagado, para ser como o último dos homens:


a) Reunião na Saúde, 27/2/96:


O escravo é aquele que nada tem, nada possui, nada é, nada exige (...)


b) 23/1/96 - JC comenta um trecho da seguinte oração composta pelo SDP e que foi publicada pela “Folha de São Paulo”:


Ó Coração Sapiencial e Imaculado de Maria, neste ambiente em que todos são homens livres, ébrios de liberdade, sei que me fiz vosso escravo para ser como o último dos homens...

Eu não quero nada para mim, eu quero ser pisado, eu quero ser esquecido, quero ser apagado, para ser como último dos homens...


... de quem podeis dispor como mísero objeto sem vontade própria.


É objeto. Fique aqui, passa para cá, vai para lá, vem cá, agora fique aqui e não amole.


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Dai-me admiração única pelo Sr. Dr. Plinio, e o resto pode tirar - Reunião na Saúde, 17/6/97:


Eu me lembro, aqui nesta sede, em cima, no quarto do Sr. Tsuneo, dizendo a ele isso:- Olhe, o senhor vai chegar no Céu, e não vou esperar que o senhor chegue lá para fazer um pedido; eu vou fazê-lo agora. O senhor me promete que vai tentar, junto ao Imaculado Coração de Maria, junto ao Sagrado Coração de Jesus, obter essa graça que eu vou pedir para o senhor?

- Bom, eu prometo. Vou tentar, mas não sei se eu consigo.

- Não. Desde que o senhor peça, o senhor consegue. O senhor vai pedir mesmo?

- Sim, vou pedir. O que o senhor quer?

- Que o senhor chegue lá e consiga para mim uma admiração única pelo Sr. Dr. Plinio. [Aplausos] (1)

Eu não quero outra coisa; a única coisa que eu quero é isso.

Alguém diria:

- Mas o senhor não gostaria, por exemplo, de ter um reino e ser rei?

- Não.

- O senhor não gostaria de ser um grande governador?

- Não.

- O senhor não gostaria...?

- Eu não gostaria de nada; não me ofereça nada! A única coisa que eu quero é isso: admiração única por ele.

São João Bosco tinha esse lema: "Da mihi animas, et caetera tolle” – “Dai-me almas, e o resto tirai-me." Eu digo: “Da mihi admirationem ad sacralem dominum meum, et caetera tolle”. Se o latim não estiver correto, a culpa é do Sr. Araújo. Dai-me admiração única pelo Sr. Dr. Plinio, e o resto pode tirar; que tirem tudo (2).

Se alguém dissesse:

- Olhe aqui!! Eu vou lhe tirar tal coisa!

- Tira.

- Vou lhe tirar tal outra...! [Vira a fita.]

[Aplausos.]

Qual é o amor que nós devemos ter para com ele? É um amor ilimitado, sem obstáculo.


(Fabiano Reis: Para uma pessoa amar mais é preciso ter mais vida interior...)


Para amar mais, tem que amar mais!

(Fabiano Reis: Mas mesmo se ela vive num ambiente...)

Mesmo se a pessoa vive no ambiente da família, no ambiente da escola, no ambiente do trabalho... Se for levada até o fundo do Inferno... Santa Teresinha do Menino Jesus chegou a dizer isso: "Eu gostaria de ir até o fundo do Inferno para, pelo menos eu, lá naquele ambiente de onde só sai blasfêmia, de onde só sai ódio, ali, poder dirigir a Deus um ato de amor."

Quer dizer, o ambiente não quer dizer nada. Nem o ambiente, nem trabalho, nem companhia. Qualquer coisa que nos circunde, qualquer coisa que nos preocupe, pouco importa: no centro está aquele ardor; fogareiro aceso sempre, com labareda alta.


Comentários:

  1. Não pede para os outros.

  2. Mas ao se revoltar, JC acabou afirmando: ou me dão a Presidência da TFP ou ponho fogo na casa inteira!


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Quanto menos eu me encanto comigo mesmo, mais eu me encanto com os outros - Reunião na Saúde, 2/7/96:


Existe uma virtude que se chama a virtude da despretensão, que está ligada a uma outra que se chama santa proeza. Só é verdadeiramente feito todo de proeza o homem que é despretensioso, segundo dizia o Sr. Dr. Plinio.

Por isso é que ele deu o nome ao Êremo de São Bento de Êremo da Despretensão e da Santa Proeza de Nossa Senhora. São duas coisas que estão inteiramente ligadas entre si.

Ele é um homem, como todo o santo, que se considera pelo seu lado humano, não pelo lado de missão, não pelo lado de vocação, não pelo lado da graça, como uma pessoa menos válida, como uma pessoa que não tem méritos, como uma pessoa que está no fim dos fins.

Veja o que aconteceu com aqueles três santos, São Francisco de Assis, São Domingos e Santo Ângelo, três santos. Os três se encontraram pela primeira vez numa sacristia, viram-se e os três caíram de joelhos, cada um admirando os outros dois.

É uma admiração impressionantíssima de um santo para com os outros dois santos, e os três tiveram a mesma atitude em relação aos outros dias. O que prova que cada santo considerava que os outros dois eram superiores a ele.

Esta é a alma de um santo, e este é o espírito que deveria existir entre nós. Ou seja, a gente sempre olhando para os outros, deveria ter um encanto pelos outros maior do que a gente tem pela gente mesmo.Encanto por nós não deve existir. Quanto menos eu me encanto comigo mesmo, mais eu me encanto com os outros. Quanto mais eu me encanto pelos outros, menos eu me encanto por mim mesmo. Esse é o fundo da alma da despretensão de um santo.


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O Grupo não chegará a ser o que deve, se não houver uma drenagem do amor próprio e da carreirosa - “Jour-le-jour” 23/2/97, periodo II:


Eu li por esses dias num texto, em que o Sr. Dr. Plinio diz isso: "Entrou uma onda de sede de realização dentro do Grupo -- isso diz no começo da década de noventa --, que o Grupo não chegará a ser o que ele é se não houver uma drenagem desse amor próprio e desejo de carreira".


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Na apostila dos retiros, p. 57, JC sustenta que a “dificuldade em aceitar humilhações, vexames ou injustiças” é o termômetro do “espírito arrojado, pronto para ser um verdadeiro herói e anunciar o Reino de Maria”.


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O senhor pode prejudicar a si próprio, mas não a Causa - “Jour-le-jour” 19/5/97:


[Quando a pessoa] recebe uma graça mística, que é, por exemplo, um flash, o que é que a pessoa deve fazer na hora do flash? Ela não deve pegar uma caderneta enquanto está no estado de sensibilidade e dizer: "Vou anotar porque senão depois eu esqueço".

Não, espere, primeiro deixe-se levar. É uma graça operante, é o sopro do Espírito Santo que está batendo na alma dela como um vento poderia bater sobre as velas de um navio, de um barco, então deixe-se levar.

Quando aquele sopro terminar, aí pega a caderneta e toma nota. Mas durante o momento em que a pessoa está tomada por aquele sopro, é deixar-se levar.

Por exemplo, o senhor está telefonando, bate os olhos numa fotografia e recebe um flash, o senhor tem que conversar com seu interlocutor como se ele fosse um segundo objeto e com uma segunda atenção. Sua primeira atenção tem que estar toda ela posta naquele momento em que o senhor foi tocado por uma graça operante ao olhar a fotografia.

Então o senhor vai dizer sim, não tem dúvida, é, pois claro, é evidente, porque o que importa é o flash que o senhor está tendo com a fotografia. Aquilo é mais importante do que a conversa com o outro.

-- Mas se o senhor não prestar direito atenção, o senhor vai perder uns cinqüenta dólares.

-- Perca quinhentos, vale menos do que o flash, e deixe-se levar.

Depois de deixar-se levar, terminado o telefonema, aí o senhor vai e toma nota para se lembrar daquilo, vai procurar reviver o flash que o senhor teve olhando para a fotografia, vai contemplar um pouco mais. Isso é o deixar-se levar.

Não opor obstáculo, dizer: "Eu estou com essa fotografia que está me atraindo e estou aqui negociando cinqüenta dólares. Eu vou perder esses cinqüenta dólares? De jeito nenhum!".

-- Fulano, não, espere um pouco. Vamos fazer os cálculos direito.

Perdi o flash porque não deixei-me levar. Eu quis conduzir a economia.

-- Bom, mas quando é um prejuízo para a causa?

Aí não, aí o senhor não pode porque o senhor não pode prejudicar a causa. O senhor pode prejudicar a si próprio, mas não a causa. Aí o senhor tem que se dedicar, tem que confiar em Nossa Senhora e numa outra hora o senhor vai receber outro flash. Terminado o telefonema, o senhor com calma e paz de alma pede a Nossa Senhora: "Minha Mãe, eu estava cuidando dos vossos interesses. Vós estáveis me dando uma graça operante e eu não podia prestar a primeira atenção na graça operante. Eu quero que vós me renoveis essa graça agora". Aí procura retomar a graça que tinha sido dada antes.

Está claro o deixar-se levar ou não?


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A sublimidade e a importância da Causa está infinitamente acima de qualquer outra questão - Carta enviada pelo Pe. Olavo a Dr. Luiz (16/1/96):


Seria pretensioso de minha parte discutir com o Sr. Dumas (..) por que Deus chamou a Si o Sr. Dr. Plinio. Reconheço que a tomada de uma ou outra posição, aliás como ele diz, tem consequências até de ordem espiritual. (...) Mas essa diferença de vistas por maior que seja, não justifica nem de longe, [entre os membros da TFP], qualquer debate, qualquer atitude, qualquer manifestação que viesse provocar no Grupo a menor dissensão interna (...). Porque a sublimidade e a importância [da] Causa está infinitamente acima de qualquer outra questão, uma vez que diz respeito à glória de Deus (...)

Se é o espírito de Caridade que nos move a cotejar essas diferenças de opiniões, não poderia ser de outro modo. A não ser que a tomada de posição fosse pretexto para outros objetivos e intenções. (...)


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Carta do Pe. Olavo a Dr. Plinio Xavier, 31/5/97, p.7:


Se tivesse ao menos a remota esperança de que com esse meu sacrifício [da minha reputação pessoal em aras à coesão da TFP] contribuiria para a união do Grupo, não hesitaria um só momento em fazê-lo, para o que me seria precioso consolo as piedosas evocações sobre a Paixão de Nosso Divino Redentor (...).

Mas isso traz-me à lembrança, também, a atitude de boa parte da nobreza na Revolução Francesa, que dando ouvidos a conselhos similares submissamente subiu os degraus do patíbulo, em vez de pôr a espada a serviço da Igreja e do Rei. O Céu talvez se tenha povoado de mártires, mas na terra a Revolução conseguiu levar a cabo sua obra de destruição, e os Infernos alcançaram não poucas vitórias.


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O modelo é o Sr. Dr. Plinio, não eu. No momento não há sucessor:


a) “Jour-le-jour” 13/9/96, Spring Grove:


Diz o Torreão dos Fundadores de que o único modelo, modelo mesmo, deve ser o fundador. Os discípulos não são modelos. Os discípulos podem ser até muito admirados, mas imitado deve ser o fundador.



b) “Jour-le-jour” 24/9/95:


Nós não temos no momento alguém que se diga infalível, inerrante, para dizer: "o rumo é este." Eu não sou! Se alguém teve alguma aparição ou alguma inspiração profunda da graça, que o constituiu inerrante entre nós, então venha aqui, porque nós estamos precisando disso! Eu sou o primeiro a me ajoelhar aqui. Eu nem vou me sentar, eu me ajoelho aqui na frente e eu quero ouvir. Porque não quero outra coisa.


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Não me cabe formar a todos os membros de todas as TFPs - “Palavrinha” encerramento retiro duplas do ENSDP, 15/1/97:


Se me cabe formar alguns membros do Grupo, formar aqueles que estão mais diretamente ligados a mim, eu tenho que fazer isto com todo empenho, com toda perfeição, com toda dedicação, como os senhores fazem na coleta de donativos. Os senhores têm uma meta a atingir, eu também tenho. Então cada um de nós no front de batalha em que se encontra tem que dar tudo.


Mas na realidade JC quer formar a todos os membros do Grupo, inclusive do Exterior.


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Eu não vejo um que quer aparecer mais que os outros - Conversa de JC com eremitas de São Bento – Praesto Sum, 31/7/96:


(Claudinei: Eu me lembro que uma das últimas coisas que o Sr. Dr. Plinio disse para o exame de consciência, é que não pode haver disputas e oposições entre os membros do Grupo. Foi uma das últimas coisas que ele disse...)


Na Reunião de Recortes, aqui, no dia 19 de agosto?


(Claudinei: Não me lembro ao certo, mas era uma das últimas coisas que ele disse. Como é que isso se colocaria hoje?)


Olhe, eu vou dizer uma coisa para o senhor: com exceções raras, raras, raras, raríssimas, disputas não há. O grande mal é o esquecimento. Eu não vejo, pelo menos, um que quer aparecer mais que o outro, etc. O grande mal é o esquecimento; para algumas pessoas ele sumiu dos horizontes.

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Não fiquei ressentido pelo fato de Dr. Plinio não me ter nomeado seu sucessor - Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, “confidencial, distribuída apenas aos encarregados de Grupo do Exterior”, 20/3/96:


(Dustan: Como é que o senhor vê as graças que o Sr. Dr. Plinio tem obtido no Céu para o Grupo? Porque ele no Céu as graças são maiores que caem sobre o Grupo.)


É, esse é que é o problema, é que as pessoas já o rejeitavam em vida. Não se esqueça, ele já era rejeitado em vida.

Agora, ainda mais tendo ido para a eternidade, fica o ressentimento da parte de alguns pelo fato dele ter ido.


(Aparte: Nossa Senhora!)


Sim: "Por que é que foi? Me deixou só e não me deixou empossado numa função de importância. Eu sou obrigado agora a aceitar essa estrutura que existe".


Em termos crus: houve gente que ficou ressentida com o SDP pelo fato dele não lhes ter dado cargos de importância. Só JC não ficou ressentido e aceitou com a maior despretensão a estrutura vigente ...

E suas bases também não ficaram ressentidas. Tanto assim que, na Argentina, os joaninos sustentam que, assim como Deus não quis que Moisés entrasse na Terra Prometida por ter tido uma infidelidade, da mesma maneira não quis que Dr. Plinio entrasse no Reino de Maria por não ter nomeado a JC seu sucessor.


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Nada de querer mandar um no outro, de querer cerrar de cima um ao outro, de querer ser violento em relação ao outro: isso é orgulho - Reunião na Saúde, 11/6/96:


Há fatos que a gente nem pode contar porque as pessoas ainda estão vivas, mas fatos de humilhação pelas quais ele [Dr. Plinio] passou dentro do Grupo, umas coisas tremendas. Com toda a naturalidade, com toda a flexibilidade ele passava por essas situações todas sem nenhuma reclamação, sem nenhuma revolta, sem nada.

(...) Eu soube, por exemplo, que num grupo X (...) houve um que pegou... Era um jovenzinho de apostolado que tomava um chocolate com não sei o quê todos os dias de manhã. Porque este outro se irritou com o chocolate que esse primeiro tomava, uma noite, uma manhã, ou uma tarde, não sei, pegou o chocolate dele, abriu a lata e jogou em todas as roupas dele.

Tem sentido isso?

Abriu a mala dele e estragou a roupa. Não tem sentido isso.

Isso o que é que é? É ato de virtude, de amor de Deus? Não, isso é pecado contra a caridade. Uma pessoa que fez isso não pode comungar, porque isso revela um prejuízo contra o sétimo Mandamento da Lei de Deus, contra o décimo Mandamento da Lei de Deus, porque é um prejuízo à propriedade do outro. O outro vai ter que lavar essas roupas todas, conforme seja o dinheiro que ele tenha é uma coisa para ele que é grave, e além do mais ele perde o chocolate. E mais: isto mostra um ato de ódio que não é normal, não é comum. Uma pessoa que pratica um ato desses tem que fazer penitência para o resto de sua vida. E não é um ato de humildade, isso é ato de orgulho, porque se coloca no lugar de Deus justiceiro, vai fazer justiça: - Porque o sujeito toma chocolate e fica amolecido.

- Quem é o senhor para dizer quem é duro e quem é mole? E ser duro é fazer isso?

Aí está, a humildade do Sr. Dr. Plinio nunca, jamais faria isso.

(...) nós devemos ter essa benquerença de um para com o outro, e nada de querer mandar um no outro, de querer cerrar de cima um ao outro, de querer ser violento em relação ao outro, querer fazer atos de vandalismo como esse que eu contei do chocolate.

Depois:

- Não, eu não concordo com o encarregado dessa sede, porque o encarregado dessa sede está fazendo isso, está fazendo aquilo.

- Mas quem é o senhor para não concordar ou concordar? Se o senhor tem alguma queixa vá procurar um superior seu e abra-se com o seu superior, mas quem é o senhor para emitir um juízo? Não tem sentido.

O que é isso? Orgulho, vício do orgulho.

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Oração para colocar o hábito, conforme consta no Ordo do São Bento:


Ao colocar a túnica: O próprio do escravo é ser o último dos homens (oscula a túnica), sem direitos, sem honras, sem susceptibilidades. Nada tendo e nada valendo, mesmo quando incumbido de funções talvez importantes. Pois o escravo, mesmo nessas funções é mero escravo feito para cumprir a vontade de seu dono, aceitando sem entender, fazendo o que não quer e recebendo como merecidas todas as humilhações.

Ao colocar o escapulário: Pois Ele, ó minha Mãe, o Rei da Glória (oscula o escapulário) por amor a nós foi lesado em todos os seus direitos, privado de todas as suas honras, reduzido a um réu, carregado de ignomínias, inferior até mesmo a um escravo. Ele o Rei do Universo, o Senhor do mundo, para obedecer ao Pai Celeste até a morte, e morte de Cruz, sofrendo no terror e no pavor o martírio sacrosanto, recebendo como esmola o gesto da Verônica e o vinagre dos verdugos. Ele, o Cordeiro sem mácula, o Leão de Judá, a Sabedoria Eterna e Encarnada.

Ao colocar a corrente: Assim pois, ó minha Mãe, em memória deste imortal e augustíssimo exemplo, derramai sobre nós essa despretensão (oscula a corrente), que vinda d'Ele encheu Vosso Coração, como o oceano enche as vastidões que lhe são destinadas como receptáculo.

Ao colocar o terço: Que Vossa despretensão nos cubra e nos sepulte em Vós, ó Auxilio dos Cristãos (oscula o terço), de sorte que não sejamos outra coisa senão míseros escravos desapegados e submissos, sem prestigio aos olhos do mundo e mesmo daqueles que nos são mais próximos.





D. No tocante à integridade contra-revolucionária


Jour-le-jour” 27/7/97 - JC lê e comenta o que Dr. Plinio disse numa reunião do ano de 90:


Agora ele vai dar uma explicação que é muito útil para nós. Essa explicação é muito, muito, muito útil. É a radicalidade no que diz respeito à integridade do bem.

Ele é ardoroso aderente à explicitação feita por São Tomás de Aquino que se encontra umas sete vezes ao longo da "Suma" e ele tinha encanto por essa afirmação: "Bonum ex integra causa, malum quacumque defecto". O bem procede de uma causa íntegra. O que é o mal? Uma simples mossa no bem já é o mal, qualquer defeitozinho no bem já começou o mal.

Agora princípio eminentemente Plinio Corrêa de Oliveira, que ele vai explicar aqui. Esse não é São Tomás não, é princípio eminentemente Plinio Corrêa de Oliveira. Qualquer princípio de mal não pára. Introduziu-se o princípio, ele quer chegar até o fim. Então, o auge do mal já se encontra no primeiro passo que ele dá.

Um pouco que a gente conceda ao mal, esse pouco que se concede leva ao extremo do mal. (...)

Segundo ponto: não é possível o mal conviver com quem ama inteiramente o bem sem odiar. Porque aquele "inimicitias ponam" tem como ponto de partida o ódio que o mal tem com qualquer forma de bem que tenha uma razão de integridade. Um bem assim de uma vovó boba qualquer... passa. Mas, quando tem integridade, qualquer que seja, não querem, não aceitam e fica-se inimigo.

Alguém dirá: "Mas, como é no bom?"

Eu digo: a inimizade para o mal também foi feita por Deus. E quando não sente é porque não é bom! Quer dizer, o sujeito quer saber se ele é um bom, um dos elementos que ele tem que ter é a inimizade com o mal.

Bom, e o demônio em nossa época inventou exatamente essa posição de terceira força, que é uma posição que não é inimizade nem com o bem, nem com o mal, e que se chama ecumenismo, em que o bem e o mal não se odeiam, convivem.

(...) o pecador de meio termo é um dos mais graves pecados que a humanidade tenha cometido. Não existe pecador de meio termo. Existe aquele que, debaixo da máscara do meio termo, conspira para derrubar os outros.


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Jour-le-jour” 12/3/97:


Quando nós entrarmos em concordância com um ponto, por menor que seja, da Revolução, nós entibiamos nossas almas para a Contra-Revolução. E temos o nosso espírito, portanto, amolecido em relação à admiração a tudo aquilo que representa para nós nosso Pai e Senhor, tudo aquilo que representa para nós a RCR, o livro da nobreza, o “Em Defesa”, o que seja, a obra dele, ele. Ele para nós fica esquecido. Nós com isso, numa concessão pequena que façamos, essa concessão pequena atrai outras.

(...) Um pecado, uma concessão pequena nossa que nós façamos à Revolução -- é nada, é um relógio que nós gostamos que seja revolucionário, é uma maneira de ser revolucionária, é uma palavra revolucionária, é um cartaz que nós olhamos que seja revolucionário que esteja pelas ruas, às vezes nem precisa ser um cartaz imoral, se for imoral pior ainda, mas um cartaz que seja propaganda de algo revolucionário e que nós não saibamos rejeitar --, nós estamos introduzindo em nossa alma uma cadeia que nos levará a ter frieza em relação ao santo sepulcro do século XX. Este santo sepulcro do século XX é, para nós, Luís Plinio Elias do Sapiencial e Imaculado Coração de Maria e de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano.

Ou nós temos nossas almas fervorosas em relação à Contra-Revolução posta na pessoa dele, da mentalidade dele, em tudo aquilo que ele significa, ou, como eu dizia na segunda-feira, nós vamos ser julgados. Mas não pensem que são só julgados os maus e os bons não vão ser julgados.

Quem é o bom que pode atirar a primeira pedra? Quem é o bom que pode ficar fora desse julgamento? Quem é aquele bom que pode dizer: "Não, eu não, eu não vou estar. É bom que o Sr. Dr. Plinio venha e que julgue, porque assim eu assisto com os cotovelos postos numa cadeira e vão vendo todo o mundo que é ruim, porque eu sou bonzinho"?

Então é preciso que nós tenhamos, para estarmos preparados para o dia desse julgamos, a alma fervorosa, a alma cheia de entusiasmo pela Contra-Revolução, a alma cheia de ódio em relação à Revolução. Uma espécie de rejeição a tudo aquilo que não é dele, a tudo aquilo que seja contrário a ele, rejeição completa, total, nenhuma concessão.


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Uma das canções que os asseclas de JC mais repetem nas suas cerimoniazinhas é a seguinte --com base num texto de Dr. Plinio:


Quem somos nós? Os que não dobraram os dois joelhos, e nem sequer um só diante de Baal. Os que temos a Lei de Deus escrita no bronze de nossas almas, e não permitimos que as doutrinas deste século gravem seus erros sobre este bronze que, sagrado, a Redenção tornou.

Quem somos nós? Os que amamos como o mais precioso dos tesouros a imaculada pureza da ortodoxia, e que recusamos qualquer pacto com a heresia, suas obras e infiltrações.


Ora, eles permitiram que a doutrina democrática se introduzisse no fundo de suas mentalidades, pactuaram com a Missa Nova e fazem cortejos em honra de Prelados progressistas.





IV. Em relação à santidade


Para uma cabal compreensão de vários documentos deste item, recomenda-se ter presente o estado de espírito de JC manifestado por ocasião da ruptura com a TFP Americana --mais exatamente, nos telefonemas aos senhores Luiz Antônio Fragelli e Fernando Antunez--, bem como no calhamaço “Juizo Temerário”.


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Nós temos que ser santos de altar:


a) “Jour-le-jour” 31/3/97:


Nós temos que ser santos de altar, temos que ser escravos perfeitos, perfeitíssimos.

b) Frase de JC emitida numa cerimônia realizada na igreja da Consolação:


Minha Mãe, eu quero sair desta igreja no dia de hoje com este desejo, com este propósito: fui chamado à santidade e quero ser santo. (Cfr. Boletim “Ecos de Fátima”, da “TFP” Espanhola, outubro de 1998, artigo intitulado “Yo quiero ser santo”).



c) Boletim “Salvadme, Reina de Fátima” (ano 3, nro.4), editado pelos renegados no Chile (traduzido para o português):


Lição viva de uma bondade a toda prova e de um ânimo inesgotável, [JC] em sua visita ao Chile realizou numerosas reuniões para os coordenadores da campanha, e inclusive atendeu em particular a muitos deles. Suas palavras tiveram a unção própria para arrastar as almas no caminho da virtude e do bem: “sean santos, não santos quaisquer, mas santos de altar”, foi seu constante chamado.


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A santidade está em manter a paz - Reunião na Saúde, 20/9/95:


O estado "flashoso" de todo membro do Grupo é, antes de tudo, manter essa paz, aconteça o que acontecer. (...) A santidade está em manter essa paz. Os senhores analisem a fotografia de qualquer santo, analisem a pintura de qualquer santo; os senhores verão que qualquer santo tem essa característica comum: paz. (...) A paz a gente não perde em ocasião nenhuma. (...) E por isso que a gente insiste com esses eremitas tão bons, de São Bento e de Praesto Sum: "Não corram com hábito! Não subam escadas correndo com hábito! Olha, com o hábito tem que manter aquele passo! Cerimonial, cerimonial, com o passo lento!" (...) Por quê? Porque é para ir criando uma segunda natureza de espírito de paz. A partir do momento em que a gente cria uma segunda natureza de espírito de paz, nós criamos as condições para a santidade. Sem a paz não se tem santidade.


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Santo é aquele que nunca se deixa tomar pelas emoções - Reunião na Saúde, 30/4/96:


Se o senhor for tentar tirar o Sr. Dr. Plinio do equilíbrio emocional dele, não consegue.Ele é um homem que não tem grandes alegrias, de ficar eufórico e dizer: "Que fenomenal!" Ele é um homem que o senhor nunca vai encontrá-lo na tristeza e no abatimento. Ele está sempre quase que igual na alegria e na tristeza, ele não se deixa tomar de jeito nenhum pelas emoções.

Isto se chama santidade, porque o santo é aquele que nunca perde as rédeas de sua alma, ele sempre tem as rédeas de sua alma nas mãos.

É o elogio que é feito ao Frei Galvão de Souza lá na Igreja da Luz. Eu não me lembro bem em latim, mas é isso, que ele sempre teve a alma dele nas mãos.

O senhor vê que a origem, a raiz, a causa principal da combatividade é essa serenidade, é nunca perder a serenidade.O cowboy está num estado de espírito oposto. Ele precisa se excitar para poder fazer um ato heróico, para praticar um ato de intrepidez, para ser intrépido. Para ele poder salvar alguém e não sei quanto, ele precisa açodar o cavalo dele, esporear o cavalo, chicotear o cavalo, o cavalo sai numa disparada do outro mundo, e ele então quase que na horizontal, bang, bang!...

Isso é heroísmo? Não, isso é nervosismo.

Para ser herói é preciso nunca perder a calma, porque é do estado de calma que parte toda uma análise equilibrada a respeito da situação e dali parte todos os atos de heroísmo sem, durante o ato de heroísmo, perder a calma.

-- Ah, mas não se pode ser ágil?

-- Seja ágil como um Anjo, mas não perca a calma.

A verdadeira combatividade não é a do cowboy, o nervosismo é do cowboy, a verdadeira combatividade é a do santo.

(...) Este é o estado de espírito por onde a gente parte para qualquer ato de heroísmo, é o estado de espírito antiemocional, é o estado de espírito sereno, tranqüilo, tendo as rédeas da sua alma nas mãos.

(...) A virtude da fortaleza é a virtude pela qual o homem participa da própria força de Deus. Para participar da própria força de Deus é preciso ter uma virtude auxiliar chamada combatividade, que é toda ela feita de agrede, do latim, daquele instinto de agressão, de agredir, de tomar a iniciativa da luta. Mas sem perder a calma, porque se perder a calma deixou de ter a virtude da temperança e a virtude da combatividade transformou-se em nervosismo. Para que seja a verdadeira virtude da combatividade é preciso que ela esteja sustentada pela virtude cardeal temperança.


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O santo procede com educação, cordura e equilibrio perante o ódio e ofensas do adversário - “Jour-le-jour” 21/4/96:


Quando houve o estrondo [do Mutuca] eu me senti arrasado. Sobretudo na noite de 7 de julho, quando houve uma conversa do Sr. Dr. Plinio com aquele Walter de Oliveira que entregou duas [cartas] para o Sr. Dr. Plinio no segundo andar da Alagoas. (...) Abriu o envelope do Walter de Oliveira e leu. É de uma educação impressionantíssima, de uma nobreza de trato, mas, olhe aqui, paradisíaco. Paradisíaco terrestre, agora ele é paradisíaco celeste.

Ele podia ter pegado os dois envelopes e dizer: "Muito obrigado e até logo".

Olhem que é um adversário, é um sujeito que tem ódio, é um sujeito que vem ali para ofender, é um sujeito que vem para manifestar desconfiança. Ele o que faz? No meio desta ofensa toda ele, por educação, toma o envelope do Walter de Oliveira, abre o envelope na frente dele, tira de dentro a carta dele e lê a carta dele toda na frente dele, sem fazer nenhum comentário.

Termina a carta e ele diz:

-- Eu entendi bem tudo o que você quer me dizer. Você me dê algum tempo que eu responderei a sua carta com muito gosto.

Depois de eu ter lido essa carta, o meu ímpeto era ler a carta e logo dar um berro!

Nada, aquela educação impressionantíssima. É aquela cordura, aquele equilíbrio de alma que têm os santos quando são perseguidos por amor à justiça, é o Espírito Santo na alma deles. Tomou aquilo com paz, com tranqüilidade (...)


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Quando um santo é humilhado, toma isso com mansidão, nunca retruca de modo ácido, e apresenta explicações com afabilidade - Reunião do 21/4/96, para CCEE - JC lê e comenta um texto de Dr. Plinio a respeito do modo de ser de Dona Lucilia


Ninguém pode ter idéia do que era a mansidão dela. A educação não impede a ingratidão e ela passava por coisas difíceis”. Nunca retrucava, nunca redargüia de modo ácido. Apresentava sempre uma explicação do que fazia de modo lógico, com afabilidade, ficando quieta sem azedume.


Isto significa ausência de amor próprio, isto significa santidade. É um documento de santidade, é um santo falando sobre uma santa. [Aplausos]. Ela era atormentada, ela era humilhada, ela era posta numa situação de indignidade. Ela tomava isso com mansidão, nunca retrucava, nunca redargüia de modo ácido, apresentava sempre uma explicação do que fazia de modo lógico, com afabilidade, ficando quieta sem azedume.


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É preciso aceitar os sofrimentos, as injúrias, as difamações, as calúnias, as perseguições, as incompreensões, tudo com calma e paz de espírito plinianos - “Jour-le-jour” 30/5/97:


[Talvez exista dentro do Grupo] gente que, de repente lhe acontece alguma coisa, e esperneia, estrebucha, não aceita, etc., diz que é uma injustiça. Não, não, não: aconteceu, foi porque a Providência permitiu. "Nenhum cabelo cai de sua cabeça, sem que a Providência o saiba." Se caiu cabelo, foi porque a Providência permitiu. Se até um cabelo que cai, é a Providência que permite, muito mais ainda os acontecimentos da vida de todos os dias!

Então, se me acontecer um desastre, um infortúnio, um drama qualquer, eu não devo estar julgando que aquilo para mim é demais, que a Providência me abandonou, que eu estou esquecido, etc. Aconteceu, aconteceu!

[Atitude errada:] "Ah, mas uma coisa tão grave, uma coisa tão absurda!! [Atitude correta:] "A Providência permitiu, eu não sei por que razão. Uma delas será pelas minhas faltas, porque eu as tenho, será pelas minhas misérias, porque eu as conheço de perto. Então, uma razão bem clara é: para castigo meu. Ótimo! Eu sendo castigado aqui na terra, menos serei depois, na eternidade; e meu purgatório será mais rápido, mais suave." (...)

Um dia nós vamos fazer uma reunião só sobre o Purgatório. (...) Aí a gente vai ver que horror é o Purgatório, e como a gente deve evitar de ir para o Purgatório.E um dos meios de evitar é aceitar os dramas, é aceitar os sofrimentos, as injúrias, as difamações, as calúnias, as perseguições, é aceitar as incompreensões, tudo com calma e paz de espírito plinianos: "Olhe aqui, isso é feito assim; está bom, eu aceito, porque a Providência quis e está acabado; por alguma razão eu mereço." Mais tarde a gente vai compreender a razão de tudo aquilo. Imaginem quanto o Sr. Dr. Plinio deve ter compreendido os estrondos todos que fizeram contra ele, no momento em que ele chegou na eternidade: glória atrás de glória, atrás de glória.


(Pedro Morazzani [pai]: No ano de 81, em Amparo, o Sr. Dr. Plinio dizia numa reunião, que tudo o que acontecia na vida de um homem era conveniente e bom para a santificação dele.)

Está vendo? É evidente, é bem isso; está bem lembrando. Ou seja, tudo o que acontece em nossa vida, é útil, é conveniente, é bom que aconteça, para nossa santificação. Tudo!


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A santidade não está em julgar-se um colosso - “Jour-le-jour” 22/1/96:


A santidade está muito mais em reconhecer que a gente tem faltas do que em julgar que a gente é um colosso.


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A santidade se percebe nas ramagens últimas da vida da pessoa - Reunião para os veteranos 26/3/96 - JC cita com visível simpatia a seguinte frase do Pe. Royo Marin:


O amor de Deus quando é intenso, o amor de Deus quando é vigoroso, este amor de Deus se manifesta mais e se percebe mais nas ramagens últimas. É na filigrana da vida da pessoa que aparece a santidade”.


Mais adiante, nessa mesma reunião, JC repete complacido o seguinte dito de Santa Teresinha:


"Quanto eu gostaria de num lugar oculto qualquer deste mundo estar praticando atos que dessem alegria a Deus, mas que Ele não soubesse que sou eu para não ter que agradecer".


É bonito, é muito bonito (1).


Comentários

  1. Mas JC deve ter uma via de santificação diferente --e certamente mais alta-- que a de Santa Teresinha, porque quando faz atos de “virtude” ou recebe comunicações “místicas”, gosta de publicá-los.


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As duas notas tônicas de nossa via de santificação: a benquerença e o anti-igualitarismo - Reunião para CCEE, 4/10/96:


Esses dois modelos [Dr. Plinio e Dona Lucilia] nos indicam um caminho, esses dois modelos nos indicam uma via de santidade. Falo dela primeiro, porque as damas devem vir na frente. Então falo dela primeiro.

Ela, completamente feita de amor de Deus. Amor aos outros por amor de Deus e de uma bondade tocante, de uma bondade assumiente, de uma bondade envolvente, de uma bondade penetrante, pervasiva. Basta olhar para uma foto dela que a gente já se sente tomado pela bondade dela.

Esta é a via de santidade que ela nos abre para agora e para o Reino de Maria. Ou seja, benquerença entre os bons, mas uma benquerença levada até as suas últimas conseqüências.

Essa benquerença não se cifra no liberalismo. Pelo contrário, ela é muito radical, ela é muito intransigente e ela em matéria de princípios não cede. Em matéria de moral e matéria de princípio não cede. Se a moral dá esta orientação, é por aqui que nós devemos seguir. Portanto, firme na sua moralidade, firme nos seus princípios, e firme a mais não poder.

Este é o exemplo de santidade que ela nos dá, e nós, portanto, devemos ser para com os outros pacientes, benignos, dispostos a perdoar tudo, sempre prontos a ajudar a esta, aquela, aquele, aquele outro, sempre, que é justamente o modo de ser dela. Este é o trato que o Sr. Dr. Plinio quis antes de falecer, no dia 19 de agosto neste auditório foi o que ele disse. O que ele queria era que nós evitássemos que o demônio produzisse entre nós divisões. Ou, por outras palavras, que nós nos quiséssemos tão bem, quanto ela, Sra. Da. Lucilia, nos quer. No fundo é isso.

Então aqui o senhor tem um aspecto da santidade, que é acentuado por ela, mas que existe nele também. Nele, o homem antiigualitário por excelência, o homem feito de justiça. A justiça de Deus está aí refletida de uma forma claríssima. Dar a cada um aquilo que é seu.

O saber dar a cada um aquilo que é seu, esta é a via de santidade nossa. E ter um tal horror, um tal ódio ao igualitarismo, um tal ódio à Revolução, que nós sejamos uma tocha ardente de Contra-Revolução.

Depois, saber amar, mas amar com um amor sem limites, a grandeza, quando a grandeza é um reflexo de Deus.

Portanto, nossa via de santidade consiste em, primeiro, compreendermos, depois imitarmos, mas termos um amor superexcelente aos dois modelos que a Providência nos deu. Ela pôs esses dois modelos diante de nossos olhos e quer que nós conheçamos a vida de um e a vida de outra, e conhecendo a vida de um e a vida de outra pautemos as nossas vidas em função deles.

(...) Uma é a bondade, outra é a grandeza e o antiigualitarismo. Essas são as duas notas tônicas que nós devemos ter na nossa via de santidade.

(...) o revolucionário deve sentir de nossa parte uma repulsa, mas uma repulsa com um desprezo no que ele tem de igualitarismo, no que ele tem de vulgar, no que ele tem de espírito de Revolução Francesa, espírito de Revolução Comunista.


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Na nossa via de santificação, quem não aceita o rio chinês, estraga tudo - Reunião para EEII, 6/10/96:


(Aparte: Sr. João, eu me lembro que há alguns meses atrás o senhor teve a bondade num "Jour le Jour" de ler um texto que o Sr. Dr. Plinio contava qual era o ponto vivo dele, não é? Eu pediria ao senhor para nos contar qual o ponto vivo do senhor.)

Posso. Eu conto porque nós somos irmãos no entusiasmo pela itinerância, senão não contaria. (...) O ponto vivo é esse: é imaginar o pensamento e a ação como sendo uma flecha ágil, veloz, certeira, que vara todos os ares e chega ao seu alvo com exatidão e o mais prontamente possível. Então um certo gosto das coisas que chegue logo ao seu objetivo.

Ou seja, um gosto das últimas conseqüências atingidas o mais rapidamente possível. [Aplausos] (...)

Custou, mas custou anos, para não dizer que custaram décadas, de a Providência colocar em meu caminho não só uma senhora, mas essa senhora me obter graças da Providência para adquirir um aspecto que eu não tinha, um dom que eu não possuía, e foi ela quem pôs a mão aveludada e que acabou ajeitando, para compreender o seguinte:

Em desenho, em planejamentos postos em papel, a reta é a mais curta distância entre dois pontos. Eu sempre tive este princípio como sendo absoluto, inclusive no que diz respeito à diplomacia, à política e a todos os outros princípios em todos os outros campos. Sobretudo na guerra, então, a reta é o que une logo os dois pontos e está acabado.

Mas é que na nossa via espiritual -- e isto foi duríssimo eu adquirir, me dobrar, e foi ela quem conseguiu com muito apostolado feito por ele -- para nós o caminho mais curto entre dois pontos é o rio chinês. Se o senhor quiser pôr a reta, o senhor estraga tudo.

Então foram anos, anos e anos, onde ele foi trabalhando de um lado, ela trabalhando de outro, e os dois puseram-me na alma -- apesar de eu querer as últimas conseqüências, os últimos objetivos o quanto antes -- a calma, a paz, a serenidade que se deve ter dentro do rio chinês.

Quero chegar logo, mas dizem:

-- Entre na esquerda.

-- Ah é para a esquerda? Está bom, é para a esquerda.

No começo dizia:

-- Mas o objetivo está lá!

Agora não:

-- Vamos para a esquerda.

Quando está lá embaixo diz:

-- Agora sim, agora volte para a direita.

Volta para a direita. -- Agora é reta ali. -- Não.

Quando a gente realiza o que tinha esperança de realizar, realiza com uma plenitude muito maior do que aquela que a gente tinha imaginado na reta. A reta nos daria cem; dentro do caminho mais curto que é o rio chinês o resultado é mil.

(...) Mas nós devemos conservar aquela noção:-- Não tem dúvida, eu vou dando a volta, não tem nada, eu vou até lá embaixo. Tem que ir até aqui? Está bom, está ótimo. E agora daqui o que é que eu faço?

-- Daqui volta para trás?

-- Ah volta para trás? Está bom, volto para trás.

Eu fico esperando o dia, porque no dia todas essas voltas significam porcentagens a mais, porcentagens a mais, porcentagens a mais. Se era cem, passou a duzentos, passou a trezentos, quando eu voltei para trás quinhentos, quando eu fui para lá passou para oitocentos, vim para cá de novo mil, quando eu chegar vai ser, olhe aqui, trinta vez mais do que eu esperava.

Se vai rendendo juros no meio do caminho, tanto melhor.


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Perante as surpresas que vem pela frente, precisamos conservar a paz e confiar - Conversa de JC com eremitas de São Bento- Praesto Sum, 15/5/96:


É tanto sonho, tanta aparição, tanta... que o senhor não tem... eu prefiro me guiar pelas brisas que eu vou sentindo, entende...

Pode ser que eu me engane, mas eu acho que vêm surpresas. São surpresas boas e surpresas más, mas que no fim, ele [Dr. Plinio] vai pondo a mão aqui, lá e acolá e vai dando tudo certo, mas que nós temos um caminho coalhado de surpresas e que a gente tem que ter essa fisionomia: de paz, de confiança, se bem que com um ponto de interrogação no fundo da cabeça.




V. Dois pesos e duas medidas


A. Se for para favorecer a JC, a TFP Brasileira pode e deve intervir nas outras TFPs. Do contrário, não pode


Em outubro de 1996, a propósito da ruptura entre a TFP Americana e JC, um dos mais qualificados expoentes do joanismo afirmou:


En mi opinión, si la TFP americana continúa en esa posición, deberia ser intervenida por la TFP madre, que es la TFP Brasileña. Si desde el punto de vista jurídico no tiene atribuciones, creo que lo tiene desde el punto de vista moral.

(Cfr. Grafonema confidencial de Storni para André Dantas, 4/10/96).


Es natural, es orgânico, es indispensable, que la TFP brasileña, con sus órganos directivos nombrados oficialmente y que no han sido puestos en duda por nadie, tenga, como TFP madre, una legitima autoridad moral sobre las demás TFPs. Es natural también que los Provectos mantengan la autoridad, la influencia y la lideranza que siempre tuvieron, e inclusive que hagan valer esa autoridad cuando sea necesario.

(Cfr. grafonema de Storni, para Dr. Mário Navarro, 10/12/96 p.4)


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Um ano depois, em outubro de 1997, Ramón León, por grave ato de rebeldia contra a autoridade constituída, foi merecidamente expulso da TFP Brasileira, e os Provectos determinaram que ele não poderia ser acolhido em nenhuma sede do Brasil nem do Exterior. Mas os adeptos de JC protestaram veementemente contra essa “intromissão” nos Grupos do Exterior.





B. Um depoimento é idôneo desde que seja favorável a JC. Se não for, não é idôneo


Referindo-se a depoimentos de membros do Grupo que não aderiram à Revolução Joanina, Patrício Amunátegui afirma:


Se entrarmos a analisar a idoneidade das testemunhas, desde logo essas duas perderão bastante valor, pois estão envolvidas na campanha de calúnias contra o Sr. João Clá. No antigo código de direito canônico era considerada testemunha suspeita quem tivesse inimizade pública e grave com a outra parte.

(Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.94)


Mas esse critério não vale em se tratando de depoimentos dos joaninos envolvidos na campanha de difamação contra os Provectos. Daí, por exemplo, o fato deles transcreverem com a maior desfaçatez extensos relatórios de Geraldo Martins, e basearem neles graves acusações contra os Diretores da TFP (cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" pp. ).




C. Fazer correr que a gente conta com o apoio esmagador da maioria das TFPs não é próprio de quem defende a boa causa


Segundo JC, os que “promoveram” do distanciamento da TFP Americana em relação a ele:


fazem correr em Spring Grove que eles contam com o apoio da maioria esmagadora das TFPs, e de que estou enfrentando oposição inclusive nos Eremos de São Bento e Praesto Sum. Com isso procuram incitar os indecisos a aderir a eles (...). Ora, quem tem certeza de estar defendendo a boa causa não tem necessidade de lançar mão de recursos desses.

(Cfr. fax de JC para o Sr. Fernando Antunez, 25/11/96, p.8)

Quase dois anos depois, os joaninos espalharam pela imprensa que constituem o 80% do total de sócios e cooperadores da Entidade (Cfr. Revista “Isto é”, 24 de junho de 1998, 8 de julho de 1998).

E no calhamaço "E Monsenhor Lefevre vive?" (p.111) encontra-se esta frase: “ (...) o Sr. João Clá e a esmagadora maioria dos sócios e cooperadores da TFP brasileira, por terem aberto o processo civil (...)”





D. Ninguém pode intrometer-se num setor que não lhe pertence e dar instruções


Fala JC:


Quando foi enviado aos Estados Unidos o texto da ‘famosa’ reunião primeira para os veteranos, (...) o Sr. Mário [Navarro] teria chamado o Sr. Peter Siwick, encarregado do êremo, e depois o Sr. Edmundo Bianchini, encarregado da camáldula --ambos subordinados a mim, note-se--, e dado instruções de como deveria ser comentado tal texto.

A partir do momento em que seja aceito no Grupo, como normais, atitudes com esta, em que alguém pode se intrometer entre um superior e seus subordinados para conduzir estes à desobediência, e num assunto de tal gravidade, é bem o caso de dizer que o Caos venceu aqui dentro.

(Cfr. fax de JC para o Sr. Fernando Antunez, de 25/11/96, p.3).

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Segundo André Dantas, vários membros da TFP Americana tentaram “conscientizar correspondentes canadenses e não sabendas do senhor [Marcos Faes], interferindo assim, desleal e indevidamente, numa área alheia a eles”. (Cfr. Grafonema para Marcos Faes, 19/11/96. p.20).





E. Gravar fitas de telefonemas, a não sabendas do interlocutor, e depois passá-las a terceiros, não é leal, nobre, nem reto


Segundo relato de André Dantas a Marcos Faes (27/10/96), depois que o Sr. Mário Navarro descreveu a JC a indignação do Pe. David a propósito do que tinha acontecido em Cardoso Moreira numa apresentação do coro e da fanfarra, JC “quis dar um telefonema ao Pe. David para tirar bem a limpo do que se tratava. Evidentemente, gravou este telefonema para efeitos de dar conhecimento ao Sr. Mário da situação exata relatada pelo próprio Pe. David. Assim, ato contínuo ao referido telefonema, o Sr. João passou a fita para o Sr. Mário ouvi-la (...)”.


Mas, o Sr. Mário, “não achou nada mais elegante, nobre, leal e reto do que dizer ao Pe. David que o Sr. João havia gravado tal telefonema e lhe havia passado palavra por palavra, a fim de que ele as ouvisse”.


O Sr. bem pode imaginar o quanto isso é tendente a semear discórdias desnecessárias. O Sr. Mário (...) sabe perfeitamente que este é o melhor meio para romper uma velha e respeitável amizade. Ele passou por cima de todas as regras de cortesia, de fraternalidade, de honestidade (...)”


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No libelo "Quia nominor provectus" p.47, consta que o joanino José Eduardo Pinheiro, gravou, com a maior deslealdade, uma conversa telefônica na qual Dr. Luiz falou para ele, e a pedido dele, uma série de verdades a respeito de JC, e depois passou a fita para seu senhor.





F. Os joaninos acusam a TFP Americana de incorrer naquilo que todo mundo sabe que eles fazem sistematicamente há anos


Segundo André Dantas, na TFP Americana:


- “um sistema de vigilância constante procura detectar qualquer desvio do modo de pensar oficial, qualquer hesitação, e logo se denuncia o suspeito à cúpula; passou a reinar um clima de desconfiança de uns em relação aos outros”. (Cfr. Grafonema para Marcos Faes, 19/11/96. p.9).

- um fax enviado por uma moça de 16 anos de idade a JC, “que ficou na memória do aparelho do Sr. João ou na lata do lixo”, os “rebelados foram lá escarafunchar, o que aliás já é uma falta grave, pois nenhum súdito tem o direito de violar a correspondência de um superior, mesmo porque terá em mãos comunicações de outros súditos”. (Cfr. idem p.17).

- “os rebelados de Spring Grove”, “procurando levantar súditos contra seu superior”, incorrem em “algo muito grave, segundo todos os canonistas”. (Cfr. idem p.22).

- “nas revoluções, é preciso sempre haver uma novidade chamejante que entretenha o fogo dos radicais mantenha a cabeça unida ao corpo da cobra, segundo a metáfora de nosso Pai e Fundador”. (Cfr. idem p.24).





VI. Quanto a “acordos”: sejamos sérios ...


Ramón León, referindo-se à “amende honorable” que os Diretores da TFP colocaram a seu alcance no dia de sua revolta, disse:


Sejamos sérios: após dois anos de vacilações inexplicáveis, quem pode ainda acreditar nessas palavras. (...) A partir de agora, para se chegar a qualquer entendimento, serão necessárias garantias muito firmes.

(Cfr. "Quia nominor provectus", p.60)


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No dia 22 de fevereiro de 1999 um dos advogados dos sediciosos, Dr. Verry, procurou ao Dr. Perissé, advogado nosso, quase que implorando um acordo.

No dia seguinte, enquanto começavam as negociações, por debaixo do pano JC entrava com um inquérito policial contra Dr. Plinio Xavier. Eis o texto da queixa:

Ilmo. Sr. Delegado do 77 distrito policiial

JSCG, brasileiro (...) vem à presença de V. Sa. (...) requerer a instauração de inquérito policial (...) em razão dos fatos a seguir expostos.

(...)

6. (...) duas colaboradoras das campanhas promovidas pela TFP, reputando que existem reiterados desmandos na Diretoria da Sociedade, notadamente na área financeira, e na área de divulgação de campanhas religiosas, solicitaram a instauração de inquérito policial [perante o DECON], onde se apura prática de eventual delito. 7. Durante o trâmite do referido inquérito (...) foram tomadas várias declarações, dentre elas as declarações de (...) o Sr. Plinio Vidigal Xavier da Silveira.

8. A referida pessoa, (...) fez consignar no termo de Declarações a esdrúxula afirmação: “(...) um grupo de dissidentes chefiados por JSCD (...) tem movido ações do mais baixo nível, para prejudicar a Entidade, como por exemplo a profanação de sepultura dos membros da Entidade, delas retirando os nomes do Dr. Paulo Ulhoa Cintra (...) e o nome de um irmão do declarante Fábio Vidigal, conforme fotografias anexas (...)”

9. Tal afirmação, feita diretamente à Autoridade Policial do DECON, além de violentamente ofensiva é infundada, imputou ao Requerente a prática do crime previsto no art. 210 do Código Penal, qual seja o de violação de sepultura (...).

10. Convém salientar, a título de mera argumentação, que a ilibada conduta do Requerente pode ser atestada por milhares de pessoas, de norte a sul do país e nos quatro cantos do mundo!

11. E mais, Plinio Vidigal Xavier da Silveira tem absoluta certeza, total convicção, que o Requerente jamais, em nenhuma hipótese, profanaria uma sepultura. Imputar tal crime ao Requerente, criado dentro dos mesmos princípios religiosos e morais do Requerido é manchar, macular de vez toda a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade!! (*)


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(*) Mas, JC --ou seus agentes-- imputar crimes ao Príncipe Dom Bertrand ou aos Provectos, criados dentro dos mesmos princípios religiosos e morais que ele, não é macular de vez toda a TFP? Por que razão num caso sim é macular toda a TFP, e noutro caso não é? Resposta: é que JC personifica a TFP. ------------------------


No dia 24, a Dra.Teresa Alvim, chefa dos advogados desses que afirmam viverem “à procura da perfeição cristã”, telefonou ao nosso advogado, Dr Perissé, contando que seu subordinado, o Dr. Verry, não conseguiu convencer os “rapazes” de devolverem os bens que a TFP pediu, mas que ela vai conseguir, tanto assim que os “rapazes” já estavam indo falar com ela sobre isso ...




VII. Critérios para analisar a hipocrisia joanina: As Sagradas Escrituras e a RCR A resposta de JC a uma carta-memorandum dos Provectos termina reproduzindo a seguinte sentença das Sagradas Escrituras, e portando do Divino Espírito Santo:


O mexeriqueiro e o homem de duas linguas é maldito, porque perturba muitos que vivem em paz. A (má) lingua de um terceiro inquietou a muitos, e dispersou-os de povo em povo. Ela destruiu as cidades muradas dos ricos e fez cair as casas dos grandes. Dabaratou as forças dos povos e desfez as nações fortes (Eclesiástico, 28, 15-28). (Cfr. “Juízo Temerário”, p.278)


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Trecho das Sagradas Escrituras publicado em "E Monsenhor Lefevre vive?" p.146:


Ai de vós escribas e fariseus hipócritas! Porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o tornais duas vezes mais digno do inferno do que vós. (...)

Estultos e cegos! (...) Condutores de cegos que filtrais um mosquito e engolis um camelo! (...)

Ai de vós escribas e fariseus hipócritas! Que sois semelhantes aos sepulcros branqueados que por fora parecem formosos aos homens, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda podridão. Assim também vós por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniquidade. (...)

Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?


No evangelho de São Mateus, 23, 1-34, de onde o autor do libelo joanista tirou esses parágrafos, figuram mais caraterísticas dos fariseus. Como por exemplo: a) não faziam aquilo que pregavam (versículo 3); ostentavam religiosidade e piedade, pois faziam todas suas ações para serem vistos pelos homens e por isso gostavam de colocar enfeites chamativos em suas vestes (versículo 5); tinham uma sede insaciável de preeminência em todos os lugares e eventos (versículo 6); por um lado cumpliam rigorosamente as prescrições rituais da Lei, e inclusive prescrições que a Lei não estabelecia, e por outro lado, abandonavam o que havia de mais importante na Lei, isto é, a justiça, a misericórdia --no sentido de caridade em relação ao próximo-- e a fidelidade --quer em relação a Deus, quer em relação ao próximo (versículo 23); construiam sepulcros aos profetas, ornavam os monumentos dos justos e diziam “se nós tivessemos vivido no tempo de nossos pais, não nos teriamos juntado a eles para derramar o sangue dos profetas”, mas acabaram assassinando a Nosso Senhor (1) (versículos 29-33) (cfr. L. Cl. Fillion, “La Sainte Bible”, tome VII, Paris, Letouzey et Ané éditeurs, 1903, pp. 149-154).


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(1) Quanto a esta última caraterística, cabe lembrar que JC e os eremitas de São Bento e Praesto Sum também gostam de falar mal das infidelidades dos mais antigos membros do Grupo, dando a entender que, se tivessem vivido nos dias deles, teriam sido fiéis a Dr. Plinio, e acabaram incorrendo numa infidelidade incomparavelmente pior contra Dr Plinio.

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Agora palavras de André Dantas, secretário geral da confederação nacional de joaninos do Brasil:


O que é de Deus, o que é do bem, não tem necessidade de recursos tão censuráveis para vencer. (...) O bem é límpido, veraz, luminoso, leal e franco. (Cfr. Grafonema para Marcos Faes, 19/11/96. p.24).


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O que Dr. Plinio ensina no jantar 6/11/91, EANS, explica em alguma medida por que JC pode fazer tantos sermões sobre a “união”, “respeito à autoridade”, “hierarquia”, etc., e ao mesmo tempo semeia a desarmonia, a insubordinação e o igualitarismo dentro da TFP:


A Revolução trabalhou difundindo maus princípios, é uma coisa absolutamente evidente, mas não foi o principal do trabalho dela. Eu já tenho dito várias vezes que por pior que tenha sido o Protestantismo, a Renascença foi mais prejudicial do que o Protestantismo.


E uma das razões pelas quais ela foi mais prejudicial, é porque ela em vez de apresentar os princípios claramente enunciados, como fez Lutero por exemplo --no começo ele tentou não enunciar claramente, mas a polêmica, sobretudo dos jesuítas, com ele obrigou a deitar toda a peçonha dele e dos sucessores dele sobre o papel--, na Renascença isto tudo ficou muito incubado, e muito velado, com forma de graus tão diferentes, que se torna quase impossível uma refutação completa, uma denuncia, e depois uma refutação completa desses erros, sem recorrer ao campo ambientes costumes, no seguinte sentido: sem definir a matéria de ambientes costumes como um campo próprio e distinto de outros campos, sem apontar o modo de ser próprio das idéias quando elas penetram nesse campo.


Por exemplo: a luz quando penetra na água sofre um desvio, se chama refração, e há uma conduta da luz dentro da água, que não é a mesma conduta que ela tem no ar, é meio diferente.


Assim também as doutrinas quando penetram nesse campo elas continuam as mesmas, mas elas sofrem uma refração; e essa refração as pessoas não entendendo, as melhores pessoas estão sujeitas a se tornarem veículos na prática, dos princípios que em teoria elas combatem. E a grande vitória da Revolução foi nesse ponto, esta foi a grande vitória da Revolução.


Isto tem como seqüência o seguinte: é que se pede de nós uma ortodoxia como nunca houve neste sentido, é uma ortodoxia de escafandro que entra nas realidades mais profundas da prática, do concreto, e vai descobrir ali o polvo da heresia, velado, disfarçado, pluritentacular, com ventosas, etc., que devora as multidões sem que elas se dêem conta de si.(...)


Falando ante um público conspícuo como esse que está aqui, eu devo dizer que pelo tempo de Grupo que nós temos, nós devemos estar muito mais destros nisso, conhecer muito mais, saber muito mais, e por causa disso deveria ter tido muito mais ocasião de desenvolver idéias, doutrinas e observações práticas, do que tenho feito até agora, o que não tenho feito porque nós não nos interessamos. Se aprendermos esquecemos logo depois, e este é o nosso defeito.


(...) A ortodoxia “latu sensu”, consiste em possuir o espírito da Igreja. Não só a doutrina, mas o espírito da Igreja. O espírito da Igreja se estende a todo aquilo quanto os ensinamentos da Igreja difundem, ainda que não com caráter dogmático, mas a todos os modos de ser e todos os modos de proceder da boa Igreja tradicional, que contém em si um ensinamento virtual, um ensinamento mudo. E seria preciso ter o senso dos ambientes costumes para conhecer este ensinamento da Igreja, porque sem isto não se apanhou inteiramente como a Igreja é.